domingo, 26 de fevereiro de 2012

E Só

Estava atrasada para o trabalho, de novo. Vestiu-se com pressa. Correu contra o tempo ao comer uma torrada com manteiga e queijo. Entrou no carro só para perceber que deixou a pasta dentro da casa já trancada. Correu e pegou a pasta. Chegou ao trabalho suada, meio descabelada, e de maquiagem borrada. Trabalhou incansavelmente para reparar o atraso, até abriu mão da hora de almoço. Pelas três da tarde, o trabalho estava totalmente pronto, e podia ir para onde bem entendesse. Assim fez. Saiu de carro para um bar qualquer, desconhecido. Entrou e pediu uma dose de vodka. Bebericando lentamente a bebida amarga, avistou do outro lado do bar um cara sentado sozinho, bebendo. Andou confiante até ele e sentou-se silenciosamente ao seu lado. “Olá.” Ela encarou o copo e depois perscrutou cuidadosamente as feições estupefatas dele. “Oi.” Ele se limitou a dizer, não diminuindo o ar de surpresa. “Está aqui sozinho?” Ele balançou a cabeça positivamente, e como não acrescentou nada, ela resolveu continuar falando. “Cheguei atrasada ao trabalho hoje. O que é uma coisa realmente estúpida de se dizer a uma pessoa desconhecida.” Ele encarou a mesa. “Paulo.” “Como?” “Meu nome é Paulo.” Ela sorriu. “Victoire.” E ele sorriu. Dedicaram alguns minutos a uma conversa totalmente trivial e tomaram mais alguns copos de bebida. Riram. Beberam demais, e acabaram na casa dela, ainda bagunçada pela correria da manhã. Tomaram mais uma dose de vodka puro, cada um. No momento seguinte, estavam seminus. E não precisaram dizer nada mais. No dia seguinte, um sábado, ele foi embora pela manhã, após uma torrada com geléia. Ela voltou a dormir, e percebeu um sapato dele. Como ele saiu sem um sapato? Passou no bar, onde o encontrou pagando a conta do dia anterior. “Eu não tinha seu telefone” E ele sorriu, fazendo uma covinha minúscula na bochecha. Entregou o sapato a ele. “Obrigada.” Saiu do bar, e caminhou até a casa de uma amiga. Riram, passaram o dia conversando e bebericando copos de Martini. Voltou para casa, já sem lembrar do nome de quem dividiu a cama com ela. Transaram, e só.

Eu Te Avisei

Eu te avisei. Se meter comigo, para quê? Agora está pendurada, que nem as outras. Pobrezinha. Eu até tentei avisar, que estar comigo era jantar com o perigo. Numa cega segurança, guiada por um instinto cego como o gume da faca recém amolada que enfiei, inteira, no seu peito. Pobrezinha. Tudo tem que ter um fim, você diz. Interessante como você foi realmente brilhante na afirmação. Você teve um fim. Tentou até gritar. Estamos longe demais para isso, meu amor. Mas de você eu gostava. Gostava mesmo. Até cogitei procurar outra vítima. Arriscado demais. Para mim e para você, não é mesmo? Pena. Hoje vou sair, meu amor. Vou ver pessoas, te arranjar companhia, quem sabe? Você está aí, nesse gancho, imóvel, tão só. Tive que jogar as outras fora, estavam começando a me incomodar com aquele cheiro pungente de cadáver velho. Você entende, não é? Vou apagar as luzes agora, querida. Boa noite.

A Quem Interessar (Ventura)

Coisas sobre a peça:

Soundtrack:
Veja Bem Meu Bem – Los Hermanos
Hysteria – Muse
Wild World – Cat Stevens
Queria colocar também:
Falling Away With You – Muse
Happiness is a Warm Gun – Beatles
Pois é – Los Hermanos

Peça no século 19, se passa no Rio de Janeiro.
Figurino de vestidos longos, blusas sociais e coletes.

Ventura (Parte 3)

“Letícia atira nos dois, bebe um gole da garrafa e sai, deixando os corpos para trás. Entra Bianca.”
BIANCA: De meretriz, tenho só o dinheiro. Alguém completou o meu trabalho para mim. Com essa, eu não contava. Poupou-me trabalho. Agora é tudo meu. E de Amanda, mas desta, apenas por pouco tempo, por que assim que o veneno da bebida dela agir, tudo será meu. Não foi uma história de amor, a minha. Foi de vingança. Não era história de perdão, não, era história do sofrer. Nem tudo é um mar de rosas. Seja pelo ódio cego ou pela ganância, de que importa? O amor está morto.
“Entra Amanda com a arma de Letícia, e atira em Bianca pelas costas.”
AMANDA: Assim como você, minha irmã.
“Amanda deixa o quarto, e entra Helô”
HELÔ: Isso é a prova que perdição só traz perdição, e sangue só traz sangue. Seja desse que corre em nossas veias, seja desse que corre nas veias alheias. Pobres almas.
“Helô sai, cortinas fecham.”

