Ainda à Procura
domingo, 26 de fevereiro de 2012
E Só
Estava atrasada para o trabalho, de novo. Vestiu-se com pressa. Correu contra o tempo ao comer uma torrada com manteiga e queijo. Entrou no carro só para perceber que deixou a pasta dentro da casa já trancada. Correu e pegou a pasta. Chegou ao trabalho suada, meio descabelada, e de maquiagem borrada. Trabalhou incansavelmente para reparar o atraso, até abriu mão da hora de almoço. Pelas três da tarde, o trabalho estava totalmente pronto, e podia ir para onde bem entendesse. Assim fez. Saiu de carro para um bar qualquer, desconhecido. Entrou e pediu uma dose de vodka. Bebericando lentamente a bebida amarga, avistou do outro lado do bar um cara sentado sozinho, bebendo. Andou confiante até ele e sentou-se silenciosamente ao seu lado. “Olá.” Ela encarou o copo e depois perscrutou cuidadosamente as feições estupefatas dele. “Oi.” Ele se limitou a dizer, não diminuindo o ar de surpresa. “Está aqui sozinho?” Ele balançou a cabeça positivamente, e como não acrescentou nada, ela resolveu continuar falando. “Cheguei atrasada ao trabalho hoje. O que é uma coisa realmente estúpida de se dizer a uma pessoa desconhecida.” Ele encarou a mesa. “Paulo.” “Como?” “Meu nome é Paulo.” Ela sorriu. “Victoire.” E ele sorriu. Dedicaram alguns minutos a uma conversa totalmente trivial e tomaram mais alguns copos de bebida. Riram. Beberam demais, e acabaram na casa dela, ainda bagunçada pela correria da manhã. Tomaram mais uma dose de vodka puro, cada um. No momento seguinte, estavam seminus. E não precisaram dizer nada mais. No dia seguinte, um sábado, ele foi embora pela manhã, após uma torrada com geléia. Ela voltou a dormir, e percebeu um sapato dele. Como ele saiu sem um sapato? Passou no bar, onde o encontrou pagando a conta do dia anterior. “Eu não tinha seu telefone” E ele sorriu, fazendo uma covinha minúscula na bochecha. Entregou o sapato a ele. “Obrigada.” Saiu do bar, e caminhou até a casa de uma amiga. Riram, passaram o dia conversando e bebericando copos de Martini. Voltou para casa, já sem lembrar do nome de quem dividiu a cama com ela. Transaram, e só.
Eu Te Avisei
Eu te avisei. Se meter comigo, para quê? Agora está pendurada, que nem as outras. Pobrezinha. Eu até tentei avisar, que estar comigo era jantar com o perigo. Numa cega segurança, guiada por um instinto cego como o gume da faca recém amolada que enfiei, inteira, no seu peito. Pobrezinha. Tudo tem que ter um fim, você diz. Interessante como você foi realmente brilhante na afirmação. Você teve um fim. Tentou até gritar. Estamos longe demais para isso, meu amor. Mas de você eu gostava. Gostava mesmo. Até cogitei procurar outra vítima. Arriscado demais. Para mim e para você, não é mesmo? Pena. Hoje vou sair, meu amor. Vou ver pessoas, te arranjar companhia, quem sabe? Você está aí, nesse gancho, imóvel, tão só. Tive que jogar as outras fora, estavam começando a me incomodar com aquele cheiro pungente de cadáver velho. Você entende, não é? Vou apagar as luzes agora, querida. Boa noite.
A Quem Interessar (Ventura)
Coisas sobre a peça:
Soundtrack:
Veja Bem Meu Bem – Los Hermanos
Hysteria – Muse
Wild World – Cat Stevens
Queria colocar também:
Falling Away With You – Muse
Happiness is a Warm Gun – Beatles
Pois é – Los Hermanos
Peça no século 19, se passa no Rio de Janeiro.
Figurino de vestidos longos, blusas sociais e coletes.
Soundtrack:
Veja Bem Meu Bem – Los Hermanos
Hysteria – Muse
Wild World – Cat Stevens
Queria colocar também:
Falling Away With You – Muse
Happiness is a Warm Gun – Beatles
Pois é – Los Hermanos
Peça no século 19, se passa no Rio de Janeiro.
Figurino de vestidos longos, blusas sociais e coletes.
Ventura (Parte 3)
“Letícia atira nos dois, bebe um gole da garrafa e sai, deixando os corpos para trás. Entra Bianca.”
BIANCA: De meretriz, tenho só o dinheiro. Alguém completou o meu trabalho para mim. Com essa, eu não contava. Poupou-me trabalho. Agora é tudo meu. E de Amanda, mas desta, apenas por pouco tempo, por que assim que o veneno da bebida dela agir, tudo será meu. Não foi uma história de amor, a minha. Foi de vingança. Não era história de perdão, não, era história do sofrer. Nem tudo é um mar de rosas. Seja pelo ódio cego ou pela ganância, de que importa? O amor está morto.
“Entra Amanda com a arma de Letícia, e atira em Bianca pelas costas.”
AMANDA: Assim como você, minha irmã.
“Amanda deixa o quarto, e entra Helô”
HELÔ: Isso é a prova que perdição só traz perdição, e sangue só traz sangue. Seja desse que corre em nossas veias, seja desse que corre nas veias alheias. Pobres almas.
“Helô sai, cortinas fecham.”
BIANCA: De meretriz, tenho só o dinheiro. Alguém completou o meu trabalho para mim. Com essa, eu não contava. Poupou-me trabalho. Agora é tudo meu. E de Amanda, mas desta, apenas por pouco tempo, por que assim que o veneno da bebida dela agir, tudo será meu. Não foi uma história de amor, a minha. Foi de vingança. Não era história de perdão, não, era história do sofrer. Nem tudo é um mar de rosas. Seja pelo ódio cego ou pela ganância, de que importa? O amor está morto.
“Entra Amanda com a arma de Letícia, e atira em Bianca pelas costas.”
AMANDA: Assim como você, minha irmã.
“Amanda deixa o quarto, e entra Helô”
HELÔ: Isso é a prova que perdição só traz perdição, e sangue só traz sangue. Seja desse que corre em nossas veias, seja desse que corre nas veias alheias. Pobres almas.
“Helô sai, cortinas fecham.”
Ventura (Parte 2)
ARTUR: Que bagunça. Sinto falta de quando tudo era absolutamente tranqüilo.
“Faz menção de deitar na cama, mas identifica algo. Puxa a caixa, e abre. Tira as cartas de dentro e as abre também.”
ARTUR: QUE SE PASSA NESSA CASA? A perdi. E ela me envergonhou. Mas a perdi, e parece que para sempre.
“Wild World, do Cat Stevens toca, e Artur se debruça sobre a cama, chorando. Se recompõe e sai do quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Eu falei que sempre há o que limpar. Por ora, só o sangue que hão de derramar.
“Helô guarda as cartas na caixa, mas a deixa a mostra. Guarda embaixo da cama, mas opta por deixar em cima da penteadeira, como um alarme. Sai Helô, entram Artur e Brenda. Artur dá um tapa em Brenda.”
ARTUR: MERETRIZ! VAGABUNDA! DESONRASTES MEU NOME, NÃO É? MERECES A MORTE. Mas não a terás, não te preocupes. Sou um homem bom, e misericordioso. Mais misericordioso que Deus, que mandará tua alma ao inferno, como eu deveria estar fazendo! Que o diabo lhe carregue! E fique onde está, não ouse sair daí!
“Artur joga Brenda no chão e estapeia-lhe novamente. Artur sai, e Brenda fica no chão, chorando.”
BRENDA: Tal amor, que deveria ser imaculado, tornou-se apenas perverso como o diabo. Hoje a noite. Tudo acaba hoje a noite.
“Brenda se esgueira para fora do quarto, verificando se Artur foi embora. Entra Helô, com uma xícara de chá.”
HELÔ: Depositar todas as esperanças em um futuro tão incerto não é certo. Mas o que fazer, quando o presente é tão miserável? Pobres almas.
“Deixa o chá na mesa e sai. Entra Bia, sorrateiramente, e se esconde atrás do armário. Entram Tomás e Dani”
TOMÁS: Que linda noite de luar! Bela como teu jovem rosto, minha bela amada.
DANI: Que elogio maravilhoso! Tanta falta tua irei sentir quando partir, meu amor.
“Dani e Tomás se olham por alguns segundos, sorrindo. Bia aparece, saindo de seu esconderijo atrás do armário, munida de um punhal.”
BIA: Meu. Só meu! Não tinha para que se meter, mas já que veio, diga adeus.
“Bia esfaqueia Dani com o punhal, e Tomás assiste, pasmo e divertido”
TOMÁS: Quanto descuido! Helô está em casa, minha mãe está na cozinha.
BIA: Mas precisava ser feito para que fôssemos embora. Agora podemos ir, e deixar tudo isso para o ontem, meu amor.
TOMÁS: Vamos agora, que a calada da noite e sua penumbra cobrem os olhos dos curiosos
“Bia e Tomás saem de cena, de mãos dadas, carregando pelos braços o corpo de Daniela. Entram Guido e Brenda. Brenda senta-se na cama, acompanhada de Guido.”
GUIDO: Amo-te como um bicho, amor. Mas o que fazer? Que faremos?
BRENDA: Fugir. Hoje. Encontre-me aqui em duas horas.
“Trocaram um beijo sôfrego de despedida e Guido sai. Brenda arruma uma maleta cheia dos seus principais pertences e a esconde dentro do armário. Brenda sai, entram Bianca e Helô”
BIANCA: Sim, eu sei que é errado. Mas estarei fazendo um favor a ele, e a essa família, destruída. Imagina o que vão pensar? A esposa traiu o marido com o amigo! Inaceitável. Estarei fazendo o favor de não deixar que ele lide com tais problemas.
HELÔ: Um favor...
“Helô suspira e Bianca agarra seus punhos com certa força e descontrole”
BIANCA: Faça o que mando. Jure que fará o que mando.
HELÔ: Farei o que mandas, senhorita. Mas alguns segredos jamais devem vir a tona.
BIANCA: E o que sabes? NADA! Saia daqui. Vá embora fazer o teu trabalho e pare de ficar balbuciando sozinha asneiras. Quando ele tomar um gole disso, nem vai saber o que lhe atingiu. Nunca mais.
“Bianca pinga duas gotas de veneno no café e ela e Helô saem. Entra Artur. Já esquecido do que tinha avisado a Brenda, sentou-se na penteadeira a balbuciar.”
ARTUR: Tudo de cabeça para baixo! Um lar destruído. Repleto de meretrizes.
“Toma um gole do chá da penteadeira. Sente-se tonto, levanta e cai morto. Entram Bianca e Helô, e levam o corpo para fora. Entram Guido e Brenda”
GUIDO: Está pronta? Minha maleta está do lado de fora, escondida no arbusto. Vamos, antes que o tempo acabe e teu marido volte.
BRENDA: Sim, aqui está minha maleta. Vamos.
“Enquanto Brenda tirava a maleta, apareceu Letícia, visivelmente embriagada, segurando uma garrafa de wisk na mão esquerda e uma arma na direita.”
LETICIA: Não há motivo para a pressa. Meu marido, terás todo o tempo do mundo. Assim que eu completar o que eu tenho que fazer. Por onde começar? Tuas filhas, todas umas meretrizes arrogantes, teu marido, um completo torpe, e quanto a ti, uma encarnação do pecado. Todos me magoando e se magoando. Todos querendo ver alguém infeliz, quem sabe um pouco de sangue. Me magoaram. Me chutaram. Mas não mais. Eis o sangue que queriam.
“Faz menção de deitar na cama, mas identifica algo. Puxa a caixa, e abre. Tira as cartas de dentro e as abre também.”
ARTUR: QUE SE PASSA NESSA CASA? A perdi. E ela me envergonhou. Mas a perdi, e parece que para sempre.
“Wild World, do Cat Stevens toca, e Artur se debruça sobre a cama, chorando. Se recompõe e sai do quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Eu falei que sempre há o que limpar. Por ora, só o sangue que hão de derramar.
“Helô guarda as cartas na caixa, mas a deixa a mostra. Guarda embaixo da cama, mas opta por deixar em cima da penteadeira, como um alarme. Sai Helô, entram Artur e Brenda. Artur dá um tapa em Brenda.”
ARTUR: MERETRIZ! VAGABUNDA! DESONRASTES MEU NOME, NÃO É? MERECES A MORTE. Mas não a terás, não te preocupes. Sou um homem bom, e misericordioso. Mais misericordioso que Deus, que mandará tua alma ao inferno, como eu deveria estar fazendo! Que o diabo lhe carregue! E fique onde está, não ouse sair daí!
“Artur joga Brenda no chão e estapeia-lhe novamente. Artur sai, e Brenda fica no chão, chorando.”
BRENDA: Tal amor, que deveria ser imaculado, tornou-se apenas perverso como o diabo. Hoje a noite. Tudo acaba hoje a noite.
“Brenda se esgueira para fora do quarto, verificando se Artur foi embora. Entra Helô, com uma xícara de chá.”
HELÔ: Depositar todas as esperanças em um futuro tão incerto não é certo. Mas o que fazer, quando o presente é tão miserável? Pobres almas.
“Deixa o chá na mesa e sai. Entra Bia, sorrateiramente, e se esconde atrás do armário. Entram Tomás e Dani”
TOMÁS: Que linda noite de luar! Bela como teu jovem rosto, minha bela amada.
DANI: Que elogio maravilhoso! Tanta falta tua irei sentir quando partir, meu amor.
“Dani e Tomás se olham por alguns segundos, sorrindo. Bia aparece, saindo de seu esconderijo atrás do armário, munida de um punhal.”
BIA: Meu. Só meu! Não tinha para que se meter, mas já que veio, diga adeus.
“Bia esfaqueia Dani com o punhal, e Tomás assiste, pasmo e divertido”
TOMÁS: Quanto descuido! Helô está em casa, minha mãe está na cozinha.
BIA: Mas precisava ser feito para que fôssemos embora. Agora podemos ir, e deixar tudo isso para o ontem, meu amor.
TOMÁS: Vamos agora, que a calada da noite e sua penumbra cobrem os olhos dos curiosos
“Bia e Tomás saem de cena, de mãos dadas, carregando pelos braços o corpo de Daniela. Entram Guido e Brenda. Brenda senta-se na cama, acompanhada de Guido.”
GUIDO: Amo-te como um bicho, amor. Mas o que fazer? Que faremos?
BRENDA: Fugir. Hoje. Encontre-me aqui em duas horas.
“Trocaram um beijo sôfrego de despedida e Guido sai. Brenda arruma uma maleta cheia dos seus principais pertences e a esconde dentro do armário. Brenda sai, entram Bianca e Helô”
BIANCA: Sim, eu sei que é errado. Mas estarei fazendo um favor a ele, e a essa família, destruída. Imagina o que vão pensar? A esposa traiu o marido com o amigo! Inaceitável. Estarei fazendo o favor de não deixar que ele lide com tais problemas.
HELÔ: Um favor...
“Helô suspira e Bianca agarra seus punhos com certa força e descontrole”
BIANCA: Faça o que mando. Jure que fará o que mando.
HELÔ: Farei o que mandas, senhorita. Mas alguns segredos jamais devem vir a tona.
BIANCA: E o que sabes? NADA! Saia daqui. Vá embora fazer o teu trabalho e pare de ficar balbuciando sozinha asneiras. Quando ele tomar um gole disso, nem vai saber o que lhe atingiu. Nunca mais.
“Bianca pinga duas gotas de veneno no café e ela e Helô saem. Entra Artur. Já esquecido do que tinha avisado a Brenda, sentou-se na penteadeira a balbuciar.”
ARTUR: Tudo de cabeça para baixo! Um lar destruído. Repleto de meretrizes.
“Toma um gole do chá da penteadeira. Sente-se tonto, levanta e cai morto. Entram Bianca e Helô, e levam o corpo para fora. Entram Guido e Brenda”
GUIDO: Está pronta? Minha maleta está do lado de fora, escondida no arbusto. Vamos, antes que o tempo acabe e teu marido volte.
BRENDA: Sim, aqui está minha maleta. Vamos.
“Enquanto Brenda tirava a maleta, apareceu Letícia, visivelmente embriagada, segurando uma garrafa de wisk na mão esquerda e uma arma na direita.”
LETICIA: Não há motivo para a pressa. Meu marido, terás todo o tempo do mundo. Assim que eu completar o que eu tenho que fazer. Por onde começar? Tuas filhas, todas umas meretrizes arrogantes, teu marido, um completo torpe, e quanto a ti, uma encarnação do pecado. Todos me magoando e se magoando. Todos querendo ver alguém infeliz, quem sabe um pouco de sangue. Me magoaram. Me chutaram. Mas não mais. Eis o sangue que queriam.
Ventura (Parte 1)
“Som de tapa seguido de um longo e sofrido suspiro. Cortinas abrem, Brenda caída no chão.”
BRENDA: Do meu pranto, veio a lágrima. Da lágrima, verteu o sofrer. Qual diferente sina me aguarda? Hei de contar-lhes minha história, hei de vencer o porvir. O futuro, tão incerto, mas quem sabe menos sofrido que o presente viver.
“Brenda sai, entra Artur”
ARTUR: Que fúnebre entardecer. O objeto que me desperta fúria é o mesmo que me desperta o amor. Que hei de fazer? Pobre de mim, que amo, mas não sei fazê-lo.
“Anda até a cama, onde encontra uma camisola antiga de Brenda. Pega a camisola e a abraça”
ARTUR: Minha amada! Que saudades guardo de ti, no meu pequeno coração. Pobre de mim, pobre de ti.
“Sai Artur, deixando a camisola em cima da penteadeira. Entra Helô”
HELÔ: Sempre há o que se arrumar! Só discutem, sempre há um pormenor! Vinte anos vivendo sob os mesmos fantasmas. Tenha piedade, Deus.
“Helô dobra a camisola e deposita em cima do travesseiro. Sai Helô. Entram Tomás e Bia”
TOMÁS: Vossa pele é tão formosa, tanto quanto teu sorriso. Por que não podes ser minha?
BIA: Teu amor é tão puro, amor, mas veja bem, arranjei alguém chamado saudade.
“Toca Veja Bem Meu Bem, Los Hermanos. Bia e Tomás dançam. Sai Bia, entra Dani”
DANI: Meu bem, que saudades. Senti tanto a tua falta nas noites gélidas de inverno, por mais que seja amor prometido, não é amor forçado, é amor conquistado!
TOMÁS: Minha linda! Como posso expressar em palavras um sentimento tão abstrato? Como posso comparar-te apenas a amor, quando que sinto vai muito além?
“Entra Bia abruptamente, estupefata.”
BIA: Como se atreve? Chegar aqui e tomar meu homem para si? Quem imaginas ser?
“Dani levanta e fica em pé na frente de Bia.”
DANI: Quem pensas que é? De onde tirastes tal idéia?
“Bia e Dani olham simultaneamente para Tomás, que assiste a tudo em pé.”
BIA: Este homem prometeu-me amor! E tu tirou-o de mim. Por mais que eu saiba que não posso tê-lo, e por mais que sejas rica, lutarei. E lutarei até o fim.
“Dança por Tomás ao som de Hysteria, Muse. Termina com a saída de ambas, sem uma vencedora definitiva. Tomás sai e volta Bia.”
