domingo, 28 de outubro de 2012

Love Will Tear Us Apart Again

Nos últimos dois meses eu pude experimentar o que é uma amizade. Várias amizades. Eu estava extremamente carente por que muitos amigos tinham ido pra o intercâmbio, tava me sentindo meio sozinha, abandonada. E de repente, um dos meus blogueiros favoritos chegou com essa ideia de Blog. E poxa, que ideia genial. Juntar um monte de meninas pra desabafar, conversar, se amar, e contar suas histórias, suas jornadas. E uma das regras era estilo Clube da Luta, sabe? Nada pode sair dali. Mas saiu. E quando saiu, o grupo foi deletado nas pressas. Depois desse, surgiu outro, com beeeeeeem menos meninas, por que a gente gostou do clima intimista e amoroso do outro grupo. Ficamos confortáveis umas com as outras. Compartilhamos segredos, besteiras, fotos, nossas vidas, nossas partes do corpo, nosso amor, coração e vivências. Tava bom demais pra ser verdade. Veio mais um problema, um vazamento de informação. Poxa, um vazamento de informação de pessoas que em tão pouco tempo já estavam no meu dia-a-dia, pessoas pras quais eu contava minhas experiências, dividia meus medos, ria das minhas piadas e compartilhava, de verdade, um sentimento enorme de cumplicidade, amizade, honestidade e muito mais que isso. Um elo que eu não tenho com quase ninguém, eu consegui construir com vocês. Por mais que tenham dado problemas, é um elo que eu não quero quebrar. Quando for a SP quero ver a Jess, a Helo, a Rafa, a Érika, a Joi, a Gaby. Pra Minas, Nath, exijo abrigo na sua casa. Pro RJ, Cami Ripoll, Camis Frescurato, Tamys. Pra PE, tem a Mayra e a Dill. No RS tem a Gabi, a Jéssica Vinadé... Tem até a May em Manaus e o Doug em Brasília! O problema que rolou provavelmente vai acabar com a nossa terceira fuga, o nosso grupo que servia de porto seguro. Então eu estou me aproveitando da oportunidade de dizer que eu amei a experiência, e sempre que precisarem, podem ligar, mandar mensagem, falar no whats, inbox no fb... Eu sempre vou estar aqui. Ansiosa pra saber como vamos ficar. Acho que eu, ao menos, vou me sentir desamparada pra sempre. Conto com o amor de vocês. E podem contar com o meu. Tô escrevendo isso tudo por que escrever é a minha maneira de me expressar. Fora as lágrimas que tão rolando de saudade prematura e de desapontamento, é escrevendo que eu me solto. Obrigada por terem confiado tanto em mim o tanto eu confiei em vocês. Amo muito vocês, e espero poder manter a amizade ao longo dos anos. E ah, ainda espero vocês no meu halloween.
E na minha casa, quando puderem.
Milhares de beijos saudosos e tristes,
Bee Mascotinha

