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Don't Let Me Go

"Where were you, when all I needed was a call?"

Estava deitado no chão. Uma garrafa praticamente vazia de rum ao seu lado. Uma música perturbadoramente melancólica tocando em alto e bom som. Ela abriu e se deparou com a figura de seu namorado estatelada no chão. Ele estava balbuciando algumas palavras quase ininteligiveis. "Onde você estava quando tudo que eu precisava era de uma ligação?" Essas palavras atingiram ela como um trem. Ela estava perambulando por alguma ruela qualquer a procura de alguma coisa realmente nada importante, depois da briga quase que apoteótica que eles tiveram naquele dia mais cedo. Algo sobre o fato de que ela não estava nem um pouco afim de continuar aguentando algumas coisas estúpidas que ele fazia, e de ele mandando ela ir se foder. Foi aí que ela saiu correndo e bateu a porta atrás de si, chorando. Estava magoada demais. Os dois estavam. Tinham que cortar toda aquela porcaria. E ela saiu correndo por essas ruas aleatórias a procura de respostas. Ele ficou em casa, bebendo rum e escutaqndo músicas melancólicas. Quando ela chegou, algumas horas depois, encontrou essa cena. Então, resolveu. Dali a dois dias iria embora. E os dois dias se arrastaram. Ela passou os dias fora, e as noites também. Ele passou os dias sem uma percepção realmente boa das coisas, e sem saber exatamente o que fazer. Ela clamava dentro de si pra ele não deixá-la ir. Não queria ir. Mas o orgulho a impedia de ficar. O dia chegou. Era uma noite realmente chuvosa de outubro, mas ela decidiu continuar. Enfiou tudo no porta-malas, e começou a ir. O pneu furou. Ela foi sair do carro pra tentar trocar o pneu, e encontrou alguém.
"O que diabos você está fazendo aqui?" ela disse, querendo dizer com todas as fibras de si que não a deixasse ir pra Michigan.
"Esperando você."
"Ah, é? Agora você me espera?"
"Eu sempre te esperei, e sempre vou esperar."
"Você é um babaca, sabia?"
"Eu sei disso. Minha mãe sabe disso, só você não sabia disso"
"Que seja. Vou chamar um táxi"
"Você pode deitar aqui na chuva comigo e não ir pra Michigan"
"É, e eu também posso comer cacos de vidro, mas adivinha só: Eu não vou"
"Vamos lá, eu sei que você quer"
"O caralho que eu quero. Pode sentar sozinho. Aproveita e fica por aí."
"Ok, então."
Ela telefonou pra um táxi, que chegaria em vinte minutos.
"Tem certeza que não vai sentar comigo?"
"Tenho, babaca."
Então, subitamente, ele a derrubou no chão.
"Porra, vai se foder. Qual o seu problema, afinal?"
"Você. Você é a raiz de todos os meus problemas, e ao mesmo tempo, a solução. Irônico, não?"
"Agora eu estou suja de lama"
Ele gargalhou e ela ficou levemente corada, algo praticamente imperceptivel através dos grossos pingos de chuva que caiam cada vez mais ritmadamente.
Ela o encarou, com um misto de raiva e tristeza. E chorou. Outra coisa que geralmente ficaria imperceptivel em uma noite chuvosa. Mas não pra ele.
"Não chore. Não vá. Fique."
"Eu... Não posso"
"Fique."
"Mas..."
"Fique."
E ela ficou. Ficou por mais tempo do que imaginaria. Ficou pra beijos e abraços, tormentas e amassos, brigas e risadas, e ficou feliz por ter ficado.

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