domingo, 30 de maio de 2010

Motivo da minha ausência

Queria me desculpar com vocês, se é que alguém lê isso aqui.
Estou empenhada com um novo projeto, com a @klutchenca. Fizemos um blog.
www.dontlikesoup.blogspot.com
Portanto, ficarei mais ausente. Amo todos vocês que me leem, e peço que sejam pacientes comigo e com a minha ausência. Obrigada por lerem. Beijos da tia Bee.
@beeberry_

sexta-feira, 14 de maio de 2010

I Belong To You


(Não, eu NÃO escrevi pensando em Crepúsculo nem em nenhuma dessas mopinhas aí u_u)

“Ah! Verse-moi l'ivresse, Verse-moi, verse-moi l'ivresse, Réponds à ma tendresse, Réponds à ma tendresse, Ah! Verse-moi l'ivresse, I belong, I belong to you”


Gotas espalhadas. Um relógio atrasado. Uma noite que jamais acabou. Devaneava sobre o ocorrido. Parava em uma cena, arrastava-a por todo lado. Não sabia se a odiava ou amava. Aquela maldita cena. Era de um ardente amor. Mas de um constante desprezo. O tiquetaquear do relógio o ensandecia. Mente sã, corpo são, correto? Não quando se estava deitado de bruços em um motel barato qualquer, sangrando. Não externamente. Internamente. Seu coração sangrava. Não um real sangramento. Não. A dor atravessava barreiras. Vinha do interior de si. Sentia-se um vagabundo qualquer perante aquela rainha. Sentia-se algo pequeno. Declarava-se em silêncio. Permaneceria em silêncio. Ferir a paz de espírito era proibido. Mas de dentro, vinha um som inevitável. Batendo lá dentro. Gritando, berrando. Eu pertenço a você. Milhões de cacos voaram. De dentro pra dentro. De fora pra fora. Viajaria todo o mundo para poder dizer que pertence a você. Pagaria tudo. Se transformaria em tudo que fosse possível, e iria além. Eu pertenço a ti. Não existem palavras. Não as encontro. Não há como dizer. Eu pertenço a você. Responde ao meu afeto. Responde a minha ternura. Responde a mim. Eu pertenço a você.

domingo, 9 de maio de 2010

Good day, sunshine.

"I'm in love with her and I fell fine"

Abro os olhos. Pego meus óculos na mesa de cabeceira ao meu lado, e levanto-me vagarosamente. Abro as cortinas e deixo o sol inundar o quarto como inunda a mim. Eu não sou realmente fã do sol, mas hoje, ele parece realmente maravilhoso. Até o calor parece esplêndido hoje. Até o fato de que hoje é segunda feira parece perfeito. Vou ao banheiro, tomo banho e preparo-me para ir para a escola Coloco o som no máximo, o qual berra Good Day Sunshine, dos Beatles. Sabia que os Beatles usaram a palavra 'love' seiscentas e treze vezes nas suas músicas? Não que isso tenha realmente a ver com qualquer coisa, mas eu precisava comentar esse fato. Estou pronto. Desligo o som, e vou até a cozinha pra tomar café. Engulo uma torrada com manteiga e um copo de suco de uva mais rápido do que alguém conseguiria dizer 'supercalifraginiespialidoucious'. Isso é, se alguém tentasse dizer isso. Meu pai me olha com uma cara desconfiada. Ele nunca gostou muito do meu estilo, mas foda-se. Não vou virar um playbozinho qualquer que escuta Garota Safada e vai pra jogos do América só por que ele quer. Descemos, entramos no carro, e ele me leva pra escola. Provavelmente terei que passar o dia lá, mas que seja. Eu tenho prova, hoje. E nada poderia ser menos animador do que uma prova em um a segunda feira. Na verdade, até isso me parecia menos desanimador do que de costume. Eu me sentia como se já tivesse feito a prova e tivesse tirado dez e meio. Subi as escadas pulando os degraus. Larguei as coisas na mesa e fui pra porta da sala, pra o corredor. E lá estava. Não me conhecia, não sabia quem eu era, sequer sabia meu nome. Mas lá estava ela. E sempre iria estar, a minha espera ou não. Mas eu posso sonhar.Posso querer. E um dia, ela vai ser completamente minha, e eu finalmente vou ver como o sol brilha e como as pessoas são esplendorosamente lindas ou cruéis.

sábado, 8 de maio de 2010

Ressaca da vida.


