De melancolia, me chega. De tanto chorar, algum dia seca. Se levar a saudade, já basta. Besteira qualquer, nem choro mais. Que evento merecedor de tal mudança tão drástica podia ter o poder de mudar pra sempre o que ela entendia por sentimento. Com o coração duro como uma pedra de sal, suspirou. Com tal profundidade, acabou por sentir o interior. Sentir aquela enorme necessidade de externar emoções, pela perdida que era. Que as temporadas começassem, que ela começasse. Essa dança misteriosa do destino a fez perde-se nela mesma. Aparentemente, era possível se afogar em si. Sentou no canto do quarto e chorou. Lágrimas provenientes do seu coração salobro. E com uma pontada de desespero, deitou-se no chão, a pensar sobre o que ia fazer dali pra frente. Como ia ser? A escolha era ser ou mudar? A escolha era estar satisfeita. E se não estivesse, não é como se no fim tivesse escolha.
- PUTA MERDA, EU AINDA NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO AQUI! – Eu gritei no meio do corredor, fazendo com que todos olhassem pra mim. – É, eu estou, idiota. Agora pare de gritar e fazer todo mundo me encarar. Eu gosto de chamar atenção, mas eu sou novata, porra. – Ela me olhou tentando fazer um olhar de censura, mas a beira dos risos. – E eu sou veterana, e não estou nem aí, porra. Eu ainda não acredito que você está aqui, pirralha. – Eu ria da cara de desprezo dela pelo apelido. Sinceramente, eu amava com todas as minhas forças o fato de aquela criatura irritante e chata estar estudando na minha escola. – Eu não gosto de você, Wainberg. – Ela falou e me olhou com tanto desprezo quanto eu olharia uma aranha enorme subindo na minha mão. Ah, espere, eu não olharia a aranha com desprezo. Com medo, talvez. – Eu também te amo. – Eu sorri amigavelmente. Ela me desprezou – Eu não falei que te amava, porra – Eu olhei me fingindo de ofendida. – Eu quero um abraço. Me dá um abraço? – Ela so...
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