domingo, 12 de setembro de 2010

Parque das Dunas


Acho que ficar sozinha em um parque, às três e meia da tarde, quando o mesmo está fechado, não é exatamente o tipo de programa realmente especial que uma garota gostaria de fazer. Não é realmente o programa especial que NINGUÉM gostaria de fazer. Fiquei sentada no sol por algum tempo, olhando para o lado em que a luminosidade vinha, por que era esse o lado o qual supostamente viriam os carros das mães das minhas amigas. Muitos carros passaram. Nenhum conhecido. Os minutos correram. Acho que fiquei sentada lá mais tempo do que eu posso contar, com o sol na minha cara, esperando. E doente, eu estava doente. O guarda com uma farda do exército me perguntou se eu queria entrar, e eu aceitei. Entrei e sentei-me na calçada que dividia a rua por onde alguns carros do exército entravam e o posto onde geralmente se compravam as entradas para o parque. Aparentemente, nas segundas o parque só abria para pessoas que praticavam cooper. Eu não praticava cooper. Natália não praticava cooper. Malu não praticava cooper. Ninguém praticava cooper. E pensar que eu fiz a mãe de Eric me levar até lá pra absolutamente nada. Certo, eu não a fiz me levar, ela quis me levar. Eu até a pedi pra não me levar. Mas mesmo assim. Pra nada. “O que você está fazendo aqui, em uma segunda feira de sol, sentada no meio fio, com uma bolsa enorme e um livro?” O guarda parecia ser do tipo amigável, e estava sendo um pouquinho inconveniente, já que eu estava bastante absorta no livro que eu estava lendo e nos meus pensamentos mais profundos sobre as coisas mais aleatórias. Despertei desse tipo de transe que eu entro às vezes. É realmente involuntário. “Eu ia me encontrar com as minhas amigas. Aparentemente elas estão atrasadas.” Respondi, sem desviar o olhar para ele, mas marcando o livro com o dedo, apesar de saber exatamente a página que eu estava, 121. “Parece que as suas amigas não vem” Atestar o óbvio é realmente deprimente. “Eu estou vendo. Sabe, esse livro me irrita. Tem tantas percepções do amor que realmente me aborrecem.” Ele me olhou com curiosidade. Garotas de 14 anos geralmente não tem exatamente percepções do amor aborrecidas ou que não tenham nada a ver com um vampiro brilhoso e idiota. “Por que você se aborrece com essas perspectivas do amor?” Ele parecia realmente interessado. “Ah. Por que eu não acredito no amor.” Isso o surpreendeu. Discutimos o assunto. O qual, na verdade, era um assunto realmente esquisito pra se conversar com um cara do exército que estava tomando conta do parque nas segundas e das pessoas que faziam cooper. Não era um assunto convecional, na verdade. No fim, acabamos conversando durante meia hora, ou mais. Estava ficando escuro. “E então, você não vai pra casa?” A verdade é que eu não tinha dinheiro. “Eu, bem, não tenho dinheiro pra pegar o ônibus até o natal shopping. Ia pegar carona pra lá com a minha amiga, que não veio.” “Onde você mora?” “Em piau. Em uma fazenda” Ele ficou estupefato. “Eu tenho família em Arez. Seu pai é Alexandre?” Eu sorri. “É sim.” Ele sorriu. “Eu o conheço. Quer saber? Tome, dois reais, pra você pegar o ônibus.” “Eu não posso aceitar.” “Pode sim. Vá e chegue bem em casa” Eu agradeci, mas nunca soube o nome dele.

sábado, 11 de setembro de 2010

Ele Não Está Tão Afim De Você


Então, aqui vamos falar de caras que não estão tão afim de você.

Se ele não te liga:
Aqui é a caixa postal do Aaron. Deixe a sua mensagem e me deixe em paz.

“Er, oi Aaron. Já faz uma semana, e eu queria saber se você já voltou pra casa daquele congresso. Então, me liga. É a Melissa falando. Tchaaaau.”

“Aaron? Aconteceu alguma coisa? Por que você não retorna as minhas ligações? Me liga. Melissa”

“Aaron, estou ficando preocupada. Quando poderemos nos ver de novo? Melissa.”

“Já faz quase um mês. Você ainda vai me ligar? Se não, eu vou ligar pra o Kurt. Me avisa, por favor. Pra a gente poder marcar alguma coisa. Melissa falando.”

“Chega disso. Estou te apagando da minha vida, Aaron. Adeus. Melissa falando.”

“Eu estou tãaaaaaaaao bêbada. Eu quero você de volta, Aaron. Eu preciso de você. Agora, comigo. Me abraça? Nunca consegui ninguém depois de você, foste especial. Me liga, por favor. É a Melissa, sua Melzinha”
Quando ele termina com você:
“Não é você. Eu só não consigo lidar com o fato de que você é tão maravilhosa.” = ele é um imbecil.

