Me permitir fugir do que é a realidade passada na cara, esfregada e cansada de me dizer que não. Que não fizesse, que não fugisse, que encarasse. Por demais inútil, continuei correndo atrás. Indo atrás do impossível, e me deixando embeber por algo incauto, inalcançável, incerto. Mas de que serve a vida se não há espaço para fantasia? Que serve esse corpo de alma e carne se não há lugar para o obscuro? Com um senso mais apurado do que gosto ou não, sinto-me mais difícil de apetecer pelo raso, pelo inculto, pelo pouco ou pelo menos. De tanto sentir e ser liberdade, acabou transformando-se em libertinagem. Queria voltar a conseguir manter tudo junto, manter a cabeça erguida. Mas mudou. Não por que quis, mas foi obrigada. Todas as suas crônicas foram resvalando pelo ralo, e sentiu-se impotente até para fazer o que fazia pra descarregar. Quando voltou a fazê-lo, tinha tanta coisa aprisionada, tanta coisa sua que precisava cuspir, que soltou, mas de uma forma verborrágica e confusa. E esse foi o tipo de pessoa que se tornou: do tipo verborrágica e confusa. Que foi forçada a desapegar, mas sente muita falta. Do amor que não jaz mais aqui, mas que foi pra algum outro lugar que pudesse fazê-lo feliz. E feliz era o que ela estava almejando ser. Foi pra outro lugar, e quem sabe, ser feliz.
agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável. temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância. se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...
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