terça-feira, 12 de outubro de 2010

Would You Be Mine?

"Well it's a big, big city and it's always the same, can never be too pretty, tell me you name. Is it out of line, if I were simply bold and say would you be mine?

Mãos. O esmalte vermelho-fosco dela se destacava nas costas da mão esquerda dele. Pés. Andavam de modo quase que automático, quase que sincronizado. Batiam no asfalto com leves estalidos tímidos. O sol anunciava que o fim de tarde estava chegando O vento batia nos cabelos dela, assanhando a franja. Ele olhava para os pés, como de costume. Ela olhava pra ele. O barulho dos carros, motos, pessoas e vidas enchiam o ar. Ele parou pra amarrar os sapatos. Ela encarou o horizonte. Imaginava coisas. Coisas que a apraziam, de certo modo. Desejos. Ela a abraçou e tomou-a pela cintura. Andaram assim por alguns minutos. Ele sentou-se no meio fio e olhou os carros passarem. Ela gostaria de ter feito o mesmo. Ao invés de fazê-lo, ficou em pé, encarando os negros cabelos dele. Sentia o coração ribombar fortemente contra o peito. Tudo que ela queria era perguntar se ele seria dela, e só dela pra sempre, ou pelo menos enquanto o pra sempre durasse. Não tinha coragem. Se perguntava se algum dia teria. Ele havia se tornado frio e bastante distante nos últimos dias. Faltava algo entre eles, algo que já havia existido, mas que tinha escapado das mãos abertas deles, algo que não mudou, mas que de certa forma se metamorfoseou, se transformou, e que, em tão pouco tempo, foi embora do mesmo modo que chegou.

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