
Bee
Sabe, eu detesto o sol. Odeio a areia. Odeio o mar. Mas se tem uma coisa que eu gosto na praia são os caras gatos SEM CAMISA. Sinceramente, é o único motivo que eu tenho pra ir a piscina/praia. Que se dane meu marido, cara, sinceramente, eu não estava lúcida quando casei com ele, mesmo. Deitei em uma espreguiçadeira, ao lado da piscina. Mari e Vique estavam ao meu lado, discutindo. Eu ignorei solenemente. Alguns segundos depois, Ceci vira pra mim e diz: “Mano, eu gosto de azul” Eu a encaro e digo: “Porra, não roube minha cor, Mariana”. “ Mariana o cacete, vou ignorar quando me chamar me Mariana” E a gente riu. Nós falamos essas coisas desde os treze anos, e parece que nada mudou realmente. E, sinceramente, não mudou. Não dentro de mim. Eu a amo, e eu acredito que ela me ama. A única coisa diferente, é que agora eu estou casada, depois de uma noite de bebedeira, e ela não me censurou nenhuma vez, só me apoiou, por que ela sabe que se eu estivesse sóbria não me casaria com o primeiro estranho que aparece no cassino. Acho que ela pensou a mesma coisa, por que agarrou minha mão com força, e eu finalmente senti o maldito peso desse negócio chamado casamento. Meu deus, eu não queria casar. E em alguns segundos, eu me vi falando isso em voz alta e caindo no choro. Era mais um choro meio desesperado, mas logo minhas lágrimas secaram, e eu encontrei o motivo do meu choro sentado do meu lado. Perfeitamente cronometrado a tempo de ver meu rosto molhado e meus olhos inchados. Cacete, eu odeio isso. Ele me olhou com uma cara que não emanava preocupação, mas era meio confusa. Acho que ele não estava entendendo nada, e eu não fiz muita questão de explicar. Ele virou-se pra frente, e eu me virei de costas pra ele. Não estava afim de ver meu marido, e muito menos que o mesmo me visse de maquiagem borrada, e soubesse que eu estava chorando, ele ia se achar importante, o idiota. Tá, ele não é tão idiota assim, ao menos ele se importou de parecer preocupado. E por que eu estou me importando com isso, meu deus? Ele é só um quase estranho que eu, por uma fatalidade, casei. Infelizmente, eu ia ter que agüenta-lo, então, eu ia fazer disso suportável.
Arthur
Eu odeio ver mulheres chorando. Eu não sei por que ela está chorando, mas ela é minha esposa, afinal. Eu posso até não me dar bem com ela, mas que seja, eu não gostei de vê-la assim. Eu não sei bem o que fazer, mas no momento que eu me dou conta de mim, eu abracei ela. Foi tão instintivo, sei lá, ela estava precisando, e eu abracei. Eu não queria vê-la assim, então abracei-a.Ela ficou completamente rija, mas depois relaxou, me abraçou de volta e se encostou em mim. Não queria dizer que agora íamos virar amigos ou algo parecido, mas eu precisava fazer isso. Então a gente fica encarando o azul do céu por uns minutos, até que ela levanta, vai até o bar, e volta com vários Mojitos. Quatro, na verdade. Me entrega um, e vira pra as irmãs pra dar um pra cada. Eu fico encarando a bebida e me perguntando se ela quer mesmo que eu beba isso. Cara, é muito gay. Tem um guarda-chuvinha rosa em cima dele, mano. Eu não quero beber isso. Mas eu meio que me toco que se eu não tivesse abraçado ela, provavelmente não teria ganho um mojito. Acho que ela está tentando agradecer pelo apoio, ou coisa assim, então serei gentil e beberei. Esse copo é pequeno. Eu quero mais. Gosto pra caramba de rum. Tem muito álcool, apesar de que eu deveria parar com o álcool depois de noite passada. Mas não tem mais nada que possa acontecer, realmente. Eu já casei, perdi uma quantia considerável no jogo, e usei nada mais que uma calça no meu próprio casamento. Então que se foda. Acho que eu vou ao bar pegar uma dose de alguma coisa que não inclua guarda chuvas cor de rosa, cara. E nem nada fofo. Dose dupla de Wisk, parece bom. Quando eu volto com meu copo de wisk, encontro Bianca conversando com as irmãs, sobre alguma coisa qualquer. Eu realmente não me importava, depois de mais umas doses desse wisk, eu não ia nem ouvir mais o que elas tinham pra falar. Acho que eu deixei o celular lá em cima, porra. Vou subir, quero meus fones. Não me importo em avisar, subo as escadas, entro, pego o celular e os fones e desço. Quando eu volto, tem um loiro sentado no MEU lugar, conversando com a MINHA esposa. Quer saber? Que seja, tem uma ruiva bem gostosa no bar. Em cinco minutos, eu estou conversando com a ruiva que se chama Anna. Mas eca, ela tem mau hálito. Acabo só pedindo outro wisk e admirando a paisagem. Eu deveria ter adivinhado que era pra isso que elas vinham a piscina. Eu odeio gente loira, cacete. Eu acho que vou subir. NÃO, VOU FAZER ALGO BEM GREASE. Vou pular na piscina. E aparecer “splashing around”. Perfeito. Vou aparecer e chamá-la de amor, pra espantar aquele loiro seboso da MINHA cadeira. Eu sou posessesivo, mesmo, que se dane. Então eu pulei. Foi o pulo mais bem dado que eu dei na minha vida. Acho que eu molhei até os ossos daquele loiro aguado. E bem, da Bianca e das irmãs dela também. Mas que se dane, eu estava me divertindo. Eu acho que vou ouvir pra caramba mais tarde, mas nem ligo. O loiro me olhou com uma cara feia, e Bianca xingou palavrões que nem eu conhecia. Nota: Não provocá-la muito, ou eu sinto que perderei minhas tripas. Enfim, antes que Mariana e Victória pudessem sequer abrir a boca, Bianca parou de ser gentil e amável com o loiro, e o mandou a merda também. Ele se levantou magoado, e eu nem precisei abrir a boca. Tudo que Bianca disse sobre o loiro, que eu descobri mais tarde que se chamava Petroski, e que era alemão, se resumiu em que o ego dele era gigante e que ela não queria um cara assim. Eu fingi que acreditei, assim como Mariana e Victória. Eu tive meu lugar de volta, peguei meus fones, meu copo, e sentei, vitorioso. Eu conquistei a porra do meu lugar, eu mereço ele. Ou não. À merda com isso.






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