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Na Madrugada Sem Fim

- Vá lá. -
- Mas ele não me quer. -
- Mas vá! - Estava cansada de não fazer exatamente o que queria. Dane-se. Foi lá, decidida, pela oitava vez na noite. Mas a vodka já tinha-lhe subido à cabeça, então fez. Tascou o beijo. Não sabia que horas eram. Sabia que parecia que as coisas do lado de fora estavam entorpecidas. Que estava bom onde estava. Apesar dos inúmeros dedos enfiados no meio, vodkas jogadas na cara, e interrupções de bêbado, foi interessante. O beijo continuou, sem pausas pra conversa. E prosseguiram.
- Você me segura se eu cair? -
- Seguro. -
Andaram pelas tortuosas ruas de paralelepípedo. Tropeçando, mas não caindo de verdade. Isso podia ser entendido como uma metáfora pra sua vida. Tropeçando, mas nunca caindo. Aos tropeços, seguiam. Seguia. Tequila. Dedos entrelaçados. Sentiu falta desse entrelaçar de dedos. Não propriamente dele, mas desse gesto. Gostoso gesto. O grupo de amigos foi expulso de onde estavam por causar desordem. E rindo, foram embora. Que estraga prazeres. Andaram até a pizzaria fechada do amigo. Até os sofás da pousada. Sentaram lá, e exploraram. Voltaram até a pizzaria, com o intuito de jogar. Não deu. O jogo foi brutalmente interrompido por uma indiposição de uma das amigas, e por falta de fichas (o tal jogo era o famoso poker, com o adendo do strip). Voltaram pra casa do amigo, todos juntos, segurando o riso pra não acordaram os hospédes da pousada. Voltaram de mãos entrelaçadas, corpos juntos, mas sem palavras pronunciadas. Chegaram na casa. Enquanto todos se arranjavam pra dormir, ele deitou na rede e ela entrou pra se trocar. Voltou só usando uma calcinha e sua blusa favorita.
- Você vai deitar aqui? -
- Hm. Não sei. -
- Eu quero dormir sozinho. -
- Tá. Não vou dormir aqui. -
- Me bateu um mal estar, um arrependimento de ter ficado com você. Não queria ter ficado com ninguém. -
- E por que você não recusou? -
- Sei lá. -
- Eu já sabia que você não tava afim de mim -
- É. - Estava se sentindo horrorosa. Muito horrorosa. Quem já tinha se arrependido de ficar com ela, e dito assim, na cara dura. Só queria socá-lo. Ao mesmo tempo, queria ficar sentindo aquele cheiro enebriante do perfume dele.
- Você é um babaca. -
- Eu sei. -
- Posso te socar? -
- Tá, mas não no nariz. - Colocou as mãos em volta do nariz. Meteu-lhe um soco no maxilar, mas não usou a força total. Não queria machucar, verdadeiramente. Ou queria? Ainda estava pra decidir.
- Sabe o que é péssimo? Eu quero muito te socar, mas gosto do teu perfume. -
- Eu nem gosto muito dele, é muito comum. -
- Eu gosto. - Ficou lá, deitada, perto do pescoço dele.
- O que eu faço, ein? -
- Sei lá. -
- Sério, po. -
- Não sei. Só não me beije. -
- Não estou beijando. -
- Eu sei. -
Levantou pra tomar água e foi pra o sofá. Ela adormeceu por uma fração de segundo, e ele sentou no sofá. Levantou, com o intuito de ir dividir uma cama lá dentro, com uma das meninas.
- Vou entrar. Vá dormir na rede. - Selinho. Entrou, e ao não encontrar cama disponível, voltou e dormiu no sofá. Cochilou, das sete às oito da manhã. Quando acordou, ele já não estava mais na rede. Levantou, sem rumo, e o encontrou na porta do quarto onde todos dormiam. Murmurou um bom dia inaudível e voltou pra o sofá. Deitada, ainda só de blusão e de calcinha. Maquiagem borrada. Ele passou e parou.
- Praia? - Estava de bermuda e blusa.
- Agora? -
- É. -
- Ok. -
- Tô indo, qualquer coisa me liga. -
- Mas eu não tenho teu número. - E sumiu dentro da casa, decidida a se enfiar na saia da noite anterior, que nada tinha a ver com a blusa que estava vestindo.
- Vai anotar? -
- Me espera, tô indo. -
- Ok. - Depois de uma interminável luta com a saia, saiu, ainda de maquiagem borrada, saia amarrotada, blusa larga, sapatilha sujinha. Andaram em silêncio quase absoluto até a mesa do café, com o barulho dos passos de ambos ecoando fundo. Comeram quase que em silêncio. Ela, no celular, conversando com as amigas sobre o menino que estava na sua frente. Ele, ouvindo música no celular. Ela só tomou um copo de suco de goiaba, sem açúcar.
- Posso tomar um gole? -
- Pode, pode sim. - Terminaram e levantaram. Andaram quase em silêncio, apesar do burburinho da cidade praiana em plena atividade às nove da manhã. Andaram muito, quase sem falar. De vez enquando, soltavam comentários bobos sobre alguma coisa quase irrelevante que estava permeando a presente realidade deles. Sentaram na areia, em certo ponto. Ele começou a estourar as espinhas, e ela se ofereceu pra espremer os cravos.
- Você não acha isso tudo estranho? -
- Isso o quê? -
- Essa situação. -
- Não. - Ela resolveu se atirar no mar. De roupa e tudo. Deixar a água levar, a água levar. A água levou, e eles foram embora. No mesmo silêncio quase sepulcral de antes. No caminho, ela parou pra comprar uma lata de Coca-Cola, e ele ficou sentado esperando. Voltaram pra casa, e ela se trancou no banheiro, afim de um banho demorado. Não tocaram mais no assunto. No resto do dia, assistiu as intimidades dele com outras meninas, mas nada disse. Sentiu, mas controlou. E foda-se isso. Não gostava dessa situação. Não ia esperar por homem. Ia seguir. Quer ele se decidisse ou não, quer ele gostasse dela ou não. Quando foi pra casa naquela noite, estava decidida a isso. Encontrou-o no ônibus, no dia seguinte, voltando pra casa. E ainda estava resoluta. Sempre estava resoluta. Teu texto? Tá aqui. Praxe, essa minha mania de relatar as coisas. Mas só. Fim?