Acordara de ressaca no dia seguinte. As coisas pareciam meio erradas, meio incertas. Não sabia por que. Estendeu a mão até o parapeito da janela e olhou as horas no celular. Dez e dez. Que grande mentira, “junto de ti está quem tu ama”. Levantou-se com dificuldade da cama, e fora lavar o rosto. Tirou toda a maquiagem, e sentou-se no chão. Tentava com afinco lembrar-se do que acontecera na noite anterior. Nada vinha-lhe completamente a cabeça. Só flashes. Voltou para o quarto, e agradeceu aos céus pelo tempo. Estava chuvoso. Não precisaria se preocupar em usar óculos escuros, nem com a piora da dor de cabeça. Não se preocupou em vestir mais nada que não estivesse usando. Estava vestida com uma blusa enorme, com a estampa do coliseu. Seu pai havia trazido para ela quando estivera em Roma. Deitou-se novamente na cama, e lembrou-se de algumas coisas. De como ela queria beijá-lo, de quantos copos de vodka ela bebera, de conversas esparsas e aleatórias escolhidas, de pessoas novas, de pessoas conhecidas, de amigos. Lembrou-se de pontadas de dor ferroando-lhe por dentro. E lembrou-se de como as escondia bem. Lembrou-se de como algumas coisas pareceram desastres, e de como não foram tão desastrosas. Precisava de veredictos. De quem, ela sabia muito bem. Será que tinha dado certo? Será que ela conseguira? Não sabia, e a incerteza a abalou do jeito que sempre abalava. Levantou-se e foi em direção ao quarto. Deitou-se na cama, e deixou-se vagar por lugares conhecidos e desconhecidos de sua mente. Não queria estar acordando ali. Queria estar em outro lugar. Uma sensação a comprimia. Ela não sabia por que, como, nem quando a sensação começou. Parecia alojada ali fazia tempo, e poderia ser a origem das ferroadas. Era tudo muito misterioso, incerto. Talvez misterioso não fosse bem a palavra. Ela queria estar no mesmo recinto que todos os seus amigos. Ela queria estar festejando. Queria estar livre. Liberdade. Era isso que ela queria. Queria poder ir pra o shopping com seus amigos. Queria poder ir pra casa deles quando bem entendesse. Queria poder ir a praia, por mais que a detestasse. Queria ser jovem, porra. Só se é adolescente uma vez. E ela estava esquecendo como era a sensação. Por vezes perdia-se em quem era, e demorava a retornar a superfície. Ia-se de um modo quase surreal, e voltava a si repentinamente, insanamente. Queria que esse desespero passasse. Essa clausura. Sentia saudades das festas. Sentia saudade daquele cheiro de gordura dos shoppings, do ar condicionado impregnado de vírus. Sentia falta do burburinho das pessoas, dos abraços, da atmosfera lotada de seres tão incertos quanto ela, de várias mentes pensando como uma só. De tanta gente querendo a mesma coisa, do mesmo modo, mas mesmo assim, sendo completamente diferente, tão perdidos quanto todos, tão únicos quanto uns.Incontáveis mentes perturbadas. Simples de um modo complicado. Sentia falta disso. Queria ele. É, ela também o queria. Mais do que podia suportar. Mais do que podia prever. Porra. Sentia sangrar. Por dentro. Sentia dor. Aquela imensa dor, do que podia acontecer. Medo. Também sentia medo. E receava por não ter coragem. Queria mostrar. Não sabia como. Não sabia se podia. Queria quebrar as regras, mas talvez estivesse tarde demais pra isso. Chorava. A angústia pesava em Lorraine. Mais angústia do que ela podia suportar. Restava-lhe agora dormir. E foi o que fez. Sonhou consigo e com ele. Sonhou e deixou que ela se apoderasse de si mesma. Enfim dona de si. Presa em si.

