sábado, 27 de novembro de 2010

Quelqu'un M'a Dit

“Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serais ce possible alors?”


Alguém me disse que a vida é breve e passa como um raio. Esvai que nem um rio que seca, e acaba murcha que nem uma rosa. Enquanto eu limpo minhas lágrimas, alguém me disse que você ainda me amava. Será verdade? Espero que sim. Levanto o vestido e sacudo as folhinhas e pedaços de grama que grudaram nele enquanto estive sentada. Alguém me disse que o tempo é um bastardo e se fortalece nas nossas tristezas. Alguém me disse que você ainda me amava. Será possível então? Giro no campo florido esperando talvez prolongar algo inacabado mas que já dá seu último adeus e se joga na caixa de lembranças. As coisas passam rápido diante dos meus olhos que giram. Será que ainda me ama? As nuvens, as flores, os pássaros, os carros, longínquos, e o som das coisas inexistentes, mas que insisto em ouvir. Caindo no chão, vejo as nuvens gordas caminhando suavemente no céu, com a preguiça de sempre, mas como de usual, diferentes. O vinho vermelho como sangue inquieto na garrafa verde, assinalando para um promissor dia de verão. Será que ainda me ama? E girava, e ria, eu ria e girava. Alguns pingos de chuva finos começaram a cair. E eles engrossaram. Apontavam para que eu corresse com a garrafa de vinho na mão para lá. Correndo, quase derrubei a garrafa, mas eu ainda sorria. Será que ainda me ama? Chegando, bati na porta. “Alguém me disse que você ainda me amava. Agora não me lembro mais quem foi, só do tom da sua voz dizendo ‘ele ainda te ama, mas jamais conte a ele que eu lhe contei’ era tarde da noite, mas não me lembro mais” e entrei. Alguém me disse que a vida é tão breve quanto um dia, e que um dia se está lá, e no outro não se está mais. Alguém me disse que o tempo constrói a ele mesmo na tristeza, mas que se passa longamente. Alguém me disse que você ainda me amava. Alguém estava certo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Aonde Quer Chegar?

“Já são quase cinco da manhã, por que ainda insiste? Faz muito tempo que não tem o que dizer Ando aqui pensando em nós dois. Será que temos tempo?”

Tamborilava os dedos incessantemente na mesa. As unhas faziam um barulho surdo ao baterem na superfície de madeira. Estava esperando impacientemente por ela. “Ah, oi, desculpa o atraso.” Ela chegou, não podendo ser chamada de radiante ou algo parecido, só de presente. “Ah, oi. Então, vamos caminhar lá fora? Já são quase cinco da manhã.” Ela assentiu e comentou. “Cara, por que você ainda insiste? Faz muito tempo que não tem o que dizer.” Ele olhou com uma cara igualmente desprovida de emoções. “Eu ando aqui pensando em nós dois. Será que temos tempo?” Ela deu de ombros, não por que não sentisse nada, só não sabia exatamente o que sentir. “Eu te fiz promessas que eu não posso apagar.” Ele fez um gesto que mostrava que não dava realmente a mínima pra aquelas promessas. “Logo você, que dizia saber, não sabe aonde quer chegar.” Sentaram-se na beira do cais, e ela deixou seus pés nus entrarem quase sem querer na água salgada do mar. E ele sentou-se ao seu lado, de pernas cruzadas. Passaram bastante tempo assim, tempo o suficiente para que ele olhasse para o relógio oito vezes, para que ela colocasse o próprio cabelo atrás da orelha cinco vezes, para que ele cruzasse o descruzasse as pernas quinze vezes, e pra que eles não se decidissem apesar de tudo. “Já são quase sete da manhã. Por que não se decide?” Ela tombou a cabeça pra o lado, e respirou fundo. “Joguei minhas fichas a muito tempo atrás” Ele estava desistindo, Jogando ao mar as esperanças. “Olha que fez, perdeu-se outra vez” E as esperanças flutuaram pra longe, deixando duas pessoas no cais. “Já são quase nove da manhã.” E eles foram embora, talvez tentar mais uma vez, talvez não.

She Will Be Loved

“And she will be loved, she will be loved.”

