segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Final De Ano, Sentimentalismo, E Outros Delírios

Por que, no meio de novembro, eu entrei na onda de fazer vídeos do facebook pras 3 pessoas mais especiais do meu ano:
Por que eu acho que a gente não agradece o suficiente. E não tô falando de agradecer entre quatro paredes, nem de agradecer baixinho pra ninguém ouvir. Tô falando de agradecer pra todo mundo ouvir, todo mundo ver. O fato de 2014 ter sido o ano mais incrível da minha vida, o meu primeiro ano de graduação, um ano de primeiras vezes, um ano que me reconciliei com D'us, que veio cheio de mudanças, dependeu, em muito, das várias pessoas lindas que continuaram me acompanhando, ou que se juntaram para fazer parte da minha trajetória.

Sendo assim, as agradeço, primariamente, por existirem. Obviamente, é o agradecimento mais importante.
Agradeço pelos socorros prestados quando minha casa alagou, quando precisei de colo, de amor, carinho, e atenção.
Obrigadas em particular, pra vocês se encontrarem nessa bagunça que é meu raciocínio lógico (ou falta dele).

Obrigada pra essa pessoa especial, que durante um bandeiraço de Dilma, me acolheu em casa, me alimentou (de feijão, vale salientar) e me deu um cantinho pra dormir depois da ressaca.
Obrigada por me reaproximar da minha espiritualidade, e, por consequência, de D'us. Ah, e pelas infinitas caronas para lugares totalmente distantes, pelos rolés aleatórios, e por ouvir minhas inseguranças. Basicamente, por ser essa pessoa quase totalmente diferente (e, de várias formas, tão parecido comigo) de mim, mas que me entende tão bem.

Obrigada pra segunda pessoa da minha lista, que entrou na minha vida de verdade esse ano, mas que eu já conhecia antes. Obrigada por ser especial, não me deixar me perder na euforia da universidade e deixar as coisas pra lá, obrigada por me ajudar com os trabalhos, aguentar minha irresponsabilidade frequente, por me fazer rir nas segundas de eterno mau humor, pelos segredos confidenciados, por me ouvir (mesmo quando eu tô sendo incrivelmente irritante, tipo quando falo sobre minhas desventuras amorosas ou sobre a SOI), e por estar lá em todos os momentos da vida, sempre, quase gêmea.

Para a terceira pessoa, obrigada por estar comigo a 16 anos, and counting. Por ouvir Katy Perry e músicas pop que você odeia só por que eu amo, por me consolar quando chorei copiosamente, e por me fazer rir logo em seguida. Por aguentar todas as minhas particularidades (e não são poucas), por me aceitar desarrumando sua cama, por tolerar minha gata, e por amar minha casa. Por ser quem você é, por que isso já é maravilhoso.

Pessoa número quatro: você é maravilhosa, e gostaria de agradecer por ter me deixado acampar na sua casa mais do que eu deveria ao longo do ano. Por ter me acolhido inúmeras vezes, e ter me ouvido reclamar do universo, sem nunca abrir a boca para reclamar das minhas lamúrias (que são eternas, confesso). Por ter me feito estourar a conta telefônica no sétimo ano te ouvindo falar de Selena Gomez, e por ter crescido comigo em vários aspectos maravilhosos.

Obrigada, pessoa número cinco, por ter sido extremamente companheira comigo quando preciso. Por me entender sem que eu diga uma palavra, e por mandar inúmeros snaps com fotos da Pipa.

Pras outras pessoas mais que maravilhosas que permeiam meu dia a dia: um obrigada. O mais sincero, do fundo do meu coração, obrigada.
Obrigada ao Taglit, a SOI, a turma de CS de 2014.1, a Kizomba, aos gogatos, ao juju, e as lulus. Aos quase desconhecidos que acabei de conhecer, e aos desconhecidos que ainda estão por vir, porém, sempre com amor.

