sábado, 14 de novembro de 2009

Money Can't Buy Me Love


“I don’t care too much for money, cause money can’t buy me love”

Sabe, eu te compraria um maldito anel de diamantes, se isso te fizesse feliz. Eu tenho dinheiro, mas dinheiro não pode comprar-me amor. Amor de todas as formas, amor que dinheiro não compra, amor colorido (dependendo da droga que você tomou), amor até em forma de unicórnio se você pedisse. Mas eu ficaria muito mais satisfeito se você simplesmente decidisse que quer o tipo de coisas que o dinheiro não pode comprar. Coisas tipo um lampejo de alegria, uma gota de água nas folhas, um bolo feito em casa, um café da manhã em família, uma macarronada de domingo, e o amor propriamente dito. Então eu decidi que dinheiro não me compra amor, então é por isso que eu estou juntando minhas coisas, ah não, espere, a casa é minha, suas coisas, e colocando no carro do Alfred, você vai embora amanhã ao amanhecer, por que se tem uma coisa que eu aprendi com você é que dinheiro não me compra amor, e que amor nem sempre vem na forma de uma bela mulher de pernas grossas e cabelos escuros caindo em cascatas perfeitas nos ombros. Não, não senhora. Amor pode vir na forma de uma velha senhora, perdoe-me, agora minha velha senhora, a mulher que merece o tal diamante, e o amor em forma de unicórnio, por que não é isso que ela quer. Ela só quer o bom e velho Paul. Não Paul o milionário, não Paul o detentor de todos os vinhedos famosos da Europa, e nem Paul o baixista. Não, ela quer Paul, só Paul. Pra tomar um pouco de vinho perto da lareira e conversar sobre o dia que teve, ao invés de pedir-me o anel. E é isso que a diferencia de você, Mercedes.

Atenciosamente, Sir. Paul.

She Falls Asleep


“She falls asleep and all she thinks about is you”