Estava trancada no banheiro, o único cômodo da casa que tinha uma tranca de verdade. Limpou a maquiagem escorrida dos olhos com o dedo e examinou a sujeira. Maquiagem preta. Ela limpou na toalha de rosto branca que estava pendurada em um gancho branco, acima de uma pia de mármore igualmente branca. Revirou no fundo de um armário e pegou uns pacotes de esparadrapo e gaze, uns remédios pra dor de garganta, outros pra dor de cabeça, outros analgésicos, água oxigenada, rifocina, band aids, remédios pra cólica, e uma bolsa de água quente. Jogou tudo isso em uma mala preta, em um compartimento reservado pra coisas desse tipo. Pegou a pasta de dente fechada dentro do armário, e a aberta em cima da pia. Pegou sua escova de cabelos, seu pente, seu shampoo, seu condicionador, dois sabonetes lacrados, e sua escova de dentes. Saiu do banheiro quieta e entrou em seu quarto. Nele, olhou as estantes repletas de livros. Pegou alguns de seus favoritos: Eu Mato, Harry Potter, Memórias de Uma Gueixa, Cem Anos De Solidão, O cortiço, Confie Em Mim, O Último Judeu, Enciclopédia de Seriais Killers, O Mundo De Sofia e por fim, alguns dos livros de Desventuras Em Série. Encheu metade da mala dividida em dois com esses livros e os remédios. Se esta enchesse, tinha outra, e só mais outra, por que era o máximo que ela podia carregar. Apesar de o recomendável fosse que só levasse uma mala. A outra metade foi aberta, e nela, algumas roupas foram despejadas: blusas, shorts, casacos, e bermudas. Acabou de encher essa mala. Cuidadosamente, pegou a outra e a abriu ao lado da outra que se encontrava fechada e pronta para ir. Jogou três pares de tênis, meias, sapatilhas, havaianas, um chapéu, uma capa, algumas outras roupas aleatórias, loção de calamina, repelente de mosquitos, perfume, e alguns hidratantes. Foi-se metade da mala. Abriu a outra metade, e colocou seus CD’s favoritos: Absolution, Brand New Eyes, Another Brick In The Wall, Resistance, Black Ice, RadioActive, Que País É Esse?, Rádio Pirata Ao Vivo, From The Cradle, Idem, Complete, Abbey Road, e um CD só de músicas dos Beatles que ela tinha montado. Eram os únicos que cabiam. No meio de todos aqueles CD’s, ela colocou uma infinidade de canetas. Muitas mesmo, uma caixa de canetas BIC. E colocou todos os cadernos virgens que ela encontrou. Eram dez cadernos virgens, no total. E colocou alguns cadernos usados, mas que eram muito importantes pra ela. Fechou essa mala. Pegou uma mochila e a abriu. Nessa mochila ela despejou toda a comida que deveria ter sido comida por ela durante o semestre. E no bolso, colocou sua maquiagem, o MP4 e o celular, que só seria usado em caso de emergência extrema. Vestiu uma calça que roubou da sua mãe, por que fora ela, só tinha uma calça preta. Colocou uma blusa preta, um casaco por cima, colocou dois pares de meias, um colar, um boné, e colocou os óculos no rosto. Estava praticamente irreconhecível. Levou dois lençóis na mochila, também, caso não encontrasse onde dormir. Levou sua vaca de pelúcia, e seu gato de pelúcia. Estava completamente carregada de coisas, mas a noite era ébria, e ninguém sequer notava uma figura baixa carregando um monte de malas. Era normal por aquelas bandas, de certa forma. E foi caminhando por um caminho bastante deserto, com uma lua relativamente grande e uma lanterna para ajudá-la. Era domingo a noite, e todos estavam absortos nos próprios problemas, como de praxe. Andou até encontrar um ônibus que a levaria pra onde ela queria ir. Pra longe de todos, daqueles que não a queriam, daqueles que ela não queria. Pegara todo o dinheiro da carteira dos dois antes de sair. Tinha duzentos e sete reais e quarenta e cinco centavos. Entrou no ônibus. E na calada da noite, como quem não quer nada, como quem se perde inocentemente e tem medo do escuro, ela se foi, e se foi pra nunca mais voltar a vir. Se foi para longe, pra onde ninguém podia pegá-la por um tempo. Em duas horas, estava na praia. Não tinha uma barraca e não pretendia arranjar uma. Tinha cobertores e um saco de dormir. Montou-se do modo mais arrumado que pôde naquele terreno arenoso e por lá ficou até quando sua comida e água permitiram. De lá, rumou para o eterno desconhecido.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

You Found Me



“Don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go.”

