quarta-feira, 13 de abril de 2011

Embora.

"Pra me danar, mundo afora ir embora."

Vontade de sair. Beber. Fumar. Ser totalmente irresponsável. Mandar todo mundo tomar no cu. Só saiam da minha vida. Saiam. Saiam. Abri a porta da rua. Corri. Corri. Corri. Nem pensei em olhar pra trás. Fui-me sem lenço e sem documento. Corri. Corri. Choveu. Choveu mais forte. Minha blusa branca ficou transparente, e meu corpo apareceu por baixo dela. E, devagarzinho, fui ficando transparente também. Sumindo. Sumindo. Sumindo. Primeiro meus dedinhos do pé, minhas unhas das mãos, as pontas dos dedos, a mão, as duas mãos, os dois pés. Fui me libertando, quebrando as correntes, saindo da caverna. E quanto mais eu sentia que ia desaparecendo, mais feliz eu ficava, e meu sorriso, estampado de orelha a orelha, crescia. E eu girei, girei, girei. Esqueci de me preocupar, esqueci de sofrer, esqueci de todos vocês. Esqueci de reclamar, esqueci de te amar. E, por uns segundos, me preocupei só comigo. Em como eu estava sumindo, e não ia mais voltar. Agora meu tórax estava ficando mais claro, meu peito, meus braços. Meu cabelo estava branco, e tudo que eu consegui pensar foi em como meu cabelo devia ficar engraçado branco. E eu fui desaparecendo da vida dos outros nas fotos, da minha vida aos poucos, aos trancos e barrancos, devagar.

Um comentário:

  1. Gostei mto,e o pior é q mtas vezes "nós" nos sentimos assim mesmo!

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