terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Happy Ending?


"And I will be, all that you want, 'cause you keep me from falling apart"

Nada. Era tudo o que Coral via. Nada. O vazio comprimia seu estômago, acentuando a dor crônica que a incomodava faziam alguns dias. Nada de novo, pra falar a verdade. Coral prosseguiu com sua dor descomunal, no branco dos olhos. Nada a podia impedir, e finalmente podia fazer o que sempre quis, desapaixonar. Coral preferia a abstinência, disso podíamos todos ter certeza, mas apaixonou-se. Louca e profundamente, sem um caminho de volta. Nada que ela queria pra si, somente a infame desgraça de um novo amor, como um novo caderno, virgem, pronto pra ser escrito e pintado da forma que ela queria. Podia-se deixar mergulhar de cabeça, mas não queria. O mergulho imbossibilitaria a si de andar livremente, como algemas, as quais nunca gostou. Ao pé do trampolim, escolhia se ia ou ficava. Trajando sua roupa de banho, e tremendo devido ao frio gélido e a grande escolha que estava prestes a fazer. Nunca favoreceu o amor. Deixou-se cair. Na queda rumo ao nada, descobriu-se e descobriu o tal. Nada de que ele fez expressava que ela deveria atirar-se. Algumas promessas inalvansaveis, alguns beijos trocados. Ambos não são compromissos. E ela continuava caindo na mesmice, deixando o quanto conhecia do mundo pra trás. Não que o conhecesse o suficiente, apenas o quanto uma menina de quinze anos podia conhecer. Conheceu um amor, o qual a fez sofrer. Nada que a pudesse preocupar. Nada que a pudesse afetar. Como se enganara. Coral agora está em cinzas. Coral agora não quer mais nada, Coral quer descansar. Nada que um descanso eterno não a providencie, e na queda, Coral pensa nisso. Era realmente uma grande queda. Ela lembrou-se da cor dos olhos dele, e comprimiu os seus em busca de consolo. Achou a fragrância de seu perfume, a qual impregnava a blusa que ela usava. Foi mais funde dentro de si, e achou algumas lembranças. Não as melhores delas, mas ainda sim lembranças. Ele arranjou uma namorada, ele deu coisas pra ela, ele encontrou um amor que não era ela. Aprofundou-se pra antes disso. Ele sempre estivera ali. Por que só fora notar quando já era tarde de mais? Ou será que nunca tinha sido cedo, no fim das contas? O vento gélido enchia suas narinas. O chão estava próximo. Via nitidamente pontinhos de luz se moverem rapidamente em direções opostas, levando consigo formiguinhas no seu interior. Coral estava cansada de esperar o impacto. Lembrou-se de quando brigara com sua amiga. Ele estivera lá. Lembrou-se de quando caiu no asfalto. Ele estava lá. Ele sempre esteve lá. Até nos momentos mais irrelevantes da existência monótona dela, ele sempre esteve lá. Duas da manhã, de cuecas de coraçõezinhos, ele atendia a campanhinha, e ela entrava aos prantos. Até que ele fazia chocolate quente e eles riam de tudo aquilo. Dezoito, tinha ele. As coisas mudaram quando ele começou a namorar, e ela a achar a namorada um incomodo e vice-versa. Ambos cegos de amor, separam-se. Separações quebram corações. O de Coral quebrou. E agora sua espinha dorsal também. Junto com seu crânio. Talvez apareça no jornal. Mas o mais importante é que ele nunca saberá que a queda foi por ele, e só por ele. O prédio de quarenta andares. Tudo por ele. E ele nunca saberá. Talvez nunca nem saiba que Coral morreu. Mas de uma coisa Coral teve certeza antes de seus ossos cederem e o cérebro finalmente parar de funcionar: O seu coração já tinha parado de bater muito antes.

Is love all I need?


"There's nothing you can't do that can't be done (...) All you need is love"

Um abraço. Um beijo. Nada que dois amantes achassem incomum. Nada que um romance proibido não provasse no sempre, na rotina. Na falta de rotina que um amor proporciona. Um romance perdido, dois corações partidos. Na falta de um par, vai-se um, solitário, a andar pela alameda, aos pedaços, com seus farrapos. Aos tropeços, vê-se um semblante à vagar assim como si, aos farrapos, despedaçado. Mas este é diferente. Está aos farrapos, mas as lágrimas não escorrem mais. Os pedaços se juntam, e ficam, aos poucos, inteiriços de novo. Algumas profundas cicatrizes aparecem, e o primeiro coração se espanta. Embebe-se no espanto, e uma pontada de dor envolve-o mais fortemente. Alcool. O pobre coração está cansando de andar por aí sem um destino certo. Drogas. O pequeno coração tenta se regenerar, mas não é bem sucedido, a dor que o embebe supera os sentimentos externos, é extremada. Nada se condiz, está fechado, acabado. Com suas suspeitas, deita-se no sujo chão empedrado da selva de pedra. E aos poucos, o limo toma conta do frágil coração, o qual endurece e fica amargo com cada segundo que passa. Amargura. Dor. Farrapos. Nada o consola, nada o ocorre. Tudo que lhe resta é ter um digno enterro, ao lado dos singelos outros corações, os quais tão partidos quanto ele, descansam em um sono breve e conturbado, ao cálido som noturno.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Love.


- Eu não posso deixa-lo ir sem contar o que eu sinto. – Sentia os pés batendo com força no asfalto duro. Estava de tênis, mas o solado gasto não agüentava os passos pesado contra o chão. Ela tinha que chegar a tempo, tinha que ter valido a pena. Vinte minutos. Ela acelerou o passo, se é que possível. Os pés doíam mais, e a exaustão corroia cada centímetro do seu corpo, mas ela não ia ceder. Não ia ceder, em hipótese alguma. Já ia partir, precisava chegar a tempo, nem que chegasse suada, chegaria a tempo. Dezenove minutos. O coração dela descompassava. Não deveria ter deixado o hospital, os rins iam falhar. Mas tinha que conseguir. Chegava mais perto. Dezoito minutos. A bata verde do hospital farfalhava perto do cós do seu Jeans. Não tinha tido tempo pra trocá-la, e provavelmente não teria. Só tinha tempo de chegar lá e falar. Dezessete minutos. A porta. Conseguia ver a enorme porta de vidro que abria um universo que nunca havia adentrado antes de hoje. Não respirava direito, mas em grandes e desregradas doses cavalares de ar. Resfolegava, e se sentia menos humana a cada passo esforçado dado. Precisava seguir em frente. Dezesseis minutos. Os seus pés praticamente se recusaram a continuar andando, mas não restava tempo, era tarde. Quinze minutos. Queria chegar a tempo, ia chegar. Forçou os pés um pouco mais, nada ia para-la. Estava tão perto, tão perto. Catorze minutos. As grandes portas de vidro abriam-se lentamente. Ela podia ver o enorme portão de amarelo, indicando pra onde ela deveria ir. Apoiou-se por alguns segundos na pilastra mais próxima, precisava de ar. Treze minutos. Ela olhou para o grande relógio metálico que apontava a sua escassez de tempo. Continuou a andar em direção ao portão amarelo. Sentia dores abdominais. Sentia falta de ar. Mas ia conseguir. Doze minutos. Andava com dificuldade. Caiu no chão. Não conseguiu se levantar. Não respirava mais do que pequenas doses de ar. A multidão se virou. Pessoas pararam seus carrinhos para observar. Mas a atenção de uma pessoa bastava. Ela mal conseguia abrir os olhos. Ele percebeu que algo errado acontecia. Correu pra ver. Encontrou-a rodeada de estranhos, com uma bata verde de hospital, e respirando com dificuldades. Seus cabelos castanhos estavam sujos, e esparramados pelo chão frio do aeroporto. Ele abaixou-se cuidadosamente para sentir o pulso dela. Onze minutos. Ele olhou para o porão de embarque, que sinalizava ostentosamente para que ele embarcasse em um vôo direto pra Portugal. Olhou de volta pra ela, a qual estava com os olhos semi-abertos, e semi-viva sem os aparelhos. Precisava saber o que ela estava fazendo aqui, e ouviu uma voz, áspera e firme vindo de onde ela estava deitada. Abaixou-se mais. – e-eu t-e a-a-amo. – Ele ouviu-a balbuciar com o último fiapo de voz que restava-lhe. Parou de súbito. Ela estava com cada vez menos pulso, dava pra ver. E ao longo dos dias, os gélidos dias que sondavam sua partida, ele percebeu que seu pulso diminuiu. Na verdade, algo estacou nele. E agora isso esbarrou de novo, com uma força absurdamente sobrenatural, que o fez cair de sua posição agachada ao chão. Caiu perto dela, e sentiu seu adocicado perfume. Lembrou-se de quando deu-lhe esse perfume, em uma tarde longínqua de verão. Estavam no verão de novo. Essa sensação o trouxe de volta a vida. Portugal podia esperar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Heart Pain


- Doutor, está doendo. Eu preciso que pare de doer.
- Mas os exames não apontaram nada de errado, não entendo o que está acontecendo.
- Está sangrando, como não detectaram?
- Não tem nenhuma hemorragia interna ou externa, minha jovem.
- Tem sim, um enorme ferimento na altura do peito, no lugar do coração.
- Não, não tem.
- Bem aqui, onde deveria estar o coração. Eu o removi, não vê?
- O seu coração continua a bater regularmente
- Não, ele não continua. Eu o guardei em uma caixa, e nunca mais vou solta-lo. É simplesmente muita informação pra minha cabeça, um sobrepeso inútil. Também gostaria de saber se não pode colocar um fígado ali.
- Não, claro que não! Nunca ouvi tamanho disparate.
- Mas se eu tiver mais um fígado, logicamente vou poder beber mais, e com menos um coração, logicamente eu vou sofrer menos. É uma perfeita equação.
- Não, não é. Meu deus, o mundo está perdido, esses jovens de hoje em dia. Por favor, retire-se. Eu tenho clientes de verdade pra atender, caso sinta algo de verdade, volte aqui.