Precisava de um cigarro. Desesperadamente. Talvez não fosse de um cigarro que precisava, mas foda-se, era isso que ela ia fazer. Fumar um cigarro. Pegou um isqueiro preto no bolso e abriu a bolsa a procura de um maço de uma marca qualquer de cigarros. Pegou um deles, e colocou na boca. Acendeu, e ficou lá, sentada no banco, aproveitando seu último cigarro, por que o maço acabara e ela estava sem dinheiro pra outro. Ficou observando as pessoas que passavam, absortas em seus próprios problemas, em suas próprias angústias. Privadas de algo, felizes por um reencontro, chateadas por um bolo, tristes por um fora. Olhou também pra aquelas grandes caixas de metal. Onde cada um também vivia a sua vida. Onde várias famílias respiravam e aspiravam ares diferentes dos outros que estavam no carro com eles. Ela costumava viver a própria vida também. Um tempo atrás, ela costumava viver a própria vida também. Levantou-se meio tonta do banco. Apagou o cigarro no primeiro lugar que achou conveniente e jogou-o no lixo. Saiu andando a esmo pela cidade, aquela brilhante cidade, que brilhava mais ainda sob as luzes laranjas do pôr-do-sol. Fazia dois dias que tinha ido embora, que tinha jogado seu celular fora, e simplesmente esquecido propositalmente de mandar lembranças ou votos de que tudo ia ficar melhor. Não achava conveniente dar satisfações, já que resolveu que ia viver a própria vida, só pra variar. O tempo passava rápido, sem que ela mesma se desse conta, ele voava diante de seus olhos. Prendeu o cabelo em um coque apertado, ajeitou as saias, desceu as meias do tênis surrado, abotoou todos os botões da blusa, suavizou a maquiagem com a ajuda de um espelho, colocou seu melhor sorriso falso, e adentrou em uma loja que ostentava um enorme aviso de “estamos contratando”. “Olá, em que posso ajudá-la?” outra vendedora com um sorriso tão plastificado quanto o dela mesma veio em seu socorro. “Obrigada. Eu vi o aviso lá fora, e estava me perguntando se ainda estão contratando.” Apesar do sorriso, seus olhos diziam muito. “Oh, claro, venha por aqui.” E a levou pra uma sala pintada em tons de verde, com uma mulher vestida em tons de amarelo sentada em uma escrivaninha cinza claro. Quinze minutos depois, conseguira o emprego, o que era realmente bom, já que só tinha mais uns duzentos reais, e não tinha certeza nem se isso ia dar pra pagar as contas. Era um emprego banal de vendedora, mas dava pra pagar as contas, então não se importava realmente se ia ter que manter esse sorriso estúpido e esse ar de interessada na vida alheia todo dia, pelo resto da sua vida. Começaria na segunda. Era uma terça. Ainda ia ter uma maldita semana controlando totalmente todo seu dinheiro pra poder sobreviver. Saiu andando de lá, a esmo de novo. Nunca tinha realmente um rumo certo. Nem pra ela, nem pra sua vida, nem pra nada. Só ia sair andando até encontrar algo satisfatório pra fazer. E se nunca encontrasse, nunca ia parar de andar. Era essa lógica que ela sempre seguiu. Andou até que seus pés começaram a doer e seu estômago começou a revirar. Precisou sentar. Não, cólicas não. Remédio pra isso era caro. E estava a umas duas horas de casa, longe de um ponto de ônibus e longe de tudo que conhecia. Sentiu uma súbita tontura e um desejo incontrolável de vomitar. Ao invés disso, perdeu os sentidos. Quando acordou, tinha tanta certeza de onde estava quanto antes. Ou seja, nenhuma. Estava em uma cama. Ligada a uns aparelhos. Graças aos céus, ninguém estava no quarto. Ela estava sozinha, como sempre esteve. Mais tarde, uma enfermeira disse-lhe que podia ir embora, e que não sabia quem a tinha deixado lá. Foi-se. Continuou a andar com uma vaga impressão de que alguma coisa estava completamente errada, ou completamente torta. Os dias passaram quentes, e as noites passaram frias. Segunda chegou. Ela trabalhou um mês, dois meses, três meses, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, um ano, dois anos, três anos, quatro anos. Tinha feito exatamente vinte anos faziam dois dias. Tinha o suficiente pra ir embora pra onde ela quisesse ir, seu maior sonho. E foi pra o Rio de Janeiro. Do Rio de Janeiro, foi pra outro país. Inglaterra. Tinha as mesmas perspectivas de vida, só que vivendo uma vida mais feliz, menos atribulada de sentimentos, mais vazia, de certa forma. Começou a trabalhar em um jornalzinho de quinta, que ficava em um beco escuro de uma rua meio suspeita de Londres. Comprou um celular, mas mudou seu número. Alugou um apartamento de três cômodos. Cozinha, banheiro, e quarto. Pequeno, mas o que dava pra pagar com o salário que ela ganhava. Mas estava relativamente feliz. Deixou tudo que ela conhecia pra trás. Ia ao mercado todo dia, comprava o essencial, e as vezes o supérfluo, por que era uma pessoa supérflua. Pra o mundo ela era ninguém e pra alguém ela era exatamente o mesmo que ela era pra o mundo. Em um dia chuvoso, ela saiu pra fazer compras com seu guarda chuva amarelo. Estava com pressa. Tropeçou em uma pedra estúpida regida pela maldita