Todas as pessoas olhavam bestificadas. As luzes, a dança, as pessoas e os sorrisos. Todos realmente felizes e satisfeitos. Ela olhava de uma forma diferente. Não menos feliz, mas de certa forma, diferente.Estava surpresa consigo mesma. Queria estar ali, mas queria que mais alguém estivesse ali com ela. Achava realmente bonito tudo aquilo, mas de algum modo, sentia como se algo estivesse longe, perdido ou só distante. Queria saber o que era. Provavelmente, não saber o que diabos a incomodava era o verdadeiro incômodo. Em dado momento, pensou que só tinha guardado algo ra si ou para alguém, alguém que não sabia quem era. Ou preferia não saber quem era. Em uma fração de segundo, sentiu algo perto dela. Um araço. O alguém e o ninguém ao mesmo tempo. Agora o vazio se esvaia, resvalando por um ralo aberto.E se prencheu aos poucos com algo proibido, algo indesejado. E foi levada pra isso. Droga.
O ano de dois mil e vinte e dois começou com sabor de picolé caseiro de acerola. Ultimamente, começou a sentir como se fosse primeira vez e também replay os sabores que a existência lhe podia proporcionar. Tudo tinha cheiro e gosto e um brilho diferente de vida. Podia sentir a mudança circulando em si, e nunca jamais pensou que poderia estar ali. Se a Bianca que foi aos quinze anos pudesse saber, sentir, e prever que não ia precisar e nem querer mais se esconder dentro de si, em recôncavo profundo e escuro, talvez ela não tivesse que ter reaprendido tudo sobre si antes de entender quem ela realmente era. Nos últimos meses os pesos da existência estavam sendo retirados das suas costas cansadas e marcadas de dor. Nos últimos meses ela estava sendo apresentada a uma nova versão dela mesma. A uma versão que não sente gosto de sangue na boca quando se mostra pra alguém. Uma versão que não precisa forçar nada em lugar nenhum, que não precisa se mutilar pra caber, que não precisa s...
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