quarta-feira, 26 de setembro de 2012

And As The Years Go By

Tomava uma vodka pungente. Barata, porém pungente. Bateu o copo na mesa com uma força exagerada, advinda da bebida. A música de fundo do barzinho com tema latino era um melô romântico do Alejandro Sanz. Enxugou a boca com a manga do casaco e fodam-se as regras de etiqueta. Estava usando um vestido branco e um casaco bege. Não podia dirigir nesse estado pra casa. Então dirigiu a si mesma pra a casa do conhecido mais próximo. No caso, da conhecida. Bateu na porta, incontrolavelmente. E começou a rir. Rir da sua situação engraçada. Meio bêbada, na porta da casa de uma amiga, no meio da madrugada, e pensando se lembrou de fechar a pia. Depois de mais umas batidas meio desesperadas e mais uns risos escandalosos, ela abriu a porta. Com uma cara carrancuda, de quem acabou de ser acordada.
- Oiiiiiiiiiiiiiiiii - Disse, esperando uma saudação igualmente animada
- O que diabos você tá fazendo na minha porta a essa hora, satã? - Não foi uma saudação nada animada, afinal.
- Eu tava no barzinho aqui do lado, e lembrei de você -
- Aquele que toca Capim Cubano a porra da noite inteira? O que você tava fazendo lá? -
- Bebendo, ué. Quero ver um filme. - E entrou na casa da outra, sem cerimônias. Sentou-se no chão, perto dos DVDs, escolhendo um pra assistirem.
- Filme? VOCÊ SABE QUE HORAS SÃO? -
- Sei. Vamos ver Tudo Acontece Em Elizabeth Town? - Não esperou resposta a ligou a televisão e o DVD, como se fosse dona da casa.
- Você tem consciência de que são três da matina, de um sábado, eu estava dormindo, você está meio bêbada, e essa é a minha casa? - Perguntou, já sabendo a resposta.
- Se é a sua casa, então você faz o brigadeiro. - Ainda sentada no chão, escolhendo a linguagem do filme. A dona da casa arrastou-se pra a cozinha, amaldiçoando o dia no jardim de infância que resolveu se relacionar com aquela menina. Fez o brigadeiro semi acordada, e por sorte não se queimou. Chegando na sala, a amiga estava estatelada no sofá, com todas as almofadas e começou a ver o filme sozinha.
- VOCÊ VEM NA MINHA CASA, ME ESCRAVIZA, GASTA MINHA ENERGIA, COME MINHA COMIDA E INTERROMPE MEU SONO, AGORA ROUBA MEU SOFÁ? -
- É. Shiu, o filme já começou - Ficaram as duas caladas, assistindo ao filme ao som de ocasionais grunhidos por parte da dona da casa. O filme era engraçado, e as duas ficaram rindo que nem duas hienas. No final das contas, o sol teve que nascer. As duas desistiram de dormir e fizeram panquecas. Comeram até dizer chega, e se atiraram na cama de casal do quarto principal. Hibernaram. É assim que era. Nada de raiva. As oito da noite, quando ambas acordaram, resolveram ver outro filme. Férias do mundo lá fora. Aí é bom demais.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mas Não Sou Beata, Me Criei Na Rua

E se eu tô te dando linha é pra comer você

Sábias palavras, Ana Carolina.

Agora começando o texto de verdade, acho tão absurdo sexo ser tabu. Como é que você nasceu? Seus pais transaram, simples assim. E não transaram só pra que você nascesse, não. E eu não estou falando do seu irmão. Todo mundo transa. Cedo ou tarde. Melhor que seja cedo, por que sexo é muito bom. Imagina perder a virgindade na cama com o seu marido? Imagina que tem sangue, dói, é incômodo, é desconfortável. Tem mulher que até chora. Agora imagina que isso seja com o seu marido, que vai passar o resto da vida transando com você. Você nunca vai saber se ele é de fato bom de cama, como é que é pra ser, se você faz direito. E aí você cansa de transar só com ele, toda vez, sem nunca ter experimentado com nenhum outro cara.

Legal é experimentar em lugares inusitados, construir fantasias, fazer com caras diferentes, com dois ao mesmo tempo... Enfim, como você achar melhor. Isso não faz de você, de forma alguma, uma puta. Faz de você uma pessoa que gosta de sexo, ponto. Se um homem gosta de sexo, ele não ganha rótulo, então se mulher gosta de sexo, tem que ser assim também. Até por que puta cobra pelo serviço, e você está cobrando, no máximo, um orgasmo. É pra o seu prazer.