Too Many Fish In The Sea

Tive muitos amores. Alguns significativos, outros não. Me deu uma vontade enorme de contar um pouco da história deles pra mim e pra vocês.

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- Olá. -
- Olá. -
- Como se chama? -
- Martin. -
- Bianca, prazer. -
Martin era um cara legal (Martin não é seu nome verdadeiro. E não vou revelar nome de ninguém.). Martin era BV. Acho que ele acabou sendo meu primeiro amor. Daqueles que a gente nunca esquece. Na época, eu era uma pirralhinha apaixonada, que achava que o gosto musical dele bater com o meu era motivo pra nos casarmos. Martin se apaixonou por mim, mas era uma paixão muito confusa. Fui lá, no calor de um momento inexistente, saindo do shopping, correndo atrás dele, que já tinha saído de volta pra escola, e confessei TODOS os meus sentimentos. Foi tão libertador. E aterrador. Em um momento, eu estava no controle da situação, e em outro momento não estava. Só que ele correspondeu, e trocamos o primeiro beijo da vida dele. Dois anos mais velho. Tivemos um romance permeado por uma visita à minha casa, uns filmes aqui e ali, mensagens carinhosas e conversas no MSN. Mas só. Um dia, Martin viajou. Era dia dos namorados. Não recebi nenhuma ligação, mas afinal, ele não era meu namorado. Chorei minhas pitangas pra uma amiga que estava na festa que eu estava. Quando Martin voltou de viagem, ao invés de confessar o amor que eu, ingênua, estava crente que ele sentia por mim, ele confessou que não estava mais apaixonado por mim, e isso foi um soco no estômago. Demorei um ano pra superá-lo propriamente, com recaídas severas, choro contínuo e todo o drama pré adolescente possível.

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Meu primeiro namorado era uma graça. Mas ambos éramos muito novos, e eu não fazia ideia de como lidar com os sentimentos que ele estava me oferecendo. Achava um saco, um grude, o carinho que ele tinha. Mas era mesmo. O problema é que o coitado não sabia disso. Pouco durou. Hoje em dia, não nos falamos muito, mas por falta de oportunidade. Vale salientar que fui pedida em namoro POR MENSAGEM NO CELULAR.

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Meu segundo namorado já não foi tão ruim. Foi mais de um ano depois do outro, e havia mais maturidade da minha parte pra mexer com os meus sentimentos. Mas com o tempo, a relação arrefeceu. Pelo menos do meu lado. E acabou do jeito que acabou. De um jeito brusco, mal resolvido, esquisito e meio pessoal demais.

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Meu terceiro e último namorado foi o mais longo dos namoros, e meu segundo amor de verdade. Passei um ano sem ficar com ninguém depois que eu, anta, terminei o namoro que tinha tudo pra dar certo. Hoje em dia não consigo, de maneira alguma, me ver ao lado dele. Apesar de agradecer pelo bom relacionamento.

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Mais recente relacionamento foi um ficante que veio de uma transa aleatória na praia regada à vodka. Relacionamento permeado por mensagnes e ligações, pouco contato físico, carência da minha parte. Deu no que deu: término do mesmo jeito que foi a ficada: por telefone. Hoje, um mês depois, já não tenho mais nenhuma mensagem dele no celular e faço questão de não lembrar nem o nome (apesar de ser difícil, por que ele tem um nome meio incomum).