“Não é você, sou eu” = Ele é um imbecil

“Preciso de um tempo só pra mim, estou passando por mudanças” = Ele é um imbecil

“Quero ficar sozinho” = ele é esquizofrênico

“Não estou pronto pra um relacionamento sério agora” = ele é um bebezão

“Você é demais pra mim” = Ele não te agüenta mais

“Acho que nós deveríamos ver outras pessoas” = “Eu vi minha vizinha gostosa ontem a noite, e, francamente, ela é a única pessoa que eu quero ver nas próximas noites”

“Vejo você como amiga” = você não beija bem

“Ainda podemos ser amigos” = Ou não

Quando ele te trai:

“Então, benzinho, eu tenho que te confessar uma coisa que me aconteceu esses dias”

“O quê, meu amor?”

“Lembra-se daquela vez que a gente brigou por causa dos seus ciúmes?”

“Sim, amor.”

“Então, naquele dia, Hanna, Cristal e Chantal me ligaram, queriam me chamar pra uma festa no quarto da Karen. E eu fui.”

Quando ele não te ama:

“Oh, querido, que filme romântico”

“Sim.”

“Está gostando?”

“Não. Vou comprar pipoca.”

2 horas depois

“E então eu disse que era uma idéia realmente estúpida”

“Quem é essa?”

“Ah, sim, essa? A Kristen. Conheci ela no balcão quando você estava vendo aquele
negócio estúpido no cinema. Eu e ela vamos ver O Massacre da Serra Elétrica. Tchau”

Quando ele mente:

“Eu te comprei flores, mas no caminho de casa, um cachorro as comeu”

“Juro que eu não a beijei, ela que veio pra cima de mim”

“Eu sempre te amei”

“No que eu estou pensando? Em como você é linda”

“Eu te amo”

“Se eu me arrependo de ter gastado meu dinheiro da aposentadoria nessa casa fria e
sem aquecimento? Em momento algum”

“Tudo que te deixar feliz, querida”

“Gorda? Você? Imagina.”

“Seu corte de cabelo novo é maravilhoso”

“Claro que eu quero conhecer seus pais!”

Tirem suas próprias conclusões.

Te quero tanto


“Tanto, é tanto, se ao menos você soubesse. Te quero tanto”

Tap. Tum. Tap. Tum. Tap. Tum. Tum. Tum. Tap. Tap. Tum. Tum. Tum. Em um ato desesperado, corria. Não queria mostrar fraqueza. Era demais. Continuou batendo os sapatos pretos da escola no chão cimentado do pátio. Provavelmente essa correria seria captada pelas câmeras. Foda-se. Continuou deixando o coração bater. Tum. Tap. Tum. Tap. Incoerentemente, correu até a porta branca da sala que deixou cinco minutos antes. Seria pego. O jogo estaria acabado. Foda-se. Não tirava da cabeça. Sorria. Não queria sorrir. Não queria ser pego. Não queria esquecer. Correr tirava tudo momentaneamente da sua cabeça. Não sentia mais as pernas. Foi para outra porta branca fechada. Era a porta dela. Inconscientemente andara até lá. Via o cabelo dela. A cabeça suavemente recostada na carteira. Estava dormindo. Aula de Química. Ligações covalentes. Estavam estudando ligações covalentes. Menos ela. Estava dormindo. Dormir. Era só o que ele tinha feito atualmente. Ela também. Tocou o sinal. Acabou a aula da qual ele fugiu. Aula de física. Correu escadas acima. Ia assistir aula de história. Gostava da aula de história. Deu uma última olhadela nela. Continuava imersa em sonhos.
Subitamente, levantou a cabeça e coçou os olhos. A aula de química tinha acabado, e provavelmente o toque a havia perturbado. Seu cabelo estava bagunçado, sua mesa vazia, sua maquiagem borrada. Mas ela estava linda. Linda como nunca. Não dava pra vê-lo ali, por causa da película aplicada no vidro da porta. Falou com alguém e sorriu. Sorrir. Tinha medo de que nunca mais fosse vê-la sorrir. Ela olhou para a porta significativamente. Não dava pra vê-lo, mas ela sentia seu perfume. Invadia suas narinas com a violência de um corte profundo. Tinha um corte. Que ele deixara. Um corte. Estava ali, pulsando. Sangrando. Não tinha como contê-lo. Ela queria estancar. Queria parar. Não conseguia. Doía. Como todos os cortes faziam. Ele, há essa hora, estava na sala, assistindo à aula de história, bastante concentrado. Ela levanta-se e vai até a porta. Corredor vazio. Um forte cheiro do perfume dele indica sua recente presença ali. Ela gostava de pensar que fora por sua causa. Não sabia. Fechou a porta atrás de si, e foi ao bebedouro. Voltou à sala. A próxima aula seria de português. Ótimo. Iria dormir um pouco mais. Recostou a cabeça na carteira e deixou-se levar, carregada por sonhos e embebida em esperanças.
Ele estava um pouco perturbado. Não queria ter que dizer o que tinha que dizer. Não hoje. Não nunca. Não estava preparado. Desconfiava que ela também não. Os ponteiros do relógio corriam. Ou talvez se arrastassem. Era difícil dizer. Ele queria que o intervalo chegasse, mas temia a hora que teria que falar, finalmente, o que precisava ser dito. Não era exatamente o que podia se chamar de decidido. Ou seguro. Ou muitas coisas requeridas para dizer o que tinha que ser dito. Sentiu enjôo. Sentiu algo queimando na boca do estômago. Não era amor.
Ela descia as escadas, pulando os degraus de dois em dois. Parou na frente da sala dele. Olhou-o por demorados minutos, até que o inspetor expulsou-a de lá e ela foi obrigada a caminhar até o pátio cinzento do primeiro andar. Comeu mecanicamente. Não estava realmente uma personificação da felicidade. Não precisava de um homem. Mas foda-se, ela queria. Estava tentando ser otimista. Sorria roboticamente. Sentia que algo ruim estava por vir. Não dormia faziam três noites. Não era sua culpa. O intervalo acabou. Subiu para a sala. Queria ele. De novo. Iria reconquistá-lo. Ou simplesmente ia chorar no travesseiro, do mesmo modo que fez nas três noites anteriores.
Ele fê-lo no dia seguinte. O travesseiro dela tornou-se seu melhor amigo. Ela queria tanto. Ele queria tanto querer também.

