quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Carta Pra Você Voltar

Hoje, pela segunda vez no ano, fui ao aeroporto. Mas não fui com o intuito de viajar. Fui deixar uma das pessoas mais importantes pra mim (um grande pedaço do meu mundo, vale salientar) partir, por 10 meses. Dez meses de pura melancolia. Acho que desde que a gente se conhece não houve intervalo tão grande na nossa amizade. E eu sou covarde o suficiente pra ter que escrever sobre, ao invés de falar. Então, primeiro vou começar dizendo o óbvio (ao menos pra você, espero): Eu te amo, sua porcaria.

Tendo dito isso, vou contar como o meu coração ficou apertado quando você surgiu, do nada, com a ideia de um intercâmbio. Estava empolgada por ter tantas ideias sobre isso, e de acordo com você, só faltava convencer sua mãe. E uma pequena parte de mim torceu pra tia Cida ter o bom senso de te acorrentar na sua cama, pra você nunca sair. Me afligiu quando, depois de um tempo, a resposta dela foi assertiva. Digo, fiquei feliz por você estar podendo ter uma experiência tão boa, e poder estar fazendo algo que você queria. Mas me apertou o peito que o seu querer fosse tão longe, na Rússia.

O tempo foi passando, e o intercâmbio foi ficando mais próximo. Eu me recusei a aceitar que o dito cujo se aproximava. Como assim, dez meses sem te incomodar? Sem ir na sua casa, sem poder chorar no seu ombro, sem poder rir com você, sem poder partilhar cada acontecimento das nossas vidas, sem poder reclamar da vida, sem poder ir pra sua casa depois de uma prova particularmente babaca pra comer e xingar um professor particularmente babaca. Que seria de mim? Só Deus sabe. E só Deus tá sabendo, mesmo, por que acho que não caiu a ficha que você não tá em Natal. Não sei se é por que eu me acostumei com a sua ausência contínua na escola nesses tempos pré intercâmbio, mas ainda não caiu a ficha. Uma semana que você tá fora e não consigo acreditar que você foi. A Rússia tá sendo uma experiência incrível, e é bom que você traga muita vodka pra mim, se não, não vou poder te perdoar por essa lacuna tão grande nos meus dias.

Pra a sua despedida, fui a procura dos seus álbuns de criança. E quantas fotos nossas eu achei? Muitas. Tive que me segurar pra não desabar ali, na frente de todo mundo. E segurei. Nossa apresentação de sereias, altos carnavais e são joãos na Casa Escola. Festas de aniversário das duas, aquelas fotografias antigas que fazem sorrir quando a gente tá triste. E eu sorri, ao invés de chorar. Chorei depois, sozinha, no meu quarto. Algumas vezes trancada no banheiro da escola. Acho que a pior parte foi que eu não pude te mandar uma mensagem, te obrigando a sair da sala pra ir me abraçar, por que você estava em um avião, sobrevoando o Brasil.

As vezes lembro das nossas coisas. Dos filmes que eu fui aí ver, das noites que eu dormi aí, das vezes que você foi pra roça, da praia, dos vídeos, dos risos. Quando é que você volta, mesmo?

Com muito amor e saudades,
Abelha.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Verás Que Um Filho Teu Não Foge À Luta

Pela primeira vez, tive parte em uma manifestação. O comparecimento foi por acaso, e começou murcha. Mas em questão de minutos, a BR 101 foi ocupada, os protestantes (o que me inclui) estavam sentados e deitados na frente dos carros, o trânsito parado, gritos, apitos, cartazes, tudo combinado pra a maior eficácia. O objetivo era paralisar os ônibus e convencer os motoristas e cobradores a nos deixar entrar de graça, pra pesar no bolso dos culpados. Prosseguimos do Via Direta até o Midway (fiquei até o Portugal Center), firmes e fortes. Os gritos foram de formas agressivas, passivas, prudentes e imprudentes. Tudo pra receber nossas promessas! O aumento da passagem de ônibus é um roubo! Principalmente com o estado de sucateação dos ônibus e a falta de infra estrutura oferecida. Depois do último aumento, nos foi prometido que as passagens não seriam aumentadas até 2013. 2013 chegou cedo, não?

Não pretendo entrar em detalhes sobre o resto da administração desastrosa da prefeita Micarla, até por que todo natalense sabe o perrengue que a gente tá passando. O que eu queria mesmo falar era sobre a reprimenda policial. Bombas de gás lacrimogêneo, tiros de borracha. Polícia é pra ladrão, pra estudante não! O jeito que se encontrou de reclamar, de expressar foi ir pras ruas! Tá certo, esse aumento?