Por que eu tô falando de sexo? Por que eu quero. O blog é meu, os assuntos são meus, não tô afim de melô dramático, nem de romance incurável. Se as pessoas vão ficar chocadas? Problema delas. Não deveriam ficar. Aceito uma velhinha chocada, afinal, a época era outra. Puta, na época da minha avó, era atriz, poetisa, jornalista. E, claro, puta mesmo. Mas um monte de adolescentes, que deveriam os que tem menos pudor possível, principalmente nessa fase da vida, que o que todo mundo que é ter prazer, ficarem chocados, não admito. Sexo é natural. Como dizia Rita Lee, amor é prosa, sexo é poesia. E olhe que minha avó é uma velhinha nada convencional, que trabalhou com teatro, gosta de costurar, chama minhas saias de abajour de buceta e já me disse pra dar logo pra eu aquietar de uma vez.

O amor nos torna patéticos, sexo é uma selva de epilépticos, pra mencionar, de novo, Rita Lee. Um amor de mulher, vale salientar. Admiro-a muito. Sexo antes, amor depois. Não é por que vem dos outros e vai embora que é ruim, leviano, ou coisa que o valha. É bom, e pronto. Pra mim, não precisa estar atrelado ao amor. Tem que estar atrelado ao tesão e ao desejo, simples. É por isso que é tão bom. Esses filmes que falam de amizades coloridas que viram amor, são tão patéticos. Não precisa ter laço pra fazer sexo. Precisa nem saber o nome. Por que sexo é escolha. Amizade colorida vira amor se você deixar. Pode ser só um momento de prazer mútuo. Amor é divino, sexo é animal. Você tem seus desejos. Supra-os. Não se deixe acanhar pelos pudores cotidianos. Sexo também é certo. Lembre-se que você é bonita e gostosa.

Não estou escrevendo isso por que acho que todo mundo deve dar pra todo mundo. Você deve dar, sim, pra quem você quiser. Acho meio ridículo movimentos de "escolher esperar". Esperar pelo cara certo, pode até ser (apesar de que eu não acredito no "cara certo", também. Sou muito descrente), mas esperar pelo casamento? Não funciona. Você vai se reprimir em prol de quê? De nada. Só dando minha opinião nessa sociedade onde tudo vira tabu, desde sexo até o filme de um urso de pelúcia desbocado. Acho que Carpe Diem. E se esse carpe envolver sexo, então vai nessa.

Do Teu Quarto, Da Cozinha, Da Sala De Estar

Sob inúteis pretextos, encontraram-se. De maneiras incontroláveis, e surgindo de instintos primitivos, o fizeram. E de novo. E mais algumas vezes. Até que tal prazer fosse satisfeito com o desejo ardente da carne. Unhas, cabelo, carne. Furtivos, sorrateiros, proibidos. Fugaz. Fuga. Escape. Cano. Vontade. Pra quê vontade, se há satisfação? Se há necessidade de partir, parte aqui, parte meu coração e leva consigo.Dentes. Pernas. Braços. Coxa. Vício que leva a rotina. Prazer. Toque. Leveza do tocar, o verbo sai da boca direto pra baixo. Desce, e desce. E a boca sobe, e encontra. De leve, despercebido. O tempo voa, passa, ninguém nota. De porta trancada, de janela fechada. Suor. Entremeio de corpos juvenis, suados, cansados, extasiados. Cansaço que vale a pena, cansaço que corrói o corpo e satisfaz a alma. Nas suas ancas, jaziam suas mãos. Mãos que a tocaram, que a deliciavam um momento atrás e estavam indo embora. Manda embora o que não há de embeber no prazer, manda embora o que não há de me fazer sentir. Que corpo que importa? Só pelo melhor da vida, isso e ócio.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Give Me Something To Remember

Hoje, assistindo ao E!News, tive uma epifania. Taí uma palavra que não se encaixa com nenhum dos programas do E!, já que é o canal mais fútil e vazio da televisão. Mas eu fiquei com a cabeça longe, longe. Estavam fofocando sobre um casal que já tinha se separado, após poucos meses de casamento. Minha epifania foi sobre a vida a dois, na verdade. Não sei se a culpa é de uma música recém apresentada da Lana Del Rey, se é da minha constante decepção amorosa, ou se só estou com humor pra esse sentimentalismo todo. Fiquei, que nem boba, pensando em como externar a minha (não tão) brilhante epifania sobre a vida a dois.

Estou passando por um auto conhecimento, experimentando, de novo, minha solidão. E não precisa ser necessariamente ruim, mas é excepcionalmente ruim se você tem um coração partido. Na verdade, não sei descrever bem a corrente de sentimentos que tá passando por mim agora. Nenhum deles é raiva. Seria muito mais fácil de superar se não existissem as malditas expectativas. Ou se o cara que acabou comigo tivesse sido um babaca, coisa que ele (felizmente ou infelizmente) não foi. Não estou pensando em voltar, não estou pensando em ligar, em saudades. Estou pensando em uma das grandes verdades: pra se ter um relacionamento de verdade, geralmente se precisa de uma amizade antes. Grandes coisas não surgem do nada.