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Acho que essas foram as principais. De uma forma resumida, uma parte dos meus dez quase amores.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pelados Em Pipa

Abrindo de uma forma sensacional: Vodka. Vodka. Orgasmo. Caipirinha. TGVA. Capeta. Texas Tier. Tequila. Um, dois, três. Beijos. Muitos beijos. Dançando. Vários jovens, corpos entremeados, dançando. Recapitulando: todos vestidos. Cada uma arranjada da forma que podia, e com quem podia. Opa, um selinho. Dois. Três. Tequila. Acho que já estamos todos bêbados. Você me segura se eu cair? Vamos voltar pra casa, tô tonta. E o strip poker? Não vai dar? Poxa, que vacilo. Você tá bem? Não acredito que você pegou esse boe! Cochilo. Praia? Claro, vamos. Banho demorado. Preciso dormir. Bom dia, gente. Agora o strip poker?
"Tira esse celular do meu rabo!"
"Eu não"
"Hm, sua vez de tirar a blusa"
"Se eu vou ter que tirar, então vou beber."
Depois de aberta a garrafa de vodka, todo mundo se viu em posição semelhante. Todos pelados. Pelados em Pipa. Melhor que pelados em santos. Ressaca, pouca roupa e intimidade. Intimidade era isso. Pegar nos peitos da amiga sem pudor, só por que eles "tem uma energia legal". E nomeá-los.
"Não coloquem a roupa agora! Vamos fazer alguma coisa legal."
"Boe, o que você quer fazer? Uma suruba?" E todos riram. A verdade é que explorar o corpo do outro estava bom. Não precisava de suruba. Seminus, foram de encontro àqueles vestidos. E riram. Sempre estavam rindo, seja da menina que queria ficar um dia dentro de uma bolha, seja das paródias engraçadas e curtas de músicas pop coreanas. A grande verdade é que as bebedeiras eternas, os problemas momentâneos, o dividir da intimidade os uniu. Não se importava de ficar pelada. Estava curtindo a vibe, a ressaca, a insônia. Uma dose de vodka? Duas. Três. Uma tequila. Duas tequilas. Três tequilas. Quatros tequhsudhlas. Cinco teoisdjdsh. Seis kjsdjfhsd. E com todo esse amor, a saudade bate. As meninas fofocam, se apoiam, se amam.
É, acho que não quero me afastar de vocês. Posso não me afastar?

(ficou UMA MERDA, odiei, mas depois faço outro, seus lindos)

Amores Imperfeitos São As Flores Da Estação

- Olá - Se olharam longamente, e ela sorriu.
- Ana. -
- Gustavo. - Passaram o resto da noite se conhecendo, e se conheceram mais profundamente. Beijaram-se. E mais. Rápido. Um pouco altos da bebida, porém, conscientes. Ela queria tão mais, ele não queria. Ou queria? Tentou sondá-lo nos dias que se passaram, mas nada. Era tão indiferente quanto o vento que passava e não ficava. Era esse o problema, no fim das contas: passava e não ficava. Por que não ficava? O problema era ela? Suas inseguranças inchavam, enquanto as dele ficavam intactas. Era esse meio de viver? Sempre insegura, sempre pensando no que ele poderia estar fazendo, no que vocês poderiam estar planejando? Não. Era essa a hora de mover-se em frente. E, apesar de saber que era hora de seguir em frente, doía e sangrava. Recente e não tão profundo assim, mas doía. Ela estava cansada. Por que ele não deixava de ser um babaca e assumia que ela era incrível?

~

A distância estava matando. Era ruim não poder sentir a pele dele contra a dela. Compartilhavam longas ligações no skype, fotos no facebook, no dropbox, trocavam ideias no chat, mandavam mensagem no whatsapp. Todos os meios de comunicação viáveis (telefone não era um deles) eram explorados diariamente de forma contínua. O coração sempre apertava, sempre tava na mão, mas eles iam levando, contando os dias pra pra o tormento da distância voluntária e involuntária acabar. Um ano é tanto tempo. As pessoas mudam tanto em um ano. A rotina, a vida, os quereres. Torcendo por si e pelo outro, caminhavam. Ela, as ruas de outro país, ele rumo à vida adulta.

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Eram namorados. Se amavam, muito. Mas eram de um namoro diferente. Permeado por nudez alheia, por beijos triplos, selinhos autorizados, bundas e peitos de outras. Não havia isso de ciúme. Pra quê? Era dela, e ela sabia, não dava a mínima pra isso. Ele sabia que era ela e ela sabia que era ele, e eram felizes. Sempre felizes e aproveitando o que tinha de melhor. Sexo, ócio, bebida, e comida. Tava bom demais do jeito que estava, e não só eles concordavam, os casais todos invejavam.

