Estava na fila do supermercado, carregando oito sacolas lotadas de decoração temática de halloween pra sua festa. Estava quase atrasada pra a própria festa. Victória já estava lá, no salão de festas. E ela do outro lado da cidade, esperando na fila pra comprar uma coca cola e uma garrafa de groselha. Conseguiu carona com o Matheus. Chegou, tomou banho, desceu e ajudou Victória a arrumar o salão. Subi pra pegar minha fantasia de chapeileiro maluco versão feminina. Quando desci, havia um desconhecido junto aos meus amigos. Um desconhecido que logo virou conhecido, e era simpático. Mais pessoas foram chegando, e eu estava com medo de que a festa ficasse segregada, que as pessoas não se misturassem, que tudo desse errado. Não deu. Fantasias, conversas, doses e mais doses da groselha batizada. De vodka. Insônia. Tapas. E beijos. Muitos beijos. Tontura. Beijo. Em todos. Todos merecem o meu amor. Música. Risos, muitos risos. E o prédio tá se mexendo. Juventude perdida é o caralho, eu tenho muito mais pra contar. Andar até o supermercado de fantasia, comprar mais bebida, comer mais bala, beber mais coca, rir mais. Por que é isso que eu quero. Ser roteiro de skins, viver no último. Se não for pra viver sempre querendo mais, não há pra quê viver. Se não for pra estar na beira, no limite, pra quê viver? Como já dizia Pessoa, tudo vale a pena se a alma não é pequena. Tequila. Insônia. Vodka. Arrumar tudo, e depois ir pra cama. Cama? Conversar com Victória até dormir. Acordar e comer. E experimentar a melhor das dores de cabeça, a de saber que tudo foi bom. A de saber que fez o que quis, e não há do que se arrepender. Afinal de contas, pra quê viver pela metade?
- PUTA MERDA, EU AINDA NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO AQUI! – Eu gritei no meio do corredor, fazendo com que todos olhassem pra mim. – É, eu estou, idiota. Agora pare de gritar e fazer todo mundo me encarar. Eu gosto de chamar atenção, mas eu sou novata, porra. – Ela me olhou tentando fazer um olhar de censura, mas a beira dos risos. – E eu sou veterana, e não estou nem aí, porra. Eu ainda não acredito que você está aqui, pirralha. – Eu ria da cara de desprezo dela pelo apelido. Sinceramente, eu amava com todas as minhas forças o fato de aquela criatura irritante e chata estar estudando na minha escola. – Eu não gosto de você, Wainberg. – Ela falou e me olhou com tanto desprezo quanto eu olharia uma aranha enorme subindo na minha mão. Ah, espere, eu não olharia a aranha com desprezo. Com medo, talvez. – Eu também te amo. – Eu sorri amigavelmente. Ela me desprezou – Eu não falei que te amava, porra – Eu olhei me fingindo de ofendida. – Eu quero um abraço. Me dá um abraço? – Ela so...
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