E se tem uma coisa que eu precisei de tempo pra aprender, foi isso. Não dá pra simplesmente jogar seus sentimentos numa pessoa e esperar que ela corresponda assim, sem mais nem menos. Ninguém precisa estar aqui pra suprir suas inseguranças, carências e enfrentar, assim, de cara, todos os seus defeitos. Eles tem que ser apresentados no dia a dia, de formas sutis. Não dá pra esperar que a sua solidão seja preenchida com a solidão de outra pessoa, não é assim que funciona.

Cada um tem sua bagagem, sua vida, sua história. Impor-se assim, na vida alheia, não faz bem. Tem que ir devagar, entrar na rotina sem ser percebido, até que um dia, vocês se vejam na vida um do outro e gostem disso. Sentimentos não são brinquedo, não. Os meus vivem sempre na reta, mas isso é culpa minha. Me dou demais, me entrego demais. E me perco. Embebo-me no outro rápido demais. Mesmo com um relacionamento que não é sério, acabo me doando demais. E por mais que eu fuja das responsabilidades, dos deveres e das cobranças, um dia elas chegam, todas juntas, batendo na minha porta e pedindo indenização por maus tratos.

Acho que eu o que eu tô tentando dizer, sem sucesso, o texto inteiro, é que eu preciso ser menos intensa. Que não dá pra forçar nada. Que nem a mais irrestível das mulheres vai conquistar a todos. Se nem ela, quem dirá eu? As vezes as pessoas se desencontram por que chegam nos momentos errados da vida uma da outra. Quem sabe não se possam gerar encontros futuros? Enquanto espero, dou mais uma chance ao desconhecido e levanto da cama pra um dia novo.

Como disse a Robin, em HIMYM:

Timing it's a bitch

domingo, 23 de setembro de 2012

Milhões De Vasos Sem Nenhuma Flor

Me considero uma pessoa relativamente solitária. Vê, passou um domingo inteiro, e nenhuma mensagem no celular. Nenhuma ligação (só da minha mãe, mas não conta de maneira alguma). Umas conversas no facebook, mas grande parte delas começadas por mim. E eu quero colo. Quero muito colo. Quero alguém pra segurar minha mão e dizer que tá tudo bem. E não tô falando de namoradinho, não. Acho que esse é o tipo de carência que se desenvolve quando grande parte dos seus melhores amigos tiveram a ideia esdruxúla de se instalarem por um período de tempo (que parece uma eternidade) em outros países ao mesmo tempo. E aí eu fico carente. Tento suprir isso cozinhando, comendo, e dormindo, mas parece que tem um buraquinho no meu peito, que insiste em sugar tudo isso e pedir um pouco mais. Encho-o de literatura, de história, de estudos, de bebida. Mas sempre quer mais. Quero um abraço, um abraço que não me largue. Ao mesmo tempo, quero me arriscar mais. Quero conhecer gente. Quero ver pessoas, quero ver luzes. Não antes de ter uma boa tarde de sono, ver um filme romântico com alguém que eu gosto pra poder xingar a produção clichê, e me encher de brownie e brigadeiro (e que se fodam as calorias extras).

E aí eu fico cheia de saudades. Elas tem que sair por algum lugar, então choro. Não sou boa sozinha. Estou longe da mínima auto-suficiência sentimental. Quase que não suporto a solidão da alma. Se o meu sofrer é bonito, imagina quando estou feliz. Agora estou me sentindo exatamente como disseram Nando e Cássia, como milhões de vasos sem nenhuma flor. O vaso tá lá, cheio de terra, mas de quê adianta, se não tem nenhuma flor pra servir de atrativo? Tô cansada, tô exausta, tô sem vontade, tô triste, tô melancólica. Alguém quer me dar um abraço?

Já me disseram algumas vezes que eu preciso desapegar das pessoas. Que eu preciso me sustentar nos meus próprios pés, que eu tenho que sobreviver sozinha. Mas eu não sei. Eu preciso, mais do que nunca, dos meus amigos. Tá tudo dando certo, eu desconfio. Por que as coisas não dão simplesmente certo. Parafraseando uma frase de uma boa série, por que a porra do Armaggedon está sempre vindo pra cima de mim?