Claro que uma participação ativa na cidade, e, principalmente, nas urnas é muito negócio pra a gente não precisar recorrer ao protesto. A maior parte dos motoristas ficaram enraivecidos com o protesto, com a espera de uma hora ou mais pra poder chegar em casa. E eles tem razão de ficar enraivecidos. Outros motoristas largaram o carro e saíram pra protestar. Todo mundo devia protestar, quer tivesse carro, ou não. É um abuso com os cidadãos. O modo que se encontrou de ver todo mundo olhando pra a nossa causa foi parar todo mundo pelo tempo necessário.

O lance é que se não muda nada protestar, muda menos ainda ficar com a bunda sentada na cadeira, vendo o tempo passar e só reclamando. O perigo é partir pra anarquia e a destruição. No mais, achei a movimentação bonita, tanta gente gritando pelo direito, tanta gente reunida, tantos cartazes criativos. Olhava abismada pra tudo aquilo, enquanto andava com Iuri até em casa. É, é o poder que o povo tem.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

In Many Ways, I'll Miss The Good Old Days

Manhã desestimulante. Vontade de ficar na cama, sono terrível, levantei. Arrastei meu corpo pra escola, arrastei meu dia pela sala, cutucando Jean e me satisfazendo com as coisas pequenas. Recebi cartas. Recebi olhares estranhos e distância, e me machuquei um pouco mais, cutuquei a ferida. Tentei suturar, e apesar de não ter dado muito certo, estanquei o sangue e segui com o dia. Continuei sorrindo e oscilando o humor durante o resto da manhã. Me descobri e me escondi, só pra me mostrar pra mim. A tarde, prevendo um final de dia enfadonho, descobri o extremo oposto. Dois professores faltaram! Isso é quase inédito na história do CEI. Confesso que tinha pensado em fugir e não dar satisfações, e quae o fiz, mas depois dessa descoberta, não tinha pra quê fugir. Fugir de quem? Fugir do quê? Nada de fugir, ir sem a culpa de matar aula, sem a culpa de fugir. Mas mesmo assim, fugir da vida em algum ponto. E ir ao cinema, que jeito incrível de passar as horas, matar o tempo, fugir do que havia pra fugir.

Encontrei Flora na frente do cinema, como o planejado. E rimos, rimos muito. Compramos ingressos pra o filme mais fofo dos últimos meses. Com a linda da Meryl Streep e o fofo do Steve Carrell. Quase uma hora pra o filme começar. Descemos, e encontramos pessoas conhecidas. Juntamos-nos a elas, e rimos mais. Conheci algumas pessoas novas e estimulantes. E me entreguei, mais uma vez ao novo e desconhecido, ao frescor de novos conhecidos, de novas experiências, de novos dias. Difícil, essa entrega. E mais difícil nesses tempos. Eu sou difícil, mas sempre fui dada. De tanto sê-lo, cansei de levar coice e tomei uma atitude. Pena que tal atitude me fez me esconder dentro de mim. Estou nova. Abri-me de novo ao mundo, ao gosto, ao sabor, ao vento.

De coração aberto (e feridas estancadas, guardadas só pra mim), assim, subi pra o cinema. Na verdade, subimos. O filme foi estimulante. Ri, sorri, quase chorei. Passei por todas as minhas emoções. Entreguei-me aquilo que me faz sentir. Gostei. O dia teve um jeito diferente, depois. Voltamos pras nossas casas, conversando. E finalizamos tudo com um abraço, um abraço acolhedor, gostoso, do jeito que eu tava precisando.

Jeito bom de terminar o dia é com abraço de amigo. Com aquele apoio que vocês dois precisam. Desabafando, colocando seu coração pra fora. Mesmo colocando os meus sentimentos pra fora, ainda tem aquela ferida, esperando pra voltar. Volta não. Deixa-me em paz. Pra eu lembrar do dia como foi, feliz. Da vida como é, e daquelas coisas que fazem valer a pena.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pra Não Levantar da Cama

Segunda de manhã, chuva. Terça de manhã, sol. Quarta de manhã, sol. Quinta de manhã, chuva. Sexta de manhã, nublado. Foda-se o tempo que faz lá fora, se o dia de matérias na escola é de exatas ou de humanas, se tá frio ou calor, se o dia promete ou não, você acordou de mau humor e não ficou na cama por que foi forçado a se arrastar pra fora dela. Nesses dias, o quão maravilhoso seria acordar e ter algum bilhete, alguma carta, alguém pra te dizer que o dia foi cancelado, e que você pode voltar pra cama? Seria o céu. Mas, uma vez sabendo que isso não vai acontecer, o que você faz com aquela vontade de desaparecer, de deixar de existir, de entrar embaixo das cobertas e não sair de lá até você se sentir melhor? Não faz. Coloca debaixo do braço e leva pra escola. Passa o dia inteiro carrancudo ou com cara de deprimido, suspirando e olhando pra o vazio.

