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Me Enamora

Andando pela rua, pensando no que ia fazer quando chegasse em casa. Deleitava-se com a possibilidade de só deitar na cama e ligar pra alguém, passar horas lá, deitada, conversando e rindo. Muito tempo que não se sentia assim. Leve, leve. Apesar de parecer que quase tudo ao seu redor explodia levemente ao som de uma sinfonia de beethoven, ela se sentia como se pudesse flutuar a qualquer momento. Sim, andara tendo crises inexplicáveis de choro. Mas, de uma forma ou de outra, não se sentia sozinha ou desamparada. Sentia como se tivesse sempre alguém ali. Alguém pra ela ir conhecendo e se apaixonando pelas coisas mais bobas, pelo jeito mais simples. Alguém pra quem ela não teria vergonha de dedicar os escritos mais bregas e cheios de significância. Alguém pra me ver chorar, no meio de uma crise totalmente sem sentido. Alguém que não a fosse julgar pelas besteiras que ela já fez. E quando julgou que nunca mais ia sentir-se assim, que nunca mais ninguém seria capaz de sentir alguma coisa por ela, ele apareceu. Não foi em um cavalo branco, nem com uma rosa na mão (ainda bem, detestava rosas), mas foi com o coração só pra ela. E o coração dela era só pra ele. A fez chorar, muito. Preocupou-a diversas vezes. Mas as lágrimas, sempre pelas coisas lindas que dizia ou fazia. A preocupação, eram outros quinhentos. Como é que havia de não se preocupar, com alguém que sempre foi tão importante, e agora, mais ainda? Como? Sentia que estava em um romance diferente. Eram diferentes. Falavam espanhol, entre si. Tratavam um ao outro como amigos e como amantes, assim como disse Vinícius de Moraes. Era isso. Algo de melhor que aconteceu em 2012. Algo de bom que esse ano tinha que trazer. Se sentia tão intrínseca à ele, ao modo de viver, particular aos dois. Estavam tão perto do aniversário, do primeiro aniversário. Estava apreensiva, sem saber se ele ia gostar do tal texto que mandou. Esperava que sim. Destrancou a porta de casa, e entrou. Tirou o telefone do gancho. Discou os números.
"Alô?"
"Hola, mi amor."
E assim, só assim, pôde ser feliz.

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