Ventura (Parte 2)

ARTUR: Que bagunça. Sinto falta de quando tudo era absolutamente tranqüilo.
“Faz menção de deitar na cama, mas identifica algo. Puxa a caixa, e abre. Tira as cartas de dentro e as abre também.”
ARTUR: QUE SE PASSA NESSA CASA? A perdi. E ela me envergonhou. Mas a perdi, e parece que para sempre.
“Wild World, do Cat Stevens toca, e Artur se debruça sobre a cama, chorando. Se recompõe e sai do quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Eu falei que sempre há o que limpar. Por ora, só o sangue que hão de derramar.
“Helô guarda as cartas na caixa, mas a deixa a mostra. Guarda embaixo da cama, mas opta por deixar em cima da penteadeira, como um alarme. Sai Helô, entram Artur e Brenda. Artur dá um tapa em Brenda.”
ARTUR: MERETRIZ! VAGABUNDA! DESONRASTES MEU NOME, NÃO É? MERECES A MORTE. Mas não a terás, não te preocupes. Sou um homem bom, e misericordioso. Mais misericordioso que Deus, que mandará tua alma ao inferno, como eu deveria estar fazendo! Que o diabo lhe carregue! E fique onde está, não ouse sair daí!
“Artur joga Brenda no chão e estapeia-lhe novamente. Artur sai, e Brenda fica no chão, chorando.”
BRENDA: Tal amor, que deveria ser imaculado, tornou-se apenas perverso como o diabo. Hoje a noite. Tudo acaba hoje a noite.
“Brenda se esgueira para fora do quarto, verificando se Artur foi embora. Entra Helô, com uma xícara de chá.”
HELÔ: Depositar todas as esperanças em um futuro tão incerto não é certo. Mas o que fazer, quando o presente é tão miserável? Pobres almas.
“Deixa o chá na mesa e sai. Entra Bia, sorrateiramente, e se esconde atrás do armário. Entram Tomás e Dani”
TOMÁS: Que linda noite de luar! Bela como teu jovem rosto, minha bela amada.
DANI: Que elogio maravilhoso! Tanta falta tua irei sentir quando partir, meu amor.
“Dani e Tomás se olham por alguns segundos, sorrindo. Bia aparece, saindo de seu esconderijo atrás do armário, munida de um punhal.”
BIA: Meu. Só meu! Não tinha para que se meter, mas já que veio, diga adeus.
“Bia esfaqueia Dani com o punhal, e Tomás assiste, pasmo e divertido”
TOMÁS: Quanto descuido! Helô está em casa, minha mãe está na cozinha.
BIA: Mas precisava ser feito para que fôssemos embora. Agora podemos ir, e deixar tudo isso para o ontem, meu amor.
TOMÁS: Vamos agora, que a calada da noite e sua penumbra cobrem os olhos dos curiosos
“Bia e Tomás saem de cena, de mãos dadas, carregando pelos braços o corpo de Daniela. Entram Guido e Brenda. Brenda senta-se na cama, acompanhada de Guido.”
GUIDO: Amo-te como um bicho, amor. Mas o que fazer? Que faremos?
BRENDA: Fugir. Hoje. Encontre-me aqui em duas horas.
“Trocaram um beijo sôfrego de despedida e Guido sai. Brenda arruma uma maleta cheia dos seus principais pertences e a esconde dentro do armário. Brenda sai, entram Bianca e Helô”
BIANCA: Sim, eu sei que é errado. Mas estarei fazendo um favor a ele, e a essa família, destruída. Imagina o que vão pensar? A esposa traiu o marido com o amigo! Inaceitável. Estarei fazendo o favor de não deixar que ele lide com tais problemas.
HELÔ: Um favor...
“Helô suspira e Bianca agarra seus punhos com certa força e descontrole”
BIANCA: Faça o que mando. Jure que fará o que mando.
HELÔ: Farei o que mandas, senhorita. Mas alguns segredos jamais devem vir a tona.
BIANCA: E o que sabes? NADA! Saia daqui. Vá embora fazer o teu trabalho e pare de ficar balbuciando sozinha asneiras. Quando ele tomar um gole disso, nem vai saber o que lhe atingiu. Nunca mais.
“Bianca pinga duas gotas de veneno no café e ela e Helô saem. Entra Artur. Já esquecido do que tinha avisado a Brenda, sentou-se na penteadeira a balbuciar.”
ARTUR: Tudo de cabeça para baixo! Um lar destruído. Repleto de meretrizes.
“Toma um gole do chá da penteadeira. Sente-se tonto, levanta e cai morto. Entram Bianca e Helô, e levam o corpo para fora. Entram Guido e Brenda”
GUIDO: Está pronta? Minha maleta está do lado de fora, escondida no arbusto. Vamos, antes que o tempo acabe e teu marido volte.
BRENDA: Sim, aqui está minha maleta. Vamos.
“Enquanto Brenda tirava a maleta, apareceu Letícia, visivelmente embriagada, segurando uma garrafa de wisk na mão esquerda e uma arma na direita.”
LETICIA: Não há motivo para a pressa. Meu marido, terás todo o tempo do mundo. Assim que eu completar o que eu tenho que fazer. Por onde começar? Tuas filhas, todas umas meretrizes arrogantes, teu marido, um completo torpe, e quanto a ti, uma encarnação do pecado. Todos me magoando e se magoando. Todos querendo ver alguém infeliz, quem sabe um pouco de sangue. Me magoaram. Me chutaram. Mas não mais. Eis o sangue que queriam.