Mas sabe de uma coisa? Não muda nada. O dia corresponde menos ainda as suas expectativas. Se sua expectativa era sexo, vai acabar em casa chupando o dedo e vendo Ele Não Está Tão Afim de Você. Se sua expectativa era bolo, vai acabar comendo salada verde na bancada da cozinha. Mas isso não é por que o dia tá ruim, é você que tá ruim. E a semana fica ruim. Fica tudo ruim, até o sorvete de flocos que você tava esperando o domingo pra comer. Parece que tudo dá errado. Seu namorado te dá o pé na bunda, você desiste da dieta, tira notas vermelhas, descobre que sua calcinha favorita tá furada, é assaltada, perde a identidade, e se pergunta por que levantou da cama.

Então, o que há de se fazer? Sair debaixo das cobertas, levantar da cama, lavar o rosto, praticar sua melhor cara de que está tudo bem, e encarar o dia. Não dá pra se esconder pra sempre do mundo, por que uma hora, ele pega você. Não dá pra se esconder atrás das músicas do Moptop que entoam que não há motivo pra acordar. Não dá pra deixar de lado sua vida lá fora. Não dá pra se esconder dos seus problemas. O melhor a fazer é encarar. Não há motivos pra levantar? Faça-os. Eu sei que eu estou fazendo. Se gosto do caos, é o que eu tenho. Gosto pelo caos. Estou me arranjando motivos pra levantar justamente por que não tenho nenhum nesse dado momento.

E a vida continua, o jantar está esfriando na mesa, o chuveiro pingando, e seu telefone não tocou.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Monday You Can Fall Apart

Acho que a parte mais díficil de criar uma relação é gostar de alguém. Quando você gosta de alguém, é sempre mais difícil falar verdades doloridas, contar segredos que você sabe que não seriam aprovados, é quase impossível não se entregar, ao menos um pouco. É tão fácil de encher de promessas, esperanças, sonhos... E cair de cara no chão, com a realidade sambando na sua cara com as sapatilhas do mundo real. As pessoas não são perfeitas. E nem tem intenção de sê-lo. A gente é que espera demais, cobra demais, quer demais... E acaba ficando sem nada, ou com algo que não corresponde às nossas expectativas tão elevadas. Agora vamos a outros fatos: você também não é perfeito. Aposto que tem algum hábito considerado chato, rói as unhas de nervoso, perde a hora de manhã, transa com a mulher do vizinho, ouve músicas da Celine Dion quando tá deprimido, dança sozinho na cozinha, e vê comédias românticas com um pote de sorvete ao lado.

E isso tudo é normal. Todo mundo faz esse tipo de coisa. Por que todo mundo erra. Eu erro, você erra. E não é pouco, não. Acho que por dia a gente faz ao menos umas cinco escolhas erradas. Algumas imprevisíveis e não tão graves, como resolver usar uma saia bem rodada e descobrir que o lugar que você vai venta muito, e ter que passar a noite segurando a tal saia. E outras mais graves, como não estudar pra prova de matemática, matar a mulher do vizinho que você tava comendo, ou comer aquele pote de sorvete sozinha até vomitar e ir parar na UTI. O importante, depois de errar, é saber recolher os pedaços. Não precisa juntar pra fazer a mesma coisa, só precisa recolher, sentar no seu canto, lamber suas feridas e voltar pra fazer outra coisa completamente diferente com a sua vida. Por mais que você queira voltar atrás dois segundos depois de ter feito o que não devia, não dá.

