Eu te avisei. Se meter comigo, para quê? Agora está pendurada, que nem as outras. Pobrezinha. Eu até tentei avisar, que estar comigo era jantar com o perigo. Numa cega segurança, guiada por um instinto cego como o gume da faca recém amolada que enfiei, inteira, no seu peito. Pobrezinha. Tudo tem que ter um fim, você diz. Interessante como você foi realmente brilhante na afirmação. Você teve um fim. Tentou até gritar. Estamos longe demais para isso, meu amor. Mas de você eu gostava. Gostava mesmo. Até cogitei procurar outra vítima. Arriscado demais. Para mim e para você, não é mesmo? Pena. Hoje vou sair, meu amor. Vou ver pessoas, te arranjar companhia, quem sabe? Você está aí, nesse gancho, imóvel, tão só. Tive que jogar as outras fora, estavam começando a me incomodar com aquele cheiro pungente de cadáver velho. Você entende, não é? Vou apagar as luzes agora, querida. Boa noite.
agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável. temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância. se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...
Que amor.
ResponderExcluir