Ventura (Parte 1)

“Som de tapa seguido de um longo e sofrido suspiro. Cortinas abrem, Brenda caída no chão.”
BRENDA: Do meu pranto, veio a lágrima. Da lágrima, verteu o sofrer. Qual diferente sina me aguarda? Hei de contar-lhes minha história, hei de vencer o porvir. O futuro, tão incerto, mas quem sabe menos sofrido que o presente viver.
“Brenda sai, entra Artur”
ARTUR: Que fúnebre entardecer. O objeto que me desperta fúria é o mesmo que me desperta o amor. Que hei de fazer? Pobre de mim, que amo, mas não sei fazê-lo.
“Anda até a cama, onde encontra uma camisola antiga de Brenda. Pega a camisola e a abraça”
ARTUR: Minha amada! Que saudades guardo de ti, no meu pequeno coração. Pobre de mim, pobre de ti.
“Sai Artur, deixando a camisola em cima da penteadeira. Entra Helô”
HELÔ: Sempre há o que se arrumar! Só discutem, sempre há um pormenor! Vinte anos vivendo sob os mesmos fantasmas. Tenha piedade, Deus.
“Helô dobra a camisola e deposita em cima do travesseiro. Sai Helô. Entram Tomás e Bia”
TOMÁS: Vossa pele é tão formosa, tanto quanto teu sorriso. Por que não podes ser minha?
BIA: Teu amor é tão puro, amor, mas veja bem, arranjei alguém chamado saudade.
“Toca Veja Bem Meu Bem, Los Hermanos. Bia e Tomás dançam. Sai Bia, entra Dani”
DANI: Meu bem, que saudades. Senti tanto a tua falta nas noites gélidas de inverno, por mais que seja amor prometido, não é amor forçado, é amor conquistado!
TOMÁS: Minha linda! Como posso expressar em palavras um sentimento tão abstrato? Como posso comparar-te apenas a amor, quando que sinto vai muito além?
“Entra Bia abruptamente, estupefata.”
BIA: Como se atreve? Chegar aqui e tomar meu homem para si? Quem imaginas ser?
“Dani levanta e fica em pé na frente de Bia.”
DANI: Quem pensas que é? De onde tirastes tal idéia?
“Bia e Dani olham simultaneamente para Tomás, que assiste a tudo em pé.”
BIA: Este homem prometeu-me amor! E tu tirou-o de mim. Por mais que eu saiba que não posso tê-lo, e por mais que sejas rica, lutarei. E lutarei até o fim.
“Dança por Tomás ao som de Hysteria, Muse. Termina com a saída de ambas, sem uma vencedora definitiva. Tomás sai e volta Bia.”
BIA: Teu fim vai chegar, mais cedo do que podes imaginar. No coração dele não deve haver lugar para mais de uma. Na noite de hoje, terá uma surpresa.
“Entram Amanda e Bianca, conversando”
BIANCA: Parece a mim que escutei Tomás e duas outras mulheres por aqui.
“Bianca senta na penteadeira e começa a escovar o cabelo. Amanda senta na cama, inquieta.”
AMANDA: Devo confessar que não ficaria surpresa se encontrasse aquela Bia por aqui.
“Puxa uma caixa debaixo da cama.”
BIANCA: Não vejo nada de errado com ela, não sei com que tanto insiste em implicar. É daquela Dani que não gosto. Que escolha absurda para noivar Tomás. A ele também não agrada.
“Bianca prende o cabelo em um coque apertado, e vira para Amanda.”
AMANDA: Dê uma olhada nessas cartas... Parecem cartas de amor. São tuas?
“Bianca toma uma das cartas, e lê para si”
BIANCA: Não, claro que não. Esta caligrafia é de nossa mãe. Mas esta não parece ser de nosso pai.
“Amanda examina a caligrafia fina da outra carta.”
AMANDA: Esta caligrafia não me é estranha. Só não consigo lembrar-me onde a vi... JÁ SEI! É a caligrafia de Guido, o dono do banco! Amigo de papai, trocaram cartas durante anos. Mas achei que ele estivesse fora... Sua mulher sempre está só, e papai reclama constantemente que ele não anda fazendo nossa contabilidade...
“Bianca levanta, impaciente.”
BIANCA: Óbvio. Ele é o motivo da cantoria da minha mãe. Aposto que ele está fora da cidade, assim podem se encontrar livremente!
“Ouvem da cozinha gritos”
BRENDA: AMANDA! BIANCA! AONDE ESTÃO?
“Amanda guarda de maneira desajeitada a caixa embaixo da cama, e uma ponta fica de fora, quase imperceptivelmente e Bianca e Amanda deixam o quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Enganados em pensar que tudo vai se resolver. Sempre hão que limpar e o que ajeitar, principalmente quando se trata dos nossos próprios fantasmas.
“Helô varre o chão e sai do quarto. Entra Artur.”

