segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tea Party


(Não ligo se Alice In Wonderland virou modinha, foda-se. Era um dos meus desenhos favoritos de infância, e vai continuar sendo u_u)

“Welcome to my tea party”

Acordara pela manhã, com os olhos semicerrados, percorreu o extenso corredor de sua casa. Lavou o rosto, penteou os loiros cabelos, passou rímel, blush, batom, pintou as unhas de um azul turquesa, e saiu com um roupão igualmente turquesa, mas com desenhos de carpas, andando majestosamente pelos corredores. Tão logo chegou de novo ao seu quarto, despiu o roupão e vestiu suas roupas intimas, suas três saias, sua blusa, suas meias listradas e um lustroso par de sapatos pretos. Prendeu o cabelo em um elaborado coque, o qual parecia displicente e majestoso ao mesmo tempo. Satisfeita com o resultado, foi para seu florido jardim, e por lá, encontrou suas cadeiras e mesa arrumadas para receber os convidados. Ajeitou a sua saia de cor creme, e colocou o avental rosa bebê. Farta de esperar, adentrou a casa batendo os sapatos no assoalho, de modo que faziam um barulho extremamente alto e irritante, com o qual ela não se importava nem um pouco. Desceu as escadas até a cozinha, e os sapatos ecoaram mais alto no piso de madeira. Pegou chá, muito chá. E depois, os bolos, pães, manteiga, geléia, chantili, caramelo, calda, sorvete, e nenhum café. Café era uma blasfêmia em um chá. Pois ora, o café estragava o propósito do chá, o qual se chamava Chá Das Cinco, e teriam que mudar o nome para Café Das Cinco, um nome que não a aprazia em nenhum dos sentidos que podia ter. Subiu as escadas estalando os sapatos do mesmo modo de antes, e arrumou milimetricamente as coisas que pegara na cozinha. Desceu, pegou mais coisas, subiu, arrumou. Entrou, e dirigiu-se à biblioteca e apanhou o telefone na grande poltrona de couro preto, ao lado de uma grande poltrona de couro tingido de vermelho. Discou os números nervosamente, e colocou o telefone rente ao ouvido a tempo de ouvi-lo chamar a primeira vez. Alguns toques depois, uma voz cansada atendeu o telefone. “Como você espera que tomemos chá se você não chega na hora nunca? São duas pras cinco.” Ela ralhou para a pessoa do outro lado da linha. “Oh, desculpe-me a minha falha, minha cara. Eu acabei adormecendo, veja só. Estarei aí em três redondos minutos. Espero que não se importe, mas a minha prima, Anne, está hospedada comigo, e eu achei que seria muito impolido de minha parte abandoná-la aqui. Posso levá-la?” Ela pensou um pouco ao telefone. “Pode, desde que, assim que desligar o telefone esteja aqui em três redondos minutos, por que de outro modo, ficarei muito chateada. Estarei te esperando no lugar de sempre, na quarta cadeira para a última. Adeus.” Ela esperou a voz masculina do outro lado da linha responder e desligou o telefone. Saiu da biblioteca, a colocou o telefone na base. Em dois quartos de dois minutos, a campainha tocou. Como esperado, Fitz e Anne estavam à porta, com suas roupas de Chá. Fitz estava com uma de suas habituais cartolas, a qual era roxa e verde, bastante extravagante, como de costume. Usava calças sociais verdes e uma pólo roxa. Os sapatos eram pretos, e seu casaco também. A cartola deixava aparecer chumaços do cabelo de Fitz, o qual era castanho amendoado, como seus penetrantes olhos. A Anne tinha cabelos displicentemente ruivos, sabe, tão displicentes quanto cabelos podem ser. Ela os arrumara em um rabo de cavalo, que caía em seus ombros, de modo à cair até sua cintura, pois tinha grandes madeixas. Usava um vestido vermelho vivo, que ressaltava as pequenas sardas perto do nariz. A saia do vestido possuía pequenos detalhes amarelo-ouro, que a faziam parecer algum tipo de membro da realeza, ou algo do gênero. Ela gostava, achava divertido, por assim dizer. Os sapatos eram pretos, como os demais. Estavam impecáveis, de