O que o médico não sabia é que as dores do amor deixam cicatrizes profundas, e que aquela foi a última tentativa da jovem de permanecer viva.

sábado, 14 de novembro de 2009

Money Can't Buy Me Love


“I don’t care too much for money, cause money can’t buy me love”

Sabe, eu te compraria um maldito anel de diamantes, se isso te fizesse feliz. Eu tenho dinheiro, mas dinheiro não pode comprar-me amor. Amor de todas as formas, amor que dinheiro não compra, amor colorido (dependendo da droga que você tomou), amor até em forma de unicórnio se você pedisse. Mas eu ficaria muito mais satisfeito se você simplesmente decidisse que quer o tipo de coisas que o dinheiro não pode comprar. Coisas tipo um lampejo de alegria, uma gota de água nas folhas, um bolo feito em casa, um café da manhã em família, uma macarronada de domingo, e o amor propriamente dito. Então eu decidi que dinheiro não me compra amor, então é por isso que eu estou juntando minhas coisas, ah não, espere, a casa é minha, suas coisas, e colocando no carro do Alfred, você vai embora amanhã ao amanhecer, por que se tem uma coisa que eu aprendi com você é que dinheiro não me compra amor, e que amor nem sempre vem na forma de uma bela mulher de pernas grossas e cabelos escuros caindo em cascatas perfeitas nos ombros. Não, não senhora. Amor pode vir na forma de uma velha senhora, perdoe-me, agora minha velha senhora, a mulher que merece o tal diamante, e o amor em forma de unicórnio, por que não é isso que ela quer. Ela só quer o bom e velho Paul. Não Paul o milionário, não Paul o detentor de todos os vinhedos famosos da Europa, e nem Paul o baixista. Não, ela quer Paul, só Paul. Pra tomar um pouco de vinho perto da lareira e conversar sobre o dia que teve, ao invés de pedir-me o anel. E é isso que a diferencia de você, Mercedes.

Atenciosamente, Sir. Paul.

She Falls Asleep


“She falls asleep and all she thinks about is you”

Drogas. Sexo. Rock ‘n’ Roll. Evanna tinha adotado isso como modo de vida. Não se lembrava de muita coisa desde que acordava pelas manhãs arrastando o lençol pela casa pra pegar leite na geladeira e pra curar a larica. Solta-la por aí foi o erro de seus falecidos pais. Ela costumava dizer que fora de desgosto, mas estava sempre profundamente letárgica, fora de si vinte e quatro horas por dia. Evanna costumava ser uma pessoa amável. Costumava ser boa no que fazia na escola, boa filha, boa tudo. Conheceu então, Andrew. Ela o amava. Ele a fazia de joguinho. Ele bebia e usava heroína, e ela começou também. Ele não tinha senso de pudor, e Evanna perdeu o seu também. Foi pega por vezes transando com Andrew em lugares públicos, como a praça. Ela perdeu sua vida que não com Andrew. Não ia a escola, maltratava os menores, desfilava com roupas menores que a calcinha. Deu realmente desgosto nos pais, que não a deserdaram por pouco. Bebia, injetava, cheirava, e fumava. Participava de orgias, quanto mais melhor. Mudou completamente quem ela era por um cara que não a amava verdadeiramente. Então, Andrew conheceu Chris. Ela era quase que o mal encarnado, e Evanna aspirava parecer-se com ela. De nada adiantou. Andrew preferiu sua alma gêmea, a que nasceu má, e não a que mudou por amor, um puro amor. Evanna não parou com nada o que fazia. Mas agora se afogava em lágrimas de puro pesar. Pensava nele sempre, acordada ou adormecida, e agarrava quase que qualquer fiapo de que Andrew voltaria pra ela. Não podia estar mais errada. Ela sabia que ele nunca voltaria, mas preferia não acreditar. Por vezes me ligou pra dizer com frases desconexas que seu coração estava partido e que não sabia se ele recobraria o formato inteiriço. Eu a ouvia chorar e ia até sua casa, mesmo sem saber o que dizer, coloca-la pra dormir, por que nessas ocasiões, Evanna estava simplesmente bêbada demais pra se despir sozinha. E isso começou a acontecer cada vez mais frequentemente, até o ponto de que o ar que ela respirava era pra ele. Eu não sabia se ela queria morrer ou viver, mas sempre estava pendurada em um fio de lucidez. Um fio por demais transparente e inseguro, pronto pra desaparecer. Ela não tinha mais a quem recorrer. Nada mais fazia sentido. Evanna embebeu-se em álcool, embebeu seus sonhos e quaisquer esperanças no doce sono da inconsciência de seus atos. A maquiagem mais pesada que nunca, tornou-se quase menos que uma prostituta, explorando aventuras sexuais com desconhecidos. Sempre se lembrava de Andrew. Sabia que ele estava com Chris. O frio a pegava desprevenida, a temporada de inverno começou, o que congelou suas lágrimas. Em sua última conversa lúcida, ela me fez a seguinte pergunta: “Ele algum dia vai perceber que eu o amo e vai voltar pra mim?” Ela me olhava com um olhar meio vago, mas esperançoso. Eu me perguntei se os efeitos das drogas tinham passado por um tempo, mas acreditei que não. “Não sei o que te dizer.” Foi tudo que eu consegui dizer antes que ela desabasse no choro de novo, murmurando coisas incompreensíveis. Sempre parece que ela não vai agüentar mais. Que ela simplesmente vai cair no sono aos prantos de novo e nunca mais vai acordar. Andrew havia voltado à cidade, junto com Chris, em uma manhã ensolarada de agosto. Ele resolveu ir até a casa dela, pra machucá-la mais um pouco. Quem sabe pisar em seu coração, seguido de uma ligeira pancada no corpo oco que ele vai deixar pra trás? O fato é que Evanna não tranca a porta da frente, só a do quarto. Ele entrou, subiu as escadas sem saber que fazendo isso já a estava machucando. A porta do quarto estava trancada, e segundos depois, um grito agonizante percorreu a casa. Ela não tinha mais nada a dar, agora. Estava morta. Não se matou. Estava apenas esperando que ele fosse voltar pra um pouco mais. E morreu de falência múltipla de órgãos. Infarto, cirrose e falta de ar. Ev sempre foi minha melhor amiga. Minha melhor amiga pra sempre. E agora eu estou lendo essa carta que eu fiz pra ela, no enterro. Acho que eu afoguei minhas emoções de ver minha amiga definhando aos poucos no papel. Andrew se foi, não sei exatamente pra onde, mas espero que o mais longe possível de Evanna. Eu sinceramente não sabia o porquê de que ela queria viver, estava vivendo uma sobre vida. Fico feliz de que o sofrimento dela tenha cessado, e triste por ela não ter conhecido alguém que a fizesse bem e a desse valor. O coração dela agora está inteiriço, e está onde deveria estar o tempo todo: dentro do peito. Ela o segurava pela janela demais, precisava parar com isso. Bem, o tempo deu um jeito de ela parar. Ev, se puder me ouvir, eu te amo, e serei eternamente culpada de não ter conseguido proteger você de si mesma. Foi tarde pro Andrew pra perceber os erros dele, e tarde pra você pra perceber os seus. Peço que me salve, por que tenho esperado por muito tempo. Tchau, Ev. Espero que enfim fique em paz consigo mesma.

Dianne.

Story Of a Girl


“This is the story of a girl, who cried a river and drowned the whole world”

Andrew segurou uma foto de Emeline, que era sua melhor amiga desde que dividiram o berço, aos exatos cinco anos. Ela estava carrancuda, olhava pra o nada com um olhar de desinteresse profundo pelos que a rodeavam (sua família) e parecia estar com muita raiva de quem quer que estivesse olhando essa foto nesse momento. Andrew sabia que Em era maravilhosamente esplendrosa quando sorria, isso era inegável. Mas naquela e em todas as fotos, Emeline insistia em olha pra o nada. Detestava fotos. Detestava laços familiares. E detestava mais ainda ter que se reunir com sua família pra tirar fotos. Era sufocantemente desagradável ao extremo. Sempre a pediam para colocar vestidinhos desconfortáveis e para “se parecer com uma garota, pra variar”. Ora, ela podia se parecer com quem diabos ela quisesse, insistia em dizer pra Andrew. E ele concordava, não ousava discordar. A verdade é que ela era sempre absolutamente encantadora, e a família dela era feita de completos idiotas. Ou talvez fosse só eu que a amasse demasiadamente pra vê-la triste.Amava tanto que meu coração quase explodia. Ainda amo. Se puder me ouvir, Em, eu ainda te amo.
Andy.

