domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ventura (Parte 2)

ARTUR: Que bagunça. Sinto falta de quando tudo era absolutamente tranqüilo.
“Faz menção de deitar na cama, mas identifica algo. Puxa a caixa, e abre. Tira as cartas de dentro e as abre também.”
ARTUR: QUE SE PASSA NESSA CASA? A perdi. E ela me envergonhou. Mas a perdi, e parece que para sempre.
“Wild World, do Cat Stevens toca, e Artur se debruça sobre a cama, chorando. Se recompõe e sai do quarto. Entra Helô.”
HELÔ: Eu falei que sempre há o que limpar. Por ora, só o sangue que hão de derramar.
“Helô guarda as cartas na caixa, mas a deixa a mostra. Guarda embaixo da cama, mas opta por deixar em cima da penteadeira, como um alarme. Sai Helô, entram Artur e Brenda. Artur dá um tapa em Brenda.”
ARTUR: MERETRIZ! VAGABUNDA! DESONRASTES MEU NOME, NÃO É? MERECES A MORTE. Mas não a terás, não te preocupes. Sou um homem bom, e misericordioso. Mais misericordioso que Deus, que mandará tua alma ao inferno, como eu deveria estar fazendo! Que o diabo lhe carregue! E fique onde está, não ouse sair daí!
“Artur joga Brenda no chão e estapeia-lhe novamente. Artur sai, e Brenda fica no chão, chorando.”
BRENDA: Tal amor, que deveria ser imaculado, tornou-se apenas perverso como o diabo. Hoje a noite. Tudo acaba hoje a noite.
“Brenda se esgueira para fora do quarto, verificando se Artur foi embora. Entra Helô, com uma xícara de chá.”
HELÔ: Depositar todas as esperanças em um futuro tão incerto não é certo. Mas o que fazer, quando o presente é tão miserável? Pobres almas.
“Deixa o chá na mesa e sai. Entra Bia, sorrateiramente, e se esconde atrás do armário. Entram Tomás e Dani”
TOMÁS: Que linda noite de luar! Bela como teu jovem rosto, minha bela amada.
DANI: Que elogio maravilhoso! Tanta falta tua irei sentir quando partir, meu amor.
“Dani e Tomás se olham por alguns segundos, sorrindo. Bia aparece, saindo de seu esconderijo atrás do armário, munida de um punhal.”
BIA: Meu. Só meu! Não tinha para que se meter, mas já que veio, diga adeus.
“Bia esfaqueia Dani com o punhal, e Tomás assiste, pasmo e divertido”
TOMÁS: Quanto descuido! Helô está em casa, minha mãe está na cozinha.
BIA: Mas precisava ser feito para que fôssemos embora. Agora podemos ir, e deixar tudo isso para o ontem, meu amor.
TOMÁS: Vamos agora, que a calada da noite e sua penumbra cobrem os olhos dos curiosos
“Bia e Tomás saem de cena, de mãos dadas, carregando pelos braços o corpo de Daniela. Entram Guido e Brenda. Brenda senta-se na cama, acompanhada de Guido.”
GUIDO: Amo-te como um bicho, amor. Mas o que fazer? Que faremos?
BRENDA: Fugir. Hoje. Encontre-me aqui em duas horas.
“Trocaram um beijo sôfrego de despedida e Guido sai. Brenda arruma uma maleta cheia dos seus principais pertences e a esconde dentro do armário. Brenda sai, entram Bianca e Helô”
BIANCA: Sim, eu sei que é errado. Mas estarei fazendo um favor a ele, e a essa família, destruída. Imagina o que vão pensar? A esposa traiu o marido com o amigo! Inaceitável. Estarei fazendo o favor de não deixar que ele lide com tais problemas.
HELÔ: Um favor...
“Helô suspira e Bianca agarra seus punhos com certa força e descontrole”
BIANCA: Faça o que mando. Jure que fará o que mando.
HELÔ: Farei o que mandas, senhorita. Mas alguns segredos jamais devem vir a tona.
BIANCA: E o que sabes? NADA! Saia daqui. Vá embora fazer o teu trabalho e pare de ficar balbuciando sozinha asneiras. Quando ele tomar um gole disso, nem vai saber o que lhe atingiu. Nunca mais.
“Bianca pinga duas gotas de veneno no café e ela e Helô saem. Entra Artur. Já esquecido do que tinha avisado a Brenda, sentou-se na penteadeira a balbuciar.”
ARTUR: Tudo de cabeça para baixo! Um lar destruído. Repleto de meretrizes.
“Toma um gole do chá da penteadeira. Sente-se tonto, levanta e cai morto. Entram Bianca e Helô, e levam o corpo para fora. Entram Guido e Brenda”
GUIDO: Está pronta? Minha maleta está do lado de fora, escondida no arbusto. Vamos, antes que o tempo acabe e teu marido volte.
BRENDA: Sim, aqui está minha maleta. Vamos.
“Enquanto Brenda tirava a maleta, apareceu Letícia, visivelmente embriagada, segurando uma garrafa de wisk na mão esquerda e uma arma na direita.”
LETICIA: Não há motivo para a pressa. Meu marido, terás todo o tempo do mundo. Assim que eu completar o que eu tenho que fazer. Por onde começar? Tuas filhas, todas umas meretrizes arrogantes, teu marido, um completo torpe, e quanto a ti, uma encarnação do pecado. Todos me magoando e se magoando. Todos querendo ver alguém infeliz, quem sabe um pouco de sangue. Me magoaram. Me chutaram. Mas não mais. Eis o sangue que queriam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário