sábado, 14 de março de 2015

Mas Eu Nunca Sei Rodar

"E cada passo que eu ia dando nessa dança, ia perdendo a esperança..."

Encontrei-a no primeiro dia. "Que linda!", pensei comigo mesma.
No segundo dia, não a vi.
No terceiro dia, a noite, na praia, lá estava. De mãos dadas com outra mulher, que não eu.
Desencanei momentaneamente. Virei minha cabeça para outros lados, outras pessoas, e para a lata de cerveja que ocupava espaço na minha mão. Para a roda de samba que ocupava o centro da festa.
A avistei de novo, compenetrada em bater no bongô. Sorriu pra mim, e meu coração bateu mais forte.
Desceu pra praia. Desci também e sentei ao seu lado. Paraná. Ciências Sociais. Direito. Meu Deus, que mulher.
Definitivamente, que mulher.
Começamos a esculpir rostos na areia, o dela duas vezes melhor que o meu. Levantamos pra ir ao banheiro.
Lá, na beira da escada, nos beijamos.
Nos beijamos de novo depois do banheiro.
E de novo, e de novo.
Sete da manhã, hora de ir pra casa.

No dia seguinte, nos encontramos em frente ao prédio. Nos beijamos. Desejei boa sorte pra ela, e fui-me.

No último dia, nos encontramos no acampamento. Ela, dobrando suas roupas, eu saindo da plenária. Ajudei-a, e nos beijamos.
Parti para outras atividades, e antes que ela fosse, nos beijamos de novo.
Despedida gostosa, aos poucos, e com gosto de salgadinho.

Acabou-se, assim como começou. Pretendendo nada, esperando nada, mas de coração cheio.

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