BIA: Teu fim vai chegar, mais cedo do que podes imaginar. No coração dele não deve haver lugar para mais de uma. Na noite de hoje, terá uma surpresa.
“Entram Amanda e Bianca, conversando”
BIANCA: Parece a mim que escutei Tomás e duas outras mulheres por aqui.
“Bianca senta na penteadeira e começa a escovar o cabelo. Amanda senta na cama, inquieta.”
AMANDA: Devo confessar que não ficaria surpresa se encontrasse aquela Bia por aqui.
“Puxa uma caixa debaixo da cama.”
BIANCA: Não vejo nada de errado com ela, não sei com que tanto insiste em implicar. É daquela Dani que não gosto. Que escolha absurda para noivar Tomás. A ele também não agrada.
“Bianca prende o cabelo em um coque apertado, e vira para Amanda.”
AMANDA: Dê uma olhada nessas cartas... Parecem cartas de amor. São tuas?
“Bianca toma uma das cartas, e lê para si”
BIANCA: Não, claro que não. Esta caligrafia é de nossa mãe. Mas esta não parece ser de nosso pai.
“Amanda examina a caligrafia fina da outra carta.”
AMANDA: Esta caligrafia não me é estranha. Só não consigo lembrar-me onde a vi... JÁ SEI! É a caligrafia de Guido, o dono do banco! Amigo de papai, trocaram cartas durante anos. Mas achei que ele estivesse fora... Sua mulher sempre está só, e papai reclama constantemente que ele não anda fazendo nossa contabilidade...
“Bianca levanta, impaciente.”
BIANCA: Óbvio. Ele é o motivo da cantoria da minha mãe. Aposto que ele está fora da cidade, assim podem se encontrar livremente!
“Ouvem da cozinha gritos”
BRENDA: AMANDA! BIANCA! AONDE ESTÃO?
“Amanda guarda de maneira desajeitada a caixa embaixo da cama, e uma ponta fica de fora, quase imperceptivelmente e Bianca e Amanda deixam o quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Enganados em pensar que tudo vai se resolver. Sempre hão que limpar e o que ajeitar, principalmente quando se trata dos nossos próprios fantasmas.
“Helô varre o chão e sai do quarto. Entra Artur.”
BRENDA: Do meu pranto, veio a lágrima. Da lágrima, verteu o sofrer. Qual diferente sina me aguarda? Hei de contar-lhes minha história, hei de vencer o porvir. O futuro, tão incerto, mas quem sabe menos sofrido que o presente viver.
“Brenda sai, entra Artur”
ARTUR: Que fúnebre entardecer. O objeto que me desperta fúria é o mesmo que me desperta o amor. Que hei de fazer? Pobre de mim, que amo, mas não sei fazê-lo.
“Anda até a cama, onde encontra uma camisola antiga de Brenda. Pega a camisola e a abraça”
ARTUR: Minha amada! Que saudades guardo de ti, no meu pequeno coração. Pobre de mim, pobre de ti.
“Sai Artur, deixando a camisola em cima da penteadeira. Entra Helô”
HELÔ: Sempre há o que se arrumar! Só discutem, sempre há um pormenor! Vinte anos vivendo sob os mesmos fantasmas. Tenha piedade, Deus.
“Helô dobra a camisola e deposita em cima do travesseiro. Sai Helô. Entram Tomás e Bia”
TOMÁS: Vossa pele é tão formosa, tanto quanto teu sorriso. Por que não podes ser minha?
BIA: Teu amor é tão puro, amor, mas veja bem, arranjei alguém chamado saudade.
“Toca Veja Bem Meu Bem, Los Hermanos. Bia e Tomás dançam. Sai Bia, entra Dani”
DANI: Meu bem, que saudades. Senti tanto a tua falta nas noites gélidas de inverno, por mais que seja amor prometido, não é amor forçado, é amor conquistado!
TOMÁS: Minha linda! Como posso expressar em palavras um sentimento tão abstrato? Como posso comparar-te apenas a amor, quando que sinto vai muito além?
“Entra Bia abruptamente, estupefata.”
BIA: Como se atreve? Chegar aqui e tomar meu homem para si? Quem imaginas ser?
“Dani levanta e fica em pé na frente de Bia.”
DANI: Quem pensas que é? De onde tirastes tal idéia?
“Bia e Dani olham simultaneamente para Tomás, que assiste a tudo em pé.”
BIA: Este homem prometeu-me amor! E tu tirou-o de mim. Por mais que eu saiba que não posso tê-lo, e por mais que sejas rica, lutarei. E lutarei até o fim.
“Dança por Tomás ao som de Hysteria, Muse. Termina com a saída de ambas, sem uma vencedora definitiva. Tomás sai e volta Bia.”
BIA: Teu fim vai chegar, mais cedo do que podes imaginar. No coração dele não deve haver lugar para mais de uma. Na noite de hoje, terá uma surpresa.
“Entram Amanda e Bianca, conversando”
BIANCA: Parece a mim que escutei Tomás e duas outras mulheres por aqui.
“Bianca senta na penteadeira e começa a escovar o cabelo. Amanda senta na cama, inquieta.”
AMANDA: Devo confessar que não ficaria surpresa se encontrasse aquela Bia por aqui.
“Puxa uma caixa debaixo da cama.”
BIANCA: Não vejo nada de errado com ela, não sei com que tanto insiste em implicar. É daquela Dani que não gosto. Que escolha absurda para noivar Tomás. A ele também não agrada.
“Bianca prende o cabelo em um coque apertado, e vira para Amanda.”
AMANDA: Dê uma olhada nessas cartas... Parecem cartas de amor. São tuas?
“Bianca toma uma das cartas, e lê para si”
BIANCA: Não, claro que não. Esta caligrafia é de nossa mãe. Mas esta não parece ser de nosso pai.
“Amanda examina a caligrafia fina da outra carta.”
AMANDA: Esta caligrafia não me é estranha. Só não consigo lembrar-me onde a vi... JÁ SEI! É a caligrafia de Guido, o dono do banco! Amigo de papai, trocaram cartas durante anos. Mas achei que ele estivesse fora... Sua mulher sempre está só, e papai reclama constantemente que ele não anda fazendo nossa contabilidade...
“Bianca levanta, impaciente.”
BIANCA: Óbvio. Ele é o motivo da cantoria da minha mãe. Aposto que ele está fora da cidade, assim podem se encontrar livremente!
“Ouvem da cozinha gritos”
BRENDA: AMANDA! BIANCA! AONDE ESTÃO?
“Amanda guarda de maneira desajeitada a caixa embaixo da cama, e uma ponta fica de fora, quase imperceptivelmente e Bianca e Amanda deixam o quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Enganados em pensar que tudo vai se resolver. Sempre hão que limpar e o que ajeitar, principalmente quando se trata dos nossos próprios fantasmas.
“Helô varre o chão e sai do quarto. Entra Artur.”
Peça Romântica
Eu tenho essa peça romântica, que eu escrevi. Vou postar ela aqui, em duas partes. Vai mess up um pouco com a estética, mas... Foda-se hihi. Não é como se as pessoas realmente lessem isso aqui.
Três Histórias
“For you I bleed myself dry”
O dia estava amanhecendo. Dava pra ver a mudança, as estrelas sumindo vagarosamente e dando lugar para os tímidos raios de sol da manhã. Ela assistia tudo da janela do seu quarto, deitada na cama de solteiro, que dividia com um garoto. Garoto cujo coração batia rápido sempre que ela passava suas unhas pelo seu rosto, ou pelo seu peito. Garoto cujo coração batia normalmente, quase parando, quando ela se virava de costas. De uma forma incompreensível, ficavam lá. Dormindo e acordando, quase que em sincronia. Da maneira que era, deveria continuar. Amigos. E sempre seriam. Na porta, sem bater, de forma simples, entra outra pessoa. Que desvia sua atenção. Não totalmente. O segundo sol.
“estamos todos bêbados, bêbados de cair.”
Eu nunca fiz oral.
Eu nunca usei sutiã.
Eu nunca acordei com uma ereção.
Eu já fiz oral.
Eu já fiquei bêbado.
Perdida, tal juventude. Mas não mais do que a anterior. Sexo, cigarros, bebida, risadas. O amanhã está próximo demais pra não aproveitar o hoje. E o hoje já foi longe, não mais tão longo. Todos juntos. Se pelo menos, fosse pra sempre. Mas o pra sempre está longe de ser opção viável. Alto teor alcóolico, e tanto pra comemorar, pra rir, e viver. Mesmo assim, a saudade aperta o peito. Mais uma dose? É claro que eu tô afim.
“tira essa bermuda que eu quero você sério”
Na minha casa. Ele já visitou minha casa. E meu quarto. De maneira tão casual. E nada casual, pra mim. Será que aquele olhar significou mais do que é? Parece que ele está me evitando. E mesmo assim, ainda sorrio. Ainda tenho minhas fichas. E vou apostá-las todas. Por que eu travo quando você tá aqui? Nenhuma coisa que pareça minimamente decente sai da minha boca, apesar de pensar e tentar programar dentro da minha cabeça todos os nossos momentos. E você vira o bêbado vulnerável. Eu quero um beijo. Eu quero milhares de beijos. Teus milhares de beijos, acertando meus pecados. Teus, tua.
O dia estava amanhecendo. Dava pra ver a mudança, as estrelas sumindo vagarosamente e dando lugar para os tímidos raios de sol da manhã. Ela assistia tudo da janela do seu quarto, deitada na cama de solteiro, que dividia com um garoto. Garoto cujo coração batia rápido sempre que ela passava suas unhas pelo seu rosto, ou pelo seu peito. Garoto cujo coração batia normalmente, quase parando, quando ela se virava de costas. De uma forma incompreensível, ficavam lá. Dormindo e acordando, quase que em sincronia. Da maneira que era, deveria continuar. Amigos. E sempre seriam. Na porta, sem bater, de forma simples, entra outra pessoa. Que desvia sua atenção. Não totalmente. O segundo sol.
“estamos todos bêbados, bêbados de cair.”
Eu nunca fiz oral.
Eu nunca usei sutiã.
Eu nunca acordei com uma ereção.
Eu já fiz oral.
Eu já fiquei bêbado.
Perdida, tal juventude. Mas não mais do que a anterior. Sexo, cigarros, bebida, risadas. O amanhã está próximo demais pra não aproveitar o hoje. E o hoje já foi longe, não mais tão longo. Todos juntos. Se pelo menos, fosse pra sempre. Mas o pra sempre está longe de ser opção viável. Alto teor alcóolico, e tanto pra comemorar, pra rir, e viver. Mesmo assim, a saudade aperta o peito. Mais uma dose? É claro que eu tô afim.
“tira essa bermuda que eu quero você sério”
Na minha casa. Ele já visitou minha casa. E meu quarto. De maneira tão casual. E nada casual, pra mim. Será que aquele olhar significou mais do que é? Parece que ele está me evitando. E mesmo assim, ainda sorrio. Ainda tenho minhas fichas. E vou apostá-las todas. Por que eu travo quando você tá aqui? Nenhuma coisa que pareça minimamente decente sai da minha boca, apesar de pensar e tentar programar dentro da minha cabeça todos os nossos momentos. E você vira o bêbado vulnerável. Eu quero um beijo. Eu quero milhares de beijos. Teus milhares de beijos, acertando meus pecados. Teus, tua.
Deixa Eu Brincar de Ser Feliz
Esfreguei os olhos sofregamente. O sol entrava sorrateiro pela janela entreaberta. A maquiagem do dia anterior estava borrada por toda a face, o batom vermelho manchou o travesseiro, o lápis e o delineador igualmente negros mancharam os lençóis quando ela limpou os olhos neles. Levantou apenas para constatar que era segunda, e que não tinha nenhum motivo para acordar. Escola? Aula? Preferia ficar dormindo, quem sabe para sempre. As lágrimas da noite anterior ainda estavam em mente, a bebida ainda causava dor de cabeça. Vestiu-se mecanicamente. Prendeu o cabelo, lavou o rosto, tomou banho, escovou os dentes, entrou no carro e voltou a dormir. Entorpecida dela mesmo, sob o efeito de uma droga nova, que nem ela sabia dizer qual. Vários meses haviam se passado desde que um cigarro tocara a boca dela pela última vez. Chegando no grande prédio branco e laranja, voltou para o preto. Apesar do uniforme, se destacava. Cabelos negros, cortados curtos. Totalmente maquiada. Dirigiu seu corpo meio morto até a cadeira. Bastava de sê-lo. Levantou abruptamente até o banheiro. Tirou a maquiagem, soltou o cabelo, e se fantasiou de outra pessoa, para ninguém ver.
My Soul
Me dei conta de que a pasta onde eu guardo todas as minhas pequenas auto biografias, meus textos, que são auto explicativos sobre mim. E essa pasta se chama "My Soul". É minha alma que eu coloco naquilo que eu amo, no caso, escrever. Pedacinhos de mim estão por todas as páginas desse blog. Pedacinhos antigos e novos. Enjoy.
Pra Vocês Guardei o Amor
Eu não faço nem ideia de como começar isso. Posso começar dizendo todas aquelas coisas clichês, por não ter mesmo o que falar, mas querer falar mesmo assim? Querer dar aquele abraço apertado? Querer voltar correndo pro colo, chorar e pedir pra não irem embora da minha vida nunca? Hoje eu parei pra organizar as minhas pastas de tudo. E, como eu sempre faço, eu parei pra ler os textos, olhar as fotos, ouvir as músicas... E vi todas as fotos que a gente tirou nas férias. Me lembraram dos momentos que a gente passou nas férias. E como foram as melhores da minha vida, sem dúvida. Estou sendo,com toda certeza, grudenta. Mas é que eu gosto tanto de vocês, e tô com tanto medo das mudanças, que eu não consigo evitar. Mesmo que, em diversas situações, eu tenha querido sair distribuindo socos, provocados, obviamente, por vocês. Me dei conta, que só pra escrever esse pedacinho de texto, eu já levei quase quarenta minutos. É difícil falar da gente e não chorar. Chorar de alegria, e ao mesmo tempo, de tristeza. Eu vou sentir tanta falta. Esse texto é só um apelo pra que vossas senhorias se lembrem do quanto eu amo vocês. E do quanto vão apanhar se me esquecerem, combinado? O lance aqui em casa, o lual de Lola, os rolés na casa de João, o midway, o piquenique, os churrascos, todas essas coisas que a gente fez, não só nessas férias, mas no dia-a-dia. As "reuniões" na ponte, a troca bonita de xingamentos, a bebedeira do gordo, os jogos de Eu Nunca (com bebida ou não), os filmes, os almoços no midway. Nossas pequenas aventuras. Pensem nisso, vejam as fotos. E me deem muitos abraços na segunda, ok? Sintam-se infinitamente amados, agora, seus lindos. I'll miss the good old days.
E, só pra não perder o hábito, quem é a pedófilo, mesmo?
It Could Be Wrong
De melancolia, me chega. De tanto chorar, algum dia seca. Se levar a saudade, já basta. Besteira qualquer, nem choro mais. Que evento merecedor de tal mudança tão drástica podia ter o poder de mudar pra sempre o que ela entendia por sentimento. Com o coração duro como uma pedra de sal, suspirou. Com tal profundidade, acabou por sentir o interior. Sentir aquela enorme necessidade de externar emoções, pela perdida que era. Que as temporadas começassem, que ela começasse. Essa dança misteriosa do destino a fez perde-se nela mesma. Aparentemente, era possível se afogar em si. Sentou no canto do quarto e chorou. Lágrimas provenientes do seu coração salobro. E com uma pontada de desespero, deitou-se no chão, a pensar sobre o que ia fazer dali pra frente. Como ia ser? A escolha era ser ou mudar? A escolha era estar satisfeita. E se não estivesse, não é como se no fim tivesse escolha.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Piña Coladas
Eu estava na janela, olhando pra o mar, bebendo uma piña colada e aproveitando a nesga de sol que entrava naquele bar a beira do mar. E minha namorada estava sentada naqueles banquinhos altos, conversando com o bartender. Eu não me importo. Ela resolveu ir pra casa, de táxi, e eu fiquei. Depois de umas outras duas taças de champagne e uma piña colada, eu voltei pra casa. Foda-se se eu não estava no estado de dirigir.
O sol tinha se posto, e eu estava no sofá, lendo um livro incrivelmente chato. Larguei-o na poltrona e fui ver o quarto. Ela estava dormindo um sono pesado. Levantei as sobrancelhas. O relacionamento estava tão desgastado que eu preferi deixar pra lá o convite pra ir jantar no restaurante japônes. Ela provavelmente só ia resmungar e virar pra o outro lado. Voltei pra o sofá. Achei um jornal, do dia que estávamos.
Curioso. Sempre achei aqueles anúncios pessoais engraçados e interessantes. E, de fato, achei um que me encantou.
"Se você gosta de Piña Coladas,
Se você gosta de ser pego pela chuva,
se você não gosta de yoga,
se você tem metade do cérebro.
Se você gosta de fazer amor a meia noite nas dunas do cabo,
Eu sou o amor que você está procurando,
Escreva pra mim e nós escaparemos."
Encantei-me indescritivelmente e resolvi responder o anúncio, apesar de não ser nenhum poeta.
"Sim, eu gosto de piña colada,
E de ser pego pela chuva,
Eu não gosto muito de comida saudável,
Mas eu gosto de Champagne.
Eu vou me encontrar com você ao meio dia,
Em um bar chamado O'Malley,
Onde a gente pode planejar nossa fuga."
Não pensei muito na minha namorada, a mesma que estava deitada na nossa cama e estava comigo por sete anos inteiros. Dane-se. Eu estava começando a ficar fatigado dela.Mandei a carta. Comi um jantar rápido, qualquer coisa que encontrei na geladeira. Dormi no sofá, por não estar com vontade de partilhar a cama de outra pessoa que não fosse a interessante pessoa do anúncio do jornal. Acordei depressa, ainda as oito e meia da manhã. Tomei banho, vesti-me, comi, e fui pra o O'malley, cedo. Onze e meia, eu já estava apreensivo. E que surpresa que eu tive: Era ela. Minha namorada. Entrou no bar confiante, sorrindo, interessada e maquiada, de um modo que eu não a via há tanto. Ela sentou na mesa que o garçom indicou. E, que surpresa: Era a minha. Eu marquei um encontro as cegas com a minha namorada. Enquanto ela podia ter achado totalmente traiçoeiro da minha parte, achou engraçado. E eu também. Então, finalmente, planejamos nossa fuga e fizemos amor a meia noite nas dunas do cabo.
O sol tinha se posto, e eu estava no sofá, lendo um livro incrivelmente chato. Larguei-o na poltrona e fui ver o quarto. Ela estava dormindo um sono pesado. Levantei as sobrancelhas. O relacionamento estava tão desgastado que eu preferi deixar pra lá o convite pra ir jantar no restaurante japônes. Ela provavelmente só ia resmungar e virar pra o outro lado. Voltei pra o sofá. Achei um jornal, do dia que estávamos.
Curioso. Sempre achei aqueles anúncios pessoais engraçados e interessantes. E, de fato, achei um que me encantou.
"Se você gosta de Piña Coladas,
Se você gosta de ser pego pela chuva,
se você não gosta de yoga,
se você tem metade do cérebro.
Se você gosta de fazer amor a meia noite nas dunas do cabo,
Eu sou o amor que você está procurando,
Escreva pra mim e nós escaparemos."
Encantei-me indescritivelmente e resolvi responder o anúncio, apesar de não ser nenhum poeta.