Um abraço de ternura, saudade do que não ficou, e de amor pra 2015. Obrigada por que não acho que agradeço o suficiente pelo crescimento pessoal e pelas experiências, pela experiência de 2014. Que 2014 vá, como tem que ser, mas que não tire de mim todas as pessoas demasiado únicas que colocou na minha vida.
(esse rompante de amor acaba quando a nostalgia de final de ano acabar, não se apeguem muito ao meu eu fofo e carinhoso)

domingo, 16 de novembro de 2014

Em Busca Do Que É Belo E Vulgar

No carro, já iam se preparando para mais tarde. Conversavam, todos, e cantavam Katy Perry. Ao escurecer, já tinham chegado. Bem a tempo do próximo shot. Noite finda, com as estrelas como teto, e a lua como luminária. Todos riam em volta da churrasqueira, comendo e bebendo. Bebendo uma. Duas. Sete. Dez. Peraí, quantas foram mesmo? Um brinde. Ao tempo de pipa, ao reencontro!
No quarto, sentados, riam.
- Acho que deveríamos jogar alguma coisa!
- E eu acho que não temos condições mentais de jogar nada.
- Que tal poker?
- Que tal porco?
- Devíamos deixar tudo mais interessante...
- Como?
- Quem perder bebe e tira uma peça de roupa.
Assim, sem mais nem menos, começaram. O alter ego bêbado entrou no quarto, e semi desmaiou na cama atulhada de roupas, atrás da interlocutora lírica que vos fala.
Após tal entrada triunfal, começaram a despir os preconceitos, um a um. Despiram o ódio, a raiva, o pudor, e as roupas. Muniram-se de amor, confiança e reencontro. Foram perdendo as peças de roupa vagarosamente, e a garrafa foi esvaziando com uma velocidade impressionante.
- CARALHO, ME DEIXA ENTRAR NO QUARTO!!!!
- Não!
- Por que???
- Por que todos estão pelados.
- E NEM PRA CHAMAR?????
Apesar da insistência, ninguém entrou e ninguém saiu. Beberam e riram como se estivessem em 2012 e todos ainda estivessem se descobrindo adolescentes.
Pós jogo, beijos, loucos, cansaço. Fuga, inesperada pra ambos. Casual, até por que ninguém precisava de um namoro. Prazer bastava. Como um rato entrou no quarto?
Quando amanheceu, aos poucos, se recolheram nas camas compartilhadas, nos colchões no chão, e nas almofadas jogadas no canto do quarto. Fugiam da luz como quem foge do cão, mas lhes alcançou. Nove da manhã estavam de pé, porém dividiram-se: Alguns foram a praia, outros ficaram.
Na praia, curtiram a ressaca, o sol, a areia, a companhia e a conversa.
Na casa, agora em (quase) plenas faculdades mentais, jogavam poker, porém, tristemente, todos vestidos.
Durante a tarde, alguns voltaram para a triste realidade fora da bolha de felicidade e calma que eles construíram. Para a cidade, para o mundo.
Os que ficaram, foram acompanhados por cerveja, estrelas, violão e amor.
Tudo tinha mudado tanto, mas, inesperadamente, tudo era tão parecido.
Assim que tem que ser.