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Havia amor. Muito amor. Mas não havia tempo, não havia espaço. Sempre em segundo plano, mas não queria mais estar. Brigas, rompimentos, finais. Tristes finais. Mas finais que culminaram em um recomeço. Será que as coisas iam continuar bem? Tinham que continuar bem. Em tanto tempo, se transformaram em pilar um do outro. E eram bons nisso. Se faziam bem. Precisavam se fazer bem. Se resolveram. Apesar de tudo, se amavam. Era isso que importava. Não era?

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A tarde linda que não quer se pôr. Se pôs. Ficaram. Tudo um bom negócio. Se jogou. Odiava se jogar, mas arriscou. E se machucou tanto. Ele beijava bem. Se beijaram até amanhecer. Não queria. Se sentiu... Horrorosa. Como se fosse desmaiar. Socos. Beijos. Fim?

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(São histórias verídicas, cada uma sobre uma pessoa que eu conheço. Se achem aí, lindos)

domingo, 7 de outubro de 2012

Let's Keep This Two Hearts Beating Faster, Faster

Deitaram-se no banco de trás do carro. Puxou a blusa. Mão. Mãos. Tirou a blusa. Beijos. Braços. Tirou a outra blusa. Zíper. Mão. Mãos. Rápido, rápido.

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- Bom dia. - Olhou ao redor de si. Roupas. Deitada na cama. Como chegara ali?
- Bom dia. - Levantou-se depois da saudação desajeitada, e planejava ir embora o mais cedo possível. O que foi que fizera?
- Hm. Quer tomar café? - Ele olhara pra ela como se disesse pra ficar.
- Não. - Catou as roupas do chão, e as estava vestindo apressadamente.
- Certeza? Tem panquecas. -
- Certeza. Vou indo. Tchau. - Saiu ainda vestindo o salto da noite anterior. Por que tudo parecia um borrão?

~

- Eu acordei e nem sabia onde eu tava. - Falou, de boca cheia, pra a amiga que chamara pra o café mais próximo da sua casa.
- Que vadia, você. - As duas riram. Ambas sabiam que não era verdade. Ou que, no fundo, era um pouco, e por isso era engraçado.
- Ele era bonitinho, mas não sei nem o nome dele, por Deus. - Enfiou outra garfada do waffle na boca, e enxugou o excesso do maple syrup que escorria pela mão com o guardanapo.
- Você não tem jeito, de verdade. -
- Essa é a graça. Você fuma uns, bebe uns, pega uns, e vai pra casa tranquila, devendo só pra o seu chefe e pra o banco. -
- Queria teu desapego pra mim. -
- Nem eu queria meu desapego pra mim, meu bem. -

~

Jogou a bolsa no sofá quando chegou em casa. Quem era o rapaz? Fez um esforço pra lembrar. Usou do ritual de vasculhar a bolsa a procura de pistas. Achou um número de telefone. Pensou em ligar. Ligou.
- Alô? - Era a voz do homem da manhã.
- Alô. - Respondeu, simplesmente, como se isso valesse de resposta pra tudo. O silêncio reinou de ambos os lados da linha.
- Qual o teu nome? -
- Oi? -
- Teu nome. -
- Leonardo. E o teu? -
- Sofia. - De novo, um silêncio incômodo de ambos os lados da linha.
- Você quer jantar, um dia desses? -
- A gente podia começar com menos. -
- Mas a gente já começou com mais. -
- Um café. Amanhã. Duas da tarde. Aquele na frente do jornal, na rua da catedral. Esteja lá. - E desligou o telefone.

~

13:40 estava lá. Óculos escuros, olheiras, sono. Ele chegou dez minutos mais cedo, e sentou-se na mesa com ela. Pediram dois cafés. Beberam, silenciosamente. Despediram-se, quase calidamente. Faltava algo. Faltava afeto. Faltava desejo. Era profunda lacuna. Nunca mais se encontraram, além de um furtivo e acidental encontro na sessão de legumes no mercado, ela fugindo de um conhecido desagradável, ele tentando melhorar a alimentação. Encontraram-se de novo na rua, mas dessa vez evitaram palavraas. Depois disso, ela mudou-se subitamente pra Londres, e ele ficou muito bem instalado em NY. Nunca mais se viram nem lembraram de suas existências. E esse, meus caros, foi um final feliz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Brincadeira De Criança, Como É Bom

Antes que vocÊs pensem que vai ser o texto mais clichê do mundo sobre o dia das crianças, e ser criança, eu tenho que esclarecer uma coisa: provavelmente vai ser, mesmo. Então, se você tá afim de mergulhar na nostalgia antecipada de voltar à infância, bem vindo.