"Sim, eu gosto de piña colada,
E de ser pego pela chuva,
Eu não gosto muito de comida saudável,
Mas eu gosto de Champagne.
Eu vou me encontrar com você ao meio dia,
Em um bar chamado O'Malley,
Onde a gente pode planejar nossa fuga."
Não pensei muito na minha namorada, a mesma que estava deitada na nossa cama e estava comigo por sete anos inteiros. Dane-se. Eu estava começando a ficar fatigado dela.Mandei a carta. Comi um jantar rápido, qualquer coisa que encontrei na geladeira. Dormi no sofá, por não estar com vontade de partilhar a cama de outra pessoa que não fosse a interessante pessoa do anúncio do jornal. Acordei depressa, ainda as oito e meia da manhã. Tomei banho, vesti-me, comi, e fui pra o O'malley, cedo. Onze e meia, eu já estava apreensivo. E que surpresa que eu tive: Era ela. Minha namorada. Entrou no bar confiante, sorrindo, interessada e maquiada, de um modo que eu não a via há tanto. Ela sentou na mesa que o garçom indicou. E, que surpresa: Era a minha. Eu marquei um encontro as cegas com a minha namorada. Enquanto ela podia ter achado totalmente traiçoeiro da minha parte, achou engraçado. E eu também. Então, finalmente, planejamos nossa fuga e fizemos amor a meia noite nas dunas do cabo.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Beijo de Filme
Seis da manhã. Despertador toca. Levanta da cama. Abre as cortinas e dá de cara com um tempo nublado. Balança o marido. Sai do quarto. Vai no outro quarto. Balança Amy. Balança Jamie. Anda até a sala. Senta no sofá cinza escuro. Respira fundo. Levanta. Vai até o banheiro. Penteia o cabelo. Veste um sutiã, uma calcinha, aplica base, lápis, e um batom vermelho. Vai até o quarto só de lingerie e maquiagem. Balança de novo o marido. Entra no closet. Fica em dúvida entre a saia preta e a roxa. Opta pela roxa. Coloca uma blusa branca de manga comprida, com botões. Vai até o quarto de Amy e Jamie. Faz cócegas nas duas para que acordem. Elas acordam e vão para o banheiro. Ela entra no próprio quarto, e ainda sim, dá de cara com o marido dormindo. Coloca o despertador para dali a vinte minutos, e calça suas botas. Vai para a cozinha e prepara duas vasilhas de cereal com leite. Amy e Jamie sentam na mesa, comem, e calçam os sapatos. Ela come uma torrada com manteiga e toma chá de erva cidreira. Leva as meninas para a escola, bem a tempo de escutar o despertador tocando e a irritação matinal do marido. Coloca o cinto dela. Amy tem sete anos, e Jamie tem nove. Amy está com sua Barbie nova, enquanto Jamie alega ser velha demais para bonecas. Deixa as meninas na escola, as sete e meia da manhã, como sempre. Cedo para a aula começar, mas não cedo demais. Hoje era seu dia de folga, não precisaria trabalhar. Era o dia que, religiosamente, ia ao mercado. Estacionou o carro no mercado, bem perto da porta, para poder evitar ter que passar muito tempo no frio que estava lá fora. Pegou seu trent coat preto e saiu. No corredor quatro, o corredor de legumes, notou uma pessoa que nunca tinha notado antes. E que, mesmo assim, lhe parecia extremamente familiar. Tinha cabelos desleixadamente despenteados. Olhos pretos. Cabelos pretos. Um carrinho lotado de coisas necessárias para quem quer que fosse, tivesse família ou não. Pele pálida. Estava escolhendo tomates. Não podia ser quem ela pensava que podia ser. Aproximou-se dele, abandonando o carrinho com sua bolsa, seu casaco e suas compras do outro lado do corredor. “Com licença”, ela disse, e tocou levemente no ombro protegido por uma jaqueta de couro dele. Automaticamente, virou-se para vê-la, o que a fez corar. “Acho que te conheço de algum lugar. Por acaso você freqüentou o colégio no Rio de Janeiro, Brasil?” Ele parecia meio inseguro em responder, e apenas acenou positivamente com a cabeça. “Eu estudei no Bahiense.” Ela arregalou os olhos e arriscou “Keith?” Ele acenou com a cabeça. “Haley?” Ela, por sua vez, acenou a cabeça também. “Eu não acredito que nos encontramos por aqui. Podemos falar português? Esse alemão me irrita, um pouco.” Ela sorriu, o que ele entendeu como uma afirmativa. “O que te trouxe aqui?” Ela apontou para o carrinho lotado de compras do outro lado do corredor e eles riram. “Vejo que você não mudou muita coisa.” Ele sorriu. Ela corou. “Vamos fazer que nem a gente fazia com quinze anos? Responder tudo que a gente acha que o outro vai perguntar?” Ela assentiu. “Eu tenho duas filhas, moro a três quarteirões daqui, casei com um cara alemão, moro aqui fazem quatro anos e detesto quando neva demais e eu não posso ir ao trabalho nem a lugar algum” Ele, por sua vez, começou. “Eu tenho um filho, moro nessa rua, trabalho como engenheiro, tenho minha banda nas horas vagas, minha esposa é alemã, mas viveu a vida quase toda no Brasil, então voltamos para cá mês passado. Também detesto quando neva demais.” Eles sorriram. “Posso te dar um abraço?” Ele não respondeu, e ela apenas o abraçou pelo que pareceram horas. “Quer sair pra tomar um café? Eu estou de carro, deixa só terminar as compras.” Ele sorriu. “Por mim, tudo em cima. A gente pode passar lá em casa, antes? Pra poder deixar as compras por lá e tal.” Ela acenou negativamente com a cabeça, e depois fez que sim. “Sempre o mesmo folgado babaca, não é mesmo?” Ele fez um sinal positivo com a mão. “Sempre.” Encontraram-se no caixa, e rumaram para a casa dele. “Essa é a minha casa, a verde.” Foram escutando The Strokes no volume máximo, e rindo descontroladamente de coisas que aconteceram quando eles tinham, respectivamente, quinze e 16 anos. Eles abriram a porta com violência, ainda rindo alto. Deram de cara com a esposa dele, com um jeito meio infeliz. “Ah, Haley, essa é minha esposa, Jackie.” A esposa dele forçou um sorriso. Elas não tiveram contato ocular por muito tempo: “Quem é essa, Keith, querido? É aquela Haley que você tanto fala?” Ela corou. A esposa não se importou. “Ela mesma. Acredita que Haley e o marido dela estão morando a três quarteirões daqui?” A esposa torceu o rosto um pouco. Era bonita. Tinha um cabelo muito loiro, olhos muito azuis, pele muito branca, corpo muito magro, sorriso muito aberto, dentes muito brancos. Era a mulher alemã perfeita. Haley levantou a sobrancelha para ela. “Então, vocês vão ficar pra um café ou pretendem fazer algo mais?” A esposa parecia meio exasperada. “O que você acha, Hay?” Ele olhou esperançoso para ela. “O que você achar melhor.” A esposa piscou os olhos meio nervosamente. “Eu vou sair para a farmácia. Fiquem a vontade.” E saiu batendo a porta. “Meio nervosa, ela?” Ela encarou a porta. “Nem sempre. Só quando brasileiras bonitas aparecem aqui em casa.” Os dois sorriram. “Pare com isso.” Ele foi até a cozinha, e de lá trouxe uma lata de leite condensado. “PUTA QUE PARIU, NÃO ACREDITO NISSO. EU NÃO COMO ESSE LANCE DESDE QUE EU CHEGUEI AQUI.” Abriram a lata, comeram de colher, e viram perfis antigos no Orkut de pessoas antes conhecidas, mas há muito esquecidas. Lembraram de coisas antigas, de bobagem hoje sem sentido, de coisas perdidas no tempo, de amor, de tristeza, dela, dele. E riram. Passaram a tarde imersos em nostalgia, falando português e lembrando da vida como ela deveria ser, de como ela poderia ser. “Sabe que eu nunca te esqueci direito? Só, bem, quando eu casei com o meu marido.” Ela virou o rosto. “Eu nem quando me casei com a minha esposa” E ela, de repente, levantou-se abruptamente do sofá. “Me diz, se não me esqueceu, por que você terminou?” Ele ficou sem palavras. “Eu... Não sei.” Ela encheu-se de cólera. “Qual o seu problema, afinal? Eu não acredito que, depois de trinta anos, nos quais eu busquei em outros braços seus abraços, sem querer abusar de Caetano Veloso, a milhares de quilômetros da vida que eu levava, agora, você vem me dizer isso.” E ela saiu porta afora. Nesses minutos, a esposa voltou e ele não relatou nada do que aconteceu, só disse que ela tivera que ir embora. Ela foi. Foi na escola. Pegou Jamie e Amy na escola. Levou-as para casa. Deitou na cama. Levantou. Ligou a TV para as meninas na sala. Subiu para o quarto. Tomou um banho demorado. Deitou na cama. Ligou sua TV em um noticiário qualquer. Apagou completamente. “Querida? Tem um moço na sala, alegando conhecer você. Um tal de Keith.” Era o marido dela. Tinha dormido quatro horas. Ela levantou-se. Estava de blusão largo, sem sutiã, calça de moletom, meias e um cabelo totalmente bagunçado. Desceu assim. Encontrou Keith sentado no sofá, com uma cara meio indiferente. “Como você descobriu onde eu moro?” Ela estava meio desconcertada, e bastante surpresa de o encontrar em sua sala de estar, com suas filhas e seu marido. “Eu fui batendo de porta em porta dessa rua, até achar a sua casa. Não foi tão difícil, sua casa é a terceira casa da rua. E se quer saber, tem a sua cara.” Ela piscou. Ele estivera falando em português, e ela também. “Será que eu posso morar com você? Não tenho mais casa pra morar.” Ela arregalou os olhos. “Aqui? Com a minha família? Você tá usando crack?” E mesmo assim, ele sorriu. “Não. Sem seu marido, para ser mais exato. E aí, topa?” E assim, sem mais nem menos, ela sorriu. “E o que eu faço com meu marido? Jogo ele pela janela?” Ambos riam. “Não. Pode ser gentil e contar a notícia a ele. Que acha de morarmos em Londres?” E ela parecia uma criança recebendo presentes no natal. “E por que diabos você não falou antes. E você ainda me deve desculpas.” Ele piscou. “Pelo quê?” Ela sorriu. “Por ser o único que eu amei de verdade. Por nunca ter existido ninguém igual” E ele deu aquela olhadela que era só dele. “Me desculpa?” “Nunca precisei das suas desculpas, babaca.”
domingo, 8 de maio de 2011
Moi

Afastou a franja azul dos olhos. Estava rindo de uma piada realmente imbecil. E assim era ela: espontânea. Fazia o que dava na telha, e se não desse, não fazia. O batom vermelho vivo contrastava com a blusa branca e a saia de cintura alta florida. Quem dera tivesse aprendido a amar outro que não ele. Tinha seus surtos. Não eram raros, ela era cheia de defeitos. Comia demais no almoço, e depois não jantava, ou não comia no geral. Jurava ser a dona da razão, contracenava consigo mesma em uma peça só dela, e irritava-se quando seu script não era seguido a risca. Tomava sorvete só depois que ele derretia, sempre roía as unhas quando prometia a ela mesma não fazê-lo, tinha vontade de ir embora, sumir dali, mas faltava coragem. Achava defeito em tudo, mas via como o mundo podia ser belo; sonhava acordada mas não custava a levantar; queria ser e fazer, mas lhe faltava vontade; por vezes sentia-se infeliz e sozinha. Todos diziam que ela era amarga, mas a verdade é que as pessoas a fizeram assim. Carecia de amor, e este não faltava, mas sentia-se como um quebra-cabeça incompleto, uma peça sem final, um ônibus sem passageiros além dela. Gostava de suas roupas pretas e brancas, longas e curtas, de couro ou de pano. Inconstante. Dada a opostos. Queria desesperadamente ser outra, mas sê-lo era impensável, impossível, inviável. Pensava em ser de tudo, mas só se via encenando. Gostava de Beatles e Rolling Stones. Jamais agradava a ela mesma com nada, e tinha a impressão que desgostavam-lhe. Reclamava, e como. Tinha a necessidade de ser, e o fazia sem amarras. Jogava tudo para o alto, mas obrigava-se a recolher os pedaços depois. Passava noites insones, imersa em problemas triviais, imersa nos monstros que viviam dentro dela. Acordava cansada, de saco cheio, com medo da vida, mas apaixonada por ela. Quis acabar com ela mesma milhares de vezes, mas nunca chegou as vias de fato. Bebia. Fumava. Frequentava shows, boates, bares, teatros e botequins. Frequentava a escola, por mais que esta a enfadasse. Queria revolucionar. Era poeta, mas não aprendera a amar. Por vezes machucava a ela e aos outros. Se prendia na frase de quem escreve, sente mais, e esperava ser tão normal quanto possível para uma garota tão cheia de defeitos e peculiaridades. Seus cabelos curtos e completamente azuis reluziam ao sol. Os óculos escuros sempre no rosto e os olhos sempre cobertos de maquiagem, mesmo pela manhã. Nem gorda nem magra, nem chata nem suportável, nem feia nem bonita. Conseguia o que queria, quando queria. Seus olhos azuis piscavam duas vezes, mordia seus lábios tingidos do habitual vermelho intenso, e franzia levemente a testa. Tinha mania de roer tampas de caneta, lápis e lapiseira. Sorria quando não devia, chorava quando não aguentava. Não gostava de se ver fraquejar. Detestava quando prometiam-lhe ligar e não ligavam, e quase tanto quando não atendiam o telefone. Chorava sozinha. Ficava sozinha. Se ao menos tivesse um desejo, talvez pudesse mudar. Não tinha um desejo. Tinha, ao invés disso, amigos incríveis, um relacionamento difícil com seus pais, e um amor imenso pelos seus avós. Sabe-se lá quem era, e ela ainda estava por descobrir. Diferente. Mentia facilmente quando lhe convinha. Omitia algumas coisas até de si. Por que tudo tem que ter um fim? Eu não sei nem por onde começar. Nunca sabia começar. Nem terminar. Terminar acabava em lágrimas meio amargas, base, colírio e um sorriso falso. Tantos finais. E mesmo com tantos finais, com tanto amargor, nunca estava tudo bem. E quando estava, tudo findava, e ela voltava a ser sozinha, com fones de ouvido, casaco de couro, na chuva de final de ano.
sábado, 23 de abril de 2011
Caixa vazia

.Ninguém está rindo. O baile se fechou, trancaram-se as portas. Nada do que costumava fazer sentido faz sentido agora, parece que nos trancafiaram na nossa própria cela, sem saída, por que de nossas mentes nunca somos libertados. Está ruindo de livre e espontânea vontade, deixando os farrapos e destroços pra que eu tome conta. Os pequenos destroços da minha caixa vazia. Aquela caixa que um dia me pertenceu, que um dia protegi, agora feneceu na sua infindável amargura, na seu infindável amor. Amor? Temor, talvez. Temia ser esquecida, e de tanto temer, acabou remoendo e esmorecendo, caindo de si mesma e chovendo. Chovendo por dentro e por fora, chovendo e chorando, chorando pra ela e pra todos. E caía tanto, gemia, e prendia-se outra vez. Tal caixa era tão versátil, tão interessante, mas nos últimos tempos murchou. Sempre era uma pena quando essas caixas murchavam. Sempre era uma pena quando não se resistia mais, quando a caixa não mais residia em ti, quando você não mais residia na caixa. Quando tal coisa acontecia, a caixa se contraía em agonia, desespero pelo que havia a vir. Quando não acontecia, desprendia aliviada. Quase nunca estava aliviada. E sofrer era tão ruim, tão obsceno pra uma pessoa que tinha tudo. Tudo, menos a si mesma. Tudo, todos, tanta coisa, mas nada do que ela quis. Talvez o que quisesse realmente era não ter, não ser, não estar. A caixa parou de reboar, e o peito dela parou.
sábado, 16 de abril de 2011
P1
Positivo. Sim. Não. Azar. Por que com ele? Por que com ela? Quinze anos. Quase uma criança. O que fazer? Como se portar? A quem contar? Eu não acredito. Por quê? E nem dá pra mandar um foda-se dessa vez. "E o que a gente vai fazer?" Não sei, não sei, não me exija respostas, não agora. "Dá pra ser feliz assim? Ou você acha que a nossa vida vai ser só um poço fundo de tristeza, quem nem a dos seus pais?" Ele abanou a cabeça.
Eu não soube dizer se era um sinal positivo ou negativo. Coloquei-me a chorar, sabendo bem porquê, mas sem querer pensar. Olhei para baixo, para a barriga ainda não proeminente. Nossos olhares se chocaram. Olhares de profundo medo. Aquele medo que acomete quando não sabes o que fazer, aqueles espinhos que lhe impossibilitaram decidir. Futuro incerto. Quer ficassem com ela, quer não, será que algum dia seriam felizes?
Eu não soube dizer se era um sinal positivo ou negativo. Coloquei-me a chorar, sabendo bem porquê, mas sem querer pensar. Olhei para baixo, para a barriga ainda não proeminente. Nossos olhares se chocaram. Olhares de profundo medo. Aquele medo que acomete quando não sabes o que fazer, aqueles espinhos que lhe impossibilitaram decidir. Futuro incerto. Quer ficassem com ela, quer não, será que algum dia seriam felizes?
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Embora.
"Pra me danar, mundo afora ir embora."
Vontade de sair. Beber. Fumar. Ser totalmente irresponsável. Mandar todo mundo tomar no cu. Só saiam da minha vida. Saiam. Saiam. Abri a porta da rua. Corri. Corri. Corri. Nem pensei em olhar pra trás. Fui-me sem lenço e sem documento. Corri. Corri. Choveu. Choveu mais forte. Minha blusa branca ficou transparente, e meu corpo apareceu por baixo dela. E, devagarzinho, fui ficando transparente também. Sumindo. Sumindo. Sumindo. Primeiro meus dedinhos do pé, minhas unhas das mãos, as pontas dos dedos, a mão, as duas mãos, os dois pés. Fui me libertando, quebrando as correntes, saindo da caverna. E quanto mais eu sentia que ia desaparecendo, mais feliz eu ficava, e meu sorriso, estampado de orelha a orelha, crescia. E eu girei, girei, girei. Esqueci de me preocupar, esqueci de sofrer, esqueci de todos vocês. Esqueci de reclamar, esqueci de te amar. E, por uns segundos, me preocupei só comigo. Em como eu estava sumindo, e não ia mais voltar. Agora meu tórax estava ficando mais claro, meu peito, meus braços. Meu cabelo estava branco, e tudo que eu consegui pensar foi em como meu cabelo devia ficar engraçado branco. E eu fui desaparecendo da vida dos outros nas fotos, da minha vida aos poucos, aos trancos e barrancos, devagar.
