De melancolia, me chega. De tanto chorar, algum dia seca. Se levar a saudade, já basta. Besteira qualquer, nem choro mais. Que evento merecedor de tal mudança tão drástica podia ter o poder de mudar pra sempre o que ela entendia por sentimento. Com o coração duro como uma pedra de sal, suspirou. Com tal profundidade, acabou por sentir o interior. Sentir aquela enorme necessidade de externar emoções, pela perdida que era. Que as temporadas começassem, que ela começasse. Essa dança misteriosa do destino a fez perde-se nela mesma. Aparentemente, era possível se afogar em si. Sentou no canto do quarto e chorou. Lágrimas provenientes do seu coração salobro. E com uma pontada de desespero, deitou-se no chão, a pensar sobre o que ia fazer dali pra frente. Como ia ser? A escolha era ser ou mudar? A escolha era estar satisfeita. E se não estivesse, não é como se no fim tivesse escolha.
agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável. temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância. se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...
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