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filme francês de hollywood

minha vida passou de um marasmo imbecil overachiever de filme hollywoodiano pra um filme francês mal divulgado. enquanto eu ouço piaf e devaneio sobre os poemas, belos, que a menina que sofro de paixonite aguda me enviou, penso no futuro.
penso em uma tarde ensolarada na qual eu estou de folga.
penso em um cigarro aceso e dois corpos nus, deitados na cama, sob a sombra e sob a luz do sol.
uma se aproxima por cima da outra, provocando encontro sutil de corpos. alcança a carteira de cigarro na mesa de cabeceira. pega um e o acende. a fumaça parece poesia.
ambos os corpos permanecem em silêncio. a boca apenas abre para a introdução do cigarro e para expelir a fumaça provocada por ele.
uma onda de nostalgia invade uma das duas. dá um riso de canto de boca.
o que foi?
nada.
acendem um beck pré bolado.
sabe o que eu gosto de fazer quando estou chapada?
recitar poesia.
ambas riem.
e recitou poesia. ocasionalmente, me olhando no olhos, só desviando para furtivamente olhar para a parede branca.
eu fumava e encarava, encantada. não conseguia desviar olhar. não conseguia pensar em nada além da cena que estava se desenrolando.
a fumaça espessa do cigarro se dissolvia e mesclava com a fumaça da maconha.
o quarto se tornara uma sauna. o ventilador fazia com que a fumaça rodasse no quarto fechado.
em breve, tenho que me arrumar para o trabalho.
mas o breve é só amanhã.
o hoje é uma cena absurda, esfumaçada e que parece sonho.
sonho dentro de sonho, e ainda nem sei se acordei.
sonho de poema, de recife, de paixão.
ela prossegue recitando o poema, cada vez mais baixo e mais perto da minha orelha.
levanto, nua e sigo até a cozinha a procura de água.
quando trago a água para o quarto, abro a porta, deparo-me com o corpo nu e sincero da mulher que deixei a minutos atrás.
não pode ser melhor que isso.
e foda-se o trabalho proleta que eu vivo todos os dias. foda-se a rotina esmagadora.
não fica melhor que isso.

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