Vontade de sair. Beber. Fumar. Ser totalmente irresponsável. Mandar todo mundo tomar no cu. Só saiam da minha vida. Saiam. Saiam. Abri a porta da rua. Corri. Corri. Corri. Nem pensei em olhar pra trás. Fui-me sem lenço e sem documento. Corri. Corri. Choveu. Choveu mais forte. Minha blusa branca ficou transparente, e meu corpo apareceu por baixo dela. E, devagarzinho, fui ficando transparente também. Sumindo. Sumindo. Sumindo. Primeiro meus dedinhos do pé, minhas unhas das mãos, as pontas dos dedos, a mão, as duas mãos, os dois pés. Fui me libertando, quebrando as correntes, saindo da caverna. E quanto mais eu sentia que ia desaparecendo, mais feliz eu ficava, e meu sorriso, estampado de orelha a orelha, crescia. E eu girei, girei, girei. Esqueci de me preocupar, esqueci de sofrer, esqueci de todos vocês. Esqueci de reclamar, esqueci de te amar. E, por uns segundos, me preocupei só comigo. Em como eu estava sumindo, e não ia mais voltar. Agora meu tórax estava ficando mais claro, meu peito, meus braços. Meu cabelo estava branco, e tudo que eu consegui pensar foi em como meu cabelo devia ficar engraçado branco. E eu fui desaparecendo da vida dos outros nas fotos, da minha vida aos poucos, aos trancos e barrancos, devagar.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Como se comportar
Afrouxou a gravata borboleta. Faltavam dois minutes para que fosse obrigado a subir naquele palco demasiadamente iluminado. Tudo estava pronto. Suava de suave que era. Pegou no cabo da arma que estava discretamente acoplada ao seu cinto. Era agora ou nunca. Subiu os degraus que levavam para o palco. Prendeu o cabelo e escondeu debaixo de um chapéu coco. Com um sorriso teatral, passou pelas cortinas cor de carmim. Iniciou seu discurso com a precisão do gume de uma faca amolada. Nem por um segundo tirou o sorriso de escárnio do rosto. Contou em seu relógio. Dois minutos que estava no palco. Hora de ir. “E é por isso, meus caros, que o jogo acabou.” Tirou o chapéu, revelando um cabelo preto comprido e ondulado. Do bolso, tirou um batom vermelho sangue, da mesma cor que iria salpicar suas vítimas, e usou para pintar sua boca voluptuosa. E ainda sem tirar o sorriso do rosto, despiu a calça de linho branco, a blusa igualmente branca, o fraque, e o smoking, revelando, debaixo de todas as roupas masculinas, uma calça preta colada, e uma blusa vermelha. Vermelho de sangue. Sangue que pulsava quente nas suas veias, sangue que pretendia espalhar, sangue que nunca ia estancar. A forma curvilínea do seu corpo ficava melhor adequada áquelas roupas. A calça era preta, preta que nem ela era por dentro, preta que nem a programaram pra ser. E era ela, que estranho não ser ele nunca mais. As roupas moldavam-na, e os olhares aterrorizados, suas gravatas muito apertadas, seus pensamentos e pendores patéticos antes de morrer a faziam rir. Não o fazia para ser um mártir. Nem por um segundo parou de debochar. Beijou o diamante que enfeitava seu anelar da mão esquerda. “Sinto muito. Certo, na verdade não sinto nada.” E com um último olhar de satisfação, atirou. Os tiros não fizeram muito barulho, os gritos foram abafados, o fim foi rápido. E quando o último feneceu, lá se foi. Desceu a escada de incêndio. Não o fez pra não ser esquecida, não o fez pra marcar, fez por que não os aguentava mais. Fez por que ela quis, e fez por que não ligava. Desceu as escadas de incêndio com uma facilidade inesperada. Esse azedume amargo, essas lágrimas sofridas. Que lágrimas? Estava mais que satisfeita, e não se arrependia. Fez o que quis. Entrou no carro depressa. Eu vou estar fora daqui antes do que vocês pensam, pensou. Fechou a porta e entrou na auto estrada pra nunca mais voltar. Bebeu um gole demorado de vodka pra matar as doenças que viviam dentro dela, vodka forte e amargo que nem ela, e só então afrouxou a gravata borboleta.
Outros.
Algumas pessoas me fazem falta.
Outras, tanto fazem
E outras, nem fazem tanto.
As que me fazem, tanto são e sempre serão,
Tão malcriadas, impertinentes, impacientes, delinquentes, inconsequentes.
As qua não fazem, já vão tarde
Pra fora daqui.
Outras, tanto fazem
E outras, nem fazem tanto.
As que me fazem, tanto são e sempre serão,
Tão malcriadas, impertinentes, impacientes, delinquentes, inconsequentes.
As qua não fazem, já vão tarde
Pra fora daqui.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Coisas random.
Tuas faces rubras
Rubras como as rosas,
Rubras como as flores que brotam pela manhã,
Mas que murcham a noite,
Tenras flores,
Doces como tua juventude,
E sempre rubras,
Tua face, teu amor.
Cílios.
Piscam.
Pra cima.
Pra baixo.
Teus olhos,
Dotados de persuasão.
Tua alma, teus olhos.
Noite crua,
Crua como deve ser,
Crua como só ela sabe,
Densa e eterna,
Noite.
Aquele lado,
Lado brilhante,
Lado bom,
Lado que não mostro a ti,
Lado virado pra lá,
E com um piscar dos olhos,
Some.
Terra de ninguém
Preso
Preso pra sempre
Em si mesmo
E na sua prisão
Preso. (não sei se eu postei esse, já.)
Se me quiser,
por favor,
me queira bem devagarinho.
Não de uma vez, meu bem,
me queira pra dentro,
mas pra fora também.
Num bar, duas da tarde
Três amigos conversam
E o telefone dele toca
“Não me incomode, estou com meus amigos.”
Desliga o telefone,
Toma mais um gole de cerveja e vai embora.
Chegando em casa,
Ela está sentada,
Inexpressiva.
“Sabe como é, eu mando na relação.
Na frente dos meus amigos.”
Ela abana a cabeça,
E com um esgar sarcástico responde:
“Nem na frente dos meus amigos, meu bem,
Por que seus amigos,
São meus amigos também.”
Por menor que seja sua vontade,
Por maior que seja seu desejo,
Por menor que seja seu amor,
Por maior que seja seu orgulho,
Ame-me.
Com um ponto final, assim,
Pra nunca acabar.
Rubras como as rosas,
Rubras como as flores que brotam pela manhã,
Mas que murcham a noite,
Tenras flores,
Doces como tua juventude,
E sempre rubras,
Tua face, teu amor.
Cílios.
Piscam.
Pra cima.
Pra baixo.
Teus olhos,
Dotados de persuasão.
Tua alma, teus olhos.
Noite crua,
Crua como deve ser,
Crua como só ela sabe,
Densa e eterna,
Noite.
Aquele lado,
Lado brilhante,
Lado bom,
Lado que não mostro a ti,
Lado virado pra lá,
E com um piscar dos olhos,
Some.
Terra de ninguém
Preso
Preso pra sempre
Em si mesmo
E na sua prisão
Preso. (não sei se eu postei esse, já.)
Se me quiser,
por favor,
me queira bem devagarinho.
Não de uma vez, meu bem,
me queira pra dentro,
mas pra fora também.
Num bar, duas da tarde
Três amigos conversam
E o telefone dele toca
“Não me incomode, estou com meus amigos.”
Desliga o telefone,
Toma mais um gole de cerveja e vai embora.
Chegando em casa,
Ela está sentada,
Inexpressiva.
“Sabe como é, eu mando na relação.
Na frente dos meus amigos.”
Ela abana a cabeça,
E com um esgar sarcástico responde:
“Nem na frente dos meus amigos, meu bem,
Por que seus amigos,
São meus amigos também.”
Por menor que seja sua vontade,
Por maior que seja seu desejo,
Por menor que seja seu amor,
Por maior que seja seu orgulho,
Ame-me.
Com um ponto final, assim,
Pra nunca acabar.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Desprogramar.
Girou para o lado contrário dessa vez. Bateu de encontro com a porta aberta. Gemeu de dor em uma sintonia diferente. Gritou. Caiu no chão, em pedaços. Desespero.As últimas notas da música ainda retumbavam nas paredes brancas. E ainda ressoavam insistentemente nos seus ouvidos. Tampava-os. Respiração descompassada. Tremeu. Batia a cabeça no piano, tentando arrancar mais notas ou talvez alguma significância. Foi em vão. Tudo foi em vão. Ela era em vão. Estava girando, girando, girando, girando, girando. O coração lutava pra sair do peito. Batia com uma força impressionante, machucando ela por dentro. Ultimamente tudo a machucava. As pessoas apontavam dedos acusatórios, ela apontava pra si mesma no espelho, a sua imagem fazia com que quisesse vomitar. Enquanto girava, caiu. Caiu em cima do tornozelo, quebrou. E um grito de dor lancinante percorreu todo o caminho até a sua boca, mas voltou. Voltou de teimoso. Ela não era de desistir, mas dessa vez estava cansada demais pra continuar. Deixou-se levar pela dor, prazerosa dor. Quando conseguiu levantar, caiu de novo, e deixou-se tomar pela dor de novo. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Deixou-se tomar pela dor de dentro e de fora, deixou-se perder e enlouquecer dentro e fora. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Caiu pela terceira e última vez.
Desespero.
Contava os segundos. Um, dois, três, quatro. Passavam e escorriam de seu relógio de pulso para seu pulso nu. Escorriam para o chão, sem direção e sem ter pra onde ir, de qualquer forma. Olhava com um rosto controverso para o rio lá embaixo. Algumas gotas pingavam incessantemente na água, tornando-a inquieta. Inquieta de uma forma que ele entendia, que todos entendiam. Revolta, pronta pra uma rebelião de proporções endemicas, mas no segundo seguinte, conformada com seu destino certo e previsível, e voltando ao comodismo enervante que era sua vida diária. Essa superfície límpida que era a água funcionava do mesmo modo que seu emocional. Sempre estava irrequieto por dentro, contrariado e contradito, impactante e estável, morto e vivo, por dentro e por fora, por fora e por dentro. Sempre sendo ele e nunca sendo quem ele queria ser. Pomposo, e estava enlouquecendo. Queria se livrar dessas sombras, desse passado hediondo que ele levava nas memórias e carregava dentro do peito, em um desespero quase mudo na maior parte do tempo. Mudo. Era o que ele tinha se tornado. Do expressionismo jovial que sempre tinha seguido, a esse conformista mudo, cego e surdo. E em tal hedonismo ardoroso, e narcisismo estrondoso, se perdeu. E se perdeu pra nunca mais voltar. Entristecia com tal perspectiva. Enegrecia por dentro, e nada bom podia vir de tão vil cor, não é mesmo? Sua combinação interna era preta e cinza, cinza e preta. De maneira implacável a dor e o desespero inundavam-no. Estava tudo tão perdido, tudo tão embaçado, um futuro tão triste, uma vontade tão estúpida, uma vilania tão perversa. Jogou-se e juntou-se as gotas.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Poemas random.
Cansada
Respirar
Pra dentro
Pra fora
Quanto trabalho.
Não é mais fácil
Dormir
E ficar por lá?
Terra de ninguém
Preso
Preso pra sempre
Em si mesmo
E na sua prisão
Preso.
Gotas que caem no chão
Gotas que molham o pão
Gotas que nunca se esgotam
Gotas que chovem dentro
Gotas que chovem fora
Gotas que nunca mais choverão
Gotas que caem da face
Em direção ao duro
Chão.
Morte.
Tenra.
DOCE.
IMPERCEPTÍVEL
FINALMENTE,
Fim.
Fecha e não abre,
Descansa e não volta jamais.
Me deixa em paz.
A porta aberta,
A porta fechada.
Longe de mim,
Me separando de ti.
Respirar
Pra dentro
Pra fora
Quanto trabalho.
Não é mais fácil
Dormir
E ficar por lá?
Terra de ninguém
Preso
Preso pra sempre
Em si mesmo
E na sua prisão
Preso.
Gotas que caem no chão
Gotas que molham o pão
Gotas que nunca se esgotam
Gotas que chovem dentro
Gotas que chovem fora
Gotas que nunca mais choverão
Gotas que caem da face
Em direção ao duro
Chão.
Morte.
Tenra.
DOCE.
IMPERCEPTÍVEL
FINALMENTE,
Fim.
Fecha e não abre,
Descansa e não volta jamais.
Me deixa em paz.
A porta aberta,
A porta fechada.
Longe de mim,
Me separando de ti.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Falling away with you.
I'll feel my soul crumbling away
and falling away
falling away with you
Algo escapando pelos meus dedos frouxos e pego no último segundo. Era uma foto. Uma foto de dias mais felizes. Dias em que eu era mais feliz. Dias menos propensos a uma tempestade de emoções. A foto consistia em uma eu de uns meses atrás, com um sorriso nada ensaiado, cercada de pessoas queridas, vestida com um vestido rendado e branco. Joguei a foto no chão. Me arrastei de péssima vontade para a cozinha e enchi uma tijela funda o suficiente pra que eu me afogasse de sorvete. Voltei pra o divã da minha janela e observei o orvalho pontuar as folhas da madrugada. Não conseguia lembrar de quando fora bom. Sentia gotículas de suor escorrendo pelas palmas da sua mão. Enxougou-as delicadamente no seu lençol. Caminhou pela grama, esmagando levemente as folhas orvalhadas e intocadas da manhã. Caminhou sozinha até os balanços de um parquinho infantil que tinha por perto e sentou-se nele, quase sem forças, quase ficando tão orvalhada quanto aquelas folhas da manhã. Estava de pijamas. Seu pijama era uma camisola um pouco abaixo do joelho e meias, que agora se encontravam molhadas e meio sujas. Não importava o quanto achava que tinha crescido, continuava fazendo os mesmos erros de novo, e de novo, e de novo. E magoando as mesmas pessoas, e sendo a mesma pessoa totalmente deságradavel de sempre. As lágrimas começaram a escorrer lentamente. O frio começou a enregelar seus ossos, mas ela não pareceu se importar. Continuou caminhando lentamente até a banca de frutas mais próxima. Tinha dinheiro no soutien que colocou antes de sair de casa. Comprou cerejas frescas, mas não antes de enxugar o rosto com uma das pontas da camisola, pra que a vermelhidão dos seus olhos fosse atribuída ao sono. Andou a esmo, mas não de verdade. Só andou de um modo a parecer que não tinha um rumo, quando na verdade, tinha um. Não morava longe. Só continuou caminhando, com frio, cansada. Andava fazendo isso com maior frequência desde que começara a tomar os remédios. Dilacerou as cerejas com golpes rápidos dos cisos, sem mesmo tirar os caroços. Não tinha ninguém na rua a essa hora, antes das seis da manhã. Só alguns retardatários de festas, e uns bêbados e mendigos que dormiam um sono tranquilo nas calçadas forradas com papelão. Chegou ao bosque que antecedia seu banquinho favorito. Um sorriso em forma de esgar iluminou seu rosto pontilhado pelas lágrimas. Lá estava, no chão, o que ela andava todas as manhãs pra ver. Estava como sempre esteve. As lágrimas pontuaram de novo a sua face, de modo a que parecesse que ela estava chorando exclusivamente de alegria, mas a tristeza ainda estava pontuando seu interior de forma significativa. Ao invés de sentar-se no banco, sentou-se no chão, perto do grande monumento e do pequeno monumento pessoal. A torre eiffel parecia ainda mais bonita longe de todas essas pessoas que sempre a cercam e iluminada exclusivamente pelo sol da manhã ainda recente. E o seu pequeno monumento parecia mais sereno, mais imponente, mesmo ao lado de uma das suas coisas favoritas em todo o mundo. Riscado no chão, estava ele. "Je t'aime.". Ela sabia que era pra ela, sabia que era dela, e sempre seria só dela. Sentiu um cobertor abraça-la. Sua saída foi percebida pela primeira vez. E andaram juntos pra casa de novo, apesar das novas lágrimas pontilhando-lhe o rosto, estava mais feliz. Ou pelo menos, menos triste.
and falling away
falling away with you
Algo escapando pelos meus dedos frouxos e pego no último segundo. Era uma foto. Uma foto de dias mais felizes. Dias em que eu era mais feliz. Dias menos propensos a uma tempestade de emoções. A foto consistia em uma eu de uns meses atrás, com um sorriso nada ensaiado, cercada de pessoas queridas, vestida com um vestido rendado e branco. Joguei a foto no chão. Me arrastei de péssima vontade para a cozinha e enchi uma tijela funda o suficiente pra que eu me afogasse de sorvete. Voltei pra o divã da minha janela e observei o orvalho pontuar as folhas da madrugada. Não conseguia lembrar de quando fora bom. Sentia gotículas de suor escorrendo pelas palmas da sua mão. Enxougou-as delicadamente no seu lençol. Caminhou pela grama, esmagando levemente as folhas orvalhadas e intocadas da manhã. Caminhou sozinha até os balanços de um parquinho infantil que tinha por perto e sentou-se nele, quase sem forças, quase ficando tão orvalhada quanto aquelas folhas da manhã. Estava de pijamas. Seu pijama era uma camisola um pouco abaixo do joelho e meias, que agora se encontravam molhadas e meio sujas. Não importava o quanto achava que tinha crescido, continuava fazendo os mesmos erros de novo, e de novo, e de novo. E magoando as mesmas pessoas, e sendo a mesma pessoa totalmente deságradavel de sempre. As lágrimas começaram a escorrer lentamente. O frio começou a enregelar seus ossos, mas ela não pareceu se importar. Continuou caminhando lentamente até a banca de frutas mais próxima. Tinha dinheiro no soutien que colocou antes de sair de casa. Comprou cerejas frescas, mas não antes de enxugar o rosto com uma das pontas da camisola, pra que a vermelhidão dos seus olhos fosse atribuída ao sono. Andou a esmo, mas não de verdade. Só andou de um modo a parecer que não tinha um rumo, quando na verdade, tinha um. Não morava longe. Só continuou caminhando, com frio, cansada. Andava fazendo isso com maior frequência desde que começara a tomar os remédios. Dilacerou as cerejas com golpes rápidos dos cisos, sem mesmo tirar os caroços. Não tinha ninguém na rua a essa hora, antes das seis da manhã. Só alguns retardatários de festas, e uns bêbados e mendigos que dormiam um sono tranquilo nas calçadas forradas com papelão. Chegou ao bosque que antecedia seu banquinho favorito. Um sorriso em forma de esgar iluminou seu rosto pontilhado pelas lágrimas. Lá estava, no chão, o que ela andava todas as manhãs pra ver. Estava como sempre esteve. As lágrimas pontuaram de novo a sua face, de modo a que parecesse que ela estava chorando exclusivamente de alegria, mas a tristeza ainda estava pontuando seu interior de forma significativa. Ao invés de sentar-se no banco, sentou-se no chão, perto do grande monumento e do pequeno monumento pessoal. A torre eiffel parecia ainda mais bonita longe de todas essas pessoas que sempre a cercam e iluminada exclusivamente pelo sol da manhã ainda recente. E o seu pequeno monumento parecia mais sereno, mais imponente, mesmo ao lado de uma das suas coisas favoritas em todo o mundo. Riscado no chão, estava ele. "Je t'aime.". Ela sabia que era pra ela, sabia que era dela, e sempre seria só dela. Sentiu um cobertor abraça-la. Sua saída foi percebida pela primeira vez. E andaram juntos pra casa de novo, apesar das novas lágrimas pontilhando-lhe o rosto, estava mais feliz. Ou pelo menos, menos triste.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Citações
ME CITARAM, OMG.
