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I'm Honest, Brutal

And afraid of you Era metida a escritora. Sentia uma vontade extrema de externar seus sentimento batendo furiosamente nas teclas do computador, mas frequentemente seus dedos perdiam a inspiração. E temiam escrever algo que ninguém tivesse vontade alguma de ler. Medo. Era isso que ela tinha. Queria se aventurar pelo mundo, mas quando fazia planos de sumir por dois dias que fossem, sentia medo de ser esquecida. Gostaria de morar fora, conhecer outra cultura ou fazer um mergulho na sua própria, porém, sempre que se sentia impelida a dar o primeiro passo pra fora de casa, seu telefone tocava e alguém precisava da sua ajuda pra algo. Sentia medo de não ser querida. Tinha vontade de escrever um livro, entretanto, quando começava a diagramar todos os seus contos favoritos, convicta de enviar para a editora dessa vez, via que seu blog teve 15 vizualizações nos últimos seis meses, e temia não ser comercial. Lhe apeteceria um pedaço da torta que está no freezer, mas engordar a aterrorizava...

There's Room For Two

Six feet under the stars Encaixotada. Encapsulada. Trancada. Fechada. Sentia como se dançasse um balé torto, ao som de uma música qualquer, em uma boate sem nome, no palco da vida. Sempre se sentia assim nas segundas feiras. Um lixo. Porém, como era obrigada a se arrastar da cama para um dia razoavelmente ensolarado, e que não refletia em nada seu humor matinal, levantou-se. Trajava uma calcinha preta e uma blusa recortada para revelar apenas o necessário. A réstia de luz entrando pela janela semi aberta a perturbava, assim como o calor quase insuportável que fazia naquela manhã. Lavou o rosto, e amaldiçoou o maldito período menstrual por deixá-la absolutamente intragável aos olhos. Deu um jeito de arrumar quase decentemente o rosto pipocado de espinhas e o cabelo lambido. Despejou comida na tigela do seu cachorro que balançava o rabo atrás dela, e voltou ao quarto para se vestir. Era um antro de coisas não identificadas e desejos reprimidos. Vestiu as roupas de qualquer jeito, co...

I Cheated Myself

Like I knew I would. Vagas lembranças assolavam o interior do seu quarto, enquanto ela dormia. Como se tudo estivesse bem. Como se uma outra mulher não tivesse sido machucada na noite anterior. Como se ela, com um organismo mecânico, movido a cervejas, coca e sexo, não estivesse alquebrada por dentro. Como se seu lento coração não estivesse prestes a parar, e só se movesse, lentamente, por que está preso na sua caixa torácica, esperando um ataque cardíaco. Esperando não mais ter que se dar ao trabalho de bater. Infelizmente, esse dia nunca chegava. Dormia, mas dormia profundamente. Só conseguia dormir depois de um quase coma, ou depois de uma dose, uma última dose, que saciava seus desejos mais obscuros. Uma fileira de caras passavam por sua vida, vazia. Vazia. Tão vazia, mas tão vazia, que fazia eco dentro de si e voltava. Cada um, a marcava de uma maneira diferente. Alguns, deixavam marcas de cigarro na sua mesa de cabeceira. Outros, deixavam marcas de copo na mesa da cozinha. E...

O Esforço Pra Lembrar

é a vontade de esquecer… - Oi, tudo bem? - Tudo, tudo. E com você? - Também… - Escuta - Posso ir aí? - Era isso que eu ia pedir - Tô te esperando Desligaram o telefone de maneira seca. Mas dentro do seco, havia um oco. Um oco de saudade, uma pressa cheia de sentimentalismo. Abriu a porta, com receio. Receio de ter uma cara cansada, de ter um corpo fatigado. Não era. Um sorriso inundava sua face. Estava tudo bem. Abraçaram-se, enquanto ela pensava e cantarolava a letra de Tempo Perdido. - Quase sufoquei sem você. - Meu peito parecia sempre pesado. - O meu também. - Que saudade, meu amor. - Você não imagina o quanto eu senti tua falta. - Eu faço uma ideia. Riram. E passaram o dia grudados, como um dia haviam de passar a vida. ~ - Vocês vão ter que aceitar. - Não consigo acreditar que vocês estão juntos. - Isso é problema meu, e não de vocês. Informei pra cargo de informação. Estamos juntos e vamos ficar juntos, quer vocês gostem ou não. - Se é de sua escolha… - Si...

