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Deixa Eu Brincar de Ser Feliz

Esfreguei os olhos sofregamente. O sol entrava sorrateiro pela janela entreaberta. A maquiagem do dia anterior estava borrada por toda a face, o batom vermelho manchou o travesseiro, o lápis e o delineador igualmente negros mancharam os lençóis quando ela limpou os olhos neles. Levantou apenas para constatar que era segunda, e que não tinha nenhum motivo para acordar. Escola? Aula? Preferia ficar dormindo, quem sabe para sempre. As lágrimas da noite anterior ainda estavam em mente, a bebida ainda causava dor de cabeça. Vestiu-se mecanicamente. Prendeu o cabelo, lavou o rosto, tomou banho, escovou os dentes, entrou no carro e voltou a dormir. Entorpecida dela mesmo, sob o efeito de uma droga nova, que nem ela sabia dizer qual. Vários meses haviam se passado desde que um cigarro tocara a boca dela pela última vez. Chegando no grande prédio branco e laranja, voltou para o preto. Apesar do uniforme, se destacava. Cabelos negros, cortados curtos. Totalmente maquiada. Dirigiu seu corpo meio morto até a cadeira. Bastava de sê-lo. Levantou abruptamente até o banheiro. Tirou a maquiagem, soltou o cabelo, e se fantasiou de outra pessoa, para ninguém ver.

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