Alguém


Clichê, clichê, clichê. Foda-se. Mue blog, minhas regras u_u

Eu quero um que diga eu te amo sem medo. Eu quero um que fique feliz em me ver. Eu quero um que tenha opinião. Eu quero um que não idolatre uma menina estúpida. Eu quero um que não saiba como lidar comigo, mas aprenda. Eu quero um com o qual eu não saiba lidar, mas aprenda. Eu quero um que goste de mim pelo que eu sou. Eu quero um que não queira só sexo. Eu quero um que me respeite. Eu quero um que não seja surfista, não escute forró, não seja pegador, não seja imbecil, goste de ler, escute músicas decentes, veja filmes decentes, seja uma pessoa interessante. Quero um que não se submeta a tudo que eu digo. Quero um que saiba beijar. Quero um que seja que nem eu, de cuecas. Quero um diferente. Quero um que não se importe em ser chamado de diferente, esquisito, emo. Quero um que seja como eu quero, mas com um toque de rebeldia. Quero um rebelde nato e sem causa. Quero um descomplicado, desneurado, natural. Quero um que se importe menos com besteiras. Um que meus amigos gostem tanto quanto eu. Quero um que tenha um CD do Muse o qual eu possa roubar. Quero um que saiba o que eu quero. Quero um que me agrade e me desagrade, que me tire do chão, que me faça fazer esse coração de gelo bater mais forte. Quero um cara melhor do que você. Não quero mais te querer, quero algo melhor do que você.

sábado, 4 de setembro de 2010

O Cara Perfeito?

Que pergunta inexata hm
Perfeito em aparência? Em personalidade? Hm, certo, já que as duas se complementam, vou dar uma descrição mais ou menos satisfatória, por que me faltam palavras pra descrever isso. Ou não.
Tá, eu tenho uma tara por garotos loiros, mas talvez o menino perfeito não seja loiro. Mas, como eu disse, ele DEVERIA ser atencioso, e engraçado. Não exatamente engraçado, mas com piadas idiotas que me façam rir quando eu tiver perdido quase que totalmente a fé na humanidade, entende? Ele precisa me fazer sentir no céu mesmo que eu esteja indo pro inferno. Ele não precisa saber o que eu quero ou sinto, só saber que eu gosto de abraços, abraços verdadeiros, quando estou triste. Ele não precisa ser lindo, não precisa ser poético, não precisa ser estudioso, não precisa viver cego de nostalgia, não precisa de nada disso. Ele só precisa me abraçar. Não precisa fugir, mesmo que não saiba do que está fugindo. Ele precisa estar ali. Precisa ser honesto. Não precisa estar sempre certo, nem sempre perto. Só precisa estar ali. Não precisa ser perfeito. Só precisa fazer com que eu espere ansiosa pra vê-lo, e com que eu anseie por sua presença. Não precisa ser compositor, ou tocar instrumentos. Só precisa ter um bom gosto musical. E por fim, não precisa amar todo mundo, não precisa ser vegetariano, não precisa ser anarquista, não precisa querer salvar o mundo, não precisa ser politicamente correto, não precisa ser rico, não precisa ser nada. Só precisa ser o cara certo pra mim. Por que eu cansei do incerto, do talvez, e do não. Eu só preciso tomar um chá e limpar o coração. E então, deixar rolar. Portanto, é assim que seria um cara perfeito pra mim.