Ser gay ou não ser?


“So you say, It’s not okay to be gay?”

Me diz uma coisa: por que não seria ok ser gay? Me diz o problema. Por que diabos seria errado? Desde quando amor é errado? Uma relação gay é uma relação de amor também. Eu estou realmente querendo saber. E não me venha com aquela bobagem moralista de que é pecado, nem de que “Eu não sou contra, mais eu não apoio.” Pra você não apoiar uma coisa, você certamente deve ter motivos, correto? Como você pode não ser contra mais não apoiar? Que sentido isso tem? Se você não tem nada contra, logicamente você deveria apoiar. Mas tudo o que eu ouço na aula de formação ético social são essas babaquices. É isso que elas são. Tremendas babaquices de uma sociedade mentalmente enrustida, falei. É errado por que a igreja diz? Bem, sinceramente, a igreja já esteve errada antes, vão folhear um livro da idade média, pelo amor de deus! Amor é amor de qualquer forma, de qualquer sexo, de qualquer porra de coisa. Jesus Cristo não pregava amor? Bem, isso é amor. Eu sou judia, muito mais pra ateia do que pra judia, já que minha religião também repugna gays. Eu não sou gay, lésbica, sapatão, ou o termo desrespeitoso que usam pra falar de mulheres homossexuais. Não, eu sou heterossexual. Curto homens. Mas e se eu não fosse que diferença faria? Começariam a sentir raiva de mim? Parariam de ler meu blog? Jogariam tomates em mim? Pois que fossem em frente. Já agüentei mais que isso com relação ao meu peso, e com relação à minha religião, acredite. E por que eu estou na defesa dos homossexuais? Por que isso não está certo. E eu luto contra o que eu acho errado, mesmo que verbalmente, ou em palavra escrita. Os gays merecem casamento. Merecem filhos. Merecem que os olhem como iguais. O que eles tem a mais? Uma segunda cabeça ou coisa assim? Não. Tudo que eles querem érespeito, nada mais. Eles se sentem pressionados, muitos cometem suicídio. Taí outra coisa abominada pela igreja. Bem, então é escolha dela. Ou um gay vivo, ou um gay suicida. E fica pra vocês pensarem: Se sua(seu) melhor amigo virasse gay, você ia deixar de falar com ele(a) e trata-lo como uma pessoa “diferente”? Ou você quebraria as barreiras? Sem hipocrisia e moralismo, pessoal, eu quero a verdade. Ser gay é normal, tanto quanto beber um copo de água. Eles são gente que nem vocês, e se alguem me der uma lista de dez motivos plausíveis de porque os gays sendo diferentes não merecem respeito. Eu apago esse post como se ele nunca tivesse existido. Enquanto isso, o desafio está lançado.

Brasil, Mostra a Tua Cara


“Tuas ideias não correspondem aos fatos (...) eu vejo o futuro repetir o passado, o tempo não para.”
A sociedade está em um longo processo de putrefação. E está começando a cheirar mal. Um longo processo doloroso. As manchetes anunciam aquecimento global, balas perdidas, mensalão, mensalinho, dinheiro na cueca, educação precária, cotas pras universidades, sanguessugas, falta de verbas, falta de incentivos, falta de tudo e mais um pouco. O jornal reflete parte das coisas. O caso da menina Isabella, por exemplo. Trágico. Não trágico o suficiente pra passar três meses nas manchetes, nas capas de revista e tudo mais. Isabella que me perdoe, mas essa é a verdade. E sabe por que ela passou essa eternidade nas manchetes? Por que ela era uma menina de classe média. Não se espera de pais de classe média atirarem suas filhas da janela de andar nenhum. Mas se um pai de uma menina de favela a joga do quadragésimo andar está tudo bem. Só menos um pobre no mundo. Se um policial mata um traficante, está tudo bem. É só menos um traficante. Mas se um traficante mata um policial é outra história. E a mídia é sensionalista, vale salientar. Ou seja, se o cara era um traficante pra sustentar sua família, ele vira um serial killer classificado, com mais de oito assassinatos registrados. As pessoas nunca param pra pensar que tem sempre o lado absurdo do Brasil, o que deveria ser enfocado e quando é enfocado, todo mundo fecha os olhos e tampa os ouvidos. Os políticos saem impunes, e são reeleitos pelas pessoas que mais reclamam deles: a gente. Roubam dinheiro a torto e a direito. Como diabos José Sarney foi ser presidente do senado? Como a gente pode ter um presidente analfabeto? Como é que as pessoas podem simplesmente olhar pra isso e resmungar um “é normal”? Isso não é normal. O que é menos normal ainda é o fato de um estádio estar sendo construído na cidade de Natal RN, por causa da estúpida copa, enquanto ainda tem tanta gente dormindo com fome e dormindo na rua? O que custa abrir mão do carro esporte, Mantega? O que custa abrir mão das viagens ao exterior, senhor Inácio? O que custa? Custa todo meu orgulho de ser brasileira, por enquanto. Depois vão custar meus impostos, e logo a seguir, minha dignidade. Brasil, mostra tua cara.

sábado, 24 de outubro de 2009

Are you happy?


Outro dia eu estava pensando em como as coisas são complicadas. Em como o amor é complicado. EM como as relações interpessoais são complicadas. Em como as coisas são complicadas no geral. Você para pra pensar se vale mesmo a pena mudar pra uma pessoa que você ama. SE vale a pena mudar por um namorado, já que a probabilidade de vocês acabarem é maior do que a de vocês ficarem juntos. Você para pra pensar se metade das coisas que você faz vale realmente a pena. E daí você para pra pensar de novo nisso. Se você parar de fazer essas coisas, quem é que vai fazê-las? E daí se as probabilidades de você ser reconhecido são quase nulas? Você faz por que sua vida vai ficar mais feliz se você fizer. Você muda por um namorado por que você achou valer a pena, e por que você o ama. Você estabelece relações interpessoais não por que você quer tirar vantagem, mas por que você gosta das pessoas, por que elas te fazem bem e vice-versa. Então em um completo devaneio, você percebe que se você está feliz, continue fazendo o que diabos te faz feliz, e não se esforçando para o contrário. Por que a vida é muito curta pra passar mais tempo triste do que sorrindo. Eu já passei por momentos que me fizeram querer desistir de querer reconstruir meu castelo de areia, de desistir de tudo, de abandonar esse mundo e não dar satisfações pra ninguém. Mas aí eu parei e pensei: Por mais que as coisas estejam difíceis, tem sempre uma luz no fim do banho, velho. Está feliz? Continue fazendo o que você está fazendo.

sábado, 17 de outubro de 2009

Gente, estou com um problema no envio de imagens, portanto, quando eu solucionar esse problema coloco as imagens que estão faltando.

último texto inspirado em uma conversa com Ivilla rs
E muitos dos textos foram inspirados em músicas, então algum dia eu coloco os nomes dos artistas e das músicas na ordem de postagem rs
Primeiro lembrete postado ae.

Silly Fairy Tales.


“So I hope you understand, I wanna hold you bad”

Sempre achei essa história de contos de fada a maior besteira inventada pela imaginação. As pessoas se conhecem um dia de verão ensolarado, e em outro dia de verão ensolarado o vilarejo avista uma fulgurante figura branca, sorrindo. E então o principe e a princesa se casam e vivem felizes para sempre. Erro número um: Nem todos os dias de verão são ensolarados, fato. Erro núumero dois: Relacionamentos levam tempo, precisam de trabalho, de convivência, de amor. Não basta simplesmente que duas pessoas se conheçam e decidam que vão dar certo e vão se casar. Um relacionamento cozinha no fogo baixo, lentamente até estar no ponto certo. Erro número três: Na vida não existem pessoas perfeitas, o amar se baseia em achar a perfeição no imperfeito, e amar até os defeitos desse alguem, por mais que seja dificil. Alias, não deve ser dificil, o amor não foi feito pra sofrimento, foi feito para curtir e aproveitar, e se está dificil então não vale a pena. O amor não é feito de acertos, mas de erros também. Não é uma equação, não é um concurso de beleza. É algo que vem de dentro pra fora, um sentimento seu. Algo que não precisa ser acreditado, apenas aceitado e vivido intensamente. Por que quase inevitalvemente, há de se acabar. Erro número quatro: Não dá pra viver feliz pra sempre. Brigas, conflitos, desentendimentos, erros, desinteresse, mudanças. Nada é feliz pela eternidade, convenhamos que se fosse, seria chato. Por que tudo seria feito de alegrias, e iamos acabar por nos cansar de toda essa monotonia e jogar alguem do penhasco. As coisas só podem ser felizes se tivermos a tristeza para comparar com a felicidade.E o último erro: O amor não acontece por que somos bonitos, temos um diploma, cursamos um curso de culinária na França, por que somos ricos, por que somos da monarquia, por que estamos afim. O amor aconetece por acaso, com pessoas que você nem imaginava se apaixonar, seu melhor amigo, seu vizinho, seu amigo meio quieto da escola, aquele garoto que você achava patético, aquele que você nunca falou nada, mas sempre achou bonitinho, o garoto do curso de inglês, da natação, que assistiu sua apresentação, o filho da sua professora, o garoto que gosta de Queen, o garoto que você viu no shopping, o que você conheceu por causa dos seus amigos. Todos são possibilidades, são imperfeitos, infantis, patéticos, estúpidos, e antipáticos. Mas você o ama mesmo assim.E acaba por aí, até que se tenha coragem de dar o primeiro beijo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Emoções Contrárias.