http://fuckin-nightmare.blogspot.com/2010/10/doutor-esta-doendo.html#comment-form
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sábado, 25 de dezembro de 2010
Retrô (spectiva)
"O rock acabou, melhor ligar sua tv"
Eu queria estar dormindo. Não por estar com sono, estou totalmente bem descansada. Também não por que eu estou cansada, estou realmente elétrica, como se tivesse tomado muitas xícaras de café. Enquanto a rede de comunicações aqui do trabalho não volta, eu estou aqui, sem fazer absolutamente nada. Talvez elétrica não seja bem a palavra. Sendo ou não, eu estou tão cansada. De viver. De consertar. De respirar. Cada suspiro que eu dou parece tão injustificado. Me pergunto por que tudo não pode simplesmente se esvair tênue e breve, que nem a fumaça leve de um cigarro, que vem e vai, mas nunca se demora. E eu descobri sozinha e por acaso que a vida não é um filme. Não tem pessoas te esperando atrás da porta com flores, nem festas surpresas no seu aniversário por que você espera. Não tem finais totalmente felizes, mas isso também depende do seu conceito de felicidade. A grande verdade é que nesse momento existem mais homens do que mulheres no mundo, então tem uma grande probabilidade de você acabar sozinho. Sozinho talvez não seja ruim, só mais solitário de um modo ou de outro. Talvez não pior. Aprendi, também, que de certa forma, estamos todos sozinhos em dado momento em que não queríamos estar, quando na verdade queríamos estar cercado de pessoas, com um sorriso meio amarelo só pra evitar de chorar. Vi que chorar não é fraqueza, mas que quando a gente chora expõe o lado fraco que fica incutido em uma estante empoeirada e obscura lá dentro. E quando chora, fica com medo de expor, e inventa milhares de pretextos e argumentos imbecis pra fingir que está tudo bem. Agora, na verdade, não está tudo bem. Se estivesse, eu provavelmente não estaria com essa vontade louca de colocar tudo pra fora em um jato desesperado de emoções contidas. Berrar incontrolavemente. Dançar na chuva. Esquecer e fumar um cigarro sem retaliações. Sexo sem compromisso. Afinal, quem precisa colocar um rótulo em tudo? Na verdade, quem é que precisa de alguém, de verdade? Digo, de um casamento estável, da aprovação quase desesperada da sociedade quanto a você e quanto ao que você faz ou deixa de fazer. Deveria, supostamente ser da sua conta. E um beijo pra quem discorda, um beijo pra os egocêntricos, pra os neuróticos, pra os absurdos, pra os imbecis, pra os babacas, pra os que acham que sabem tudo, pra os ninfomaníacos, pra os socialistas, pra as minorias. Por que no final, não importa. Vai todo mundo pra o mesmo lugar, pra o mesmo buraco sem fundo e tão ébrio quanto o buraco que saímos antes, esse buraco que a gente chama de vida. Eu percebi, de uma forma ou de outra, que é melhor amar do que não fazê-lo, por que sempre dói mais se arrepender do não feito do que do malfeito, já que na verdade, o malfeito nunca é tão malfeito assim e você deu o melhor de si. E sim, é verdade. Você deu mesmo o melhor de si, e não adianta mentir pra mim nem pra você, por que quando você diz que não fez, raramente podia ter sido diferente, por que se era pra acabar assim, não precisa de um motivo, só de um fim. E pontos finais, esses traiçoeiros, inimigos, antagonismos desesperados pra findar a frase, findar o texto, findar a vida. Findar. Acho engraçado como as coisas findam. E sempre findam, não há como evitar. O fim é óbvio, menos pra quem prefere não enxergar. E assim, mesmo sem sentido, sem cópia e sem direção, vai indo, rumando pra o desconhecido de outro ano, outro mês, outro dia, outra década, outro minuto, por que é tudo maravilhosamente incerto e incessante para fecharmos os olhos por um segundo se quer pra o que nos cerca, já que cerca de tal maneira que fica impossível refrear, e se é impossível, só deixa rolar até a música acabar, a vontade morrer e o desejo cessar.
Eu queria estar dormindo. Não por estar com sono, estou totalmente bem descansada. Também não por que eu estou cansada, estou realmente elétrica, como se tivesse tomado muitas xícaras de café. Enquanto a rede de comunicações aqui do trabalho não volta, eu estou aqui, sem fazer absolutamente nada. Talvez elétrica não seja bem a palavra. Sendo ou não, eu estou tão cansada. De viver. De consertar. De respirar. Cada suspiro que eu dou parece tão injustificado. Me pergunto por que tudo não pode simplesmente se esvair tênue e breve, que nem a fumaça leve de um cigarro, que vem e vai, mas nunca se demora. E eu descobri sozinha e por acaso que a vida não é um filme. Não tem pessoas te esperando atrás da porta com flores, nem festas surpresas no seu aniversário por que você espera. Não tem finais totalmente felizes, mas isso também depende do seu conceito de felicidade. A grande verdade é que nesse momento existem mais homens do que mulheres no mundo, então tem uma grande probabilidade de você acabar sozinho. Sozinho talvez não seja ruim, só mais solitário de um modo ou de outro. Talvez não pior. Aprendi, também, que de certa forma, estamos todos sozinhos em dado momento em que não queríamos estar, quando na verdade queríamos estar cercado de pessoas, com um sorriso meio amarelo só pra evitar de chorar. Vi que chorar não é fraqueza, mas que quando a gente chora expõe o lado fraco que fica incutido em uma estante empoeirada e obscura lá dentro. E quando chora, fica com medo de expor, e inventa milhares de pretextos e argumentos imbecis pra fingir que está tudo bem. Agora, na verdade, não está tudo bem. Se estivesse, eu provavelmente não estaria com essa vontade louca de colocar tudo pra fora em um jato desesperado de emoções contidas. Berrar incontrolavemente. Dançar na chuva. Esquecer e fumar um cigarro sem retaliações. Sexo sem compromisso. Afinal, quem precisa colocar um rótulo em tudo? Na verdade, quem é que precisa de alguém, de verdade? Digo, de um casamento estável, da aprovação quase desesperada da sociedade quanto a você e quanto ao que você faz ou deixa de fazer. Deveria, supostamente ser da sua conta. E um beijo pra quem discorda, um beijo pra os egocêntricos, pra os neuróticos, pra os absurdos, pra os imbecis, pra os babacas, pra os que acham que sabem tudo, pra os ninfomaníacos, pra os socialistas, pra as minorias. Por que no final, não importa. Vai todo mundo pra o mesmo lugar, pra o mesmo buraco sem fundo e tão ébrio quanto o buraco que saímos antes, esse buraco que a gente chama de vida. Eu percebi, de uma forma ou de outra, que é melhor amar do que não fazê-lo, por que sempre dói mais se arrepender do não feito do que do malfeito, já que na verdade, o malfeito nunca é tão malfeito assim e você deu o melhor de si. E sim, é verdade. Você deu mesmo o melhor de si, e não adianta mentir pra mim nem pra você, por que quando você diz que não fez, raramente podia ter sido diferente, por que se era pra acabar assim, não precisa de um motivo, só de um fim. E pontos finais, esses traiçoeiros, inimigos, antagonismos desesperados pra findar a frase, findar o texto, findar a vida. Findar. Acho engraçado como as coisas findam. E sempre findam, não há como evitar. O fim é óbvio, menos pra quem prefere não enxergar. E assim, mesmo sem sentido, sem cópia e sem direção, vai indo, rumando pra o desconhecido de outro ano, outro mês, outro dia, outra década, outro minuto, por que é tudo maravilhosamente incerto e incessante para fecharmos os olhos por um segundo se quer pra o que nos cerca, já que cerca de tal maneira que fica impossível refrear, e se é impossível, só deixa rolar até a música acabar, a vontade morrer e o desejo cessar.
sábado, 27 de novembro de 2010
Quelqu'un M'a Dit
“Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serais ce possible alors?”
Alguém me disse que a vida é breve e passa como um raio. Esvai que nem um rio que seca, e acaba murcha que nem uma rosa. Enquanto eu limpo minhas lágrimas, alguém me disse que você ainda me amava. Será verdade? Espero que sim. Levanto o vestido e sacudo as folhinhas e pedaços de grama que grudaram nele enquanto estive sentada. Alguém me disse que o tempo é um bastardo e se fortalece nas nossas tristezas. Alguém me disse que você ainda me amava. Será possível então? Giro no campo florido esperando talvez prolongar algo inacabado mas que já dá seu último adeus e se joga na caixa de lembranças. As coisas passam rápido diante dos meus olhos que giram. Será que ainda me ama? As nuvens, as flores, os pássaros, os carros, longínquos, e o som das coisas inexistentes, mas que insisto em ouvir. Caindo no chão, vejo as nuvens gordas caminhando suavemente no céu, com a preguiça de sempre, mas como de usual, diferentes. O vinho vermelho como sangue inquieto na garrafa verde, assinalando para um promissor dia de verão. Será que ainda me ama? E girava, e ria, eu ria e girava. Alguns pingos de chuva finos começaram a cair. E eles engrossaram. Apontavam para que eu corresse com a garrafa de vinho na mão para lá. Correndo, quase derrubei a garrafa, mas eu ainda sorria. Será que ainda me ama? Chegando, bati na porta. “Alguém me disse que você ainda me amava. Agora não me lembro mais quem foi, só do tom da sua voz dizendo ‘ele ainda te ama, mas jamais conte a ele que eu lhe contei’ era tarde da noite, mas não me lembro mais” e entrei. Alguém me disse que a vida é tão breve quanto um dia, e que um dia se está lá, e no outro não se está mais. Alguém me disse que o tempo constrói a ele mesmo na tristeza, mas que se passa longamente. Alguém me disse que você ainda me amava. Alguém estava certo.
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serais ce possible alors?”
Alguém me disse que a vida é breve e passa como um raio. Esvai que nem um rio que seca, e acaba murcha que nem uma rosa. Enquanto eu limpo minhas lágrimas, alguém me disse que você ainda me amava. Será verdade? Espero que sim. Levanto o vestido e sacudo as folhinhas e pedaços de grama que grudaram nele enquanto estive sentada. Alguém me disse que o tempo é um bastardo e se fortalece nas nossas tristezas. Alguém me disse que você ainda me amava. Será possível então? Giro no campo florido esperando talvez prolongar algo inacabado mas que já dá seu último adeus e se joga na caixa de lembranças. As coisas passam rápido diante dos meus olhos que giram. Será que ainda me ama? As nuvens, as flores, os pássaros, os carros, longínquos, e o som das coisas inexistentes, mas que insisto em ouvir. Caindo no chão, vejo as nuvens gordas caminhando suavemente no céu, com a preguiça de sempre, mas como de usual, diferentes. O vinho vermelho como sangue inquieto na garrafa verde, assinalando para um promissor dia de verão. Será que ainda me ama? E girava, e ria, eu ria e girava. Alguns pingos de chuva finos começaram a cair. E eles engrossaram. Apontavam para que eu corresse com a garrafa de vinho na mão para lá. Correndo, quase derrubei a garrafa, mas eu ainda sorria. Será que ainda me ama? Chegando, bati na porta. “Alguém me disse que você ainda me amava. Agora não me lembro mais quem foi, só do tom da sua voz dizendo ‘ele ainda te ama, mas jamais conte a ele que eu lhe contei’ era tarde da noite, mas não me lembro mais” e entrei. Alguém me disse que a vida é tão breve quanto um dia, e que um dia se está lá, e no outro não se está mais. Alguém me disse que o tempo constrói a ele mesmo na tristeza, mas que se passa longamente. Alguém me disse que você ainda me amava. Alguém estava certo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Aonde Quer Chegar?
“Já são quase cinco da manhã, por que ainda insiste? Faz muito tempo que não tem o que dizer Ando aqui pensando em nós dois. Será que temos tempo?”
Tamborilava os dedos incessantemente na mesa. As unhas faziam um barulho surdo ao baterem na superfície de madeira. Estava esperando impacientemente por ela. “Ah, oi, desculpa o atraso.” Ela chegou, não podendo ser chamada de radiante ou algo parecido, só de presente. “Ah, oi. Então, vamos caminhar lá fora? Já são quase cinco da manhã.” Ela assentiu e comentou. “Cara, por que você ainda insiste? Faz muito tempo que não tem o que dizer.” Ele olhou com uma cara igualmente desprovida de emoções. “Eu ando aqui pensando em nós dois. Será que temos tempo?” Ela deu de ombros, não por que não sentisse nada, só não sabia exatamente o que sentir. “Eu te fiz promessas que eu não posso apagar.” Ele fez um gesto que mostrava que não dava realmente a mínima pra aquelas promessas. “Logo você, que dizia saber, não sabe aonde quer chegar.” Sentaram-se na beira do cais, e ela deixou seus pés nus entrarem quase sem querer na água salgada do mar. E ele sentou-se ao seu lado, de pernas cruzadas. Passaram bastante tempo assim, tempo o suficiente para que ele olhasse para o relógio oito vezes, para que ela colocasse o próprio cabelo atrás da orelha cinco vezes, para que ele cruzasse o descruzasse as pernas quinze vezes, e pra que eles não se decidissem apesar de tudo. “Já são quase sete da manhã. Por que não se decide?” Ela tombou a cabeça pra o lado, e respirou fundo. “Joguei minhas fichas a muito tempo atrás” Ele estava desistindo, Jogando ao mar as esperanças. “Olha que fez, perdeu-se outra vez” E as esperanças flutuaram pra longe, deixando duas pessoas no cais. “Já são quase nove da manhã.” E eles foram embora, talvez tentar mais uma vez, talvez não.
Tamborilava os dedos incessantemente na mesa. As unhas faziam um barulho surdo ao baterem na superfície de madeira. Estava esperando impacientemente por ela. “Ah, oi, desculpa o atraso.” Ela chegou, não podendo ser chamada de radiante ou algo parecido, só de presente. “Ah, oi. Então, vamos caminhar lá fora? Já são quase cinco da manhã.” Ela assentiu e comentou. “Cara, por que você ainda insiste? Faz muito tempo que não tem o que dizer.” Ele olhou com uma cara igualmente desprovida de emoções. “Eu ando aqui pensando em nós dois. Será que temos tempo?” Ela deu de ombros, não por que não sentisse nada, só não sabia exatamente o que sentir. “Eu te fiz promessas que eu não posso apagar.” Ele fez um gesto que mostrava que não dava realmente a mínima pra aquelas promessas. “Logo você, que dizia saber, não sabe aonde quer chegar.” Sentaram-se na beira do cais, e ela deixou seus pés nus entrarem quase sem querer na água salgada do mar. E ele sentou-se ao seu lado, de pernas cruzadas. Passaram bastante tempo assim, tempo o suficiente para que ele olhasse para o relógio oito vezes, para que ela colocasse o próprio cabelo atrás da orelha cinco vezes, para que ele cruzasse o descruzasse as pernas quinze vezes, e pra que eles não se decidissem apesar de tudo. “Já são quase sete da manhã. Por que não se decide?” Ela tombou a cabeça pra o lado, e respirou fundo. “Joguei minhas fichas a muito tempo atrás” Ele estava desistindo, Jogando ao mar as esperanças. “Olha que fez, perdeu-se outra vez” E as esperanças flutuaram pra longe, deixando duas pessoas no cais. “Já são quase nove da manhã.” E eles foram embora, talvez tentar mais uma vez, talvez não.
She Will Be Loved
“And she will be loved, she will be loved.”
Estava trancada no banheiro, o único cômodo da casa que tinha uma tranca de verdade. Limpou a maquiagem escorrida dos olhos com o dedo e examinou a sujeira. Maquiagem preta. Ela limpou na toalha de rosto branca que estava pendurada em um gancho branco, acima de uma pia de mármore igualmente branca. Revirou no fundo de um armário e pegou uns pacotes de esparadrapo e gaze, uns remédios pra dor de garganta, outros pra dor de cabeça, outros analgésicos, água oxigenada, rifocina, band aids, remédios pra cólica, e uma bolsa de água quente. Jogou tudo isso em uma mala preta, em um compartimento reservado pra coisas desse tipo. Pegou a pasta de dente fechada dentro do armário, e a aberta em cima da pia. Pegou sua escova de cabelos, seu pente, seu shampoo, seu condicionador, dois sabonetes lacrados, e sua escova de dentes. Saiu do banheiro quieta e entrou em seu quarto. Nele, olhou as estantes repletas de livros. Pegou alguns de seus favoritos: Eu Mato, Harry Potter, Memórias de Uma Gueixa, Cem Anos De Solidão, O cortiço, Confie Em Mim, O Último Judeu, Enciclopédia de Seriais Killers, O Mundo De Sofia e por fim, alguns dos livros de Desventuras Em Série. Encheu metade da mala dividida em dois com esses livros e os remédios. Se esta enchesse, tinha outra, e só mais outra, por que era o máximo que ela podia carregar. Apesar de o recomendável fosse que só levasse uma mala. A outra metade foi aberta, e nela, algumas roupas foram despejadas: blusas, shorts, casacos, e bermudas. Acabou de encher essa mala. Cuidadosamente, pegou a outra e a abriu ao lado da outra que se encontrava fechada e pronta para ir. Jogou três pares de tênis, meias, sapatilhas, havaianas, um chapéu, uma capa, algumas outras roupas aleatórias, loção de calamina, repelente de mosquitos, perfume, e alguns hidratantes. Foi-se metade da mala. Abriu a outra metade, e colocou seus CD’s favoritos: Absolution, Brand New Eyes, Another Brick In The Wall, Resistance, Black Ice, RadioActive, Que País É Esse?, Rádio Pirata Ao Vivo, From The Cradle, Idem, Complete, Abbey Road, e um CD só de músicas dos Beatles que ela tinha montado. Eram os únicos que cabiam. No meio de todos aqueles CD’s, ela colocou uma infinidade de canetas. Muitas mesmo, uma caixa de canetas BIC. E colocou todos os cadernos virgens que ela encontrou. Eram dez cadernos virgens, no total. E colocou alguns cadernos usados, mas que eram muito importantes pra ela. Fechou essa mala. Pegou uma mochila e a abriu. Nessa mochila ela despejou toda a comida que deveria ter sido comida por ela durante o semestre. E no bolso, colocou sua maquiagem, o MP4 e o celular, que só seria usado em caso de emergência extrema. Vestiu uma calça que roubou da sua mãe, por que fora ela, só tinha uma calça preta. Colocou uma blusa preta, um casaco por cima, colocou dois pares de meias, um colar, um boné, e colocou os óculos no rosto. Estava praticamente irreconhecível. Levou dois lençóis na mochila, também, caso não encontrasse onde dormir. Levou sua vaca de pelúcia, e seu gato de pelúcia. Estava completamente carregada de coisas, mas a noite era ébria, e ninguém sequer notava uma figura baixa carregando um monte de malas. Era normal por aquelas bandas, de certa forma. E foi caminhando por um caminho bastante deserto, com uma lua relativamente grande e uma lanterna para ajudá-la. Era domingo a noite, e todos estavam absortos nos próprios problemas, como de praxe. Andou até encontrar um ônibus que a levaria pra onde ela queria ir. Pra longe de todos, daqueles que não a queriam, daqueles que ela não queria. Pegara todo o dinheiro da carteira dos dois antes de sair. Tinha duzentos e sete reais e quarenta e cinco centavos. Entrou no ônibus. E na calada da noite, como quem não quer nada, como quem se perde inocentemente e tem medo do escuro, ela se foi, e se foi pra nunca mais voltar a vir. Se foi para longe, pra onde ninguém podia pegá-la por um tempo. Em duas horas, estava na praia. Não tinha uma barraca e não pretendia arranjar uma. Tinha cobertores e um saco de dormir. Montou-se do modo mais arrumado que pôde naquele terreno arenoso e por lá ficou até quando sua comida e água permitiram. De lá, rumou para o eterno desconhecido.