Falo isso por que hoje é segunda, esstou de TPM, de dieta, queria desesperadamente um sorvete de flocos, só levo pé na bunda (e não tenho vergonha de admitir, foda-se), só levo patada do amor, tenho um coração que de tão burro chega a dar vergonha, deveria estar estudando matemática, ouço Celine Dion quando estou depressiva (sabe All By Myself? Então.), me entupo de brownies de soja sem glúten light esperando preencher algum vazio interior, gosto do caos (minha vida sempre tá um caos. Quando não tá, tem coisa errada aí.), digo muito do que não quero e pouco do que quero, e acho que cometo muito mais do que cinco erros graves por dia. Não me arrependo de todos, não há tanto tempo pra arrependimento nos meus 16 anos (absurdamente) bagunçados.

Acho que no fim das contas, só queria provar pra mim mesma que não é anormal ser tão errada, e gostar tanto do errado a ponto de dormir com ele e acordar sozinha.

domingo, 12 de agosto de 2012

Se Isso É Céu, Eu Prefiro Meu Inferno

Depois de muitas indagações pessoais de "para onde minha vida está indo?" e respostas do tipo "para o ralo/fundo do poço/buraco etc etc" vindo da minha cabecinha, levantei do chão do banheiro e olhei minha cara cheia de pintinhas vermelhas, advindas de picadas de mosquito da fazenda. Olhei minha sobrancelha bem feita, minhas marcas, minhas olheiras, minhas pintinhas provisórias, minhas espinhas, enfim, tudo que tinha pra olhar. Joguei água gelada no rosto. Lavei com sabonete líquido pra peles oleosas. Escovei os dentes, um por um. Abri o armário do banheiro, a procura de hipoglós para colocar nas pintinhas, mas não encontrei. Encontrei uns creminhos pras mãos que eu ganhei e nunca tinha usado. Abri o primeiro, e um cheiro tão bom veio lá de dentro. Tão bom que eu não acreditei. Alguma coisa realmente boa estava vindo de algum lugar. Por mais que fosse só um perfume passageiro, uma fragrância que sairia das minhas mãos cedo ou tarde, pareceu um pouco de bondade.

Não que bondade venha de um frasco de perfume, de uma bisnaga de creme pras mãos, de um vidro de hidratante, mas pareceu ser a única notícia realmente boa nas últimas horas: a notícia de que esse cheiro ia ficar na minha mão até de manhã, e que ainda tinha uma bisnaga cheia desse cheiro gostoso pra eu que eu pudesse usar sempre que eu precisasse de uma gota do cheiro que o creme exalava. Eu tenho um dia cheio de matérias cansativas sendo explanadas na escola, uma grande mudança vindo, uma possível mudança de sala, uma vida amorosa aos pedaços, uma escassez de pessoas que me entendiam no dado momento, e lá estava eu, sentada no chão do banheiro, cheirando hidratante pras mãos. Parecia uma cena até engraçada perante tanta coisa caindo aos pedaços, como preveu a torre do meu tarô de quinta.

Levantei de novo do chão do banheiro, com as quatro bisnaguinhas na minha mão, sorrindo e examinei de novo minha cara no espelho. Vi cada pintinha, cada espinha, cada manchinha. Nada parecia tão horrível que eu não pudesse esconder com algumas camadas de maquiagem na manhã seguinte. Passei o creminho nas mãos, e voltei ao computador, só pra poder roer e aproveitar minha roedeira com Bonnie Tyler. O que podia ser tão horrível que algumas rosas, mesmo que fictícias, não pudessem consertar nem parcialmente?

Um coração partido? Um ente querido perdido? Uma vida escolar de merda? Um trabalho que você odeia? Um ritual rotineiro que você já se cansou? Tudo na vida tem um gosto diferente se visto de maneira diferente. O hidratante é só metáfora (fútil metáfora) pra as coisas pequenas da vida, que as vezes fazem total sentido, as vezes não. As vezes só parece certo parar pra olhar a lua, pra escrever, pra se esconder debaixo do lençol e chorar, pra comer brigadeiro vendo um filme meio idiota na tv, pra rir da sua própria cara, pra sentar no chão do banheiro e se perguntar pra onde a sua vida vai. E pra sentir o cheiro do hidratante com o nariz recém desobistruído depois da gripe. Depois da tempestade, a gente junta os pedaços e vê no que vai dar.

