Pular para o conteúdo principal

Girassol

No peito: parecia champanhe, borbulhante na taça, logo depois de servir e antes de acariciar os lábios. Fazia comichão no pé da barriga que nem quando os pés descalços tocam a grama esmeralda orvalhada de manhã. Explodia em fogos de artifício sem som mas com brilho e promessa e delírio de noite de ano novo. 

O calor, o suor, o gemido, o roçar de corpos, incessantes, frenéticos, explosivos: sim. 

O sorriso de canto de boca. A boca no canto do sorriso. A carne que pulsava, todas as carnes pulsavam e tremiam. O entremear de pernas e bocas e pelos e braços e mãos puxando coxas, cabelos, apertando, suando.

Passou o dia envolta em odores, sabores, memórias. A casa envolta na modorra pós química explosiva. 

Tentando recuperar pra si todos os beijos que não deu, o destrinchar de corpos e lábios que parecia instintivo.

Como naquele momento se abriu como nunca antes, se deixou abrir, se deixou desabrochar, ali, inebriada delas.

Sentindo tudo e deixando e permitindo e aconchego que nem sabia possível.

O toque arrepiava, e a lembrança do toque tal qual. A carne doía, mas era dor gostosa, dor do ontem que se instalou por que ontem foi e não só foi como é. A lembrança também faz parte do ser, e a dor lembra que até os mais sublimes momentos tem consequências. Naquele momento, ela gostava de ser.

Lida e compreendida.

O coração se exercitando no peito e elas ali. Assim eu acabo me entregando.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eu Vejo Tudo Enquadrado

 agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável.  temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância.  se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...

As Deep As The Pacific Ocean

O ano de dois mil e vinte e dois começou com sabor de picolé caseiro de acerola.  Ultimamente, começou a sentir como se fosse primeira vez e também replay os sabores que a existência lhe podia proporcionar. Tudo tinha cheiro e gosto e um brilho diferente de vida. Podia sentir a mudança circulando em si, e nunca jamais pensou que poderia estar ali. Se a Bianca que foi aos quinze anos pudesse saber, sentir, e prever que não ia precisar e nem querer mais se esconder dentro de si, em recôncavo profundo e escuro, talvez ela não tivesse que ter reaprendido tudo sobre si antes de entender quem ela realmente era.  Nos últimos meses os pesos da existência estavam sendo retirados das suas costas cansadas e marcadas de dor. Nos últimos meses ela estava sendo apresentada a uma nova versão dela mesma. A uma versão que não sente gosto de sangue na boca quando se mostra pra alguém. Uma versão que não precisa forçar nada em lugar nenhum, que não precisa se mutilar pra caber, que não precisa s...

Don't Hurt Yourself

Acordou de um salto como de costume. Atualmente eram raros os momentos que acordava em paz. À contragosto, levantou da cama já com o twitter aberto no celular pra ler as atrocidades cometidas mais um dia mais uma vez pelo governo genocida ao qual ela e mais milhões de pessoas eram subjugadas todos os dias.  Lavou o rosto, escovou os dentes e tomou um banho gelado sem lavar os cabelos, ouvindo podcast mas sem conseguir desligar totalmente a cabeça das inseguranças e das ansiedades, que gritavam no fundo da cabeça, como se pedindo pelo amor de deus pra se materializarem e saírem correndo por que nem elas se aguentam mais. Nem elas aguentam mais o loop constante dos mesmos pensamentos das mesmas inseguranças dos mesmos medos girando na cabeça infinitamente que nem uma máquina de lavar quebrada no modo turbo eterno. Todo dia era dia de nó. Nó no peito, nó no estômago, nó na garganta, nós infindos.  Enquanto passava o café, repassava e julgava na cabeça as coisas que ela tinha dito...