O Amor Viajou

Abriu a porta, e como disse Zeca, a rua tava ali. Sentou um tempo na soleira da porta. Não tinha quase nenhum carro na rua a essa hora, pouco antes do amanhecer. Não tinha muito o que ver ali fora, também. Fechou o casaco e apertou os dedos na alça da mochila gasta. Saiu. Andando, assim, a esmo. Caíam lágrimas, rolando sem pudor, já que não havia ninguém para recriminar tão primário sofrimento. Nem se incomodava em enxugá-las, deixava que descessem até sua camisa gasta, dentro do casaco semi fechado. Andou, andou. Chegou até a praia. Jogou a mochila na areia fofa, tirou os tênis, subiu a barra da calça e colocou os pés nas ondas. Enxuga o pranto, vai amanhecer. Sentiu a areia colando nos seus pés molhados. O sol tava surgindo, o dia tava amanhecendo e ninguém reparou. As lágrimas searam no seu rosto. Subiu a ladeira que separava a praia da cidade e já viu alguns carros circulando nas avenidas ainda pouco movimentadas. O celular vibrava no bolso, mas optou por fingir não sentir. Quem dera dosse só aquilo que conseguia fingir não sentir. Arrastou os pés pelas calçadas desprovidas de pedestres, esperando saber onde queria chegar. Há muito não sabia, e não sabê-lo angustiava-lhe a alma. Parou no ponto de ônibus mais próximo e sentou-se em uma das três cadeiras. Um ônibus apareceu ao longe. Não conseguia ler o que dizia o letreiro que indicava pra onde ele ia, mas prosseguiu sua jornada a lugar nenhum entrando no ônibus, tão desconhecido quanto vazio. Vazio era ele, vazio era ela. Vazio que consome, vazio que não preenche. Vazio que se abre, vazio que não enche. Vazio. O ônibus que levava só aquele sentimento, só aquela hora. Chegou onde não queria e desceu. A estação seguinte era a estação própria, mas até mesmo o amor cansou de sofrer. Viu-se sem saída, e optou por ficar. Mas ficar onde? Ficar em paz consigo. O dia estava amanhecendo e eu não vou beijar seus lábios quando você se for.

We Can Be Addicted To A Certain Kind Of Sadness

Ontem foi um dia estranho. Levantei da cama onze da manhã, cansada ao extremo. Eu sempre tô cansada ao extremo. Mas nessa ocasião eu tinha dormido doze horas seguidas. Mandei uma mensagem pra o meu então ficante, cobrando alguma irrelevância dele. Fui chamada de impaciente, e começamos a conversar, por mensagem. Foi quase que um relacionamento virtual. Mas pra mim, tava tudo indo bem. Assisti televisão, tive minha primeira atribulada aula de direção, fui ao cabeleireiro e voltei pra Natal, pra fora da casa dos meus pais. Durante o percurso, comecei a receber mensagens do ficante, colocando pra fora preocupações sobre o nosso relacionamente, e confidenciando-me que acreditava que eu gostava mais dele do que o contrário, que achava que o relacionamento não passava disso, que sentia que eu tava querendo e ele não. Fiquei arrasada, mas me segurando até sair do carro pra poder ligar, aos prantos, pra Victória me socorrer.

Ela me socorreu, e depois fui pra o telefone com o dito cujo. Falei o que eu estava sentindo, e sem querer, reforcei as teorias. Tudo que ele falou me deu a entender confusão da parte dele e um fim. Fim que a gente nunca sabe aceitar. Assim que decidimos (ele decidiu) por acabar, fui ler, ver televisão e ficar no computador. E foi completamente insuportável. Cinco pessoas me perguntaram dele, várias pessoas mudaram status de relacionamento no facebook, na televisão só passava comédia romântica, até no livro, que tratava sobre uma série de assasinatos encontrou-se um espaço pra o romance entre dois personagens. Acabada e derrotada, me entreguei pra um bombom e pra a internet. Abençoada internet. Acabei vendo Dexter, comendo chocolate e desencanando.

Eu tinha uma festa pra ir. E isso tinha matado o meu humor. Tava de cara inchada, olheiras acentuadas, cansada e querendo me juntar ao meu Dexter a noite inteira. Mas, como a festa era paga, tive que levantar o traseiro da cama, tomar banho, me maquiar, vestir, enfiar o pé no salto e partir pra lá. Parti, com o pressentimento que eu não ia me divertir nada. Chegou até um ponto da festa que eu me enfiei em uma cabine do (lindo) banheiro, liguei pra Victória e ficamos conversando sobre a vida, homens, e tudo mais. Trancada no banheiro, ao som de Alejandro Sanz (Tiritas pa ese corazón partío, tiritas pa ese corazón partío)tocando Corazón Partío, pra combinar com o meu coração partido, falando com Victória ao telefone. Minha mãe já tinha ido atrás de mim três vezes. Decidi-me por sair de lá, e ir aproveitar a festa. A banda era boa, já tinha tocado Legião Urbana, Titãs, Capital Inicial...

Tinham uns caras bonitinhos. Passei a noite olhando pra uns. Um dos músicos de uma das bandas era LINDO. Não sei o nome do cara. Não sei o nome da banda. Na verdade, a banda era só banda de apoio, a estrela mesmo era um dos caras, chamado Thiago Correa. Não era o tal Thiago o gato, mas tudo bem. Nas idas e vindas da noite, preenchi o vazio com whiskey, com caras, e com comida.

