Pular para o conteúdo principal

Nem Santa, Nem Puta. Mulher.

Aproveitando o gancho do meu projeto da CIARTE, quero falar sobre uma coisa que me enfurece MUITO. Andar na rua e ser cantada a cada dois passos que se dá. É a coisa mais irritante, constrangedora, babaca e exasperante do mundo. Até por que eu ando muito sozinha, quando essas "cantadas" rolam depois das cinco da tarde, já ando assustada e com passos largos, com medo do que pode me acontecer se eu me demorar.

Mas a pergunta é: Quem é que te deu o direito de violar meu direito desse jeito? Quem é que te autorizou a entrar assim na minha vida, olhar pra mim desse jeito e falar essas coisas pra mim? Meu short? Meu decote? Sinto muito, amigo, mas o meu decote NÃO é convite. O comprimento do meu short só interessa a mim. Em uma cidade quente que nem a que eu moro, impossível andar sempre de jeans, casaco, camisa, e tênis. E mesmo se andar, ainda tem nego cara de pau que passa cantada.

O negócio é o seguinte: o corpo é meu, e eu ando vestida como eu quiser, por que isso é problema meu. Não tem esse lance de "roupa de vadia". Se a guria quiser andar de short beira cu, salto 234832842 e top, ela anda, e tu não tem nada com isso. É essa a questão. Nossos pais sempre nos ensinam a fechar as pernas, a sermos recatadas, usarmos roupas compridas. Mas por que a gente que tem que se fechar? Quem viola o direito da vítima é o estuprador, não é a roupa que eu uso ou deixo de usar.

Acho que falo por todas as garotas, que o sentimento de aflição ao ouvir coisas como "Ei, gostosa", "Vem cá, linda" e assobios por aí é grande. É irritante, é babaca.
Portanto, antes de meter a mão na buzina e assobiar do banco do seu carro, pensa que aquela pessoa a qual você está tratando como um mero pedaço de carne, tem sentimentos, corpo, alma, respira e pensa. Não é um brinquedinho sexual, não é algo pra você tirar proveito. É uma mulher, que, apesar de estar usando um short curto ou uma blusa que mostra a barriga, NÃO está lhe convidando a introduzir seu pênis troglodita nela. Grata se for respeitada na rua.

Comentários

  1. falou TUDO!!!!!!
    me sinto exatamente assim, Bibi, um pedaço de carne. é horrível ¬¬

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Eu Vejo Tudo Enquadrado

 agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável.  temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância.  se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...

As Deep As The Pacific Ocean

O ano de dois mil e vinte e dois começou com sabor de picolé caseiro de acerola.  Ultimamente, começou a sentir como se fosse primeira vez e também replay os sabores que a existência lhe podia proporcionar. Tudo tinha cheiro e gosto e um brilho diferente de vida. Podia sentir a mudança circulando em si, e nunca jamais pensou que poderia estar ali. Se a Bianca que foi aos quinze anos pudesse saber, sentir, e prever que não ia precisar e nem querer mais se esconder dentro de si, em recôncavo profundo e escuro, talvez ela não tivesse que ter reaprendido tudo sobre si antes de entender quem ela realmente era.  Nos últimos meses os pesos da existência estavam sendo retirados das suas costas cansadas e marcadas de dor. Nos últimos meses ela estava sendo apresentada a uma nova versão dela mesma. A uma versão que não sente gosto de sangue na boca quando se mostra pra alguém. Uma versão que não precisa forçar nada em lugar nenhum, que não precisa se mutilar pra caber, que não precisa s...

Don't Hurt Yourself

Acordou de um salto como de costume. Atualmente eram raros os momentos que acordava em paz. À contragosto, levantou da cama já com o twitter aberto no celular pra ler as atrocidades cometidas mais um dia mais uma vez pelo governo genocida ao qual ela e mais milhões de pessoas eram subjugadas todos os dias.  Lavou o rosto, escovou os dentes e tomou um banho gelado sem lavar os cabelos, ouvindo podcast mas sem conseguir desligar totalmente a cabeça das inseguranças e das ansiedades, que gritavam no fundo da cabeça, como se pedindo pelo amor de deus pra se materializarem e saírem correndo por que nem elas se aguentam mais. Nem elas aguentam mais o loop constante dos mesmos pensamentos das mesmas inseguranças dos mesmos medos girando na cabeça infinitamente que nem uma máquina de lavar quebrada no modo turbo eterno. Todo dia era dia de nó. Nó no peito, nó no estômago, nó na garganta, nós infindos.  Enquanto passava o café, repassava e julgava na cabeça as coisas que ela tinha dito...