sábado, 25 de dezembro de 2010

Retrô (spectiva)

"O rock acabou, melhor ligar sua tv"

Eu queria estar dormindo. Não por estar com sono, estou totalmente bem descansada. Também não por que eu estou cansada, estou realmente elétrica, como se tivesse tomado muitas xícaras de café. Enquanto a rede de comunicações aqui do trabalho não volta, eu estou aqui, sem fazer absolutamente nada. Talvez elétrica não seja bem a palavra. Sendo ou não, eu estou tão cansada. De viver. De consertar. De respirar. Cada suspiro que eu dou parece tão injustificado. Me pergunto por que tudo não pode simplesmente se esvair tênue e breve, que nem a fumaça leve de um cigarro, que vem e vai, mas nunca se demora. E eu descobri sozinha e por acaso que a vida não é um filme. Não tem pessoas te esperando atrás da porta com flores, nem festas surpresas no seu aniversário por que você espera. Não tem finais totalmente felizes, mas isso também depende do seu conceito de felicidade. A grande verdade é que nesse momento existem mais homens do que mulheres no mundo, então tem uma grande probabilidade de você acabar sozinho. Sozinho talvez não seja ruim, só mais solitário de um modo ou de outro. Talvez não pior. Aprendi, também, que de certa forma, estamos todos sozinhos em dado momento em que não queríamos estar, quando na verdade queríamos estar cercado de pessoas, com um sorriso meio amarelo só pra evitar de chorar. Vi que chorar não é fraqueza, mas que quando a gente chora expõe o lado fraco que fica incutido em uma estante empoeirada e obscura lá dentro. E quando chora, fica com medo de expor, e inventa milhares de pretextos e argumentos imbecis pra fingir que está tudo bem. Agora, na verdade, não está tudo bem. Se estivesse, eu provavelmente não estaria com essa vontade louca de colocar tudo pra fora em um jato desesperado de emoções contidas. Berrar incontrolavemente. Dançar na chuva. Esquecer e fumar um cigarro sem retaliações. Sexo sem compromisso. Afinal, quem precisa colocar um rótulo em tudo? Na verdade, quem é que precisa de alguém, de verdade? Digo, de um casamento estável, da aprovação quase desesperada da sociedade quanto a você e quanto ao que você faz ou deixa de fazer. Deveria, supostamente ser da sua conta. E um beijo pra quem discorda, um beijo pra os egocêntricos, pra os neuróticos, pra os absurdos, pra os imbecis, pra os babacas, pra os que acham que sabem tudo, pra os ninfomaníacos, pra os socialistas, pra as minorias. Por que no final, não importa. Vai todo mundo pra o mesmo lugar, pra o mesmo buraco sem fundo e tão ébrio quanto o buraco que saímos antes, esse buraco que a gente chama de vida. Eu percebi, de uma forma ou de outra, que é melhor amar do que não fazê-lo, por que sempre dói mais se arrepender do não feito do que do malfeito, já que na verdade, o malfeito nunca é tão malfeito assim e você deu o melhor de si. E sim, é verdade. Você deu mesmo o melhor de si, e não adianta mentir pra mim nem pra você, por que quando você diz que não fez, raramente podia ter sido diferente, por que se era pra acabar assim, não precisa de um motivo, só de um fim. E pontos finais, esses traiçoeiros, inimigos, antagonismos desesperados pra findar a frase, findar o texto, findar a vida. Findar. Acho engraçado como as coisas findam. E sempre findam, não há como evitar. O fim é óbvio, menos pra quem prefere não enxergar. E assim, mesmo sem sentido, sem cópia e sem direção, vai indo, rumando pra o desconhecido de outro ano, outro mês, outro dia, outra década, outro minuto, por que é tudo maravilhosamente incerto e incessante para fecharmos os olhos por um segundo se quer pra o que nos cerca, já que cerca de tal maneira que fica impossível refrear, e se é impossível, só deixa rolar até a música acabar, a vontade morrer e o desejo cessar.