Estava trancada no banheiro, o único cômodo da casa que tinha uma tranca de verdade. Limpou a maquiagem escorrida dos olhos com o dedo e examinou a sujeira. Maquiagem preta. Ela limpou na toalha de rosto branca que estava pendurada em um gancho branco, acima de uma pia de mármore igualmente branca. Revirou no fundo de um armário e pegou uns pacotes de esparadrapo e gaze, uns remédios pra dor de garganta, outros pra dor de cabeça, outros analgésicos, água oxigenada, rifocina, band aids, remédios pra cólica, e uma bolsa de água quente. Jogou tudo isso em uma mala preta, em um compartimento reservado pra coisas desse tipo. Pegou a pasta de dente fechada dentro do armário, e a aberta em cima da pia. Pegou sua escova de cabelos, seu pente, seu shampoo, seu condicionador, dois sabonetes lacrados, e sua escova de dentes. Saiu do banheiro quieta e entrou em seu quarto. Nele, olhou as estantes repletas de livros. Pegou alguns de seus favoritos: Eu Mato, Harry Potter, Memórias de Uma Gueixa, Cem Anos De Solidão, O cortiço, Confie Em Mim, O Último Judeu, Enciclopédia de Seriais Killers, O Mundo De Sofia e por fim, alguns dos livros de Desventuras Em Série. Encheu metade da mala dividida em dois com esses livros e os remédios. Se esta enchesse, tinha outra, e só mais outra, por que era o máximo que ela podia carregar. Apesar de o recomendável fosse que só levasse uma mala. A outra metade foi aberta, e nela, algumas roupas foram despejadas: blusas, shorts, casacos, e bermudas. Acabou de encher essa mala. Cuidadosamente, pegou a outra e a abriu ao lado da outra que se encontrava fechada e pronta para ir. Jogou três pares de tênis, meias, sapatilhas, havaianas, um chapéu, uma capa, algumas outras roupas aleatórias, loção de calamina, repelente de mosquitos, perfume, e alguns hidratantes. Foi-se metade da mala. Abriu a outra metade, e colocou seus CD’s favoritos: Absolution, Brand New Eyes, Another Brick In The Wall, Resistance, Black Ice, RadioActive, Que País É Esse?, Rádio Pirata Ao Vivo, From The Cradle, Idem, Complete, Abbey Road, e um CD só de músicas dos Beatles que ela tinha montado. Eram os únicos que cabiam. No meio de todos aqueles CD’s, ela colocou uma infinidade de canetas. Muitas mesmo, uma caixa de canetas BIC. E colocou todos os cadernos virgens que ela encontrou. Eram dez cadernos virgens, no total. E colocou alguns cadernos usados, mas que eram muito importantes pra ela. Fechou essa mala. Pegou uma mochila e a abriu. Nessa mochila ela despejou toda a comida que deveria ter sido comida por ela durante o semestre. E no bolso, colocou sua maquiagem, o MP4 e o celular, que só seria usado em caso de emergência extrema. Vestiu uma calça que roubou da sua mãe, por que fora ela, só tinha uma calça preta. Colocou uma blusa preta, um casaco por cima, colocou dois pares de meias, um colar, um boné, e colocou os óculos no rosto. Estava praticamente irreconhecível. Levou dois lençóis na mochila, também, caso não encontrasse onde dormir. Levou sua vaca de pelúcia, e seu gato de pelúcia. Estava completamente carregada de coisas, mas a noite era ébria, e ninguém sequer notava uma figura baixa carregando um monte de malas. Era normal por aquelas bandas, de certa forma. E foi caminhando por um caminho bastante deserto, com uma lua relativamente grande e uma lanterna para ajudá-la. Era domingo a noite, e todos estavam absortos nos próprios problemas, como de praxe. Andou até encontrar um ônibus que a levaria pra onde ela queria ir. Pra longe de todos, daqueles que não a queriam, daqueles que ela não queria. Pegara todo o dinheiro da carteira dos dois antes de sair. Tinha duzentos e sete reais e quarenta e cinco centavos. Entrou no ônibus. E na calada da noite, como quem não quer nada, como quem se perde inocentemente e tem medo do escuro, ela se foi, e se foi pra nunca mais voltar a vir. Se foi para longe, pra onde ninguém podia pegá-la por um tempo. Em duas horas, estava na praia. Não tinha uma barraca e não pretendia arranjar uma. Tinha cobertores e um saco de dormir. Montou-se do modo mais arrumado que pôde naquele terreno arenoso e por lá ficou até quando sua comida e água permitiram. De lá, rumou para o eterno desconhecido.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
You Found Me

“Don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go, don’t let me go.”
Precisava de um cigarro. Desesperadamente. Talvez não fosse de um cigarro que precisava, mas foda-se, era isso que ela ia fazer. Fumar um cigarro. Pegou um isqueiro preto no bolso e abriu a bolsa a procura de um maço de uma marca qualquer de cigarros. Pegou um deles, e colocou na boca. Acendeu, e ficou lá, sentada no banco, aproveitando seu último cigarro, por que o maço acabara e ela estava sem dinheiro pra outro. Ficou observando as pessoas que passavam, absortas em seus próprios problemas, em suas próprias angústias. Privadas de algo, felizes por um reencontro, chateadas por um bolo, tristes por um fora. Olhou também pra aquelas grandes caixas de metal. Onde cada um também vivia a sua vida. Onde várias famílias respiravam e aspiravam ares diferentes dos outros que estavam no carro com eles. Ela costumava viver a própria vida também. Um tempo atrás, ela costumava viver a própria vida também. Levantou-se meio tonta do banco. Apagou o cigarro no primeiro lugar que achou conveniente e jogou-o no lixo. Saiu andando a esmo pela cidade, aquela brilhante cidade, que brilhava mais ainda sob as luzes laranjas do pôr-do-sol. Fazia dois dias que tinha ido embora, que tinha jogado seu celular fora, e simplesmente esquecido propositalmente de mandar lembranças ou votos de que tudo ia ficar melhor. Não achava conveniente dar satisfações, já que resolveu que ia viver a própria vida, só pra variar. O tempo passava rápido, sem que ela mesma se desse conta, ele voava diante de seus olhos. Prendeu o cabelo em um coque apertado, ajeitou as saias, desceu as meias do tênis surrado, abotoou todos os botões da blusa, suavizou a maquiagem com a ajuda de um espelho, colocou seu melhor sorriso falso, e adentrou em uma loja que ostentava um enorme aviso de “estamos contratando”. “Olá, em que posso ajudá-la?” outra vendedora com um sorriso tão plastificado quanto o dela mesma veio em seu socorro. “Obrigada. Eu vi o aviso lá fora, e estava me perguntando se ainda estão contratando.” Apesar do sorriso, seus olhos diziam muito. “Oh, claro, venha por aqui.” E a levou pra uma sala pintada em tons de verde, com uma mulher vestida em tons de amarelo sentada em uma escrivaninha cinza claro. Quinze minutos depois, conseguira o emprego, o que era realmente bom, já que só tinha mais uns duzentos reais, e não tinha certeza nem se isso ia dar pra pagar as contas. Era um emprego banal de vendedora, mas dava pra pagar as contas, então não se importava realmente se ia ter que manter esse sorriso estúpido e esse ar de interessada na vida alheia todo dia, pelo resto da sua vida. Começaria na segunda. Era uma terça. Ainda ia ter uma maldita semana controlando totalmente todo seu dinheiro pra poder sobreviver. Saiu andando de lá, a esmo de novo. Nunca tinha realmente um rumo certo. Nem pra ela, nem pra sua vida, nem pra nada. Só ia sair andando até encontrar algo satisfatório pra fazer. E se nunca encontrasse, nunca ia parar de andar. Era essa lógica que ela sempre seguiu. Andou até que seus pés começaram a doer e seu estômago começou a revirar. Precisou sentar. Não, cólicas não. Remédio pra isso era caro. E estava a umas duas horas de casa, longe de um ponto de ônibus e longe de tudo que conhecia. Sentiu uma súbita tontura e um desejo incontrolável de vomitar. Ao invés disso, perdeu os sentidos. Quando acordou, tinha tanta certeza de onde estava quanto antes. Ou seja, nenhuma. Estava em uma cama. Ligada a uns aparelhos. Graças aos céus, ninguém estava no quarto. Ela estava sozinha, como sempre esteve. Mais tarde, uma enfermeira disse-lhe que podia ir embora, e que não sabia quem a tinha deixado lá. Foi-se. Continuou a andar com uma vaga impressão de que alguma coisa estava completamente errada, ou completamente torta. Os dias passaram quentes, e as noites passaram frias. Segunda chegou. Ela trabalhou um mês, dois meses, três meses, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, um ano, dois anos, três anos, quatro anos. Tinha feito exatamente vinte anos faziam dois dias. Tinha o suficiente pra ir embora pra onde ela quisesse ir, seu maior sonho. E foi pra o Rio de Janeiro. Do Rio de Janeiro, foi pra outro país. Inglaterra. Tinha as mesmas perspectivas de vida, só que vivendo uma vida mais feliz, menos atribulada de sentimentos, mais vazia, de certa forma. Começou a trabalhar em um jornalzinho de quinta, que ficava em um beco escuro de uma rua meio suspeita de Londres. Comprou um celular, mas mudou seu número. Alugou um apartamento de três cômodos. Cozinha, banheiro, e quarto. Pequeno, mas o que dava pra pagar com o salário que ela ganhava. Mas estava relativamente feliz. Deixou tudo que ela conhecia pra trás. Ia ao mercado todo dia, comprava o essencial, e as vezes o supérfluo, por que era uma pessoa supérflua. Pra o mundo ela era ninguém e pra alguém ela era exatamente o mesmo que ela era pra o mundo. Em um dia chuvoso, ela saiu pra fazer compras com seu guarda chuva amarelo. Estava com pressa. Tropeçou em uma pedra estúpida regida pela maldita lei de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. E caiu no chão, ralando o joelho, e ensangüentando seu vestido branco. Uma pessoa aleatória a ajudou a levantar e a levou pra um lugar onde havia uma pia. Nesse tempo todo, não fez nenhuma questão de olhar pra tal pessoa, nem de falar nada, estava muito ocupada praguejando o vestido novo da Gucci arruinado que nem se importou de verdade com aquela pessoa que a estava ajudando. Sim, um vestido da Gucci. Estava trabalhando pra o maior jornal da Inglaterra como editora sênior, agora. Já faziam quase dez anos que ela estava em Londres. Quase quinze anos que tinha ido embora da sua própria casa e deixado de viver a vida dos outros. De outro. Depois de alguns infindáveis minutos molhando o vestido e tentando incansavelmente tirar a mancha, virou para a pessoa que a tinha ajudado a levantar. Era um rapaz alto e magro, de cabelos compridos. Parecia ter mais ou menos a mesma idade que ela. Estava usando uma calça jeans, uma blusa branca, e um tênis realmente muito surrado. Mais surrados que os tênis que ela tinha no dia que fugiu de si e dos outros pela primeira vez. Eram inconfundíveis. “Mark?” ela chamou, e sabia que não em vão. “Você nunca me mandou nenhuma carta, nunca atendeu meus telefonemas, nunca respondeu meus emails, mensagens, nunca me deixou nenhum sinal de nada, de que talvez você ainda quisesse me encontrar pra tomar a droga de um café.” Ele parecia chateado, com a mesma voz que sempre fazia quando estava chateado. Ela sabia que era ele. “Eu não queria tomar um café com você.” Ela respondeu, categórica, e ainda tentando limpar o sangue do vestido. “Onde você esteve, afinal?” Ele perguntou, firme. “Por aí.” Ela respondeu, com a mesma firmeza proposta por ele. “Por aí onde?” Ele estava com raiva. “Por aí. Por que isso te interessa afinal? Por que qualquer uma dessas coisas te interessa? Foda-se. Está muito tarde, certo? Muito tarde. Quase quinze anos tarde demais.” Ela também estava com raiva. “QUAL O SEU PROBLEMA?” Ele estava gritando, em português. “VOCÊ É A PORRA DO MEU PROBLEMA, CARALHO. Sempre foi.” Ela estava com medo de desabar em lágrimas. Se segurou e largou a barra do vestido, ainda levemente avermelhada. “EU SOU O SEU PROBLEMA?” ele ainda estava gritando. “Sempre foi, cacete. Foi por quinze anos, e ainda é. Eu viajo pra muitos quilômetros de você, e você vem atrás de mim? Qual é o SEU problema, afinal? Você preferiu assim, se lembra? É SUA CULPA, CACETE, LEVE UM POUCO DA MERDA DA RESPONSABILIDADE QUE EU CARREGUEI POR MUITO TEMPO.” Ela também sabia gritar. “Eu tentei te achar. Eu juro. Eu tentei de todas as formas possíveis. E aqui, em um dia no mercado, na minha segunda semana em Londres, eu achei você.” Ele não estava mais gritando. “Parabéns. Você me achou. Tarde demais.” Ele estava meio aflito. “Por quê?” Ela virou-se, e cruelmente disse-lhe. “Onde você estava quando tudo que eu precisava era de uma ligação? Onde você estava quando eu precisava de um abraço? Onde você estava quando eu fugi? Onde você estava quando eu realmente quis a sua presença? Onde você estava quando eu queria você? ONDE? Agora eu não quero mais. Só um pouco tarde demais. Está cedo, eu tenho que trabalhar, tenho que trocar a minha roupa, tomar outro banho e esquecer de novo que você existe. Meus sentimentos são mais importantes que os seus, certo? E sempre vão ser. Agora eu não estou mais perdida, e você não precisa me achar. Tarde demais. Talvez uma semana atrás não fosse tarde demais. Mas agora é. Por que você precisava esperar pra me encontrar? Eu vou esquecer de novo que você existe, ter todo esse trabalho pra esquecer do seu cheiro, da sua presença, do seu cabelo, da sua voz. Eu já tinha até esquecido como soava, como era estar perto de você. Eu vou ter todo o trabalho de novo. E se seus planos forem ser de ficar aqui, eu simplesmente vou mudar de país. Se você passar a vir nesse mercado, eu vou mudar de mercado. Se isso lhe deixa contente consigo mesmo, ficou uma marca, que nunca vai sumir. Duas semanas por uma vida. Então, tudo que eu tenho a lhe pedir é que facilite nossa vida, e vá embora, por que é isso que EU vou fazer. Antes, eu ficaria acordada a noite inteira. Acho que agora também. Mas, como eu lhe disse, é tarde demais. Adeus.” Saiu, batendo os sapatos fortemente contra rua, na mesma direção de que veio, e foi a vez dele ficar assistindo ela sumir na multidão enquanto se perguntava qual era o seu problema. Foi e vez dele de morrer um pouco por dentro, a vez dele de criar uma cicatriz. Por que no final, todo mundo acaba sozinho, sendo quem você é, quem você não é, ou quem você quer ser, todo mundo acaba sozinho. Ele e ela eram só mais um e uma. Ela, afinal, não foi trabalhar. Deitou na cama, e não se atreveu a levantar. Ligou o som, e ouviu You Found Me do The Fray incansavelmente. Ele voltou pra o apartamento que dividia com um cara qualquer, e dormiu. Dormir. A cura, e o problema.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você

As minhas dez coisas que eu odeio em você
Eu odeio quando você me encara
Eu odeio quando você acha que tem razão mas na verdade não tem
Eu odeio seu casaco idiota de couro
Eu odeio quando você usa aquelas suas blusas xadrez
Eu odeio muito seja lá quem ela for
Eu odeio como você faz com que eu me sinta
Eu odeio como você me convence a fazer alguma coisa
Odeio o modo como você corta seu cabelo
Odeio seu perfume
Odeio todas as músicas que você me mostrou.
E a décima primeira coisa que eu odeio é em mim, não em você.
Odeio como eu não consigo odiar de verdade nenhuma dessas coisas, nem um pouquinho.
(inspirado no filme 10 Things I Hate About You)
Para Giovani
"Love, love, love. What is it good for? Absolutely nothing"
As pessoas machucam. Digo, relacionamentos machucam. Uma mulher + um cara ás vezes dá certo, as vezes não. As lembranças assolam a sua mente. As boas lembranças, as más. De repente faz tudo valer a pena. O fato de que a tristeza dura menos do que as boas lembranças, que duram pra sempre, ou então até o pra sempre durar. O importante é limpar o coração, fechar os olhos e se preparar pra algumas porradas de vez enquando. Tentar pensar em como foi bom ajuda. As lembranças fazem de você quem você é e quem você foi, e por mais que as vezes machuque, tente guarda-las com carinho dentro de você, mesmo que em alguma parte um pouco esquecida e menos machucada. Uma parte, a melhor parte de você. Aquela parte que não esqueceu de como é amar, de como é ser criança, de como é pular, gritar, viajar, sentir, se apaixonar e viver.
Espero que ajude, G.
beijos <3
(ficou ruim, mas ok.)
As pessoas machucam. Digo, relacionamentos machucam. Uma mulher + um cara ás vezes dá certo, as vezes não. As lembranças assolam a sua mente. As boas lembranças, as más. De repente faz tudo valer a pena. O fato de que a tristeza dura menos do que as boas lembranças, que duram pra sempre, ou então até o pra sempre durar. O importante é limpar o coração, fechar os olhos e se preparar pra algumas porradas de vez enquando. Tentar pensar em como foi bom ajuda. As lembranças fazem de você quem você é e quem você foi, e por mais que as vezes machuque, tente guarda-las com carinho dentro de você, mesmo que em alguma parte um pouco esquecida e menos machucada. Uma parte, a melhor parte de você. Aquela parte que não esqueceu de como é amar, de como é ser criança, de como é pular, gritar, viajar, sentir, se apaixonar e viver.
Espero que ajude, G.
beijos <3
(ficou ruim, mas ok.)
O Amor Está Morto
O amor está morto. O matei sozinha, com uma bazuca e uma faca anormalmente grande. O esfaqueei centenas de vezes. Descontei toda a minha raiva e frustração ao som de Wolfgang Amadeus Mozart. Queria chorar. Chorou. O pesar está morto. Alguém o matou sozinho com uma adaga e uma garrafa de vinho. Descontou toda a sua vontade e preencheu as lacunas que gritavam. Queria gritar. Gritou. O calor está morto. Ela matou-o sozinha, com uma arma e um pedaço de barbante. Descontou sua vontade ao som de Ludwig Van Beethoven. Queria girar. Girou. O sentido está morto. Se jogou sozinho da janela do quinto andar, ao som de Antonio Vivaldi. A raiva está obsoleta, a inveja está enterrada, o mistério se perdeu, o ciúmes está se escondendo, a fúria está obscura, o carinho acabou, as caricias foram esquecidas, as palpitações, quentes como o inferno, foram deixadas pra lá. Em busca de algo novo, perdeu tudo o que já tinha. E quando voltou, estava tudo guardado e trancado, de um modo inquebrável e indiscutível. Não esperaram pela volta, e nunca o iriam fazer. Um brinde, uma taça. Quebrou-se a taça e a comida esfriou. Ninguém botou os pés na cozinha. Os rastros da sua presença se foram, até o seu cheiro. O cheiro que predominava agora era um cheiro de enxofre. Explodiu. E então, o amor estava morto.
domingo, 24 de outubro de 2010
Pesar.