A vida nunca parece tão horrível quando a gente tem bons amigos e hidrantante de rosas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Che Te Guardo

Cabelos não muito compridos, e lisos. Algumas espinhas na cara, nada anormal pra uma adolescente a caminho do final dessa jornada. Geralmente compenetrada e nunca separada dos seus fones de ouvido. Tinha um gosto musical considerado incomum na maior parte dos círculos sociais da cidade. Apesar de incomum, era parecida, e era diferente. Se destacava do rebanho. Tinha suas ideias bem claras na cabeça, seus sonhos no lugar. Não era alta nem baixa. Namorados, não tivera muitos. Sempre cercada das mais diversas pessoas. Complexa, fechada, porém interessante e bem disposta a conhecerr pessoas. Foi assim que a conheci. Do nada, começamos a manter contato virtual, que evoluiu pra contato diário na escola. Contato essencial para manter parte da sanidade mental, vale salientar. Tem complexos e histórias mal resolvidas, que se desenrolam diante dos seus olhos, e com frequência sem interferência dela mesma, só do coração. Coração sobropõe razão, mesmo que a doa admitir. Vive em constante conflito consigo mesma e com o mundo ao redor, numa relação de amor e ódio. Costuma ostentar um sorriso afiado e instigante, principalmente quando o assunto é do seu interesse. Seus constantes conflitos começam das suas paranóias, bonitas paranóias, que assolam frequentemente sua imaginação demasiado fértil. Fã de Clarice, Caio e Los Hermanos, encontra conforto na palavra escrita, seja essa vinda da ponta dos seus dedos, ou da ponta dos dedos de outros. Apaixonada pela literatura, música e teatro. Inteligente, apesar de não parecer consciente de tal capacidade. Um enigma ambulante, principalmente para os desconhecidos. Versátil. Inconsciente da beleza interior e dos atrativos que possui. É ela, a Rainha.

domingo, 5 de agosto de 2012

Fica Bem, Mas Fica Só Comigo

Karma ruim, golpe do destino, falta de sorte, você escolhe. Eu não sei bem qual é o dom que eu tenho de sempre escolher o cara errado. Mesmo quando ele é certo, ele é errado. Certo pra alguém, errado pra mim. Meu coração tem algum problema sério, ele gosta de caras comprometidos, irritantes, mais novos, impossíveis, babacas, difíceis. Em algum ponto, eu cansei disso. Cansei de procurar alguém, cansei de me submeter a essa tortura chinesa de esperar o cara responder as minhas mensagens, me adicionar no facebook, responder no chat. Cansei, também, de tomar iniciativas, coisas que eu sempre faço.

Não consigo deixar de imaginar que o problema sou eu. Será que é meu corpo, estou gorda demais, cheia de espinhas demais, cabelo cacheado demais, castanho demais, olheiras demais, alegre de menos, disposta de menos, cansada demais? Será que forço demais a barra, que eu tenho alguma compulsão por não deixar um silêncio? Que eu sou muito falastrona, muito espaçosa, muito antipática, ansiosa? Ciumenta demais, chata demais, atirada demais, boba demais?

O agravante é a solidão. Cada um tem sua tampa. E eu? Eu não. Cansei de ouvir que minha hora vai chegar. Que hora? De morrer, só se for. E finalmente, quando encontro um possível par solteiro, interessante, engraçado, inteligente e tudo mais, ele tem algum defeito, alguma coisa que me faz querer estar perto dele ainda mais, mas que o torna ou proibido ou eu me torno desinteressante de alguma forma. Esse jogo deveria dar pra dois, e se desse, eu jogaria com ele com prazer.

Fico de coração na mão, naquela ansiedade esperando aquela ligação, pensando em cada ação como um sinal de que o meu esforço está sendo recompensado, que as estrelas e o meu karma, de alguma forma, vão se alinhar e eu finalmente vou ter o que eu preciso pra deixar em paz o meu coração. É nessas horas que você pede pra deixar em paz o seu coração, mas que você precisa que fique bem, mas fique só contigo.

Chega de manha. Eu sei que só reclamo, mas é fato que se cansa de se apaixonar pelo errado. Cansa ser a Nancy e nunca achar o seu Sid, mesmo que momentaneamente, mas momentaneamente por tempo o suficiente pra algo ser construído antes de curar a loucura que são lembranças. Momentaneamente por tempo o suficiente pra não sofrer por uma não correspondência, mas por um final, por mais que inesperado. Por que o sofrer é inevitável, mas que seja por uma causa diferente, se tem que sê-lo.

No final das contas, cada paixão é tão grande que ocupa totalmente o espaço da anterior, e tão grandes que quase explodem meus órgãos internos, mas findas, visto que nunca são correspondidas, ou se são, me são sancionadas por terceiros, estes, com a razão. Mas de que vale a razão em terra de coração?