lei de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. E caiu no chão, ralando o joelho, e ensangüentando seu vestido branco. Uma pessoa aleatória a ajudou a levantar e a levou pra um lugar onde havia uma pia. Nesse tempo todo, não fez nenhuma questão de olhar pra tal pessoa, nem de falar nada, estava muito ocupada praguejando o vestido novo da Gucci arruinado que nem se importou de verdade com aquela pessoa que a estava ajudando. Sim, um vestido da Gucci. Estava trabalhando pra o maior jornal da Inglaterra como editora sênior, agora. Já faziam quase dez anos que ela estava em Londres. Quase quinze anos que tinha ido embora da sua própria casa e deixado de viver a vida dos outros. De outro. Depois de alguns infindáveis minutos molhando o vestido e tentando incansavelmente tirar a mancha, virou para a pessoa que a tinha ajudado a levantar. Era um rapaz alto e magro, de cabelos compridos. Parecia ter mais ou menos a mesma idade que ela. Estava usando uma calça jeans, uma blusa branca, e um tênis realmente muito surrado. Mais surrados que os tênis que ela tinha no dia que fugiu de si e dos outros pela primeira vez. Eram inconfundíveis. “Mark?” ela chamou, e sabia que não em vão. “Você nunca me mandou nenhuma carta, nunca atendeu meus telefonemas, nunca respondeu meus emails, mensagens, nunca me deixou nenhum sinal de nada, de que talvez você ainda quisesse me encontrar pra tomar a droga de um café.” Ele parecia chateado, com a mesma voz que sempre fazia quando estava chateado. Ela sabia que era ele. “Eu não queria tomar um café com você.” Ela respondeu, categórica, e ainda tentando limpar o sangue do vestido. “Onde você esteve, afinal?” Ele perguntou, firme. “Por aí.” Ela respondeu, com a mesma firmeza proposta por ele. “Por aí onde?” Ele estava com raiva. “Por aí. Por que isso te interessa afinal? Por que qualquer uma dessas coisas te interessa? Foda-se. Está muito tarde, certo? Muito tarde. Quase quinze anos tarde demais.” Ela também estava com raiva. “QUAL O SEU PROBLEMA?” Ele estava gritando, em português. “VOCÊ É A PORRA DO MEU PROBLEMA, CARALHO. Sempre foi.” Ela estava com medo de desabar em lágrimas. Se segurou e largou a barra do vestido, ainda levemente avermelhada. “EU SOU O SEU PROBLEMA?” ele ainda estava gritando. “Sempre foi, cacete. Foi por quinze anos, e ainda é. Eu viajo pra muitos quilômetros de você, e você vem atrás de mim? Qual é o SEU problema, afinal? Você preferiu assim, se lembra? É SUA CULPA, CACETE, LEVE UM POUCO DA MERDA DA RESPONSABILIDADE QUE EU CARREGUEI POR MUITO TEMPO.” Ela também sabia gritar. “Eu tentei te achar. Eu juro. Eu tentei de todas as formas possíveis. E aqui, em um dia no mercado, na minha segunda semana em Londres, eu achei você.” Ele não estava mais gritando. “Parabéns. Você me achou. Tarde demais.” Ele estava meio aflito. “Por quê?” Ela virou-se, e cruelmente disse-lhe. “Onde você estava quando tudo que eu precisava era de uma ligação? Onde você estava quando eu precisava de um abraço? Onde você estava quando eu fugi? Onde você estava quando eu realmente quis a sua presença? Onde você estava quando eu queria você? ONDE? Agora eu não quero mais. Só um pouco tarde demais. Está cedo, eu tenho que trabalhar, tenho que trocar a minha roupa, tomar outro banho e esquecer de novo que você existe. Meus sentimentos são mais importantes que os seus, certo? E sempre vão ser. Agora eu não estou mais perdida, e você não precisa me achar. Tarde demais. Talvez uma semana atrás não fosse tarde demais. Mas agora é. Por que você precisava esperar pra me encontrar? Eu vou esquecer de novo que você existe, ter todo esse trabalho pra esquecer do seu cheiro, da sua presença, do seu cabelo, da sua voz. Eu já tinha até esquecido como soava, como era estar perto de você. Eu vou ter todo o trabalho de novo. E se seus planos forem ser de ficar aqui, eu simplesmente vou mudar de país. Se você passar a vir nesse mercado, eu vou mudar de mercado. Se isso lhe deixa contente consigo mesmo, ficou uma marca, que nunca vai sumir. Duas semanas por uma vida. Então, tudo que eu tenho a lhe pedir é que facilite nossa vida, e vá embora, por que é isso que EU vou fazer. Antes, eu ficaria acordada a noite inteira. Acho que agora também. Mas, como eu lhe disse, é tarde demais. Adeus.” Saiu, batendo os sapatos fortemente contra rua, na mesma direção de que veio, e foi a vez dele ficar assistindo ela sumir na multidão enquanto se perguntava qual era o seu problema. Foi e vez dele de morrer um pouco por dentro, a vez dele de criar uma cicatriz. Por que no final, todo mundo acaba sozinho, sendo quem você é, quem você não é, ou quem você quer ser, todo mundo acaba sozinho. Ele e ela eram só mais um e uma. Ela, afinal, não foi trabalhar. Deitou na cama, e não se atreveu a levantar. Ligou o som, e ouviu You Found Me do The Fray incansavelmente. Ele voltou pra o apartamento que dividia com um cara qualquer, e dormiu. Dormir. A cura, e o problema.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você



