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Mar Revolto

por que eu, intranquila feito mar revolto, me doo e me dói e não quero mais por que afeto dói e tudo machuca parece que vou explodir em serpentinas preto e brancas espelhando de forma espalhafatosa, espalhando pelos cantos o interior confuso e cinza de uma difusa eu. talvez não tão cinza, visto que sou cheia de cores vistosas mas tão confusas que se tornaram uma meleca marrom estressante de mim. por que as cores vistosas ficam sempre fora de foco e por que apesar de todo mundo me dizer o quanto elas são bonitas, eu ainda valho pouco, quase nada, existo aos pedaços e tudo, mas tudo mesmo, machuca, forma ferida talvez indelével, dentro de mim? seria eu uma bola de sentimentos ruins, um cinza agonizante, que ninguém tem coragem de descrever assim?
seria eu mais que um bicho com uma marca que sangra incessantemente, coberta de farrapos manchados de amor, mergulhados em confusão e rasgos que vazam e denunciam o que sou: dor e mais dor?
seria eu o bicho homem, me refestelando em destroços e troços e traumas e tudo que dói de mim de relações passadas, de momentos estranhos, das minhas entranhas expostas pra o mundo todo ver, pra o mundo todo sentir a consternação que me infesta todos os dias, que me assola a alma, por que o bem viver é mito e é tudo um mar de sentimentos e dores e calmaria que eu não sei se vem, que eu não sei se me cabe, por que me transborda e transforma em algo que eu não quero ser?
seria eu uma nascente que jorra coisas que eu não sei quais são e momentos que eu não sei o que sentir e o que pensar de mim por que todos eles me lastimam e eu preciso ressurgir, eu preciso transformar, eu preciso não mais doer por que não dá mais em mim. o que deu, já deu, mas eu já dei? eu já me espremi de todas as formas pra ser pedaços e suco de mim,
o que eu fiz de errado?
o que eu tenho de errado?
por que eu sou sempre erro?
mergulhada em mares intranquilos de mim, me pergunto por que sou erro e me afundo cada vez mais.

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