Paranóia.


Nada comparava-se ao simples prazer de pintar a paisagem outonal do Central Park. Era realmente uma visão. Não se importava se estava um pouco frio, sentia como se a paisagem aquecesse tudo, ou um calor interno. E então, uma súbita raiva subiu a sua cabeça. Raiva de si mesmo. Então cortou a pintura com um grande “X” vermelho. Não queria mais pintar paisagens outonais. E se irritava por não querer continuar pintando. Alguém cobriu o nariz dele com um pano. Um pano embebido em algo forte. E ele desmaiou. Seu corpo caiu no chão. E a próxima coisa que ele vira, foi realmente esquisita. Estava em algum lugar. Sua pintura com ele. Encostada no cavalete. A mochila dele, os pincéis, a paleta de tintas. Tudo lá. Naquela sala branca. E ele estava sentado em um sofá futurista, vermelho como sangue. Sentado não seria exatamente a palavra. Estava acorrentado ao sofá. Mas suas mãos estavam livres. Fato que o ajudou a ajeitar o cabelo e se ajeitar no sofá. Por que ele estava ajeitando o cabelo? Não sabia. Sentiu uma necessidade de ajeitá-lo, então o fez. Levantou-se do sofá. A corrente que o prendia no sofá era realmente bem extensa, e ele conseguia quase chegar até a porta, não chegando por alguns passos. Ele sentou-se no chão frio, e olhou para o sofá. Era um sofá bonito. E ele viu que havia uma nova tela ao lado do cavalete. Então ele se pôs a pintar as únicas coisas que ele via: O sofá e a mochila. A sua mochila, que era muito surrada, destoava do sofá, bastante novo. E ele terminou de pintar em um curto espaço de tempo, que ele estimava que fosse de uma a duas horas. Para ele, isso era pouco para se concentrar em uma pintura. Já passara dias sem se alimentar, tomando apenas água e coca-cola, e dormindo duas ou três horas para poder terminar uma pintura. Ele deitou as costas doloridas no assoalho e ficou encarando o teto, com a esperança de algo acontecer. O teto era tão branco quanto o resto do quarto. E de fato, aconteceu. Ele sentiu outra onda de tontura, e desmaiou de novo. Acordou então, jogado ao banco do parque, sem as correntes, do mesmo modo que estava disposto antes. Ele levantou-se, e viu o quadro do sofá e sua mochila. Soube, instantaneamente, que alguém o estivera observando. Ou ele estava ficando completamente louco. Não sabia, mas estava inclinado a se exilar em sua casa, com raras saídas. Paranóia, Paranóia.

(Foto meio nada a ver, mas que seja.)

Comentando músicas


Música: Ow Baby
Compositor: Pedro H.
Banda: StoneJam

Meu comentário:

A música pode ser considerada um clichê em si, mas eu a acho bonita. Não estou babando o ovo por que foram meus amigos que compuseram, nem por que é da minha banda. Eu realmente levo música muito a sério pra isso. Ela se encaixa bastante em todos nós, pelo menos um pouquinho. Fala de quando o amor se desgasta. Ou de quando o amor não é mútuo. Aquela pontada no peito, aquela sensação desagradável. E mesmo quando você está sofrendo por causa daquele certo alguém, você ainda deixa seu orgulho de lado, e entrega seu coração. Nessas horas, eu paro pra pensar se não seria muito mais fácil se o amor não dependesse de outra pessoa. Ou não, por que aí você não ia ter o gostinho de ser amado de volta. Mesmo quando cansa de amar, você ainda fica do lado do telefone, esperando ele tocar. Que mesmo quando diz que vai pegar todos, você fica na sua até a festa acabar. Por que mesmo que você saiba que você é só amiga, fica sonhando acordada, esperando ele se declarar. E mesmo quando você se toca que isso jamais vai acontecer, você ainda fica com o coração na mão e não coloca a plaquinha de vago, por que você já entregou seu coração, e agora, só resta esperar ele ser devolvido.