Mas Nem Toda História É Nossa Obrigação

Várias pontas soltas. Parar pra pensar nas coisas inacabadas, no "e se...". Tantas coisas que ficaram pelo meio do caminho, atordoadas, sem ar. Foco no casal, discutindo. Ela pede perdão. Pede pra voltar. Ele recusa, e a deixa chorando, ali, parada, sofrendo. Ela errou. Ele estava certo. A partir daí, as coisas nunca mais foram as mesmas. Desfoque. Foco na menina, chorando. Devendo explicações. Pra ela e pro mundo. Por que, Deus, por que teve que fazer aquilo? Por que tinha que ser sempre tão obtusa? E causava sua própria desgraça, se enche de dor e se esconde debaixo das cobertas. Desfoque. Foco no novo casal, que a irritava. Por que não ter o que queria tinha que ser tão doloroso? Desfoque. Foco na escola, tão borrada. Tão distante da lousa, da aula incrivelmente soporífera de química, e da vida. Estava tudo indo embora tão depressa. Desfoque. Foco no copo de vodka, na garrafa de cerveja, na menina vomitando, em tudo indo bem e indo mal. Foco na praia, no homem se...

Baby, We Both Know

... That nights are made for saying things that you can't say tomorrow day Acordou, com a face iluminada pelo sol do meio dia. Já acordou irritada. Magoada por que o sol tinha que nascer, aquele sol causticante, que lhe beijava os cabelos quando andava na rua, aquele sol irritante que lhe lambia os olhos quando corria na praça. A noite era tão mais bela. Carregava coisas que o sol não podia levar. Levava pra longe, bem longe, a vergonha da luz do dia. A noite era tão linda, pena que finda. Descobriu, posteriormente, que dormiu pouco menos de vinte minutos. A noite, dessa vez, lhe pareceu borrada. Borrada de mal entendidos. Por que, Deus, tinha que ter uma boca tão grande quando bêbada? Por que sempre bebia como se não houvesse amanhã? O problema, como sempre, é o que o amanhã sempre chega. E quando chega, inunda a burra que não mais está bêbada, de sentimentos adversos e diversos sobre si mesma. Ah, como seria fácil se pudesse apenas passar uma borracha na cabeça dos outros tamb...

Descritivo, Pouco Argumentativo, Aumentativo, Porém, Com Amor

Branca, com grandes janelas de vidro e pé direito alto. Janelas que eram quase do tamanho de portas. Jardim frontal, com grandes margaridas e vasos enormes com rosas vermelhas. Havia um portão igualmente branco, que separava a casa de pé direito alto da rua. Porta adentro, um grande hall de entrada, com alguns quadros pintados por ele e emoldurados belamente, e um par de poltronas de chemise vermelho sangue. Ao entrar na sala, não havia televisão. Havia um armário, que pelos moradores da casa, era conhecido por ser um armário de jogos de tabuleiro. Desde banco imobiliário, até baralhos. Era onde a família se reunia pra jogar, todas as noites. Haviam duas poltronas e um sofá igualmente vermelhos, e uma mesinha de centro de madeira escura. No canto da sala, havia uma janela muito grande, e uma estante, lotada de livros. Uma das muitas que ocupavam os cômodos da casa. Na janela, um parapeito estofado para sentar e ler. A filha mais nova do casal sentava lá por horas e folheava livros lota...