domingo, 14 de setembro de 2014

I'm Honest, Brutal

And afraid of you

Era metida a escritora. Sentia uma vontade extrema de externar seus sentimento batendo furiosamente nas teclas do computador, mas frequentemente seus dedos perdiam a inspiração. E temiam escrever algo que ninguém tivesse vontade alguma de ler. Medo. Era isso que ela tinha.
Queria se aventurar pelo mundo, mas quando fazia planos de sumir por dois dias que fossem, sentia medo de ser esquecida.
Gostaria de morar fora, conhecer outra cultura ou fazer um mergulho na sua própria, porém, sempre que se sentia impelida a dar o primeiro passo pra fora de casa, seu telefone tocava e alguém precisava da sua ajuda pra algo. Sentia medo de não ser querida.
Tinha vontade de escrever um livro, entretanto, quando começava a diagramar todos os seus contos favoritos, convicta de enviar para a editora dessa vez, via que seu blog teve 15 vizualizações nos últimos seis meses, e temia não ser comercial.
Lhe apeteceria um pedaço da torta que está no freezer, mas engordar a aterrorizava.
Pensava em desistir do seu curso, só que o pensamento de ter que fazer cursinho, encarar de novo o ENEM e perigar não passar a fazia voltar a ler o texto para a prova de sexta.
Entre tantos poréns, conheceu alguéns.
Esses alguéns também a assustavam.
Não sabia como reagir perto deles.
Um mundo de ausências, de vontades, de desejos reprimidos.
Ela se ia, se reprimia. Tinha medo do claro e do escuro, da verdade e da mentira, do sim e do não.
Quando tudo ficava claro, lhe doía tanto. O não saber é cheio de vantagens. Mas temia as desvantagens.
O risco, que antes era seu combustível, o apetite para a destruição dela mesma, para a desconstrução, ficou pra trás.
Queria se arriscar, mas se via presa dentro de um círculo vicioso.
Diziam que as drogas, sexo e roupas curtas eram o perigo. Não. O perigo, era, por exemplo, se entregar. Sexo, não necessariamente é entrega. Sexo é vontade, sexo é tesão. Amor é entrega, abnegação.
Tinha medo do amor.
Tinha medo da abnegação.
Fazia muito tempo desde que tinha se envolvido nesse jogo de paquera. De fingir se interessar por coisas que não interessam verdadeiramente pra você, mas sim pra a outra pessoa, só por que você se interessa pela pessoa em questão. De conhecer os pais, almoço de família, ignorar piadas babacas de familiares, sorrir quando queria socar, se maquiar pra sair de casa, paranóia pra emagrecer, sair, beber, e sempre se achar menos bonita do que você era 10 minutos atrás. Aquele jogo cansava.
Se lembrava muito bem que seu ex falou que teriam caras e mais caras aos seus pés. Coitado, ele a achava bonita e com poder de magnetismo sexual (ou seja lá que inferno for esse), porém, só ele. Magnetismo e beleza não eram bem o seu forte, e ele só sentia isso por que namoraram tempo o suficiente para que se apaixonasse por quem ela é, mesmo que ela não tivesse certeza de como alguém poderia fazê-lo. No fundo, era mais uma pessoa assustada, que saía da cama por que PRECISAVA sair da cama. Precisava dar continuidade nessa vida que ela tinha se metido. Afinal, era a vida dela. Se ela não segurasse as pontas, quem iria segurar?
Carta aberta na terceira pessoa sobre a escritora, dia 14 do nono mês do ano, aos 18 anos, sem saber que diabos eu quero da minha vida, querendo fugir pra longe, com medo de terminar o curso e de me envolver com alguém além de mim.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

There's Room For Two

Six feet under the stars

Encaixotada. Encapsulada. Trancada. Fechada.
Sentia como se dançasse um balé torto, ao som de uma música qualquer, em uma boate sem nome, no palco da vida. Sempre se sentia assim nas segundas feiras. Um lixo.
Porém, como era obrigada a se arrastar da cama para um dia razoavelmente ensolarado, e que não refletia em nada seu humor matinal, levantou-se. Trajava uma calcinha preta e uma blusa recortada para revelar apenas o necessário. A réstia de luz entrando pela janela semi aberta a perturbava, assim como o calor quase insuportável que fazia naquela manhã.
Lavou o rosto, e amaldiçoou o maldito período menstrual por deixá-la absolutamente intragável aos olhos. Deu um jeito de arrumar quase decentemente o rosto pipocado de espinhas e o cabelo lambido. Despejou comida na tigela do seu cachorro que balançava o rabo atrás dela, e voltou ao quarto para se vestir. Era um antro de coisas não identificadas e desejos reprimidos. Vestiu as roupas de qualquer jeito, colocou os óculos de sol grandes demais pra o seu rosto e saiu, rumo ao incessante e causticante sol daquela maldita cidade.
Apanhou um cigarro na bolsa enquanto andava vagarosamente para a faculdade. Fumou dois cigarros e tossiu o caminho inteiro, cantarolando uma música qualquer que estava presa na sua cabeça desde o final de semana.
O final de semana. Tinha vagas lembranças do que fez, de quem fez. Só sabia que tinha sido mais um na lista da infinidade de finais de semana que ainda ia ter na vida. Todos pareciam essencialmente os mesmos, sempre fazia as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, e sempre acordava no outro dia com uma vaga noção do que a cercava e do que havia feito.
O celular vibrava freneticamente na bolsa.
Ela, por outro lado, não vibrava por dentro.
Chegou na sala de aula, fedendo a cigarro. Os outros ao seu redor pareciam imersos no estado catatônico habitual.
Merda, quem é aquele acenando pra ela do outro lado da sala?
Ah. O show. Aquele cara. Bonitinho, mas ordinário. Como podia ser tão burra? Justo com aquele cara bonitinho que estudava com ela. Por que não qualquer outro desconhecido?
Quando a aula acabou, ela levantou agradecendo aos deuses. E desejando sua cama.
Saiu com as amigas, e pediu pela sexta.
Sexta era dia de começar a ficar dormente. Dormente por um final de semana, dormente por uma vida mais interessante. Dormente da vida. Doente da vida. Suspirava. Algo incomodava seu coração, e ela sabia o que era. Desejou que fosse ataque cardíaco, mas, infelizmente, ela sabia o que era. Bem mais sério que arritmia e que seu coração parando de repente. Não importava que o coração parasse. Seria indolor, rápido e fácil. Como desligar um botão. Um botão que ela ansiava por desligar.
Apertada. Encaixada. Presa.
Quem é você no balé sinistro da vida?

