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I Wanna Hold Your Hand

“And when I touch you I’ll feel happy inside, it’s such a feeling that my love, I can’t hide. (…) I wanna hold your hand.”

Corpos se entremeavam em um pequeno cemitério. Ela andava na frente, com um negro vestido, e tão negro quanto o vestido, o véu. Sua fisionomia era séria, como a de quem perdeu alguém. O que, de fato, era verdade. Andava com passinhos curtos todo o fúnebre trajeto. Ela e cem mais pessoas, todas com a mesma sensação de perda, uma sensação nada agradável. Chorava em pequenos soluços, não queria alardear sua dor, que vinha de dentro, que vinha pra si, como ele veio pra ela, de forma sorrateira, quase imperceptível, mas intensa, e forte, como um rasgo, um rompimento na artéria aorta, algo difícil, quase impossível de consertar. Coisas quebradas involuntariamente, sombras esquisitas. Pesadelos que a circundavam de uma forma puramente melancólica, como seu estado de espírito. É verdade que ela não queria nada além dele. Queria a companhia eterna, mesmo que eterno por alguns segundos. Queria escutar mais uma vez a voz dele dizendo que tudo ia ficar bem. Queria segurar sua mão. E é essa a verdade sobre a maioria das mulheres. Elas só querem segurar a sua mão.

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