Drogas. Sexo. Rock ‘n’ Roll. Evanna tinha adotado isso como modo de vida. Não se lembrava de muita coisa desde que acordava pelas manhãs arrastando o lençol pela casa pra pegar leite na geladeira e pra curar a larica. Solta-la por aí foi o erro de seus falecidos pais. Ela costumava dizer que fora de desgosto, mas estava sempre profundamente letárgica, fora de si vinte e quatro horas por dia. Evanna costumava ser uma pessoa amável. Costumava ser boa no que fazia na escola, boa filha, boa tudo. Conheceu então, Andrew. Ela o amava. Ele a fazia de joguinho. Ele bebia e usava heroína, e ela começou também. Ele não tinha senso de pudor, e Evanna perdeu o seu também. Foi pega por vezes transando com Andrew em lugares públicos, como a praça. Ela perdeu sua vida que não com Andrew. Não ia a escola, maltratava os menores, desfilava com roupas menores que a calcinha. Deu realmente desgosto nos pais, que não a deserdaram por pouco. Bebia, injetava, cheirava, e fumava. Participava de orgias, quanto mais melhor. Mudou completamente quem ela era por um cara que não a amava verdadeiramente. Então, Andrew conheceu Chris. Ela era quase que o mal encarnado, e Evanna aspirava parecer-se com ela. De nada adiantou. Andrew preferiu sua alma gêmea, a que nasceu má, e não a que mudou por amor, um puro amor. Evanna não parou com nada o que fazia. Mas agora se afogava em lágrimas de puro pesar. Pensava nele sempre, acordada ou adormecida, e agarrava quase que qualquer fiapo de que Andrew voltaria pra ela. Não podia estar mais errada. Ela sabia que ele nunca voltaria, mas preferia não acreditar. Por vezes me ligou pra dizer com frases desconexas que seu coração estava partido e que não sabia se ele recobraria o formato inteiriço. Eu a ouvia chorar e ia até sua casa, mesmo sem saber o que dizer, coloca-la pra dormir, por que nessas ocasiões, Evanna estava simplesmente bêbada demais pra se despir sozinha. E isso começou a acontecer cada vez mais frequentemente, até o ponto de que o ar que ela respirava era pra ele. Eu não sabia se ela queria morrer ou viver, mas sempre estava pendurada em um fio de lucidez. Um fio por demais transparente e inseguro, pronto pra desaparecer. Ela não tinha mais a quem recorrer. Nada mais fazia sentido. Evanna embebeu-se em álcool, embebeu seus sonhos e quaisquer esperanças no doce sono da inconsciência de seus atos. A maquiagem mais pesada que nunca, tornou-se quase menos que uma prostituta, explorando aventuras sexuais com desconhecidos. Sempre se lembrava de Andrew. Sabia que ele estava com Chris. O frio a pegava desprevenida, a temporada de inverno começou, o que congelou suas lágrimas. Em sua última conversa lúcida, ela me fez a seguinte pergunta: “Ele algum dia vai perceber que eu o amo e vai voltar pra mim?” Ela me olhava com um olhar meio vago, mas esperançoso. Eu me perguntei se os efeitos das drogas tinham passado por um tempo, mas acreditei que não. “Não sei o que te dizer.” Foi tudo que eu consegui dizer antes que ela desabasse no choro de novo, murmurando coisas incompreensíveis. Sempre parece que ela não vai agüentar mais. Que ela simplesmente vai cair no sono aos prantos de novo e nunca mais vai acordar. Andrew havia voltado à cidade, junto com Chris, em uma manhã ensolarada de agosto. Ele resolveu ir até a casa dela, pra machucá-la mais um pouco. Quem sabe pisar em seu coração, seguido de uma ligeira pancada no corpo oco que ele vai deixar pra trás? O fato é que Evanna não tranca a porta da frente, só a do quarto. Ele entrou, subiu as escadas sem saber que fazendo isso já a estava machucando. A porta do quarto estava trancada, e segundos depois, um grito agonizante percorreu a casa. Ela não tinha mais nada a dar, agora. Estava morta. Não se matou. Estava apenas esperando que ele fosse voltar pra um pouco mais. E morreu de falência múltipla de órgãos. Infarto, cirrose e falta de ar. Ev sempre foi minha melhor amiga. Minha melhor amiga pra sempre. E agora eu estou lendo essa carta que eu fiz pra ela, no enterro. Acho que eu afoguei minhas emoções de ver minha amiga definhando aos poucos no papel. Andrew se foi, não sei exatamente pra onde, mas espero que o mais longe possível de Evanna. Eu sinceramente não sabia o porquê de que ela queria viver, estava vivendo uma sobre vida. Fico feliz de que o sofrimento dela tenha cessado, e triste por ela não ter conhecido alguém que a fizesse bem e a desse valor. O coração dela agora está inteiriço, e está onde deveria estar o tempo todo: dentro do peito. Ela o segurava pela janela demais, precisava parar com isso. Bem, o tempo deu um jeito de ela parar. Ev, se puder me ouvir, eu te amo, e serei eternamente culpada de não ter conseguido proteger você de si mesma. Foi tarde pro Andrew pra perceber os erros dele, e tarde pra você pra perceber os seus. Peço que me salve, por que tenho esperado por muito tempo. Tchau, Ev. Espero que enfim fique em paz consigo mesma.

Dianne.

Story Of a Girl


“This is the story of a girl, who cried a river and drowned the whole world”

Andrew segurou uma foto de Emeline, que era sua melhor amiga desde que dividiram o berço, aos exatos cinco anos. Ela estava carrancuda, olhava pra o nada com um olhar de desinteresse profundo pelos que a rodeavam (sua família) e parecia estar com muita raiva de quem quer que estivesse olhando essa foto nesse momento. Andrew sabia que Em era maravilhosamente esplendrosa quando sorria, isso era inegável. Mas naquela e em todas as fotos, Emeline insistia em olha pra o nada. Detestava fotos. Detestava laços familiares. E detestava mais ainda ter que se reunir com sua família pra tirar fotos. Era sufocantemente desagradável ao extremo. Sempre a pediam para colocar vestidinhos desconfortáveis e para “se parecer com uma garota, pra variar”. Ora, ela podia se parecer com quem diabos ela quisesse, insistia em dizer pra Andrew. E ele concordava, não ousava discordar. A verdade é que ela era sempre absolutamente encantadora, e a família dela era feita de completos idiotas. Ou talvez fosse só eu que a amasse demasiadamente pra vê-la triste.Amava tanto que meu coração quase explodia. Ainda amo. Se puder me ouvir, Em, eu ainda te amo.
Andy.

Ser gay ou não ser?


“So you say, It’s not okay to be gay?”

