Contava os segundos. Um, dois, três, quatro. Passavam e escorriam de seu relógio de pulso para seu pulso nu. Escorriam para o chão, sem direção e sem ter pra onde ir, de qualquer forma. Olhava com um rosto controverso para o rio lá embaixo. Algumas gotas pingavam incessantemente na água, tornando-a inquieta. Inquieta de uma forma que ele entendia, que todos entendiam. Revolta, pronta pra uma rebelião de proporções endemicas, mas no segundo seguinte, conformada com seu destino certo e previsível, e voltando ao comodismo enervante que era sua vida diária. Essa superfície límpida que era a água funcionava do mesmo modo que seu emocional. Sempre estava irrequieto por dentro, contrariado e contradito, impactante e estável, morto e vivo, por dentro e por fora, por fora e por dentro. Sempre sendo ele e nunca sendo quem ele queria ser. Pomposo, e estava enlouquecendo. Queria se livrar dessas sombras, desse passado hediondo que ele levava nas memórias e carregava dentro do peito, em um desespero quase mudo na maior parte do tempo. Mudo. Era o que ele tinha se tornado. Do expressionismo jovial que sempre tinha seguido, a esse conformista mudo, cego e surdo. E em tal hedonismo ardoroso, e narcisismo estrondoso, se perdeu. E se perdeu pra nunca mais voltar. Entristecia com tal perspectiva. Enegrecia por dentro, e nada bom podia vir de tão vil cor, não é mesmo? Sua combinação interna era preta e cinza, cinza e preta. De maneira implacável a dor e o desespero inundavam-no. Estava tudo tão perdido, tudo tão embaçado, um futuro tão triste, uma vontade tão estúpida, uma vilania tão perversa. Jogou-se e juntou-se as gotas.
agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável. temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância. se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...
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