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Jantar Pra Um, Por Favor

Todas as luzes apagaram. O silêncio quase reinava, se não fosse pelas buzinas na rua e os sussurros em seu ouvido. Belos sussurros, aliás. Há muito não paravam apenas pra os dois, paravam o mundo, paravam a vida. Só existiam os dois. Então, como o planejado, Elvis começa a tocar. Remete-a a tempos simples, tempos que eles eram só amigos e ele cantando aquela música, despreocupadamente no carro, enquanto dava carona pra que ela fosse pra o cursinho, cativou-a. E como disse, sabiamente, o tal do Pequeno Príncipe, nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Não que ela esperasse que ele levasse a sério, até por que ele não fazia ideia de que a havia cativado.

Mas aquela música, naquele momento, pareceu-lhe perfeita. Tudo se enquadrou tão perfeitamente, os braços se encaixaram, e dançaram, lentamente. Ao som da voz encantadora daquele homem encantador, e ao som dos sussurros de amor. São os melhores sussurros, sempre. Sentaram-se pra comer, como se fosse a última vez. Talvez fosse, mas não era como se realmente importasse. Comeram, e riram como há muito não faziam. Tudo cronometrado, como se não fosse acabar. Doce, doce engano. Tudo sempre acaba. A gente é feito pra acabar. E justo quando tudo chegou ao ápice, quando estavam sentindo tudo curado por dentro, arrombaram a porta bruscamente. E arrancaram seu coração. Pisaram, como sempre, pisotearam. E desfizeram o laço do abraço. Não sabiam se pra sempre, mas por enquanto, seus abraços iam ser pelo telefone, tão distante. Aqui, um jantar pra um e um cigarro, por favor.

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