“Something inside that heart has died. You’re in ruins”

Alguma coisa quebrou. Não, eu não derrubei nada. Mas alguma coisa quebrou aqui dentro. Acho que eu estou morrendo por dentro. A cada dia que passa eu sinto meu coração diminuir, até ficar microscópico. Não sinto como se quisesse levantar pela manhã pra ver um dia perfeitamente normal acabar em ruínas. Se eu resolvo dar um passo fora da linha, eu sou idiota, estúpida, patética, e tudo no mundo. Se não dou, sou certinha, ridiculamente idiota, e mais patética ainda. Não entendo o que as pessoas querem de mim. Querem que eu me afogue? Por que se querem, é isso que está acontecendo. As ruínas de mim estão à beira do abismo, e dessa vez, alguma coisa no meu coração quebrou. No meu minúsculo coração, onde algumas emoções jazem. Escondidas do mundo que só lhes fez mal. De que vale lutar? Eu não pretendo morrer por isso, então toda essa luta não faz sentido algum, mas ao mesmo tempo, se eu não lutar, sinto que estarei errada se desistir. Mas as coisas vão ficando incolores, intocáveis, imagináveis. Eu vou me tornando um nada profundo. Um pedaço de mim clama por vida, clama por algo que eu não tenho certeza se ainda vive. Os pequenos pedaços esparsos me destroem, me consomem. Eles não se contentam, não se alimentam. Precisam de mais, e mais eu não posso dar. Preciso ser eu mesma, mas como é possível, com meu coração diminuto e escasso de emoções? Como posso tê-las de volta? Talvez desistir seja uma opção, afinal. Opção derrotista, sem perspectiva, sem objetivo? É isso que eu quero ser? Não. Mas o que eu quero ser, afinal? Não alguém que agrada a todos, mas não agrada a si, com certeza. Mas não me acho, e cada vez me perco mais. Cada vez que me julgam, sinto vontade desesperada de berrar e abandonar quem eu sou. Mas não consigo. Está impregnado na minha alma, na minha cor. Nada faz sentido, nada me consome mais. Minhas energias e vontade de lutar se foram, nada mais me resta. Estou em ruínas. Talvez o resto de amor que paira sobre meu coração possa finalmente descongela-lo e me trazer de volta. Talvez alguma boa vibração salve-me do que eu verdadeiramente sinto, e me proteja. Por mais que isso soe egoísta, preciso me preservar, e me amar, assim, talvez consiga amar os outros. Ou talvez eu os ame mais do que eu me amo. Talvez seja só uma questão de tempo até isso passar, essa sensação toda, essa sensação de rejeição. O apoio é só secundário, mesmo. Já que eu estou em ruínas, de qualquer maneira.

Células Cancerigénas.



“’Cause I don’t wanna fall the pieces, I just wanna seat and stare at you”

“Eu não quero juntar os pedaços” foi o que eu disse a ele. Por que era verdade. Eu não queria ter que juntar os pedaços depois que você for embora. Não tenho nem certeza de quem sou eu, de quem é você. Por isso não quero juntar os pedaços. Por que estou apaixonada por você. Por que meu coração não agüenta mais rejeição. Na verdade, meu coração não agüenta mais muita coisa. Nem meu corpo. O câncer desgasta muito, você sabe. Você é o único que eu ficaria até o final. Mas eu não posso fazer isso comigo, principalmente contigo. Não quero falar sobre isso. Por que amor não se fala, se sente. E você não agüentaria. Eu gostaria de poder voltar pras estrelas, voltar pra os seus braços. E agora, mesmo que eu fosse capaz de fazer isso contigo, não posso. Estou presa nessa cama de hospital. Não te disse pessoalmente, tinha medo do que podia acontecer. E não qeuro que tenham pena de mim. Quero que me vejam como a mesma pessoa de sempre. Ainda te amo, e estou tentando te explicar o inexplicável. Se eu não agüentar, isso será entregue a você. Se eu agüentar, e isso chegar as suas mãos, eu prometo que te explico pessoalmente. Estará comigo em pensamentos até o dia que eu não estiver mais aqui, Patrick.

Beatrice V.

Antigamente X Hoje


Assim que coloquei os pés naquele lugar senti aqueles velhos sentimentos inundando-me lentamente. Medo, solidão, rejeição, ódio, e aquela velha vontade de se matar. Tudo isso começou a crescer no meu âmago. Eu segui em passos largos, em direção à porta que levava-me pra dentro daquele lugar. Encontrei as mesmas crianças correndo, as mesmas pessoas conversando. Dirigi-me até a porta do inferno, a porta azul. E de lá saíram pequenos pesadelos. Minha ânsia de vômito cresceu. Não iria agüentar muito tempo. Então uma figura loira e esguia saiu da sala. Cumprimentou-me e comentou que não gostou de meu batom. – Acho que isso é problema meu, não é mesmo? – Foi a minha resposta à provocação. Ela deu um sorriso amarelo, e esperou sua amiga mais alta ainda sair, com os cabelos castanhos e mal cuidados. Esta, por sua vez, chamou-me de ridícula por causa de minhas roupas e por causa do batom. Segurei as lágrimas que tentavam escapar e dei um sorriso amarelo. Elas seguiram o caminho rindo e eu, completamente cegada pelas provocações, segui-as. Elas praticamente me ignoravam, e eu me sentia cada vez pior. Afundando-me em sentimentos. Eu tive a maldita boa vontade de aparecer naquele maldito inferno e não proferiam nem palavras de saudação. Simplesmente me ignoravam e continuavam fazendo o que quer que estivessem fazendo antes de me notarem ali. Senti-me comprimida. Encontrei uma velha amiga. Conversamos pacificamente. Não temos mais nada em comum. Ela continua tentando se encaixar no esquema deles. Eu continuo tentando fugir, mas parei de me importar, diferente dela. Nossa conversa foi preenchida principalmente com silêncios constrangedores. Resolvo que apesar de não termos muito assunto, ela é uma companhia mais agradável que as de antes, e vou conversando com ela pra perto dos piores tipos de ser humano existente na face da terra. Eles me ignoram. E eu, com um nó na garganta, os ignoro também. Perto do portão tenho outro vislumbre de um rosto conhecido, e quase deixo escapar um sorriso em minha face indiferente e ao mesmo tempo chorosa. Ela me percebe ali, sentada no chão. Boquiaberta, dirige-se a mim, lentamente. Dá um sorriso e me pergunta, brincalhona: - Virou emo, é? – Eu dou um meio sorriso. E tudo foi como se eu nunca tivesse deixado aquele pesadelo. Na verdade, pareceu como se tudo aquilo tivesse sido apenas um sonho ruim, distante agora que eu havia acordado. Ela conversava comigo, era gentil, exatamente como na época que nos conhecemos, muitos anos atrás. Foi ela que me salvou. Ela que me salvou de não estar mais aqui. Indiretamente, ela me salvou de ter perecido antes do tempo. Tenho muito a agradecê-la. Ela nem imagina o quanto. O sonho ruim acabou. Eu me senti alegre por dentro, ao invés de deslocada. E lá se foi aquela velha sensação de medo, solidão, rejeição, ódio e aquela velha vontade de se matar.

Feliz dia da Mari.


“Just when I thought I could die, you come and bring me back to life”

Quando eu pensei que estava a beira do abismo, veio você. Me puxou de volta. Disse que tudo ia ficar bem e me deu um abraço. Quando eu estava a beira das lágrimas, veio você. Levou-me de volta a sanidade mental e evitou meu choro. Quando pensei não ter mais ninguém, veio você. Lembrou-me de que eu tinha alguém, e que podia contar contigo. Sempre indiretamente, me lembrando de que sempre poderia contar contigo, lembrando-me de que eu era especial. Todos esses anos enxugando minhas lágrimas. Todos esses anos me ajudando a passar pelas crises. E eu nunca agradeci. Agora vão fazer onze anos desde que aquelas duas crianças se conheceram na casa escola, estudando juntas, passando por tudo juntas. Onze anos, M. Onze longos anos. Eu sempre fiz idéia do que passava na sua cabeça, e vice e versa. Agora me foge a certeza de que sei do que as coisas se tratam. Mesmo assim, feliz aniversário, M. Feliz aniversário. Coma muito pão com manteiga e mel, beba coca-cola, e durma com Wil. Lembre-se de que estou sempre aqui, até o dia que não precisares mais de mim. Mas, quando não precisares mais de mim, ainda estarei aqui. E lembra da garotinha que conheceu na Casa Escola, lembra disso. Lembra que por mais longe que estivermos, sempre estaremos perto. Nossas brigas tolas nunca importaram de verdade, você sabe. Ainda é minha melhor amiga. Te amo, Ceci. Por mais que ainda não seja propriamente seu aniversário, eu estou te desejando agora, por que você merece.