Agora cá estou, hoje, solteira, com um vazio meio grande no coração, sem saber se rio ou se choro, lembrando, amargamente, das provas que vou ser obrigada a fazer essa semana, meio desamparada. Com uma vontade louca de sair por aí com aquela plaquinha de "Aceito abraços", por que eu estou aceitando. Ando precisando ter com o que aquecer a alma. Ando precisando de alguém que se entregue com a mesma medida exagerada que eu me entrego. Como diz Victória, sou muito intensa. E a minha intensidade não é pra todo mundo. Não sei nem se é pra mim, também. Abro minha vida a público por que não tenho muito a esconder, e o que teria, já é domínio público. No fim das contas, tomo um chá e vou pra cama.








terça-feira, 11 de setembro de 2012

Uma Dose de Vodka, Outra de Insônia

Um drink. Dois drinks. Uma dose. Duas doses. Fui ficando tonta. Por que eu bebi tanto, meu Deus? As coisas estavam se movendo rápido demais. Correr? Claro, que ótima ideia. Na verdade, agora que estou correndo, não parece a melhor ideia de todas. Acho que vou vomitar. Não, mentira, não vou. Ah, que hippies legais. Maconha? Não, sinto muito, não fumo. Graças a Deus, um lugar pra sentar e esperar essa tontura de bebida passar. Pelo menos nós estamos todos bêbados. Ainda não de cair, porém, bêbados. Voltar pra o meio das pessoas. Uau, quantas pessoas. Achei meus amigos. E estão todos bêbados. Quanto eles podem ter bebido na minha ausência? Foram só cinco minutos. Não? Quase uma hora? Oh, merda. Hm, parece que esse menino está dando em cima de mim. Descer? Claro, deixe-me ligar pra papai. Espera, dois minutos. Ganhei vinte minutos, vamos a praia. Sexo. O quê? Não é esse o meu nome. Espera, qual o TEU nome? Quantos anos você tem? 28? Inverídico. 29? Também não. 42? Claro que não. Menino, você tá passando bem? Oh, não vomite. Meu celular não tem sinal, que merda. Me dá o teu celular. Qual a senha? 43245 não é. Me diga a senha, você precisa de ajuda. 56739 também não. Vou acabar bloqueando seu celular. Ah, o sinal voltou ao meu celular. Alô? Preciso de você na praia, ele desmaiou. Onde? Aqui perto daqueles restaurantes. Desça, por favor. Ela disse que já vem. Por favor, não desmaie. Vou vestir a blusa. Correndo ladeira acima, de novo. Encontrei-os, graças. Ele desmaiou, venham aqui, por favor. Correndo ladeira abaixo. Quem é você? Ah, obrigada por tomar conta dele. Não, eu não corri com raiva. Estava chamando ajuda. Obrigada, de novo. Água, por favor. Vai ficar tudo bem. Onde estão minhas coisas? E as coisas dele? Pronto, tudo comigo. Ajudem-o a andar. Vamos até o final. Pare de gritar. O que aconteceu? Sexo, foi isso que aconteceu. Mas ele vomitou. É, não deu certo. Esperem, minha mãe tá ligando. O que eu digo? Vamos com a verdade, apesar de ser bem hardcore. Oh, merda. Ela está vindo nos buscar. Cadê Ana e por que ela não atende o telefone? Espero que ele não morra. Olá, Ana. Mamãe está vindo, pra me decepar. Olá, mamãe. Se eu estou bêbada? Não, posso até fazer o quatro pra você. Compartilhar energias com um semi desconhecido? Sexo e amor? Vá catar coquinhos, isso não me diz respeito. Pois é, eu discordo. Sim, eu sei que mulheres também gozam. Pare com isso. Em casa, finalmente. Dormir e acordar.

Bom dia, mundo! Que dor de cabeça do caralho. Bom dia, Ana. Oba, café da manhã. Se eu me lembro de ontem? Sim. Acho que eu vou telefonar pra eles, saber se o menino morreu. Não morreu? Ótimo. Se eu quero falar com ele? Por favor, não! Estou morrendo de vergonha. Ah, er, olá. Está melhor? Sim? Que bom. Vão pegar o mesmo ônibus que a gente? Ótimo. Nos vemos lá. Passa pra outra pessoa, por favor. Obrigada. Alô? Não acredito que você fez isso! Argh. Tudo bem, nos falamos depois. Almoçar? Certo. Merda, vamos perder o ônibus. Não posso perder esse ônibus. Comeremos rápido, certo, Ana? Estamos no ponto. Sim, conseguimos pegar o ônibus. E lá estão eles. Olá. Sim, você estava bêbado. Muito bêbado. E todo o ônibus está ouvindo suas babaquices. Se eu desculpo? Claro. Não estou com raiva. Sou uma santa, eu sei, haha. Beijos. Mais beijos. Trocar de lugar? Claro, claro. Estamos quase chegando em Natal. Quando vamos nos ver de novo? Não sabe? Pois vamos ficar sabendo. Tchau. Beijos. Mensagens. Quereres. Essa maldita dor de cabeça estúpida de novo, não.