Viúvas negras.


(Texto inspirado no atentado que ocorreu recentemente, no metrô da capital russa)

Uma bomba. Duas bombas. Três bombas. Quatro, cinco bombas. Bum. Todas faziam o mesmo som. Umma estava desesperada. Sentia-se vulnerável. Ele morrera, e não a deixara nada mais que dois filhos crescidos e amor de sobra. Que faria? Vivia na Rússia faziam dois anos. Podia juntar-se as chamadas Viúvas Negras. Mas não queria se vender para matar gente. Mas um arroubo de vingança percorreu suas veias. Ela soube que precisava fazer. Não podia ter deixado seu marido ir em vão. Procurou-os por todas as partes. Enfim, encontrou-os. De volta a Chechênia, encontrou-os. Visitou os túmulos de seus pais e marido, e seguiu para onde sabia que os encontraria. Entrou em ruelas envergadas e suspeitas, e finalmente os encontrou. Prometeu explodir aquele lugar que a trazia tanto rancor, e finalmente aplacar sua dor. Era isso. Na gélida manhã de segunda feira, ela pegou o metrô. Com uma enorme e suspeita bolsa. Mas estavam todos muito ocupados indo para o trabalho ou o que quer que fosse. O ódio e o medo penetraram fundo em suas veias. Sua íris ficara vermelha de cólera. Mas uma ponta de medo a assolava. Entrou no metrô. Sete e cinqüenta e cinco. Quase lá. A ponta de medo que foi o estopim do vacilo ao entrar no metrô aumentou. Ela não estava tão confiante quanto estivera algumas semanas atrás. Na verdade, sua confiança foi lentamente se esvaindo com o passar das semanas, e ela podia sentir que era mais medrosa do que qualquer outra coisa. Sete e cinqüenta e seis. Um minuto. Quanto a vida dela poderia mudar em um minuto? Bastante. Por que no próximo minuto, não haveria mais vida. Nem dela nem de muitos outros. A culpa a corroeu, mas era tarde demais. Talvez esse não fosse o jeito certo de ser lembrada. Mas era tarde demais para ponderar sobre isso. Ela não tinha o poder de desistir. Não cabia mais a ela escolher o destino de tantas pessoas. Sete e cinqüenta e sete. Bum. Pedaços voaram. Pessoas se foram. Mas Umma não tinha perdido uma coisa, que era a que mais lhe importava, acima da integridade, da coragem, do medo, da justiça, do sangue, dos costumes, da vida. Não tinha perdido ele. Ele sempre iria estar em seu dilacerado coração. E agora, eles iam se encontrar. Mesmo que isso significasse que ela tivera que morrer por ele. Ela morreu pelos dois. Pela sua pátria. Por todas as crianças chechenas mortas. Morte por morte, olho por olho, dente por dente. Talvez esse não fosse o modo certo de resolver as coisas, afinal. Mas de que adiantaria esperar? Não estava ficando mais jovem, isso era fato. Acabou-se por uma justa causa. E ainda iria encontrar seu amor. Não sabia se ele tinha subido ou descido, mas tinha a leve impressão de que ela iria descer. Não achou ruim. Sua vida era fadada a terminar, como a de todos. Ficara famosa. E agora, podia dormir em paz, junto dele, junto do silêncio que abatera a estação.