The Guy Who Turned Her Down


“And I’m glad I’m not the guy who turned her down”

Anos e anos eu a ouvia dizer o quanto era estúpida por confiar nos caras. E bem, eu fiquei encabulado por amá-la. Mas ela sempre foi a mesma pessoa de sempre comigo. Adorava me dizer que eu era desleixado, e me paparicava o suficiente para a vergonha de amá-la passar por alguns instantes. Ela sempre preparava bolos e biscoitos, e levava pra mim. Comia-mos assistindo alguma comédia em minha casa, a qual acabava com ela dormindo na minha casa, enquanto eu a admirava dormir. E ficava me perguntando quando foi o momento exato que eu achei a garota que virou minha vida ao de cabeça pra baixo. Quando finalmente tomei coragem de te dizer o quanto te amava, dando graças mentalmente por não ser o cara que te deixou pra baixo. Você me abraçou e me disse que eu continuava sendo desleixado. E com um sorriso no rosto, me beijou. A partir desse dia, eu cortei minha vida social em dois, saí do meu emprego na cidade pra poder ficar com ela o máximo de tempo que eu podia. Meus amigos começaram a insistir que eu era um idiota apaixonado, mas eu não sou. E vale a pena por que você é de que meus sonhos são feitos. É, talvez eu seja um idiota apaixonado, no fim das contas. Mas como poderia não ser? Você parece com uma rainha da beleza, babe. E eu não faço idéia de como eu me virei sem você todos esses anos. É praticamente impossível ter uma vida completa sem você. E eu continuo sendo desleixado, mas só por que eu sei que você gosta, babe. Te amo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

The Way You Make Me Feel


I can’t stop digging the way you make me feel.


Acho que eu deveria ter passado minha infância sendo criança. Não passei. Passei pensando em você. Pensei no jeito que você me faz sentir. Todas aquelas coisas que dizem a respeito das borboletas no estomago, todas aquelas baboseiras. Todas elas se aplicavam a você. Sem nenhuma maldita exceção. Passei todo esse tempo sozinho, vendo as crianças serem crianças, enquanto eu pensava em outro jogo pra te dizer como eu me sentia. Dias e noites se passaram, e eu tentava esquecer todas as coisas que te falei. Mas me perguntava como diabos tinha chegado a esse ponto, e não conseguia respostas. Acho que foi por não te conhecer direito, e te admirar tanto. Não posso mandar no meu cérebro, que afinal, é o centro das emoções. Cheguei ao ponto de que não dormia quase nada, minha luz estava sempre acesa. Talvez esperando que você fosse até lá, preocupada. Penso no ontem como se fosse hoje, sempre foi assim. Mas o mais importante é que no ontem, você estava aqui. E o mais interessante, é que eu sempre estive aqui. Então olhe pra gente agora. Não acredito que você sabe como eu me sinto. E continuo não conseguindo parar de pensar no jeito que você me faz sentir.


Robert Bay Vine Adie
R.B.V.A

(Votos de casamento)

Escola, Doença & Stuff


Esses dias eu fiquei doente. Na verdade, ainda estou. Fiquei dois dias deitada no sofá. Não fui à escola, não saí de casa, no geral. Me fez perceber o quanto eu posso sentir falta da escola. Eu odeio as aulas, e a escola, mas eu realmente gosto dos meus amigos. Sinto falta dos meus problemas diários, sinto falta de tudo que tem naquele maldito inferno. Tá, não sinto falta da matemática, nem dos deveres de casa, nem de nada dessas coisas, acho. Mas eu sinto falta dos raros momentos de alegria, das risadas, do intervalo, das discussões sem motivo, do apoio, sinto falta. Sinto mesmo. Mas não tenho certeza se quero voltar pra escola. Se quero receber minha prova de matemática. Se quero ter que enfrentar toda sorte de problemas. Se quero fazer alguém sofrer por causa de amor não compreendido. Se quero enfrentar essas experiências. Não sou corajosa. Sou só um grãozinho de areia. Fino, insignificante, e despreparado. Acho que o isolamento não é a solução, mas tenho medo do jeito que as coisas podem acabar.

B.

sábado, 15 de agosto de 2009

Memórias de um anarquista e do amor.




Eu ainda me lembro da segunda vez que a vi. Estava com um vestido rodado e bastante pregueado, em um baile, nos anos onde tínhamos a sensação de que tudo era possível. Os anos dourados. Os anos dos Beatles. Os anos de revolução. Os anos do amor. Os anos da guerra. Os anos do Woodstock. Os anos sessenta. Os anos que eu andava com meus jeans rasgados e tênis. Os anos que eu não ligava pra nada, até conhecer você. Num protesto contra a ditadura, lá estava você, linda e revoltada, gritando que queria falar o que pensa. Achei você particularmente encantadora com toda aquela raiva impregnando sua voz, e toda a repulsa expressa em seu olhar. E de repente, me embebi em um sentimento completamente novo. Em algo completamente inusitado pra anos de censura. Passei a me rebelar contra as autoridades, e a viver com medo de ser pego e torturado. Passei a compor sobre você, a ansear por te ver e te ter. No suposto baile, encontrei você tão lindamente ornamentada, e encantadoramente desleixada ao mesmo tempo. Meu coração disparou, mas não tive coragem pra falar contigo. Observei você dançar com suas amigas a noite toda, refutando convites de outros jovens pra dançar. Não dedicou mais de alguns segundos a mim, o que com certeza não foi verdadeiro quanto a mim. Olhei-a por toda a noite , de longe, com medo de ser refutado também. Quando voltei pra casa, voltei renovado. Resolvi que iria a todos os protestos. Que faria acontecer, que tiraria o Brasil da ditadura. Você estava sempre lá, e sem saber, me motivou a continuar. Invarialmente deixava o amor inundar-me aos poucos, e bradava com mais veemência ainda. Vivia com medo. De ser apanhado, torturado, deportado, morto, e o medo de nunca mais te ver. Um dia, esse medo se concretizou. Eles apanharam você. E meus dias após isso foram alagados pela incerteza e frustração, com uma pitada de revolta, e distanciamento cada vez maior do mundo. Queria saber de você, queria saber eles não iam te matar. Na semana que você foi pega, não consegui parar de me culpar. E o álcool e as drogas me faziam deixar isso de lado. Mas não por muito tempo. Um marasmo de solidão me envolvia com tal força, que eu me surpreenderia se sobrevivesse depois disso. Minhas noites eram infestadas de pesadelos, e eu mal respirava. Estava vivendo uma sobre vida. Não me importava mais. Soube pelos seus amigos que você tinha falecido. Eles tinham torturado você até que seu corpo não agüentasse mais. Acho que foi nesse dia que meu coração parou de bater e congelou. Meu dia consistia em protestar drogado. Sempre querendo você de volta pra protestar ao meu lado. Sempre perdendo a razão. Um dia, eu resolvi parar. Estava com exatos recém completados vinte anos. Fazia três anos que eles tinham matado você. Estávamos em sessenta e sete. E eu sempre tinha sido aquele jovem distante, mais ainda quando te conheci. Deixei a escola de lado, deixei minha vida de lado. Dediquei meus melhores anos à você, Angie. Agora já se foram quarenta e dois anos desde que eu tinha vinte anos e resolvi te superar. Resolvi me formar. Virei jornalista. Declarei minha juventude pro Brasil inteiro. Casei-me. Tive filhos. Pedro, André, e Nina. Separei-me. Ganhei a guarda dos meus filhos. Comprei uma casa de praia. Comprei um apartamento maior pra morar com eles. Pedro se formou em direito. André se formou em zoologia. Nina se formou em artes plásticas. Nina fez pós-graduação em música. Pedro largou o direito e montou uma banda, ainda recém formado. Nina passou a idolatrar Sex Pistols e começou a tocar bateria. André se entregou à banda do irmão e juntou-se pra tocar baixo. Nina escreve uma música sobre a mãe que nunca existiu. Nina se entrega ao movimento anarquista, e se muda de casa. André pinta o cabelo de azul. Pedro raspa o cabelo. Nina Se revolta com o holocausto e resolve idolatrar os judeus. André muda de casa. Pedro vai morar com irmão pra facilitar a turnê. Nina namora. Nina acaba o namora por que acha o namorado conformista de mais. Nina se envolve em protestos contra a guerra do Iraque. Eu tive que ir soltar Nina da cadeia por perturbar a ordem pública. Nina arranja outro namorado. Nina para de se envolver com drogas. Pedro também. André descobre as drogas. André se vicia nelas. André larga as drogas. Pedro e André fazem sua primeira turnê mundial com a banda deles, I Don’t Mind. Nina fica noiva. Nina larga o anarquismo. Nina casa. Pedro arranja namorada na turnê. André casa em Vegas. André se apaixona pela esposa. Pedro se casa. André se casa de novo. Nina tem uma filha, Angie. André tem uma filha, chamada Chris. Pedro tem gêmeos, Paul e Sarah. Nina tem um filho, chamado John, em homenagem ao John Lennon. André tem um filho, chamado George. Nina tem mais um filho, e esse se chama Ringo. Temos os Beatles em casa. Sinto-me alegre. Agora eu sou avô de sete crianças, sedentas de saber. Conto-lhes sobre a quase avó Angie, e a pequena Angie se refestela de prazer. Sou agora um velho de oitenta e dois anos, que cresceu nos anos de anarquismo brasileiro. Vivi nos anos de guerra, nos anos de ditadura. Agora vivo sereno, cheio de netos. Meu sonho é que esses netos fossem seus também, Angie. Queria que você simplesmente estivesse aqui comigo. Foi-se cedo demais. Agora fazem exatos quarenta e cinco anos que você se foi. E eu ainda não consigo deixar de pensar no jeito como você sorria. Ah, volta pra mim, Angie. Pareço um velho bobo, escrevendo pra alguém que morreu há tanto. Não foi só alguém que morreu naquela noite, não. Foi meu verdadeiro amor que morreu ali. Angeline, meu verdadeiro amor. Nunca mais me senti daquele jeito de novo, amor. Nunca esqueci de você. E nem pretendo. Amar não é para os tolos, amar é pra quem deixa alguém penetrar nos segredos incompreensíveis da alma, fazendo cada pedacinho de si parecer especial. Afinal amar é uma forma de narcisismo. Angeline, feliz aniversário.