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

I Cheated Myself

Like I knew I would.

Vagas lembranças assolavam o interior do seu quarto, enquanto ela dormia. Como se tudo estivesse bem. Como se uma outra mulher não tivesse sido machucada na noite anterior. Como se ela, com um organismo mecânico, movido a cervejas, coca e sexo, não estivesse alquebrada por dentro. Como se seu lento coração não estivesse prestes a parar, e só se movesse, lentamente, por que está preso na sua caixa torácica, esperando um ataque cardíaco. Esperando não mais ter que se dar ao trabalho de bater. Infelizmente, esse dia nunca chegava. Dormia, mas dormia profundamente. Só conseguia dormir depois de um quase coma, ou depois de uma dose, uma última dose, que saciava seus desejos mais obscuros. Uma fileira de caras passavam por sua vida, vazia. Vazia. Tão vazia, mas tão vazia, que fazia eco dentro de si e voltava.
Cada um, a marcava de uma maneira diferente. Alguns, deixavam marcas de cigarro na sua mesa de cabeceira.
Outros, deixavam marcas de copo na mesa da cozinha.
Ela, sempre alheia, deixava marcas de lâminas nas pernas.
Mas todos tinham algo em comum: Nunca voltavam. Nem ela mesma. Se imergia, e por lá ficava, contemplando a vaga existência a qual era fadada.
Fado. Era isso. Enfadada.
Bocejava. Isso significava que estava desperta. Até quando?

domingo, 5 de janeiro de 2014

O Esforço Pra Lembrar

é a vontade de esquecer…

- Oi, tudo bem?
- Tudo, tudo. E com você?
- Também…
- Escuta
- Posso ir aí?
- Era isso que eu ia pedir
- Tô te esperando
Desligaram o telefone de maneira seca. Mas dentro do seco, havia um oco. Um oco de saudade, uma pressa cheia de sentimentalismo. Abriu a porta, com receio. Receio de ter uma cara cansada, de ter um corpo fatigado. Não era. Um sorriso inundava sua face. Estava tudo bem. Abraçaram-se, enquanto ela pensava e cantarolava a letra de Tempo Perdido.
- Quase sufoquei sem você.
- Meu peito parecia sempre pesado.
- O meu também.
- Que saudade, meu amor.
- Você não imagina o quanto eu senti tua falta.
- Eu faço uma ideia.
Riram. E passaram o dia grudados, como um dia haviam de passar a vida.

~

- Vocês vão ter que aceitar.
- Não consigo acreditar que vocês estão juntos.
- Isso é problema meu, e não de vocês. Informei pra cargo de informação. Estamos juntos e vamos ficar juntos, quer vocês gostem ou não.
- Se é de sua escolha…
- Sim. De minha escolha. E só minha.

~

- Você o aceita como teu legítimo esposo?
- Sim, o aceito.
- E você, a aceita comò tua legítima esposa?
- Sim, a aceito.
- Pode beijar a noiva.

~

- Empurre, querida! Você consegue!
- Está quase lá!
- Uma menina!

~

- Não, filha, você não pode sair.
- Você é tão injusta!
- Isso é problema seu pra lidar. Agora já pra o teu quarto, mocinha
- ARGH

~

Imaginou pra eles uma vida inteira. Uma vida que poderia muito bem ser deles, dos dois, de mãos entrelaçadas na praia. Um futuro que eles podiam desenhar, e estavam desenhando. Dentro deles, algo crescia. E crescia pra o bem. Crescia e nutria felicidade. Felicidade boba e grande, que enche a cara de sorriso e amor. Amor, felicidade e afeto. Era esse o futuro. E parecia bom.