segunda-feira, 20 de abril de 2015

Tua Pele...

... é crua

Encontrei-a no banheiro. Beijou-me. Errado, tão errado. Eu estava cedendo, quase cedendo. Ela me acabou. Me destruiu por dentro, carcomeu a minha pele nua, como o verme que é, parasita. Desabotoou a minha blusa.
- Transa comigo. - Sim, mil vezes sim. Seu desejo é uma ordem. Toquei-a e a saudade me inundou. Tudo isso parecia muito errado. Quando estávamos nos quase finalmentes, num chão de banheiro frio, ela pecou.
- Viajei e só pensei em ti.
- Viajou? Com quem?
E a culpa inundou seus olhos. Rapidamente recolhi minha blusa e meu orgulho. Ela pensa que pode me fazer de boba? Que pode brincar comigo e voltar pros braços de outra? Não. Não. Não.
Mirou-me nos olhos, com aqueles olhos de gato, carregados de sentimento, e perguntou-me:
- Foi bom, isso que você andou fazendo?
- Foi ótimo. Melhor ainda sem você.
Encarei-a friamente, e vi as lágrimas rolarem pelo seu rosto, silenciosas. Bastava.
Num ato de cruel frialdade, a ignorei completamente pelo resto dos meus dias. E assim, só assim, pude ser feliz.

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