Under Pressure.


Tell me, tell me, do you feel the pressure now?

Todo mundo preocupado em viver no limite, tentando ser lembrado, tentando fazer valer a pena. O fato é que não vamos nos lembrar de nada disso quando morrermos. Fica aquele clima de pressão, tentando viver no limite por que somos induzidos a isso. Se você gastar toda a adrenalina da vida, não vai sobrar o suficiente pra amanhã. A pressão esmaga cada fibra do seu ser que tenta ir contra essa filosofia de vida. Obviamente, temos que fazer algo a respeito do tédio, devemos nos mexer, e não esperar acontecer sentado. Mas não leve tudo tão a serio, por que tudo tem solução, amigo. No fim das contas, vamos todos pro mesmo lugar. Sim, carpe diem. Mas sem pressa. Temos a vida toda pela frente.

domingo, 26 de julho de 2009

Empty Days


Eu me sinto vazia. Como se um buraco tivesse sido aberto em mim. As coisas não parecem ter mudado ao redor de mim, mas dentro de mim elas mudaram. Eu não entendo o por quê. Soa como se eu usasse óculos escuros permanentes. A cor não parece que vai voltar, e a escuridão aumenta, como se as lentes ficassem mais escuras cada dia que passa. E elas de fato ficam. E isso leva embora tudo que eu acredito, toda minha convicção. Não sei mais quem eu sou, quem eu fui. Só sei que eu tenho me mantido afastada das pessoas por uma névoa fina e esbranquiçada, que delimita minhas relações pessoais. Eu não quero ser essa pessoa. A pessoa que manda todo mundo se foder. Eu simplesmente afasto todo mundo com esse jeito. Mas eu não quero ser aquela pessoa que faz o que os outros querem. Eu não sei. Perdi todo o conceito de quem eu sou, de quem eu fui. Não me lembro. Eu gostaria que alguma coisa mais mudasse no meu interior, pra que eu não precise ser aquela patética garota que fica a espera de um algo mais que nunca vai vir. Acho que eu morri um pouco por dentro. Ou ainda estou morrendo, em um longo processo de putrefação. Preferia não sentir. Preferia sentir, e ser correspondida ao invés de sentir sozinha. Sentir está me levando pra baixo. E eu preciso desesperadamente subir, ou morrerei afogada em meus próprios sentimentos.

OMFG


- PUTA MERDA, EU AINDA NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO AQUI! – Eu gritei no meio do corredor, fazendo com que todos olhassem pra mim. – É, eu estou, idiota. Agora pare de gritar e fazer todo mundo me encarar. Eu gosto de chamar atenção, mas eu sou novata, porra. – Ela me olhou tentando fazer um olhar de censura, mas a beira dos risos. – E eu sou veterana, e não estou nem aí, porra. Eu ainda não acredito que você está aqui, pirralha. – Eu ria da cara de desprezo dela pelo apelido. Sinceramente, eu amava com todas as minhas forças o fato de aquela criatura irritante e chata estar estudando na minha escola. – Eu não gosto de você, Wainberg. – Ela falou e me olhou com tanto desprezo quanto eu olharia uma aranha enorme subindo na minha mão. Ah, espere, eu não olharia a aranha com desprezo. Com medo, talvez. – Eu também te amo. – Eu sorri amigavelmente. Ela me desprezou – Eu não falei que te amava, porra – Eu olhei me fingindo de ofendida. – Eu quero um abraço. Me dá um abraço? – Ela sorriu, e eu a abracei. Estava com saudades. Muitas saudades. E talvez eu demorasse mais de um ano pra me recuperar da ausência constante dela em minha vida. Mas ela estaria lá. Pra ver eu me ferrar em matemática, e eu pra ajudá-la a não se ferrar em matemática do oitavo ano. Era o pior dos tempos. E ao mesmo tempo, era o melhor dos tempos.

C'mon Babe, Let's Make It Last Forever.

?
Enquanto fiquei ali observando, percebi uma coisa que eu havia esquecido há muito tempo. Às vezes, na vida, formam-se laços que jamais poderão ser partidos. Às vezes, você realmente encontra uma pessoa que sempre a apoiará, haja o que houver. Talvez seja um esposo e comemorará isso com o casamento de sonho. Mas existe a chance de que a pessoa com quem você pode contar por toda a vida, aquela pessoa que a conhece por vezes melhor do que você própria, seja a mesma pessoa que sempre esteve ao seu lado.

Noivas em guerra, ultima cena.


Acho que isso é pra valer. Eu sei em quem eu posso confiar, e em quem eu não posso. Existem pessoas que não me desapontam. Eu não consigo deixa-las. Creio que elas também não consigam deixar-me. Gostaria que elas soubessem o quanto são importantes pra mim. E que elas podem contar comigo pra apóiá-las, sempre. Estarei aqui. Minha conta telefônica que o diga. Amo vocês, por mais que eu não diga isso com a freqüência necessária.

E pretendo compartilhar os melhores e piores momentos da vida com vocês, não importa como. Relevem minha possessividade, minha chatice, minhas manias. Por que eu relevo as de vocês. Ou guardo como material pra chantagem posterior, claro.

Old Wars


O frio irascível congelava até meus ossos, mas isso simplesmente era uma coisa que eu precisava fazer. Eu sabia que precisava ser sozinha, afinal eu causara isso. Eles vieram aqui por minha causa. Então a única coisa que eu podia fazer era dete-los. Ou morrer tentando. Eu organizei esse protesto contra essa guerra sem sentido. Mas iam matar todos nós pelo protesto. Eu vejo com muita dificuldade um vulto na escuridão. Reconheço como policial, por causa da nevoa. Não, não era um policial. Eram vários. Não eram policiais, agora. Eu distingui a presença de pessoas que eu conheci durante o protesto. Eu reconheci a Sra. Marples, a Sra. Andersen, Andrea, Kurt, Anna, Keegan, e muitas outras pessoas maravilhosas que me ajudaram nos meus protestos contra a guerra do Vietnã. Agora eles estavam com cartazes, me ajudando a enfrentar as autoridades que vinham, com certeza, prender-me ou torturar-me. E eles estavam aqui pelo que eles acreditavam. Pra me ajudar. Eles podiam não ser necessariamente os meus amigos, por que eu os mal conhecia. Mas eles estavam do meu lado, e eu estava do lado deles. Mesmo que tivéssemos que morrer tentando.


Alguns dias depois, jornal dominical.

Três dias atrás, em uma tentativa de contenção a uma atividade de protesto, morreram setenta e oito pessoas. Setenta e quatro dessas pessoas eram protestantes, os quais protestavam contra a guerra. Quando essa opressão vai parar?Quando esse ódio desmedido, essa ganância, essa irracionalidade sem causa vai parar e nos deixar dormir em paz, sabendo que nossos filhos estão na cama dormindo, não atirando em outras pessoas ou morrendo no Vietnã? Espero que a tempo de evitar mais mortes sem razão.


(tiragem do jornal, onde, dias depois, mataram vinte envolvidos com a matéria.)


(Qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos na vida real é mera coincidência.)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Procurando o amor.