Gotas grossas manchavam o carpete. Gotas pretas no carpete cinza. Gotas pretas em uma vida cinza. Cinza como o céu, e negra como a previsão que fazia de si. As gotas formavam poças. As poças cresciam com uma velocidade anormal. E a cada gota, algo ia embora. E ia indo, tudo ia se resvalando sem o menor pudor. Tentava segurar a enchente, a grande enchente de poças negras como seu coração. E ele batia. Batia forte contra o peito, mas ela não agüentaria que ele pulasse pra fora. Tinha saído da gaiola vagarosamente, sem que notassem ou apontassem de uma maneira acusatória. Mas fora de lá era frio, e de um frio rascante, pereceu. Pereceu sem querer, e rápido, por que nesse mundo se tem pressa. Mesmo que quisesse aproveitar o momento, já se fora, e como ele mesmo, jamais voltaria. Muito menos da mesma maneira. E com essa bravura breve, mostrou o quanto era sozinho e o quanto era cheio de pesares. Pesares demais pra alguém sustentar, pesares demais para um pobre enjaulado, um pobre animal esquecido.De coisas tolas como o amor, a coisas profundas como a dor, sempre tinha aquela linha tênue que era sua responsabilidade. Uma responsabilidade pesada demais, mas realmente tão pesada que o fazia andar curvado. E essa curvatura proposital mas não exatamente proporcional gerou um estorvo. E esse estorvo pesava. Pesava tanto que ele não sabia como se sentia antes disso. E não sentia mais nada direito no geral. Estava tudo jogado de qualquer maneira em uma caixa esquecida no fundo de um baú antigo e empoeirado, intitulado de perigoso. Perigoso como as gotas que não paravam de jorrar. Perigoso como sentir, como amar. Amar. Era o estorvo mais pesado. Ocupava mais espaço na caixa. Naquela pequena caixa, estufada até o topo com coisas mesquinhas e mundanas como o amor. E no ostracismo dessas emoções, escondia-se coisas próprias e impróprias, alguns impropérios e algumas palavras fortes, coisas acorrentadas de modo a nunca se soltarem ou assolarem a si mesmas, de modo a guardarem essa dança viciante, esse ciclo doloroso, essa decepção constante para si. Mas, de algum modo, crescia e nutria algo de fato grande. Algo que não tinha medo de gritar, não tinha medo do ridículo, não tinha medo de ser, de crescer, expandir e espalhar. E pelo ralo corria, corria, corria. Até, que finalmente, o sofrimento acabou. Acabou-se a dor, o choro, as manchas no carpete, o liquido negro que escorria de seu peito. Tudo cessou da maneira mais inesperada, e dessa maneira inusitada, calou. Calou pra sempre ou momentaneamente, mas calou. Calou de forma insegura, que balançava com o menor dos ventos e com a menor das expectativas. A dor acabou. Mas morreu. Morreu, e não pretende voltar jamais. A completa falta de sentimentos lhe acolhe e arrasta para a escuridão, onde finalmente é seguro. Morreu.
Hug Me
Todas as pessoas olhavam bestificadas. As luzes, a dança, as pessoas e os sorrisos. Todos realmente felizes e satisfeitos. Ela olhava de uma forma diferente. Não menos feliz, mas de certa forma, diferente.Estava surpresa consigo mesma. Queria estar ali, mas queria que mais alguém estivesse ali com ela. Achava realmente bonito tudo aquilo, mas de algum modo, sentia como se algo estivesse longe, perdido ou só distante. Queria saber o que era. Provavelmente, não saber o que diabos a incomodava era o verdadeiro incômodo. Em dado momento, pensou que só tinha guardado algo ra si ou para alguém, alguém que não sabia quem era. Ou preferia não saber quem era. Em uma fração de segundo, sentiu algo perto dela. Um araço. O alguém e o ninguém ao mesmo tempo. Agora o vazio se esvaia, resvalando por um ralo aberto.E se prencheu aos poucos com algo proibido, algo indesejado. E foi levada pra isso. Droga.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
I Wanna Hold Your Hand
“And when I touch you I’ll feel happy inside, it’s such a feeling that my love, I can’t hide. (…) I wanna hold your hand.”
Corpos se entremeavam em um pequeno cemitério. Ela andava na frente, com um negro vestido, e tão negro quanto o vestido, o véu. Sua fisionomia era séria, como a de quem perdeu alguém. O que, de fato, era verdade. Andava com passinhos curtos todo o fúnebre trajeto. Ela e cem mais pessoas, todas com a mesma sensação de perda, uma sensação nada agradável. Chorava em pequenos soluços, não queria alardear sua dor, que vinha de dentro, que vinha pra si, como ele veio pra ela, de forma sorrateira, quase imperceptível, mas intensa, e forte, como um rasgo, um rompimento na artéria aorta, algo difícil, quase impossível de consertar. Coisas quebradas involuntariamente, sombras esquisitas. Pesadelos que a circundavam de uma forma puramente melancólica, como seu estado de espírito. É verdade que ela não queria nada além dele. Queria a companhia eterna, mesmo que eterno por alguns segundos. Queria escutar mais uma vez a voz dele dizendo que tudo ia ficar bem. Queria segurar sua mão. E é essa a verdade sobre a maioria das mulheres. Elas só querem segurar a sua mão.
Corpos se entremeavam em um pequeno cemitério. Ela andava na frente, com um negro vestido, e tão negro quanto o vestido, o véu. Sua fisionomia era séria, como a de quem perdeu alguém. O que, de fato, era verdade. Andava com passinhos curtos todo o fúnebre trajeto. Ela e cem mais pessoas, todas com a mesma sensação de perda, uma sensação nada agradável. Chorava em pequenos soluços, não queria alardear sua dor, que vinha de dentro, que vinha pra si, como ele veio pra ela, de forma sorrateira, quase imperceptível, mas intensa, e forte, como um rasgo, um rompimento na artéria aorta, algo difícil, quase impossível de consertar. Coisas quebradas involuntariamente, sombras esquisitas. Pesadelos que a circundavam de uma forma puramente melancólica, como seu estado de espírito. É verdade que ela não queria nada além dele. Queria a companhia eterna, mesmo que eterno por alguns segundos. Queria escutar mais uma vez a voz dele dizendo que tudo ia ficar bem. Queria segurar sua mão. E é essa a verdade sobre a maioria das mulheres. Elas só querem segurar a sua mão.
Don't Let Me Go
"Where were you, when all I needed was a call?"
Estava deitado no chão. Uma garrafa praticamente vazia de rum ao seu lado. Uma música perturbadoramente melancólica tocando em alto e bom som. Ela abriu e se deparou com a figura de seu namorado estatelada no chão. Ele estava balbuciando algumas palavras quase ininteligiveis. "Onde você estava quando tudo que eu precisava era de uma ligação?" Essas palavras atingiram ela como um trem. Ela estava perambulando por alguma ruela qualquer a procura de alguma coisa realmente nada importante, depois da briga quase que apoteótica que eles tiveram naquele dia mais cedo. Algo sobre o fato de que ela não estava nem um pouco afim de continuar aguentando algumas coisas estúpidas que ele fazia, e de ele mandando ela ir se foder. Foi aí que ela saiu correndo e bateu a porta atrás de si, chorando. Estava magoada demais. Os dois estavam. Tinham que cortar toda aquela porcaria. E ela saiu correndo por essas ruas aleatórias a procura de respostas. Ele ficou em casa, bebendo rum e escutaqndo músicas melancólicas. Quando ela chegou, algumas horas depois, encontrou essa cena. Então, resolveu. Dali a dois dias iria embora. E os dois dias se arrastaram. Ela passou os dias fora, e as noites também. Ele passou os dias sem uma percepção realmente boa das coisas, e sem saber exatamente o que fazer. Ela clamava dentro de si pra ele não deixá-la ir. Não queria ir. Mas o orgulho a impedia de ficar. O dia chegou. Era uma noite realmente chuvosa de outubro, mas ela decidiu continuar. Enfiou tudo no porta-malas, e começou a ir. O pneu furou. Ela foi sair do carro pra tentar trocar o pneu, e encontrou alguém.
"O que diabos você está fazendo aqui?" ela disse, querendo dizer com todas as fibras de si que não a deixasse ir pra Michigan.
"Esperando você."
"Ah, é? Agora você me espera?"
"Eu sempre te esperei, e sempre vou esperar."
"Você é um babaca, sabia?"
"Eu sei disso. Minha mãe sabe disso, só você não sabia disso"
"Que seja. Vou chamar um táxi"
"Você pode deitar aqui na chuva comigo e não ir pra Michigan"
"É, e eu também posso comer cacos de vidro, mas adivinha só: Eu não vou"
"Vamos lá, eu sei que você quer"
"O caralho que eu quero. Pode sentar sozinho. Aproveita e fica por aí."
"Ok, então."
Ela telefonou pra um táxi, que chegaria em vinte minutos.
"Tem certeza que não vai sentar comigo?"
"Tenho, babaca."
Então, subitamente, ele a derrubou no chão.
"Porra, vai se foder. Qual o seu problema, afinal?"
"Você. Você é a raiz de todos os meus problemas, e ao mesmo tempo, a solução. Irônico, não?"
"Agora eu estou suja de lama"
Ele gargalhou e ela ficou levemente corada, algo praticamente imperceptivel através dos grossos pingos de chuva que caiam cada vez mais ritmadamente.
Ela o encarou, com um misto de raiva e tristeza. E chorou. Outra coisa que geralmente ficaria imperceptivel em uma noite chuvosa. Mas não pra ele.
"Não chore. Não vá. Fique."
"Eu... Não posso"
"Fique."
"Mas..."
"Fique."
E ela ficou. Ficou por mais tempo do que imaginaria. Ficou pra beijos e abraços, tormentas e amassos, brigas e risadas, e ficou feliz por ter ficado.
Estava deitado no chão. Uma garrafa praticamente vazia de rum ao seu lado. Uma música perturbadoramente melancólica tocando em alto e bom som. Ela abriu e se deparou com a figura de seu namorado estatelada no chão. Ele estava balbuciando algumas palavras quase ininteligiveis. "Onde você estava quando tudo que eu precisava era de uma ligação?" Essas palavras atingiram ela como um trem. Ela estava perambulando por alguma ruela qualquer a procura de alguma coisa realmente nada importante, depois da briga quase que apoteótica que eles tiveram naquele dia mais cedo. Algo sobre o fato de que ela não estava nem um pouco afim de continuar aguentando algumas coisas estúpidas que ele fazia, e de ele mandando ela ir se foder. Foi aí que ela saiu correndo e bateu a porta atrás de si, chorando. Estava magoada demais. Os dois estavam. Tinham que cortar toda aquela porcaria. E ela saiu correndo por essas ruas aleatórias a procura de respostas. Ele ficou em casa, bebendo rum e escutaqndo músicas melancólicas. Quando ela chegou, algumas horas depois, encontrou essa cena. Então, resolveu. Dali a dois dias iria embora. E os dois dias se arrastaram. Ela passou os dias fora, e as noites também. Ele passou os dias sem uma percepção realmente boa das coisas, e sem saber exatamente o que fazer. Ela clamava dentro de si pra ele não deixá-la ir. Não queria ir. Mas o orgulho a impedia de ficar. O dia chegou. Era uma noite realmente chuvosa de outubro, mas ela decidiu continuar. Enfiou tudo no porta-malas, e começou a ir. O pneu furou. Ela foi sair do carro pra tentar trocar o pneu, e encontrou alguém.
"O que diabos você está fazendo aqui?" ela disse, querendo dizer com todas as fibras de si que não a deixasse ir pra Michigan.
"Esperando você."
"Ah, é? Agora você me espera?"
"Eu sempre te esperei, e sempre vou esperar."
"Você é um babaca, sabia?"
"Eu sei disso. Minha mãe sabe disso, só você não sabia disso"
"Que seja. Vou chamar um táxi"
"Você pode deitar aqui na chuva comigo e não ir pra Michigan"
"É, e eu também posso comer cacos de vidro, mas adivinha só: Eu não vou"
"Vamos lá, eu sei que você quer"
"O caralho que eu quero. Pode sentar sozinho. Aproveita e fica por aí."
"Ok, então."
Ela telefonou pra um táxi, que chegaria em vinte minutos.
"Tem certeza que não vai sentar comigo?"
"Tenho, babaca."
Então, subitamente, ele a derrubou no chão.
"Porra, vai se foder. Qual o seu problema, afinal?"
"Você. Você é a raiz de todos os meus problemas, e ao mesmo tempo, a solução. Irônico, não?"
"Agora eu estou suja de lama"
Ele gargalhou e ela ficou levemente corada, algo praticamente imperceptivel através dos grossos pingos de chuva que caiam cada vez mais ritmadamente.
Ela o encarou, com um misto de raiva e tristeza. E chorou. Outra coisa que geralmente ficaria imperceptivel em uma noite chuvosa. Mas não pra ele.
"Não chore. Não vá. Fique."
"Eu... Não posso"
"Fique."
"Mas..."
"Fique."
E ela ficou. Ficou por mais tempo do que imaginaria. Ficou pra beijos e abraços, tormentas e amassos, brigas e risadas, e ficou feliz por ter ficado.
Amor é... Amor.
"If you love me, won't you le me know?"
Amava. Amava até com pronome obliquo em começo de frase.Amava com letra minúscula. Amava em tiops. Amava como nunca amou. Amava como nunca fora amado, mas com a intensidade de quando fora partido. E como quando fora partido, doía. Sangrava e manchava os pulmões de vermelho. Escorria pelos orgãos, pintando tudo com o escárnio e deixando uma cicatriz pegajosa e infima, mas que aria como o inferno. Naquela tarde pincelada pelos raios dourados do sol de final de verão ele podia sentir o sangue fervilhando e cozinhando ao som das suas próprias lamúrias molhadas. Sentia como se estivesse a alguns metros do sol. Queimando cheio de algo misterioso que se desfazia em águas revoltas e em essências esquecidas. Na sua própria essência esquecida. Apertava o ferimento, e sangrava mais, pingando na superficie amarelada do sol. E o ferimento se rompeu, trazendo a tona seu coração. O coração, o qual, tão cheio de remendos dava pena. Dava pena dele, e pena de quem ele estava sendo pra ela. Era um pouco tarde demais. Enterrou seu salto no pobre coração. Tarde demais.
Amava. Amava até com pronome obliquo em começo de frase.Amava com letra minúscula. Amava em tiops. Amava como nunca amou. Amava como nunca fora amado, mas com a intensidade de quando fora partido. E como quando fora partido, doía. Sangrava e manchava os pulmões de vermelho. Escorria pelos orgãos, pintando tudo com o escárnio e deixando uma cicatriz pegajosa e infima, mas que aria como o inferno. Naquela tarde pincelada pelos raios dourados do sol de final de verão ele podia sentir o sangue fervilhando e cozinhando ao som das suas próprias lamúrias molhadas. Sentia como se estivesse a alguns metros do sol. Queimando cheio de algo misterioso que se desfazia em águas revoltas e em essências esquecidas. Na sua própria essência esquecida. Apertava o ferimento, e sangrava mais, pingando na superficie amarelada do sol. E o ferimento se rompeu, trazendo a tona seu coração. O coração, o qual, tão cheio de remendos dava pena. Dava pena dele, e pena de quem ele estava sendo pra ela. Era um pouco tarde demais. Enterrou seu salto no pobre coração. Tarde demais.
Hold Me Tight.
"So hold me through the night, you'll be unawere, if you need me, I'll be there."
O colchão estava molhado. O gato miava, completamente alheio ao pequeno embrulho no colchão. Um coração pulsava, quente como novo. Pulsava pequeninho. E o outro pulsava grande, bem ao seu lado. Mas variava. Ficava na dele, batendo cada vez mais devagar. Batia e parava. Tum. Silêncio. Tum. Silêncio. Tum. Silêncio. Ambos batiam em harmonia, as vezes mais baixo, as vezes mais alto. Esse coro as vezes se misturava e se perdia nas buzinas do trafego agitado das manhãs barulhentas de Manhattan. Perdia-se com as almas corrompidas de policiais e bandidos, mendigos e hérois, deixados no limbo ou esquecidos aos sol para queimarem. Esses dois corações pulsantes temem e sofrem, esperando acordar ou jamais fazê-lo, e perseguem esse objetivo cegamente, com medo de desistir de si e deixar-se pra trás.
O colchão estava molhado. O gato miava, completamente alheio ao pequeno embrulho no colchão. Um coração pulsava, quente como novo. Pulsava pequeninho. E o outro pulsava grande, bem ao seu lado. Mas variava. Ficava na dele, batendo cada vez mais devagar. Batia e parava. Tum. Silêncio. Tum. Silêncio. Tum. Silêncio. Ambos batiam em harmonia, as vezes mais baixo, as vezes mais alto. Esse coro as vezes se misturava e se perdia nas buzinas do trafego agitado das manhãs barulhentas de Manhattan. Perdia-se com as almas corrompidas de policiais e bandidos, mendigos e hérois, deixados no limbo ou esquecidos aos sol para queimarem. Esses dois corações pulsantes temem e sofrem, esperando acordar ou jamais fazê-lo, e perseguem esse objetivo cegamente, com medo de desistir de si e deixar-se pra trás.
Would You Be Mine?
"Well it's a big, big city and it's always the same, can never be too pretty, tell me you name. Is it out of line, if I were simply bold and say would you be mine?
Mãos. O esmalte vermelho-fosco dela se destacava nas costas da mão esquerda dele. Pés. Andavam de modo quase que automático, quase que sincronizado. Batiam no asfalto com leves estalidos tímidos. O sol anunciava que o fim de tarde estava chegando O vento batia nos cabelos dela, assanhando a franja. Ele olhava para os pés, como de costume. Ela olhava pra ele. O barulho dos carros, motos, pessoas e vidas enchiam o ar. Ele parou pra amarrar os sapatos. Ela encarou o horizonte. Imaginava coisas. Coisas que a apraziam, de certo modo. Desejos. Ela a abraçou e tomou-a pela cintura. Andaram assim por alguns minutos. Ele sentou-se no meio fio e olhou os carros passarem. Ela gostaria de ter feito o mesmo. Ao invés de fazê-lo, ficou em pé, encarando os negros cabelos dele. Sentia o coração ribombar fortemente contra o peito. Tudo que ela queria era perguntar se ele seria dela, e só dela pra sempre, ou pelo menos enquanto o pra sempre durasse. Não tinha coragem. Se perguntava se algum dia teria. Ele havia se tornado frio e bastante distante nos últimos dias. Faltava algo entre eles, algo que já havia existido, mas que tinha escapado das mãos abertas deles, algo que não mudou, mas que de certa forma se metamorfoseou, se transformou, e que, em tão pouco tempo, foi embora do mesmo modo que chegou.