Me diz uma coisa: por que não seria ok ser gay? Me diz o problema. Por que diabos seria errado? Desde quando amor é errado? Uma relação gay é uma relação de amor também. Eu estou realmente querendo saber. E não me venha com aquela bobagem moralista de que é pecado, nem de que “Eu não sou contra, mais eu não apoio.” Pra você não apoiar uma coisa, você certamente deve ter motivos, correto? Como você pode não ser contra mais não apoiar? Que sentido isso tem? Se você não tem nada contra, logicamente você deveria apoiar. Mas tudo o que eu ouço na aula de formação ético social são essas babaquices. É isso que elas são. Tremendas babaquices de uma sociedade mentalmente enrustida, falei. É errado por que a igreja diz? Bem, sinceramente, a igreja já esteve errada antes, vão folhear um livro da idade média, pelo amor de deus! Amor é amor de qualquer forma, de qualquer sexo, de qualquer porra de coisa. Jesus Cristo não pregava amor? Bem, isso é amor. Eu sou judia, muito mais pra ateia do que pra judia, já que minha religião também repugna gays. Eu não sou gay, lésbica, sapatão, ou o termo desrespeitoso que usam pra falar de mulheres homossexuais. Não, eu sou heterossexual. Curto homens. Mas e se eu não fosse que diferença faria? Começariam a sentir raiva de mim? Parariam de ler meu blog? Jogariam tomates em mim? Pois que fossem em frente. Já agüentei mais que isso com relação ao meu peso, e com relação à minha religião, acredite. E por que eu estou na defesa dos homossexuais? Por que isso não está certo. E eu luto contra o que eu acho errado, mesmo que verbalmente, ou em palavra escrita. Os gays merecem casamento. Merecem filhos. Merecem que os olhem como iguais. O que eles tem a mais? Uma segunda cabeça ou coisa assim? Não. Tudo que eles querem érespeito, nada mais. Eles se sentem pressionados, muitos cometem suicídio. Taí outra coisa abominada pela igreja. Bem, então é escolha dela. Ou um gay vivo, ou um gay suicida. E fica pra vocês pensarem: Se sua(seu) melhor amigo virasse gay, você ia deixar de falar com ele(a) e trata-lo como uma pessoa “diferente”? Ou você quebraria as barreiras? Sem hipocrisia e moralismo, pessoal, eu quero a verdade. Ser gay é normal, tanto quanto beber um copo de água. Eles são gente que nem vocês, e se alguem me der uma lista de dez motivos plausíveis de porque os gays sendo diferentes não merecem respeito. Eu apago esse post como se ele nunca tivesse existido. Enquanto isso, o desafio está lançado.

Brasil, Mostra a Tua Cara


“Tuas ideias não correspondem aos fatos (...) eu vejo o futuro repetir o passado, o tempo não para.”
A sociedade está em um longo processo de putrefação. E está começando a cheirar mal. Um longo processo doloroso. As manchetes anunciam aquecimento global, balas perdidas, mensalão, mensalinho, dinheiro na cueca, educação precária, cotas pras universidades, sanguessugas, falta de verbas, falta de incentivos, falta de tudo e mais um pouco. O jornal reflete parte das coisas. O caso da menina Isabella, por exemplo. Trágico. Não trágico o suficiente pra passar três meses nas manchetes, nas capas de revista e tudo mais. Isabella que me perdoe, mas essa é a verdade. E sabe por que ela passou essa eternidade nas manchetes? Por que ela era uma menina de classe média. Não se espera de pais de classe média atirarem suas filhas da janela de andar nenhum. Mas se um pai de uma menina de favela a joga do quadragésimo andar está tudo bem. Só menos um pobre no mundo. Se um policial mata um traficante, está tudo bem. É só menos um traficante. Mas se um traficante mata um policial é outra história. E a mídia é sensionalista, vale salientar. Ou seja, se o cara era um traficante pra sustentar sua família, ele vira um serial killer classificado, com mais de oito assassinatos registrados. As pessoas nunca param pra pensar que tem sempre o lado absurdo do Brasil, o que deveria ser enfocado e quando é enfocado, todo mundo fecha os olhos e tampa os ouvidos. Os políticos saem impunes, e são reeleitos pelas pessoas que mais reclamam deles: a gente. Roubam dinheiro a torto e a direito. Como diabos José Sarney foi ser presidente do senado? Como a gente pode ter um presidente analfabeto? Como é que as pessoas podem simplesmente olhar pra isso e resmungar um “é normal”? Isso não é normal. O que é menos normal ainda é o fato de um estádio estar sendo construído na cidade de Natal RN, por causa da estúpida copa, enquanto ainda tem tanta gente dormindo com fome e dormindo na rua? O que custa abrir mão do carro esporte, Mantega? O que custa abrir mão das viagens ao exterior, senhor Inácio? O que custa? Custa todo meu orgulho de ser brasileira, por enquanto. Depois vão custar meus impostos, e logo a seguir, minha dignidade. Brasil, mostra tua cara.