Peça Romântica

Eu tenho essa peça romântica, que eu escrevi. Vou postar ela aqui, em duas partes. Vai mess up um pouco com a estética, mas... Foda-se hihi. Não é como se as pessoas realmente lessem isso aqui.

Três Histórias

“For you I bleed myself dry”
O dia estava amanhecendo. Dava pra ver a mudança, as estrelas sumindo vagarosamente e dando lugar para os tímidos raios de sol da manhã. Ela assistia tudo da janela do seu quarto, deitada na cama de solteiro, que dividia com um garoto. Garoto cujo coração batia rápido sempre que ela passava suas unhas pelo seu rosto, ou pelo seu peito. Garoto cujo coração batia normalmente, quase parando, quando ela se virava de costas. De uma forma incompreensível, ficavam lá. Dormindo e acordando, quase que em sincronia. Da maneira que era, deveria continuar. Amigos. E sempre seriam. Na porta, sem bater, de forma simples, entra outra pessoa. Que desvia sua atenção. Não totalmente. O segundo sol.

“estamos todos bêbados, bêbados de cair.”
Eu nunca fiz oral.
Eu nunca usei sutiã.
Eu nunca acordei com uma ereção.
Eu já fiz oral.
Eu já fiquei bêbado.
Perdida, tal juventude. Mas não mais do que a anterior. Sexo, cigarros, bebida, risadas. O amanhã está próximo demais pra não aproveitar o hoje. E o hoje já foi longe, não mais tão longo. Todos juntos. Se pelo menos, fosse pra sempre. Mas o pra sempre está longe de ser opção viável. Alto teor alcóolico, e tanto pra comemorar, pra rir, e viver. Mesmo assim, a saudade aperta o peito. Mais uma dose? É claro que eu tô afim.

“tira essa bermuda que eu quero você sério”
Na minha casa. Ele já visitou minha casa. E meu quarto. De maneira tão casual. E nada casual, pra mim. Será que aquele olhar significou mais do que é? Parece que ele está me evitando. E mesmo assim, ainda sorrio. Ainda tenho minhas fichas. E vou apostá-las todas. Por que eu travo quando você tá aqui? Nenhuma coisa que pareça minimamente decente sai da minha boca, apesar de pensar e tentar programar dentro da minha cabeça todos os nossos momentos. E você vira o bêbado vulnerável. Eu quero um beijo. Eu quero milhares de beijos. Teus milhares de beijos, acertando meus pecados. Teus, tua.