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sobre a anterior

Sinto-me na obrigação de constar que (infelizmente) o conto abaixo é FICTÍCIO. Só tem meu nome por que tive preguiça de pensar em outro. Obrigada e beijinhos,
Bee

Sexo Selvagem, Então

Não acredito que não peguei a estrada certa! Merda, vou ter que esperar alguma alma viva aparecer por aqui pra me salvar. Quase sem gasolina nessa merda desse acostamento. Tudo que eu precisava pra vida nesse momento. Não vou gastar essa gasolina procurando nada, vou andar por aí a procura de um posto. Acho que estou perto do aeroporto, com alguma sorte acho aquele posto que fica lá perto também. Legal mesmo seria se não estivesse tão escuro, e eu não estivesse com o cu na mão por temer um maníaco sexual ou coisa que o valha me perseguindo por aqui. Essa cidade poderia ser mais bem iluminada, Deus do céu. Estou vendo luzes. Luzes brilhantes. Acho que é o tal posto. Espero que seja o tal posto. Pois é, eu tava certa. É o posto. Só que não tem ninguém lá, ao menos ninguém que vá me vender gasolina. Tem um loirinho gostoso com duas malas, sentado em uma delas, aparentemente esperando alguma coisa, com os fones no ouvido e uma cara de total desorientação.
- Ei! Você sabe de algum lugar que venda gasolina? - Cutuquei-o de uma forma meio brusca, mas era só o desespero falando.
- Hmm. No hablo su idioma - Ele me respondeu em um espanhol obviamente argentino. Um argentino, gostoso, bonito, perdido aqui? Sorte que eu falo espanhol.
- Hola, me llamo Bianca. Cual és tu nombre? Que haces acá? - Com um sorriso angelical e uma cara surpresa dele, começamos a conversar. (obs: vou começar a traduzir o espanhol direto pra português pra melhor entendimento do leitor)
- Me chamo Guillermo. Estava esperando um táxi, mas aparentemente, não apareceu nenhum. Cheguei no aeroporto há umas duas horas, e vim pra cá. Mas nada de táxi. E você, o que faz aqui? - Ele sorriu pra mim de uma forma encantadora. Ai, esses argentinos e seus charmes.
- Peguei a entrada errada na estrada e estou quase sem gasolina. Aí vim a pé até encontrar um posto. - E se ele for o maníaco sexual que eu tanto temia? Será que nas malas dele só tem clorofórmio? Dane-se, bonito assim não precisa nem estuprar.
- Entendo. Eu sei que acabamos de nos conhecer, mas eu realmente gostaria de sair daqui antes do amanhecer. Será que você podia me dar uma carona? - Guillermo parecia cansado e desorientado, e eu também estava. Então, por que não? O pior que poderia acontecer seria sexo selvagem no banco detrás do carro em um lugar isolado. Eu disse pior? Meu erro, quis dizer melhor.
- Claro. Mas antes de tudo, quanto de clorofórmio tem na sua mala? - Perguntei, em um tom de brincadeira.
- Clorofórmio? Que es eso? - Sorri. Esqueci que não faço a menor ideia de como se fala clorofórmio em espanhol, então acabou saindo em português.
- Nada, nada. Só me confirme que você não é nenhum estuprador louco que a carona rola sem problemas. - Ele negou com a cabeça, e isso me foi suficiente pra guiar aquele projeto de deus grego até o meu carro quase sem gasolina.
- Precisa de ajuda com o carro? - Olhei pra trás e vi um argentino lindo empurrando meu carro na direção que guiava até a cidade. Quase tasquei um beijo nele por tal ato de abnegação. Ao invés disso, entrei no carro para poder guiá-lo sem que este caísse de um desfiladeiro inexistente. Ofereci-o lugar DENTRO do carro, mas por muito tempo, não foi aceito. Depois de vinte minutos disso, vencido pelo cansaço, ele aceitou entrar.
