Tão breve quanto a vida, é a morte. Nada nos tira da infindável solidão que a morte nos proporciona. Admito que, de forma alguma, foi o que pensei quando a vi estendida no chão. Seu corpo imóvel parecia fazer uma espécie de desenho, como o curso de um rio. Eu parei na porta, embasbacado. Emily parecia mais tranqüila do que nunca. Usava seu vestido favorito, com o desenho de uma carpa multicolorida, que a meu ver, sorria de modo intrigante. Não que realmente sorrisse. Mas não me parecia sorrir agora. Adotara uma expressão solene, inclinei-me a pensar. Ao seu lado, um livro aberto na página de número duzentos e onze, e um bilhete. Com receio, aproximei-me do corpo inerte de Emily, evitando a todo custo encarar seu olhar vítreo e acusador. Apossei-me do bilhete, e abri cuidadosamente o papel quase desfeito por lágrimas. Dizia o seguinte: Não faço idéia de quem será o primeiro a encontrar esse bilhete. Ficaria embaraçada se fosse mamãe, de modo que peço que, quem quer que abra esse bilhete...