domingo, 26 de julho de 2009

Old Wars


O frio irascível congelava até meus ossos, mas isso simplesmente era uma coisa que eu precisava fazer. Eu sabia que precisava ser sozinha, afinal eu causara isso. Eles vieram aqui por minha causa. Então a única coisa que eu podia fazer era dete-los. Ou morrer tentando. Eu organizei esse protesto contra essa guerra sem sentido. Mas iam matar todos nós pelo protesto. Eu vejo com muita dificuldade um vulto na escuridão. Reconheço como policial, por causa da nevoa. Não, não era um policial. Eram vários. Não eram policiais, agora. Eu distingui a presença de pessoas que eu conheci durante o protesto. Eu reconheci a Sra. Marples, a Sra. Andersen, Andrea, Kurt, Anna, Keegan, e muitas outras pessoas maravilhosas que me ajudaram nos meus protestos contra a guerra do Vietnã. Agora eles estavam com cartazes, me ajudando a enfrentar as autoridades que vinham, com certeza, prender-me ou torturar-me. E eles estavam aqui pelo que eles acreditavam. Pra me ajudar. Eles podiam não ser necessariamente os meus amigos, por que eu os mal conhecia. Mas eles estavam do meu lado, e eu estava do lado deles. Mesmo que tivéssemos que morrer tentando.


Alguns dias depois, jornal dominical.

Três dias atrás, em uma tentativa de contenção a uma atividade de protesto, morreram setenta e oito pessoas. Setenta e quatro dessas pessoas eram protestantes, os quais protestavam contra a guerra. Quando essa opressão vai parar?Quando esse ódio desmedido, essa ganância, essa irracionalidade sem causa vai parar e nos deixar dormir em paz, sabendo que nossos filhos estão na cama dormindo, não atirando em outras pessoas ou morrendo no Vietnã? Espero que a tempo de evitar mais mortes sem razão.


(tiragem do jornal, onde, dias depois, mataram vinte envolvidos com a matéria.)


(Qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos na vida real é mera coincidência.)

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