Não sei escrever música. Tentei, tive uma carreira decadente, umas poucas pessoas tiveram o infortúnio de ler as coisas que eu tive a audácia de escrever pra serem acompanhadas por um violão. Quase uma afronta a músicos de verdade, por Deus. Mas aprendi que sei escrever em prosa. E de tanto saber escrever em prosa sem invocar falsa modéstia, me perco no assunto. Juro que não vai ser pra você, mas sempre acaba transparecendo. Que dos aspectos da minha vida que estão indo mal no momento (e estes não são poucos, infelizmente)um dos quais eu tenho trabalho de verdade pra engolir é você, eu já sabia. Mas de que adianta jurar que não vou falar nada que me lembre remotamente as coisas que eu sinto, se eu sei que não vou cumprir? A solidão me dói, e qualquer imbecil pode ver. Sinto a necessidade de usar palavras tipo "imbecil", por que expressar minha raiva é tão eu quanto falar dos meus outros sentimentos. Nada do que eu escrevo foge completamente de mim. Nem poderia. Acho que não conseguir escrever bastante há tempos, mostra o quanto eu tenho tentado fugir de mim. Por que o ser está me inquietando. Tenho recorrido a métodos não ortodoxos pra me satisfazer com o presente e com o futuro. Uma coisa que eu não gosto de usar é parágrafo. Gosto de usar aspas, por que nos textos dissertativo-argumentativos, geralmente mostram ironia. Eu gosto de ironia, principalmente quando é ácida. Ironia em textos sérios é acidez disfarçada. Que bom que eu não estou escrevendo nenhum texto sério, nem com nenhum tipo de pretensão pseudo intelectual prepotente. Que saudade que eu tive das palavras fluindo nas pontas dos meus dedos. Não sei se por que eu tenho outras coisas pra fazer, e até escrever um texto totalmente sem sentido é mais interessante do que dever de casa, mas essa coisa sem sentido está me satisfazendo temporariamente com as coisas. Só temporariamente, antes que tudo pare de fazer esse sentido reconfortante.
agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável. temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância. se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...
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