quinta-feira, 16 de julho de 2015

Status: Sendo Seguida Por Um Monte de Corvos

Estava sentada, exatamente as 2:14 da manhã, na frente do seu laptop, esperando um filme que, de forma geral, parecia pouco promissor no quesito crescimento intelectual. Estava se sentindo absolutamente impotente. Aquela mina que chamou pra tomar café ainda não respondera o convite, embora o tivesse feito a um tempo considerável. O filme se recusava a carregar de maneira que pudesse mergulhar no torpor de uma comédia que não requeria que ela se concentrasse e nem que colocasse muito esforço mental nela. O twitter não tinha atualizações, assim como o instagram, o facebook, o whatsapp, a vida. Tudo parecia estático, morto, vivo-morto. Se deu conta que há tempos não escrevia mais do que 140 caracteres. Nada de excepcional e digno de nota aconteceu nas últimas semanas. Alguns conhecidos embarcaram em relacionamentos, outros tantos viajaram, alguns se mudaram... Mas ela permanecia. Sentada na frente do computador, esperando que a máquina, de alguma maneira, cuspisse respostas sobre o estado de espírito de bosta no qual se encontrava. O nada era esmagador.
02:23. O tempo passava, e não se arrastando. Dali a não muito tempo, o sol nasceria, e tudo correria da forma como sempre correu. Não tinha certeza de querer conduzir uma vida de metades, como havia conduzido até ali. Meio estudante, meio militante, meio real. Três metades, e nenhuma se encaixa.
Precisava comprar o spotify premium. Ouvir The Smiths seguido de uma propaganda da Dell é uma espécie de pecado.
02:28. Tinha esquecido de como Wilco a fazia chorar.
02:31. O filme carregou, e por algum motivo não conseguia dar play. Ficava encarando as janelas abertas no google chrome, pensando que estava escrevendo um texto bem ruim.
02:31. Decidiu acabar o texto e lidar com o vazio da alma com anestesia da indústria do entretenimento.