Deixa Eu Brincar de Ser Feliz

Esfreguei os olhos sofregamente. O sol entrava sorrateiro pela janela entreaberta. A maquiagem do dia anterior estava borrada por toda a face, o batom vermelho manchou o travesseiro, o lápis e o delineador igualmente negros mancharam os lençóis quando ela limpou os olhos neles. Levantou apenas para constatar que era segunda, e que não tinha nenhum motivo para acordar. Escola? Aula? Preferia ficar dormindo, quem sabe para sempre. As lágrimas da noite anterior ainda estavam em mente, a bebida ainda causava dor de cabeça. Vestiu-se mecanicamente. Prendeu o cabelo, lavou o rosto, tomou banho, escovou os dentes, entrou no carro e voltou a dormir. Entorpecida dela mesmo, sob o efeito de uma droga nova, que nem ela sabia dizer qual. Vários meses haviam se passado desde que um cigarro tocara a boca dela pela última vez. Chegando no grande prédio branco e laranja, voltou para o preto. Apesar do uniforme, se destacava. Cabelos negros, cortados curtos. Totalmente maquiada. Dirigiu seu corpo meio morto até a cadeira. Bastava de sê-lo. Levantou abruptamente até o banheiro. Tirou a maquiagem, soltou o cabelo, e se fantasiou de outra pessoa, para ninguém ver.

My Soul

Me dei conta de que a pasta onde eu guardo todas as minhas pequenas auto biografias, meus textos, que são auto explicativos sobre mim. E essa pasta se chama "My Soul". É minha alma que eu coloco naquilo que eu amo, no caso, escrever. Pedacinhos de mim estão por todas as páginas desse blog. Pedacinhos antigos e novos. Enjoy.

Pra Vocês Guardei o Amor


Eu não faço nem ideia de como começar isso. Posso começar dizendo todas aquelas coisas clichês, por não ter mesmo o que falar, mas querer falar mesmo assim? Querer dar aquele abraço apertado? Querer voltar correndo pro colo, chorar e pedir pra não irem embora da minha vida nunca? Hoje eu parei pra organizar as minhas pastas de tudo. E, como eu sempre faço, eu parei pra ler os textos, olhar as fotos, ouvir as músicas... E vi todas as fotos que a gente tirou nas férias. Me lembraram dos momentos que a gente passou nas férias. E como foram as melhores da minha vida, sem dúvida. Estou sendo,com toda certeza, grudenta. Mas é que eu gosto tanto de vocês, e tô com tanto medo das mudanças, que eu não consigo evitar. Mesmo que, em diversas situações, eu tenha querido sair distribuindo socos, provocados, obviamente, por vocês. Me dei conta, que só pra escrever esse pedacinho de texto, eu já levei quase quarenta minutos. É difícil falar da gente e não chorar. Chorar de alegria, e ao mesmo tempo, de tristeza. Eu vou sentir tanta falta. Esse texto é só um apelo pra que vossas senhorias se lembrem do quanto eu amo vocês. E do quanto vão apanhar se me esquecerem, combinado? O lance aqui em casa, o lual de Lola, os rolés na casa de João, o midway, o piquenique, os churrascos, todas essas coisas que a gente fez, não só nessas férias, mas no dia-a-dia. As "reuniões" na ponte, a troca bonita de xingamentos, a bebedeira do gordo, os jogos de Eu Nunca (com bebida ou não), os filmes, os almoços no midway. Nossas pequenas aventuras. Pensem nisso, vejam as fotos. E me deem muitos abraços na segunda, ok? Sintam-se infinitamente amados, agora, seus lindos. I'll miss the good old days.

E, só pra não perder o hábito, quem é a pedófilo, mesmo?

It Could Be Wrong

De melancolia, me chega. De tanto chorar, algum dia seca. Se levar a saudade, já basta. Besteira qualquer, nem choro mais. Que evento merecedor de tal mudança tão drástica podia ter o poder de mudar pra sempre o que ela entendia por sentimento. Com o coração duro como uma pedra de sal, suspirou. Com tal profundidade, acabou por sentir o interior. Sentir aquela enorme necessidade de externar emoções, pela perdida que era. Que as temporadas começassem, que ela começasse. Essa dança misteriosa do destino a fez perde-se nela mesma. Aparentemente, era possível se afogar em si. Sentou no canto do quarto e chorou. Lágrimas provenientes do seu coração salobro. E com uma pontada de desespero, deitou-se no chão, a pensar sobre o que ia fazer dali pra frente. Como ia ser? A escolha era ser ou mudar? A escolha era estar satisfeita. E se não estivesse, não é como se no fim tivesse escolha.