- Não precisava ter feito isso. - Sorri, verdadeiramente feliz e consciente de que havia um posto que estaria aberto realmente perto dali.
- O mínimo que eu podia fazer por uma chica guapa que está me dando carona pra qualquer lugar que não seja aquele posto, no meio da madrugada. - Ele sorriu, até que eu avistei o posto.
- OLHA O POSTO! FINALMENTE, GASOLINA! - Acho que quebrei um possível clima entre o gato e eu. Merda. Chegamos ao posto, e enquanto o carro abastecia, fui até a conveniência 24h pra comprar docinhos pra mim. Preciso de açúcar pra funcionar.
- Quem é aquele moço loiro que está te acompanhando? - Perguntou a caixa pra mim, enquanto eu pagava meus doces.
- Meu sex slave. Gosto de exibi-lo por aí. Bonitinho, né? - Levei minha sacola e deixei pra trás uma abismada caixa da loja de conveniência. Fui pagar pela gasolina, porém Guillermo me fez outra surpresa.
- Eu não acredito que você pagou a gasolina. - Ele sorriu e puxou meu saco de docinhos.
- Fiz isso pela comida, não se engane. - Puxei o saco de volta.
- Pena que você não vai ganhar nenhuma. - Sorri. Então Guillermo me beijou. E acontece que ele é bom pra caralho nisso. Larguei os docinhos.
- Onde é que você disse que morava, mesmo? - Parou de me beijar pra fazer a pergunta. Eu, imbecil e ainda atordoada com o beijo repentino, demorei pra processar a informação.
- Tá trocando gasolina por sexo, é? - Depois dessa, eu deveria ganhar o prêmio de mais imbecil do ano.
- Não. Tô trocando sexo por sexo, chica. - Ainda retardada com a beleza daquele homem tão perto da minha cara feia, fui incapaz de dar uma boa resposta.
- Ah, tá. - Respondi, meio sem saber o que falar.
- Se não quiser, tudo bem. Só me deixar na... Qual o nome da rua mesmo? Não lembro, mas fica num bairro chamado Ponta Negra. - Afastou o rosto do meu pra procurar uns papéis na mochila, provavelmente procurando o nome da rua. O que eu sou, idiota? Puxei o braço dele e voltei aos beijos.
- Não disse que morava em lugar nenhum, mas não tenho nenhum problema em te mostrar. - E movi o carro de lugar, depois dessa cena incrível na frente da caixa da conveniência. Dirigi até em casa, desejando a cada segundo não estar naquela porcaria de carro, e sim em outros lugares muito mais interessantes com aquele gato.
Ao chegarmos na minha casa, quem é que precisou de roupas? E de camas? Balcões, chão, tapete, sofás. Tudo não foi feito pra intensificar o sexo? Não? Dane-se. A real é que vou rondar o aeroporto todo final de semana, a partir de hoje. Quando acabamos, nos vimos deitados no chão da sala, sorrindo. Bom? Ótimo. O que esse homem viu nessa gorda antipática? Não sei e prefiro não saber.
- Chica? - Voltou-se pra mim.
- Hm? - Voltei-me pra ele.
- Tenho que ir. -
- Tem mesmo? -
- Tenho. -
- Então vai. -
Abracei-o por trás. Ambos ainda nus, cansados, suados. Como um. Se ele foi? De que importa? Eu fiquei. Ficamos.
- Chica... -
- Não. -
- Como não? -
- Não vai, ué. -
- Mas tenho que ir. -
Ele fez menção de soltar minhas pernas que abraçam a cintura dele, e os meus braços que seguravam o seu peito. Não soltou. Abraçou-me de volta. No tapete quente do sol que entrava da janela, ficamos. E ficamos. Até que adormecemos, e quando acordei, nada restava. Andei, ainda desnuda, até a cozinha. As pernas doendo de me agarrar àquela cintura, e os braços por terem dormido embaixo do corpo dele.
Esperei o dia passar devagar, e passou. Vesti uma blusa comprida e velha, e fui comer na cozinha. Na geladeira, um bilhete.