Mãos. O esmalte vermelho-fosco dela se destacava nas costas da mão esquerda dele. Pés. Andavam de modo quase que automático, quase que sincronizado. Batiam no asfalto com leves estalidos tímidos. O sol anunciava que o fim de tarde estava chegando O vento batia nos cabelos dela, assanhando a franja. Ele olhava para os pés, como de costume. Ela olhava pra ele. O barulho dos carros, motos, pessoas e vidas enchiam o ar. Ele parou pra amarrar os sapatos. Ela encarou o horizonte. Imaginava coisas. Coisas que a apraziam, de certo modo. Desejos. Ela a abraçou e tomou-a pela cintura. Andaram assim por alguns minutos. Ele sentou-se no meio fio e olhou os carros passarem. Ela gostaria de ter feito o mesmo. Ao invés de fazê-lo, ficou em pé, encarando os negros cabelos dele. Sentia o coração ribombar fortemente contra o peito. Tudo que ela queria era perguntar se ele seria dela, e só dela pra sempre, ou pelo menos enquanto o pra sempre durasse. Não tinha coragem. Se perguntava se algum dia teria. Ele havia se tornado frio e bastante distante nos últimos dias. Faltava algo entre eles, algo que já havia existido, mas que tinha escapado das mãos abertas deles, algo que não mudou, mas que de certa forma se metamorfoseou, se transformou, e que, em tão pouco tempo, foi embora do mesmo modo que chegou.
Oh My
"I'm not pretty, isn't it a pitty?"
O céu encheu-se de estrelas demasiadamente grandes para ocuparem somente os lugares que lhes foram designados. Em baixo, no cais, com os pés na água, um corpo deita-se e observa as estrelas. Procurando algumas respostas nelas, por mais esparsas ou deliberadas que fossem, ainda seriam respostas. Em algum tempo amanheceria, e do que ela mais sentiria falta era da forma que ele lhe cumprimentava todo dia. A lua estava cheia de um modo que parecia pronta a irromper em algo decididamente novo. Bom ou ruim de fato era indefinido, mas realmente novo.
"You love me but you don't know who I am"
He said. I told him to shuvle it into his fucking ass.
O céu encheu-se de estrelas demasiadamente grandes para ocuparem somente os lugares que lhes foram designados. Em baixo, no cais, com os pés na água, um corpo deita-se e observa as estrelas. Procurando algumas respostas nelas, por mais esparsas ou deliberadas que fossem, ainda seriam respostas. Em algum tempo amanheceria, e do que ela mais sentiria falta era da forma que ele lhe cumprimentava todo dia. A lua estava cheia de um modo que parecia pronta a irromper em algo decididamente novo. Bom ou ruim de fato era indefinido, mas realmente novo.
"You love me but you don't know who I am"
He said. I told him to shuvle it into his fucking ass.
Ninguém Veio.
O jantar está frio e ninguém veio. É engraçado como as pessoas andam sozinhas quase sempre e se mostram tão dependentes de alguém. O conceito de depêndencia também é engraçado. Assim como muitos conceitos. O de amor, de dor, ardor, vida e coisa e tal. O amor dói, mas doa o que doer, é muito pior viver sem ele. É como uma grande ferida aberta que nunca se fecha. A dor, tão cruel, complementa o amor. Amor dolorido, as vezes sem um porquê, as vezes sem rumo e sem os pés no chão. A dor coloca os pés dele no chão, na verdade, nas brasas. E queima. E acaba provocando o ardor. Talvez por alguns segundos, talvez por mais. Escondido por trás da ferida ou do esparadrapo, geralmente atrás do pudor. A vida descansa na cama, deixando-se levar. Espera que alguém a acorde e está pronta pra despertar. E tem a coisa e tal, que acaba sendo a mesma coisa que o tal e coisa. O jantar estava frio, e ninguém o comeu. Ficou a noite lá, pairando no ar, como palavras não ditas, pedras não atiradas e vidas imaculadas. Quando finalmente foi jogado fora, levou junto a ferida, a cama, as brasas e o esparadrapo, deixando algo insólito demais pra continuar pairando.
Leave Me A-L-O-N-E
Estando em posição de pedir, deixe-me em paz. Por que te deixar em paz? Porque a minha paz de espirito não tem preço, senhor. Não quero comprá-la, só quero entender o que te leva a essa decisão. Amor, meu senhor. E amor mata? Mata sim senhor, falta dele. Minha querida, não te jogas, que pra tudo nesse mundo tem solução. E você não te metes, querido, que por tua culpa me jogo. Nunca pedi a ti pra fazê-lo. Nunca precisou. Mas o que passa contigo para tão drástica decisão, querida? O fato é que acabou, e acabando, meu coração partiu, e não há esparadrapo que cole. Não pule. Não insista em pedir-me tal coisa. Amor. Me ame. Não dá. Adeus.
Eu Não Gosto De Ninguém
“Mesmo que eu pudesse controlar a minha raiva, mesmo que eu quisesse conviver com a minha dor, nada sairia do lugar que já estava, não seria nada diferente do que sou”
Caiu no chão. Tudo estava girando.Tentaram ampara-la. “Eu não gosto de ninguém. Então, solte-me.” Ela dizia, e se levantava sozinha. Depois de quinze shots de tequila, era normal cair. Mas não era isso que a corroia. Não, não. Coisa muito menos finda, muito menos longe da realidade do que o álcool. Caiu do barco. Na verdade não caiu, mas deixou cair, e foi como se a sua alma caísse e ficasse por lá, molhada e perdida na imensidão azul do mar. Na verdade, foi pior do que deixar cair. Empurrou. Quis deixar cair, em um rompante insano de fúria, deixou e por alguns instantes nublados não sentiu culpa. E essa ausência de culpa, de poder e pudor a deixou desamparada como nunca ficara. Eles sangraram. Ela estava penando agora por isso. Eles sentiram por uns instantes, mas ela iria sentir a vida toda. Não conseguia entender por que a afetava tanto. Eram apenas quase desconhecidos em um barco, como muitos outros que ela empurrou de várias maneiras e lugares diferentes. Mas tinha algo de esquisito e especial na face deles, algo bizarramente tenebroso que a fez gemer por dentro, e quase perder o prazer que toda aquela carnificina lhe provocava. Um prazer extremamente pessoal e doentio. Não gostava de ninguém, e ninguém nunca gostou dela, desde os tempos mais remotos, onde tudo era mais uma questão de repulsa e opinião até agora que seus delírios apontavam para algo maior. Estava absolutamente perdida. Remorso. Que sensação estranha. Seria a primeira e última vez. Jamais iria se permitir abrir daquele modo. E pra isso, teria que empurrar a si mesma, e não de modo metafórico. Teria que parecer algo que não fora planejado. E assim, acabou.
Caiu no chão. Tudo estava girando.Tentaram ampara-la. “Eu não gosto de ninguém. Então, solte-me.” Ela dizia, e se levantava sozinha. Depois de quinze shots de tequila, era normal cair. Mas não era isso que a corroia. Não, não. Coisa muito menos finda, muito menos longe da realidade do que o álcool. Caiu do barco. Na verdade não caiu, mas deixou cair, e foi como se a sua alma caísse e ficasse por lá, molhada e perdida na imensidão azul do mar. Na verdade, foi pior do que deixar cair. Empurrou. Quis deixar cair, em um rompante insano de fúria, deixou e por alguns instantes nublados não sentiu culpa. E essa ausência de culpa, de poder e pudor a deixou desamparada como nunca ficara. Eles sangraram. Ela estava penando agora por isso. Eles sentiram por uns instantes, mas ela iria sentir a vida toda. Não conseguia entender por que a afetava tanto. Eram apenas quase desconhecidos em um barco, como muitos outros que ela empurrou de várias maneiras e lugares diferentes. Mas tinha algo de esquisito e especial na face deles, algo bizarramente tenebroso que a fez gemer por dentro, e quase perder o prazer que toda aquela carnificina lhe provocava. Um prazer extremamente pessoal e doentio. Não gostava de ninguém, e ninguém nunca gostou dela, desde os tempos mais remotos, onde tudo era mais uma questão de repulsa e opinião até agora que seus delírios apontavam para algo maior. Estava absolutamente perdida. Remorso. Que sensação estranha. Seria a primeira e última vez. Jamais iria se permitir abrir daquele modo. E pra isso, teria que empurrar a si mesma, e não de modo metafórico. Teria que parecer algo que não fora planejado. E assim, acabou.
Ode To Joy
Alegria. Que coisa incerta. Simplesmente incerta. Insípida. Incolor. Inexplicável. Irrecuperável. Inestimável. Eu poderia achar muitos adjetivos com "I" para a palavra "alegria", mas não é exatamente sobre isso que eu quero falar nesse post. Eu quero falar da alegria de uma lágrima. Da alegria clandestina. Da alegria que você não sabe que sente ou faz alguém sentir. Quero falar de mim e de vocês (se é que alguém está lendo meu post). Algo que vem mais de dentro pra fora do que de fora pra dentro. Alegria. Sete letras. Com um significado tão grande. Felicidade. Proporcionar isso a alguém esquenta você por dentro. Não como auto-imolação, mas como se uma pequena chama estivesse cozinhando lá dentro. Isso pode até ser clichê. Mas sendo clichê ou não, foda-se. Eu estou sentindo algo como isso agora. Algo que me faz sentir viva. Que me dá vontade de sair correndo e gritar pra todo mundo escutar. Eu faço alguém feliz. Eu tenho essa capacidade, quase que uma dádiva. Eu faço alguém feliz. Mais do que alguém. Faço algumas pessoas felizes. E recementemente descobri que faço uma quase-desconhecida feliz. E isso me deixa inesperadamente feliz. Feliz como se eu não tivesse nada a perder. Feliz como se um raio de 500 voltz estivesse percorrendo o meu corpo. É como eletricidade. Um sentimento muito novo pra mim. Na verdade, eu o sinto fazem duas semanas, aproximadamente. Culpa de um cara. Mas agora, a intensidade disso cresceu. Eu faço alguém feliz. Alguém me faz feliz. A eletricidade ainda me percorre. Alegria. Felicidade. Gosto de me sentir assim. Vou fazer o possível para que nunca mude. Paixão. Voracidade. Joy.
Twelve Of July
Então, esse dia é realmente um dia esquisito. Um dia que você não sabe exatamente o que fazer, ou como agir. A maioria das pessoas nem tem com quem comemorar essa data. Tem amigos, parentes. Mas não tem o que o dia propõe, que é um namorado. Alguns se sentem rejeitados por não terem um namorado. Outros não ligam. E outros mandam tudo pra o inferno e saiem com os amigos pra ver filmes de terror. O fato é que o dia dos namorados não passa de puro maketing. Assim como várias datas comemorativas. Como é que um golpe de marketing afeta tanto as pessoas assim? Simples. A solidão desse dia. O que representa estar sozinho em um dia criado para se celebrar o amor ou paixão de duas pessoas, sejam elas do sexo oposto ou não. Sejam gays, bisexuais, ou héteros, ninguém quer estar sozinho nesse dia. Quer estar com quem se ama. Segurando mãos. Dando beijos e abraços. Entregando presentes. Aproveitando a companhia. Vivendo os momentos. E todos preferem estar com alguém especial, alguém que vá fazer esse dia ficar especial. Sejam eles amigos, namorados, ficantes, ou até seu cachorro. Confesso que eu gostaria de passar o Dia Dos Namorados com o meu ficante. Mas ele terá que viajar. Eu respeitarei isso. Não sou de fazer escândalo. Desde que depois eu possa estar junto dele, sentindo o cheiro dele, acho que tudo ficará bem. Estar sozinha nesse dia não é nada demais. Significa que você AINDA não arranjou alguém pra aproveitar. Estamos todos fadados a encontrar esse alguém. Ou talvez não. Não sei. Não sei de mais nada. Na verdade, não estou me aguentando. Feliz Dia dos Namorados, queridos. Boa sorte.
Liberdade
Então, rececentemente tivemos essas discussões na aula de português sobre esses tópicos aleatórios. E um tópico escolhido foi a liberdade. Pra mim, liberdade é muita coisa.
Libertinagem. Ausência de autoridades. Ausência dos pais. Sexo. Drogas. Rock 'n' Roll. Fazer o que você quiser fazer quando você quiser fazer. Ouvir música alta. Se libertar. Sair do cotidiano. Passar a perna no sistema. Mandar essa merda se foder. Pintar o cabelo. Pular a janela. Pular a cerca. Comer no quarto. Usar o computador escondido. Matar aula. Burlar as regras. Pular. Dançar na chuva. Usar sapatos coloridos na escola. Dormir até tarde. Se acabar em uma festa. Sair de casa. Ligar pra alguém. Tomar coca-cola. Andar de ônibus. Tomar sorvete com chuva. Se beijar na frente de muita gente. Escapar de si mesmo. Andar no meio-fio. Dirigir. Comprar bebida. Beber. Ir a festas. Usar emoticons. Comer chocolate. Beber wisk com coca-cola. Ouvir Beatles. Aumentar o som até os seus vizinhos reclamarem. Andar de skate, bicicleta, patins, patinete, ou correr. Sentir o vento nos cabelos. Amar. Não amar. Se contrariar. Dominar a situação. Não dominar. Deitar na grama. Rolar no chão. Tomar banho de piscina. Mergulhar de cabeça no mar. Sentar na areia. Dormir na aula. Roer as unhas. Printar coisas no MSN. Escrever. Sorrir. Fazer alguém sorrir. Olhar o sol se pôr. Sair com os amigos. Pintar a parede. Redecorar seu quarto. Ler antes de dormir. Dormir de luz acesa. Ver TV. Assistir a copa com os amigos. Jogar Banco Imobiliário. Comer pão-de-queijo enquanto vê a chuva cair. Ver a chuva cair e o sol surgir. Ir ao médico. Compor. Testar sua paciência. Xingar bandas coloridinhas. Perder no poker. Fazer criancices. Crescer. Namorar. Ficar. Virar a noite. Se sentir uma criança. Dormir fora. Fazer festas do pijama. Brincar de barbie. Fazer vídeos. Tirar fotos. Ser feliz. Liberdade. Ar fresco.
Libertinagem. Ausência de autoridades. Ausência dos pais. Sexo. Drogas. Rock 'n' Roll. Fazer o que você quiser fazer quando você quiser fazer. Ouvir música alta. Se libertar. Sair do cotidiano. Passar a perna no sistema. Mandar essa merda se foder. Pintar o cabelo. Pular a janela. Pular a cerca. Comer no quarto. Usar o computador escondido. Matar aula. Burlar as regras. Pular. Dançar na chuva. Usar sapatos coloridos na escola. Dormir até tarde. Se acabar em uma festa. Sair de casa. Ligar pra alguém. Tomar coca-cola. Andar de ônibus. Tomar sorvete com chuva. Se beijar na frente de muita gente. Escapar de si mesmo. Andar no meio-fio. Dirigir. Comprar bebida. Beber. Ir a festas. Usar emoticons. Comer chocolate. Beber wisk com coca-cola. Ouvir Beatles. Aumentar o som até os seus vizinhos reclamarem. Andar de skate, bicicleta, patins, patinete, ou correr. Sentir o vento nos cabelos. Amar. Não amar. Se contrariar. Dominar a situação. Não dominar. Deitar na grama. Rolar no chão. Tomar banho de piscina. Mergulhar de cabeça no mar. Sentar na areia. Dormir na aula. Roer as unhas. Printar coisas no MSN. Escrever. Sorrir. Fazer alguém sorrir. Olhar o sol se pôr. Sair com os amigos. Pintar a parede. Redecorar seu quarto. Ler antes de dormir. Dormir de luz acesa. Ver TV. Assistir a copa com os amigos. Jogar Banco Imobiliário. Comer pão-de-queijo enquanto vê a chuva cair. Ver a chuva cair e o sol surgir. Ir ao médico. Compor. Testar sua paciência. Xingar bandas coloridinhas. Perder no poker. Fazer criancices. Crescer. Namorar. Ficar. Virar a noite. Se sentir uma criança. Dormir fora. Fazer festas do pijama. Brincar de barbie. Fazer vídeos. Tirar fotos. Ser feliz. Liberdade. Ar fresco.
domingo, 10 de outubro de 2010
Desculpa
Então, desculpa, gente.
Ainda estou sem computador pra postar, apesar de ter milhares de textos pra postar aqui. Quando puder, posto.
Beijos, pra quem quer que me leia, se é que alguém me lê.
Ainda estou sem computador pra postar, apesar de ter milhares de textos pra postar aqui. Quando puder, posto.
Beijos, pra quem quer que me leia, se é que alguém me lê.
domingo, 12 de setembro de 2010
Parque das Dunas

Acho que ficar sozinha em um parque, às três e meia da tarde, quando o mesmo está fechado, não é exatamente o tipo de programa realmente especial que uma garota gostaria de fazer. Não é realmente o programa especial que NINGUÉM gostaria de fazer. Fiquei sentada no sol por algum tempo, olhando para o lado em que a luminosidade vinha, por que era esse o lado o qual supostamente viriam os carros das mães das minhas amigas. Muitos carros passaram. Nenhum conhecido. Os minutos correram. Acho que fiquei sentada lá mais tempo do que eu posso contar, com o sol na minha cara, esperando. E doente, eu estava doente. O guarda com uma farda do exército me perguntou se eu queria entrar, e eu aceitei. Entrei e sentei-me na calçada que dividia a rua por onde alguns carros do exército entravam e o posto onde geralmente se compravam as entradas para o parque. Aparentemente, nas segundas o parque só abria para pessoas que praticavam cooper. Eu não praticava cooper. Natália não praticava cooper. Malu não praticava cooper. Ninguém praticava cooper. E pensar que eu fiz a mãe de Eric me levar até lá pra absolutamente nada. Certo, eu não a fiz me levar, ela quis me levar. Eu até a pedi pra não me levar. Mas mesmo assim. Pra nada. “O que você está fazendo aqui, em uma segunda feira de sol, sentada no meio fio, com uma bolsa enorme e um livro?” O guarda parecia ser do tipo amigável, e estava sendo um pouquinho inconveniente, já que eu estava bastante absorta no livro que eu estava lendo e nos meus pensamentos mais profundos sobre as coisas mais aleatórias. Despertei desse tipo de transe que eu entro às vezes. É realmente involuntário. “Eu ia me encontrar com as minhas amigas. Aparentemente elas estão atrasadas.” Respondi, sem desviar o olhar para ele, mas marcando o livro com o dedo, apesar de saber exatamente a página que eu estava, 121. “Parece que as suas amigas não vem” Atestar o óbvio é realmente deprimente. “Eu estou vendo. Sabe, esse livro me irrita. Tem tantas percepções do amor que realmente me aborrecem.” Ele me olhou com curiosidade. Garotas de 14 anos geralmente não tem exatamente percepções do amor aborrecidas ou que não tenham nada a ver com um vampiro brilhoso e idiota. “Por que você se aborrece com essas perspectivas do amor?” Ele parecia realmente interessado. “Ah. Por que eu não acredito no amor.” Isso o surpreendeu. Discutimos o assunto. O qual, na verdade, era um assunto realmente esquisito pra se conversar com um cara do exército que estava tomando conta do parque nas segundas e das pessoas que faziam cooper. Não era um assunto convecional, na verdade. No fim, acabamos conversando durante meia hora, ou mais. Estava ficando escuro. “E então, você não vai pra casa?” A verdade é que eu não tinha dinheiro. “Eu, bem, não tenho dinheiro pra pegar o ônibus até o natal shopping. Ia pegar carona pra lá com a minha amiga, que não veio.” “Onde você mora?” “Em piau. Em uma fazenda” Ele ficou estupefato. “Eu tenho família em Arez. Seu pai é Alexandre?” Eu sorri. “É sim.” Ele sorriu. “Eu o conheço. Quer saber? Tome, dois reais, pra você pegar o ônibus.” “Eu não posso aceitar.” “Pode sim. Vá e chegue bem em casa” Eu agradeci, mas nunca soube o nome dele.
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