Vou começar falando do que me motivou a escrever o texto. Recentemente, conheci um grupo de algumas das pessoas mais incríveis que poderiam aparecer na minha vida, e essa noite, resolveram que o programa de quem ia ficar em casa seria uma sessão nostalgia. E que sessão, viu? Eu escutei a abertura de todas as novelas mexicanas que eu ia assistir na casa de Mariana depois/antes da natação (isso inclui Maria do Bairro, A Ursupadora, Chiquititas, Carrossel, O Diário de Daniela, Floribella, enfim, todas essas), todas as boys band vergonhosas (KLB, Broz), as cantoras esquecidas pela mídia mas que pra mim eram um arraso (Marjorie Estiano, Luka, Kelly Key), as girl band (Rouge), as coisas mais antigas (Angélica, Xuxa, Sandy e Júnior), os cantores (Felipe Dylon, Justin Timberlake), as cantoras que ainda se lançam (Pitty, Britney Spears), as mais vergonhosas (O Bonde do Tigrão, Molejo, Molecada, Latino, até umas coisas tipo Perlla, Aqua), e uma lista enorme de hits dos anos noventa, músicas como Olha a Onda, e Heloísa, Mexe A Cadeira. Os Mamonas, claro, não faltaram. Nem os hits internacionais de HSM e RBD.

Onde eu quero chegar com tudo isso? Em lugar nenhum, gente. Amei voltar, mesmo que momentanemanete, pra minha infância. Onde as músicas do Latino eram inocentes. E eu acreditava em contos de fada. Quando a gente tinha vergonha de sexo, de beijo, de pegar na mão. Que o menino tinha sapinho, a menina também, e a guerra dos sexos era infinita. Apesar disso, sempre preferi o azul ao rosa. Brincava de correr com os meninos (e as meninas também), assistia todos os desenhos na TV, andava de bicicleta, comia danoninho, brincava de adoleta, de barbie, de carrinho, de vampiro, de bruxa (era crente que era bruxa, acreditam?), de power ranger, de sereia na piscina, de cavaleiros do zodíaco. Enfim, fiz o que uma criança faz: ralei os joelhos.

Me deu uma saudade enorme dos meus amigos que eu mantenho até hoje, das festas da Casa Escola (Mah nishtanah, rs), dos desfiles de moda improvisados, do clube dos ricos, enfim, de como a vida era fácil e sempre engraçada. Sempre seguindo, sempre colorida e cheia de imaginação. Cresci, e minha vida foi permeada de novas influências musicais, televisivas, tecnológicas, todo o tipo de nova influência. Troquei o laboratório de Dexter por Dexter Morgan, o serial killer. Troquei Kelly Key por Los Hermanos. Troquei tica-tica por ficar no computador, dormir e estudar. Troquei esconde-esconde por barzinhos, shows, vodka. E queria não ter trocado.

Meu texto não tinha a intenção de ser totalmente saudosista. Tinha a intenção de me lembrar de uma parte de mim frequentemente esquecida. A parte que sabe cantar a música de abertura de Kim Possible todinha, mas que também escreve sem pudores sobre sexo. Estou nessa fase de transição, tão gostosa. Na qual eu ainda posso dançar nostalgicamente ao som de Musa do Verão e não tenho que lidar com o mercado de trabalho. Que eu posso baixar todos os episódios do Sítio do Pica Pau Amarelo, e amar Monteiro Lobato. Se ele era um velho nazista e preconceituoso, o que eu tenho com isso? Quando eu tinha 5 anos de idade, eu lá sabia o que era isso? Me infiltrei no mundo da Tia Nástacia e da Narizinho, e gostei de lá. Que eu posso me deixar levar pelo meu amor infindável ao meu passado.

Olho pra o futuro, mas sem um pé no passado, não dá. Espero que dê pra seguir assim, lembrando do Reino das Águas Claras, mas estudando termodinâmica. Fica aqui minha singela homenagem à tenra infância, ao ralar os joelhos, à Monteiro Lobato, às meninas do Prazamiga, aos lindos da Casa Escola, à minha infância linda, e por último, porém não menos importante, ao dia das crianças.