- Emily, traga seu dever de casa – Minha mãe gritou do andar de baixo para que eu descesse com minhas tarefas. Odeio minhas tarefas. Obedeci e levei o maldito dever. Ela olhou minuciosamente cada linha, cada pontuação, cada parágrafo do meu texto. Concluiu que estava bom e devolveu-me. Subi ao meu quarto, finalmente poderia ficar a sós com meu computador. Uma janelinha do MSN subiu na tela. John Andersen acaba de entrar. Certo, o que era aquilo? Meu coração palpitava em um ritmo acelerado, minhas mãos suavam, fazendo com que meus dedos escorregassem das teclas. Resolvi que não conversaria com John. Mesmo assim não consegui fazer as minhas malditas glândulas sudoríparas pararem de produzir todo aquele suor. Em cinco minutos, John pareceu ter se dado conta de que eu estava on-line, por que veio falar comigo.

John A. diz:
Em, você tem a matéria dos últimos dias de aula?

Ótimo saber que era só pra isso que eu servia. Dizer os deveres de casa que ele perdeu.

Emily Fichter diz:
Tenho sim, qual você está precisando?

John A. diz:
Sinceramente? De nenhuma. Eu só precisava de um motivo pra falar com você.

Emily Fichter diz:
Ah, é? Por quê?

John A diz:
Por que as minhas férias têm sido muito chatas sem você. Sabe, acho que eu nunca vi uma hora mais propicia pra falar que eu te amo, Em. Sempre amei. Acho que um fora virtual vai doer menos que um fora normal, não?

Emily Fichter diz:
Fora? Que fora? Sabe, eu acho que você está falando com a Emily errada.

John A. diz:
Não existem duas Emily Fichter no meu coração

Emily Fichter diz:
Encontre-me no parque em vinte minutos. No parque que a gente se conheceu. Você sabe qual.

John A diz:
Certo. Até lá.

Emily Fichter logged off
John A. logged off

Certo, eu preciso urgentemente de um calmante. Minhas mãos estão tremendo descontroladamente, meu cérebro está a mil, meu coração está dando saltos de alegria, e a minha barriga está revirando toda a comida que eu comi o dia inteiro. Bem, eu vou calçar meu All Star, pentear o cabelo, passar lápis e vou. Deixa pra lá, só vou calçar o tênis e pentear o cabelo. Por que eu não o penteio desde ontem, quando eu acordei. Calcei meu All Star amarelo e fui em direção à porta do banheiro, ajeitar os fios rebeldes. Estava com uma roupa comum, um pouco desleixada, mas ela não se importava de verdade. Vestia uma bermuda quadriculada em tons de preto e vermelho, e uma blusa vermelha como sangue. Meu All Star não combinava muito com a roupa, mas eu não estava ligando. Era meu tênis da sorte, e eu ia ficar com ele. Saí de casa batendo a porta com mais força do que eu desejava, mas não importava. Minha mãe abriu-a e gritou comigo. – AONDE VOCÊ PENSA QUE VAI? – Eu não respondi. Não me importava a bronca que eu ia levar, eu não ia ficar esperando a boa vontade dela pra sair. Eu tenho dezoito, porra. Eu saí correndo o mais rápido que as minhas pernas permitiram. Até que eu cheguei, com o cabelo castanho totalmente desgrenhado e com o coração bombeando mais sangue que de costume. Minhas bochechas ficaram totalmente coradas e John chegou repentinamente no parque. Usava um jeans desbotado e uma blusa que dizia “Elvis Is Not Dead”. Eu o encarei por alguns minutos, até que ele resolveu se pronunciar. – Em, eu precisava dizer isso pra você o mais rápido possível. Eu te amo. Desde sempre. Desde a quarta série, quando você chegou a mim e me disse que se eu colocasse a blusa pra fora da calça ficaria mais legal. Não te disse antes por que você estava com o babaca do Adam, e eu não queria estragar sua vida, sabe? Com um amor de amigo não correspondido. Então guardei pra mim. Mas, desde o dia em que você ligou pra mim, duas semanas atrás, aos prantos, pra confirmar minhas suspeitas de que o Adam era um babaca, eu penso em você o dia todo. Desculpe-me se eu estraguei nossa amizade, tá? – Ele finalmente parou pra respirar, e me encarou como se esperasse uma resposta. Simplesmente o beijei. Foi um selinho. Mas ele quis mais. E eu também. Tantos anos com o babaca do Adam, perdendo isso aqui. Então eu o beijei mais. E ele também. Ficamos nos beijando por longos minutos. Até que paramos e eu o encarei, séria. Meu deus, como aquele cabelo loiro rebelde me levava à loucura. – John, eu te amo. Desde muito antes de eu conhecer o Adam. – Foi nesse dia que eu arranjei um motivo pra ir à escola todo dia Foi também o dia em que eu arranjei um namorado que realmente valesse a pena. E foi o dia no qual eu consegui alguem pra dividir a minha vida sem sentido. Com muito sentido agora que ele chegou e não tinha previsão pra sair. Agora eu até poderia encarar a fúria da minha mãe. Por que eu sei que ele estaria do meu lado pra sempre.

(In)utilidade


A escola me chateia. Muito. É, eu sei que todo mundo diz isso. Mas não me importa. Eu detesto aquele cubículo que chamam de “sala de aula”. Odeio aquelas grades que eles usam para “proteção”. Repugno o cheiro daquele lugar. Os únicos motivos remotamente claros na minha mente pra que eu continue indo para aquele lugar é que cada dia que eu passo lá, é um dia a menos que eu tenho que agüentar esse inferno. E que, também, um certo ser irritantemente certo uma vez me perguntou uma coisa. Eu afirmei que todos os seres vivos tinham uma função, menos os humanos. E ele perguntou qual a função dos gatos e cachorros. Eu não soube responder. Então ele disse que ele tinha uma função. Melhorar as condições de vida da espécie dele. E eu disse que eu não tinha utilidade nenhuma. Ele disse que era uma pena. Alguns minutos depois, eu disse que eu tinha uma utilidade, e me foi perguntada qual. Respondi que era entreter as pessoas com os meus textos. Mas isso não será possível se eu não for à escola. Eu quero ter uma função aqui. E, se pra isso eu tiver que agüentar gente me dizendo o que fazer, coisa que eu odeio, que assim seja. Por que, por mais que tentemos e queiramos a vida não se trata só de bolo e sorvete. Também se trata de jiló. E por mais que eu nunca vá aceitar isso enquanto eu viver, talvez valha a pena o fim do anarquismo. Ou talvez não.

Anonimato


Se eu pudesse me manter anônima eu diria:
Diria que a vida é breve. Diria que tudo passa. Diria que passa rápido demais. Que não temos a oportunidade de aproveitar devidamente cada momento que temos o prazer de vivenciar durante nossas curtas vidas. Diria que nos conformamos demais. Que ninguém luta pela igualdade, mas luta pelo vestido perfeito pra festa. Que ninguém luta pelo direito de falar o que pensa, mas luta pelo direito de ter saltos perfeitos para andar no shopping. Diria que não acho que o Obama vai salvar o mundo. Diria que gosto mais de azul do que de rosa. Diria que não me conformo com gente sendo classificada por cor, mas que também não me conformo com gente sendo classificada por gosto musical. Diria que não sou comunista e que gosto de gastar dinheiro. Diria que não gosto do Lula. Diria que os pequenos problemas do dia-a-dia são pequenos comparados aos problemas da sua vida. Diria que amor verdadeiro só se tem um, e nenhum outro, se deixar ir já era. Diria que posso dizer o que quiser, por que eu sou livre e anônima. Diria que odeio engordar. Diria que prefiro sorvete de casquinha e que me sujo até com canetas fechadas.Diria que ninguém muda de uma hora pra outra e que é pedir demais que mudem por você. Diria que ninguém é de ferro e que todos cometem erros. Diria que somos todos iguais, porem diferentes. Diria que eu acho um absurdo viver com medo de ser assaltado. Diria que nada é eterno nem insubstituível e que a infância não volta mais.Diria que é besteira achar o que os outros falam é estúpido. Diria que eu sou hipócrita. Diria que todo mundo mente de vez enquando. Diria que falo tudo que penso, mas que nem sempre penso tudo que digo. Diria, então, que amo você.

B.

I Know I Believe In Hell. 'Cause I'm Living In It.


“I know I believe in hell”
Pois é. Eu acredito em inferno. Por que eu estou vivendo no inferno. Eu vou voltar pra escola terça. Eu não posso sair no ultimo dia de férias, por que eu saí muito nas férias. Existe desculpa mais ridícula? A resposta é não. Qual é a maldita diferença entre ficar em casa, trancada no quarto, e entre sair e me divertir? Ah, eu vou te dizer qual. A diferença é que na segunda opção, eu me divirto. E essa vai ser minha última oportunidade de me divertir nas férias, antes de receber minha nota de matemática, prova na qual, eu devo ter tirado meio ponto, no máximo. Bem, é agora que todo mundo me chama de irresponsável. Pode chamar, eu sou mesmo. Sou irresponsável por que eu tenho treze anos. Sou irresponsável por que eu nunca mais vou ter a chance de ser irresponsável. Sou irresponsável por que é o meu jeito. Obvio que os estudos são prioridade na minha vida. Mas experimente ficar acorrentado a algo ou alguém. Pra sempre. Vê o que eu estou dizendo? Às vezes eu penso que nós nunca vivemos pra nós mesmos, vivemos pra os outros. Eu, por exemplo, vivo pra escola. Não que a escola seja uma pessoa, mas eu não estou vivendo em função do que eu quero, acho, penso ou acredito. Estou vivendo em função do que eles acham, do que eles pensam, do que eles acreditam. Eu não tenho espaço pra pensar, pra formar minhas opiniões sobre algo. A escola me limita, me reprime. De jeito algum eu trocaria uma tarde no shopping, ou em qualquer outro lugar, pra ir estudar. Não consigo. Eu tenho esse problema sério com a matemática. O problema é que ela é muito chata. Muito repetitiva, muito monótona. Verdade que é muito útil. Mas eu não engulo. Eu não consigo. Espero que consigam entender. Afinal todos passam pelo inferno na terra. E pra mim, ele se chama escola.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Eternamente.