As minhas dez coisas que eu odeio em você
Eu odeio quando você me encara
Eu odeio quando você acha que tem razão mas na verdade não tem
Eu odeio seu casaco idiota de couro
Eu odeio quando você usa aquelas suas blusas xadrez
Eu odeio muito seja lá quem ela for
Eu odeio como você faz com que eu me sinta
Eu odeio como você me convence a fazer alguma coisa
Odeio o modo como você corta seu cabelo
Odeio seu perfume
Odeio todas as músicas que você me mostrou.
E a décima primeira coisa que eu odeio é em mim, não em você.
Odeio como eu não consigo odiar de verdade nenhuma dessas coisas, nem um pouquinho.
(inspirado no filme 10 Things I Hate About You)

Para Giovani

"Love, love, love. What is it good for? Absolutely nothing"

As pessoas machucam. Digo, relacionamentos machucam. Uma mulher + um cara ás vezes dá certo, as vezes não. As lembranças assolam a sua mente. As boas lembranças, as más. De repente faz tudo valer a pena. O fato de que a tristeza dura menos do que as boas lembranças, que duram pra sempre, ou então até o pra sempre durar. O importante é limpar o coração, fechar os olhos e se preparar pra algumas porradas de vez enquando. Tentar pensar em como foi bom ajuda. As lembranças fazem de você quem você é e quem você foi, e por mais que as vezes machuque, tente guarda-las com carinho dentro de você, mesmo que em alguma parte um pouco esquecida e menos machucada. Uma parte, a melhor parte de você. Aquela parte que não esqueceu de como é amar, de como é ser criança, de como é pular, gritar, viajar, sentir, se apaixonar e viver.
Espero que ajude, G.
beijos <3
(ficou ruim, mas ok.)

O Amor Está Morto

O amor está morto. O matei sozinha, com uma bazuca e uma faca anormalmente grande. O esfaqueei centenas de vezes. Descontei toda a minha raiva e frustração ao som de Wolfgang Amadeus Mozart. Queria chorar. Chorou. O pesar está morto. Alguém o matou sozinho com uma adaga e uma garrafa de vinho. Descontou toda a sua vontade e preencheu as lacunas que gritavam. Queria gritar. Gritou. O calor está morto. Ela matou-o sozinha, com uma arma e um pedaço de barbante. Descontou sua vontade ao som de Ludwig Van Beethoven. Queria girar. Girou. O sentido está morto. Se jogou sozinho da janela do quinto andar, ao som de Antonio Vivaldi. A raiva está obsoleta, a inveja está enterrada, o mistério se perdeu, o ciúmes está se escondendo, a fúria está obscura, o carinho acabou, as caricias foram esquecidas, as palpitações, quentes como o inferno, foram deixadas pra lá. Em busca de algo novo, perdeu tudo o que já tinha. E quando voltou, estava tudo guardado e trancado, de um modo inquebrável e indiscutível. Não esperaram pela volta, e nunca o iriam fazer. Um brinde, uma taça. Quebrou-se a taça e a comida esfriou. Ninguém botou os pés na cozinha. Os rastros da sua presença se foram, até o seu cheiro. O cheiro que predominava agora era um cheiro de enxofre. Explodiu. E então, o amor estava morto.