Chica guapa, llama-me.

Seguido de um número de telefone. Disquei, com o coração na mão.

- Hola, chica. -

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Entre O Fim e O Começo

Entre o prazer futuro e o desprezo prévio. Entre o fim próximo e o começo findo. O entrar ébrio e o sair sóbrio, engolido subita e derradeiramente pelo silêncio dentro de si, o vazio voraz que clama por mais para preenchê-lo. Merecia uma organização melhor das suas gavetas interiores, aquelas que a mantiam em pé e caminhando. Ossos, orgãos, e músculos, mas principalmente sentimento. Sempre tentando voltar ao racional, mas rindo-se quando ia pelo lógico e não pelo evidente, ao menos para si. Não tinha mais vontade de fugir, mas faltava desejo de ficar. Havia avidez por mudança, mas medo desta. Tanto medo que chegava a não levantar da cama. Sentia saudades dos apelidos carinhosos, e queria agora. Me dê seu coração e sua alma. Entre a espada enferrujada e a cruz antiquada. Sempre só, e cansada de procurar alguém.

Pra Qual Lado Vai A Pressa

Umas duas vezes por mês eu tenho uma vontade absurda de morrer. De simplesmente deixar de atender os telefones, de levantar da cama, de sorrir. Só vontade de dormir pra sempre, de deixar de existir. E tenho quase absoluta certeza que grande parte das pessoas que eu conheço tem desses tipos de dia. Nos quais a dor é tão imensamente insuportável que tudo que resta é dormir e não mais acordar. Mas em dias como hoje, eu vejo que não vale a pena. Fora as lágrimas que teimaram em sair pela partida de Florinha, foi um dia tão agradável. As aulas, geralmente insuportáveis, foram motivo de brincadeiras, de risos, de alegria. As pessoas foram fonte de aconchego e acalanto. Os professores, extremamente agradáveis. E não fechei os olhos nem por cinco minutos em nenhuma das aulas do dia (o que é um novo recorde pra mim).

Todos os motivos de aborrecimento foram deixados de lado por algumas horas, e eu me senti tão leve, mas tão leve. Como não me sentia a anos. Todos os pedaços cancerosos foram extirpados, e o sol tava tão brilhante. Tiramos a mais bela foto da turma desde o oitavo ano (todo mundo saiu bonito!). É tão bom se sentir assim. É nessas horas, de extrema felicidade, e talvez não extrema, mas natural, que eu sinto como seria ruim ter morrido antes de viver esse momento.

Sei que a vida é de altos e baixos, mas sempre parece que os baixos sobrepõe os altos sempre, de forma infinita, e a gente, de alguma forma, parece que tá sempre pra baixo. Como disse o eterno Vinícius de Morais, tristeza não tem fim, felicidade sim. Só quando você tá muito pra baixo, tem aqueles momentos que fazem tudo desaparecer e que a tristeza, tem sim, fim. Quando encontra a felicidade.

E vou caminhando, caindo e sorrindo, levantando e caindo. Se não fosse assim, eu não ia nem saber o que é o alívio da felicidade inundar a gente por dentro.

sábado, 1 de setembro de 2012

Carta Pra Você Ficar

Vou começar isso de uma forma bem simpática: eu nunca achei que ia gostar de você. Sinceramente, do fundo do meu coração. E quando você e João começaram a almoçar juntos, eu vi aí um jeito de "perder" uma pessoa querida pra outra não tão querida assim: ciúmes. Acho que você percebeu isso em algum ponto, já que você mesma disse que tinha um pouco de medo de mim. Sou meio ciumenta, só que guardo isso totalmente pra mim, então acho que João nunca chegou de fato a saber desse ciuminho babaca que eu tendo a ter pelas pessoas mais queridas, e que, ironicamente, isso agora se aplica a você mais do que a ele. O ciuminhos, digo.

Deixando minha habitual simpatia de lado, vou sentir saudades. Tipo, de verdade. É só olhar no meu blog pra ver quantas pessoas ganharam textos por aqui e você vai ver que eu não escrevo texto pra qualquer um. Acho que umas três pessoas já ganharam textos meus publicados aqui exclusivos pra elas, portanto, considere-se muito especial. Vocês todos estão fazendo questão de me deixar, não estou gostando disso. Pra quem eu vou mandar mensagem reclamando no meio da aula? E levar pra rolés no centro da cidade? Com a gata de quem eu vou fazer spider cat (tentando imitar Arthur, porém, falhando miseravelmente)? Quem vai entender exatamente o que eu tô passando? Resumindo, quem é que vai me amar quando eu preciso de amor e ninguém vai me dar? (colocaria uma carinha triste, mas não gosto de colocar carinhas em textos sérios, portanto imagine-a aí)

Me avise se eu estiver sendo guei ao extremo, por favor. Se bem que se envolve você, tem que ser guei. Aliás, não se engane pensando que esse é o texto definitivo pra você, vai ter outro (essa sou eu, estragando parte da sua surpresa, por que sou mole com a sua curiosidade). Nossa ida ao cinema foi engraçada demais. Eu tava precisando dessa fuga, deuses. Dessas internas, desse filme, sei lá, desse rolé. Conversar com você, e todas essas coisas. Não me faça dizer, não vou dizer. Direi: chorei até dormir quando cheguei em casa da sua despedida. E olha que isso nem é apelo pra você aparecer aqui em casa com os restos mortais da festa (mentira, é um pouco)

A gente acabou passando por todas essas coisas, e você acabou sendo muito importante pra mim, de formas que eu nem sem explicar. Uma das melhores coisas que eu fiz esse ano foi resolver reavaliar as pessoas que eu não gostava e ser sua amiga, sério. Vá embora não, fique aqui. Eu tenho espaço no armário, Ceci rejeitou o pobrezinho. É isso aí, o resto vai estar na sua in-flight letter. Je t'aime (por que em francês é mais legal) e apareça por aqui amanhã.