Era isso. Tinha acabado. Agora eu sentia um vazio no coração. Quatro anos deixados pra trás. Talvez eu levasse mais quatro anos pra superar. A chuva começou a cair lá fora. Pingo por pingo. Sentei-me no vão da janela. Minhas lagrimas caíram no ritmo da chuva. Eu vi os pingos caírem no chão. Um por um. Também vi os pingos mancharem o estofado azul. Um por um. Uma figura indistinta apareceu em minha janela. Era uma grande janela vitoriana, com um vão estofado, onde eu estava sentada. Enquanto a chuva engrossava, a figura se tornava mais indistinta. Ouvi batidas baixas na janela. Enxuguei parcialmente os olhos. Abri a janela. Encontrei-o com um grande sorriso nos lábios e flores desgastadas pela chuva. – você é um idiota, sabia? – Eu falei, rindo de sua cara abobada. – sabia – Ele sorriu. Um sorriso verdadeiro. Um sorriso, que, por menos tempo que a gente tenha passado sem se ver, eu sentia falta. – então, eu queria saber se você me desculpa, por que eu preciso de você pra viver. Na verdade, talvez não precise, mas minha vida ia ser vazia e inútil sem você. E alem do mais, eu quero ser quem enxuga suas lagrimas, não quem as provoca. Casa comigo? – eu senti o vazio se apagando. Lentamente, mas completamente. – caso. Com certeza que caso. – pulei a janela e deixei a chuva molhar completamente o estofado da janela. Pulei nas costas dele, e o derrubei no chão. Rimos. Ficamos encharcados, mas felizes. Ele me deu o anel mais lindo que eu já ganhei. E nós não vivemos felizes pra sempre. Por que ninguém vive feliz pra sempre. Vivemos felizes, e tristes, e confusos. Vivemos a vida como ela deve ser.

Para Sempre Seu


Tão breve quanto a vida, é a morte. Nada nos tira da infindável solidão que a morte nos proporciona. Admito que, de forma alguma, foi o que pensei quando a vi estendida no chão. Seu corpo imóvel parecia fazer uma espécie de desenho, como o curso de um rio. Eu parei na porta, embasbacado. Emily parecia mais tranqüila do que nunca. Usava seu vestido favorito, com o desenho de uma carpa multicolorida, que a meu ver, sorria de modo intrigante. Não que realmente sorrisse. Mas não me parecia sorrir agora. Adotara uma expressão solene, inclinei-me a pensar. Ao seu lado, um livro aberto na página de número duzentos e onze, e um bilhete. Com receio, aproximei-me do corpo inerte de Emily, evitando a todo custo encarar seu olhar vítreo e acusador. Apossei-me do bilhete, e abri cuidadosamente o papel quase desfeito por lágrimas. Dizia o seguinte:

Não faço idéia de quem será o primeiro a encontrar esse bilhete. Ficaria embaraçada se fosse mamãe, de modo que peço que, quem quer que abra esse bilhete, mantenha-o longe da vista da mesma. A menos que ela mesma encontre o bilhete, então o estrago já estará feito. Escrevi esse bilhete estritamente para Derrick, sendo assim, gostaria que fosse entregue a ele. Derrick sinto desaponta-lo. Sinto mesmo. Sendo eu uma jornalista inútil e indisposta, era de se esperar que você não fizesse considerações a minha pessoa em seu testamento, apesar de ser sua esposa. Imagine a minha surpresa quando encontrei o nome de minha ilustre irmã em seu testamento, no lugar do meu? Permaneci atônita o resto dos meus dias, precisamente duas semanas desde essa descoberta. No mesmo infeliz dia, descobri sua secretária despindo-se em sua sala, pouco depois de meu almoço. O que me fez expelir toda minha comida do dia. Na verdade, não foi essa visão que me privou de apetite, mas sim o fato de que você, objeto de minha devoção, estava me traindo. Com sua secretária. Entrei em pânico. Não queria perde-te. Por isso as roupas provocantes. E as velas. E a comida especial. E a súbita saída das crianças de casa por duas noites. Você, por sua vez, estava muito mais distante do que nunca, o que me causou certo desespero. Respondia-me de forma indiferente e fria, deixando-me cada vez mais amargurada. Não tive escolha, senão ama-lo até meu ultimo segundo, que, infeliz, deixei esse mundo para sempre. Foi meu ultimo sofrimento, e sei que definharia aos poucos se o visse com outra mulher, por isso, acabei com minha dor, em um ato extremamente egoísta, e espero que todos vocês me perdoem. Sempre te amarei, Derrick. Até o triste momento em que eu deixar o mundo que conheço, estará em meu coração. Peço que diga a Patrick e Linda a verdade, que eu acabei comigo mesma. Eles merecem saber. Espero que não guardem rancor da mãe que os abandonou. Gostaria de dizer que deixo todos os meus bens para a família Scott e para a família Daniels, sendo repartido de forma igualitária entre vocês e meus parentes. Exijo que coloque a disposição de nossos filhos meus bens pessoais, e que não comente sobre sua amante até que Patrick e Linda tenham dezoito anos, o que levará doze anos. Antes disso, não os confidencie o motivo que eu tive para querer tirar minha própria vida. Quero ser cremada e jogada sobre o Rio Sena, lugar que nunca tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. Não quero cerimônias. Só você. E foi o que eu sempre quis desde o começo. Você.
Para sempre sua,

Emily Elizabeth Scott Daniels.

Eu não a trai. Não era meu escritório. Era Luke. Era Luke, não eu. Ela se matou por minha causa. Se matou por que eu fui insensível de mais para pensar primeiro no trabalho do que nela. Ela seria pra sempre minha. Sempre. Eu seria pra sempre dela. Seria pra sempre só dela. Pena que o pra sempre não dure eternamente. Nesse instante, reparei em um álbum jogado no chão. Ele estava aberto e ensangüentado. Limpei o sangue com um lenço que eu achei no bolso.Percebi que foto era. Éramos nós quatro, três anos antes. Eu estava com uma mascara de boneco de neve, e ela beijando minha mascara. Patrick e Linda faziam caras enojadas. Era a mãe de Emily tirando a foto, no nosso sétimo aniversario de casamento, o qual foi celebrado com uma viagem pra Nova York. Emily e eu iríamos completar dez anos de casados hoje. Eu tinha comprado flores, um par dos brincos mais caros que eu já vi, um anel de compromisso, e tinha feito uma reserva no restaurante de nosso primeiro encontro. Não agüentei, e irrompi em lágrimas. Emily era meu mundo. Minha vontade de viver. Literalmente. Desci as escadas, e cancelei a reserva, com a voz mais firme que consegui fazer. Coloquei as rosas vermelhas que tinha comprado em um vaso, e joguei o anel e os brincos fora. Eu não sabia o que fazer. Sentei no sofá, e alcancei uma foto dela que ficava na mesinha de canto perto do sofá. Essa foto era do dia em que nos casamos. Emily usava o cabelo muito preto em um coque preso, de modo que parecia uma gueixa. Sorria, iluminada. Eu abraçava forte a cintura dela. Como eu senti falta daquela cintura. Ela usava o vestido mais lindo que eu já vi, da Vera Wang, ela me disse uns dias antes do casamento. Seus lábios eram rubros e seu rosto, como sempre, muito branco. Lembro-me da incerteza desse dia. E lembro-me que a certeza de querê-la era a única que eu tinha. Eu ainda tenho essa certeza. Mais agora ela acabou. Espero não descolorir ao longo dos anos.
Para sempre de Emily,

Derrick Petroski Daniels.

domingo, 12 de julho de 2009

Carta Para Mim Mesma


No chuveiro, eu vejo a cor se esvaindo do meu cabelo. O azul vai indo embora. Talvez dando lugar pra uma cor mais adulta. Talvez dando lugar pra um outro eu. Talvez me dando espaço pra crescer. Mas eu simplesmente não consigo parar de pensar que parte de quem eu sou está indo embora junto com aquela tintura. Parte de quem eu fui. Indo lentamente durante o banho, durante a vida. Essa tintura representa suas memórias, e cada vez que você as abandona, você abandona parte de quem você é ou foi. De quem você deveria ser. Sinto uma sensação ruim quando a tinta desce o ralo, e quando o azul inunda meus pés, escapando lentamente pela tangente, sempre que tem oportunidade, sempre que é dada uma chance. A tinta se vai, e você fica. Sem conteúdo, sem ser você mesma, afinal.