terça-feira, 11 de setembro de 2012

Uma Dose de Vodka, Outra de Insônia

Um drink. Dois drinks. Uma dose. Duas doses. Fui ficando tonta. Por que eu bebi tanto, meu Deus? As coisas estavam se movendo rápido demais. Correr? Claro, que ótima ideia. Na verdade, agora que estou correndo, não parece a melhor ideia de todas. Acho que vou vomitar. Não, mentira, não vou. Ah, que hippies legais. Maconha? Não, sinto muito, não fumo. Graças a Deus, um lugar pra sentar e esperar essa tontura de bebida passar. Pelo menos nós estamos todos bêbados. Ainda não de cair, porém, bêbados. Voltar pra o meio das pessoas. Uau, quantas pessoas. Achei meus amigos. E estão todos bêbados. Quanto eles podem ter bebido na minha ausência? Foram só cinco minutos. Não? Quase uma hora? Oh, merda. Hm, parece que esse menino está dando em cima de mim. Descer? Claro, deixe-me ligar pra papai. Espera, dois minutos. Ganhei vinte minutos, vamos a praia. Sexo. O quê? Não é esse o meu nome. Espera, qual o TEU nome? Quantos anos você tem? 28? Inverídico. 29? Também não. 42? Claro que não. Menino, você tá passando bem? Oh, não vomite. Meu celular não tem sinal, que merda. Me dá o teu celular. Qual a senha? 43245 não é. Me diga a senha, você precisa de ajuda. 56739 também não. Vou acabar bloqueando seu celular. Ah, o sinal voltou ao meu celular. Alô? Preciso de você na praia, ele desmaiou. Onde? Aqui perto daqueles restaurantes. Desça, por favor. Ela disse que já vem. Por favor, não desmaie. Vou vestir a blusa. Correndo ladeira acima, de novo. Encontrei-os, graças. Ele desmaiou, venham aqui, por favor. Correndo ladeira abaixo. Quem é você? Ah, obrigada por tomar conta dele. Não, eu não corri com raiva. Estava chamando ajuda. Obrigada, de novo. Água, por favor. Vai ficar tudo bem. Onde estão minhas coisas? E as coisas dele? Pronto, tudo comigo. Ajudem-o a andar. Vamos até o final. Pare de gritar. O que aconteceu? Sexo, foi isso que aconteceu. Mas ele vomitou. É, não deu certo. Esperem, minha mãe tá ligando. O que eu digo? Vamos com a verdade, apesar de ser bem hardcore. Oh, merda. Ela está vindo nos buscar. Cadê Ana e por que ela não atende o telefone? Espero que ele não morra. Olá, Ana. Mamãe está vindo, pra me decepar. Olá, mamãe. Se eu estou bêbada? Não, posso até fazer o quatro pra você. Compartilhar energias com um semi desconhecido? Sexo e amor? Vá catar coquinhos, isso não me diz respeito. Pois é, eu discordo. Sim, eu sei que mulheres também gozam. Pare com isso. Em casa, finalmente. Dormir e acordar.

Bom dia, mundo! Que dor de cabeça do caralho. Bom dia, Ana. Oba, café da manhã. Se eu me lembro de ontem? Sim. Acho que eu vou telefonar pra eles, saber se o menino morreu. Não morreu? Ótimo. Se eu quero falar com ele? Por favor, não! Estou morrendo de vergonha. Ah, er, olá. Está melhor? Sim? Que bom. Vão pegar o mesmo ônibus que a gente? Ótimo. Nos vemos lá. Passa pra outra pessoa, por favor. Obrigada. Alô? Não acredito que você fez isso! Argh. Tudo bem, nos falamos depois. Almoçar? Certo. Merda, vamos perder o ônibus. Não posso perder esse ônibus. Comeremos rápido, certo, Ana? Estamos no ponto. Sim, conseguimos pegar o ônibus. E lá estão eles. Olá. Sim, você estava bêbado. Muito bêbado. E todo o ônibus está ouvindo suas babaquices. Se eu desculpo? Claro. Não estou com raiva. Sou uma santa, eu sei, haha. Beijos. Mais beijos. Trocar de lugar? Claro, claro. Estamos quase chegando em Natal. Quando vamos nos ver de novo? Não sabe? Pois vamos ficar sabendo. Tchau. Beijos. Mensagens. Quereres. Essa maldita dor de cabeça estúpida de novo, não.





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