modo que nada teve ela a fazer se não elogiá-los. “É um belo vestido esse que está usando, Anne. E você, Fitz, tão extravagante como sempre. De um modo bom, claro. A mesa está lá fora, no lugar de sempre. Deixe-me sair e poderemos tomar nosso chá.” Ela notou que Anne usava uma grossa camada de maquiagem para esconder as juvenis espinhas. E que a mesma usava muito rímel, e lápis preto. Não que isso realmente importasse de algo, mas ela era sempre muito observadora. Anne murmurou um simples “obrigado” e caminhou junto a Fitz, olhando para o chão. “Está um belo dia, não, Flo?”Fitz dirigia-se a ela, com um largo sorriso. Ela retribuiu o sorriso, e respondeu que sim. “Imagino que você trouxe a sua habitual torta de maçã.” Fitz assentiu com a cabeça e foi até o carro buscá-la. Voltou em instantes com um bule de chá e um enorme embrulho verde com bolinhas roxas. “Trouxe chá de uvas verdes também, minha cara.” Florence sorriu de modo significativo, pois Fitz tinha lembrado de sua predileção por chá de uvas verdes. “Não creio, meu caro Fitz. Fizeste esse imenso sacrifício por mim? Que gentil! Coloque-o junto aos outros bules, e brindemos a essa maravilhosa ocasião.” A raiva de Florence pelo atraso já tinha se esvaído, e ela estava feliz por Fitz estar ali. Anne continuava encarando seus sapatos tão bem lustrados, mesmo depois de sentada na mesa de chá. Florence não sabia o quanto uma menina podia ser recatada, portanto, continuou como se Anne não estivesse assim. “Meu querido Fitz, sente-se, sente-se. Estas semanas, estiveve pensando em chamar Red para tomar o chá conosco. Mas nesses dias tão curtos, nem lembrei-me. Creio que terei que ligar para ele e pedir minhas sinceras desculpas, sabe como Red é. Escandalosa e violenta. Gostaria de poder adiar isso o máximo possivel. Três ou duas semanas.” Ela sorriu amavelmente para Fitz, e olhou para Anne com olhos de gavião. “Red, é, de fato, violenta e escandalosa. Mas acho que ela talvez tenha razão dessa vez, cara amiga. Fazem duas semanas que não a chamamos para o chá. Talvez ela apareça hoje para reclamar, sabe como é. A chamavamos toda a semana, mas ela só vem uma vez por mês. Sente-se importante como uma rainha, recusando convites a torto e a direito. Algum dia, todos vão se encher de sua arrogância e simplesmente parar de convida-la. Acharei bem feito, se me permite o comentário.” Ele olhou para o relógio. “Acho que o nosso caro Snick virá para o chá. Atrasado, como sempre. Acho que ele brigou com o tempo de novo, se é que me entende. E, se me permite, não falemos mal de Red na frente dele, já que são noivos. Seria muito impolido de nossa parte. E uma coisa que jamais irei entender é como esses dois se acharam um no outro.” E ele comeu um pedaço de bolo de cereja. “Sabe, eu também não, meu caro Fitz. Ele é tão amável e gentil, sempre querendo agarrar o mundo com suas mãos. E ela, é uma desleixada, e raivosa. De pavio tão curto. Ele sempre tão paciente. Talvez seja meramente físico, oque eles tem.” Ela lançou um olhar desejoso para a geleia, e lambuzou a faca da mesma, passando em uma torrada. “O que está querendo dizer com físico, Florence?” Ele conteve uma ou duas risadinhas, e serviu-se de outro pedaço de bolo. “Ora, quero dizer que ela é bonita, e ele também. E ouvi dizer que ele e ela se dão muito bem no quarto.” Ela não teve a polidez de conter as risadinhas, como Fitz, e gargalhou. Anne olhava com um leve toque de curiosidade as rendas da saia de Florence. Florence ignorou, e Fitz continuou: “De fato, também ouvi isso. Acho bastante provavel que esse seja o único comodo no qual os dois se entendem. Sempre ouço discussões altissimas vindo da cozinha.” Fitz era vizinho de Snick e Red. Eles iam se casar em outubro, por alguma insistência estúpida de Red. (CONTINUA TAM TAM TAM TAM)

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