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We Can Be Addicted To A Certain Kind Of Sadness

Ontem foi um dia estranho. Levantei da cama onze da manhã, cansada ao extremo. Eu sempre tô cansada ao extremo. Mas nessa ocasião eu tinha dormido doze horas seguidas. Mandei uma mensagem pra o meu então ficante, cobrando alguma irrelevância dele. Fui chamada de impaciente, e começamos a conversar, por mensagem. Foi quase que um relacionamento virtual. Mas pra mim, tava tudo indo bem. Assisti televisão, tive minha primeira atribulada aula de direção, fui ao cabeleireiro e voltei pra Natal, pra fora da casa dos meus pais. Durante o percurso, comecei a receber mensagens do ficante, colocando pra fora preocupações sobre o nosso relacionamente, e confidenciando-me que acreditava que eu gostava mais dele do que o contrário, que achava que o relacionamento não passava disso, que sentia que eu tava querendo e ele não. Fiquei arrasada, mas me segurando até sair do carro pra poder ligar, aos prantos, pra Victória me socorrer.

Ela me socorreu, e depois fui pra o telefone com o dito cujo. Falei o que eu estava sentindo, e sem querer, reforcei as teorias. Tudo que ele falou me deu a entender confusão da parte dele e um fim. Fim que a gente nunca sabe aceitar. Assim que decidimos (ele decidiu) por acabar, fui ler, ver televisão e ficar no computador. E foi completamente insuportável. Cinco pessoas me perguntaram dele, várias pessoas mudaram status de relacionamento no facebook, na televisão só passava comédia romântica, até no livro, que tratava sobre uma série de assasinatos encontrou-se um espaço pra o romance entre dois personagens. Acabada e derrotada, me entreguei pra um bombom e pra a internet. Abençoada internet. Acabei vendo Dexter, comendo chocolate e desencanando.

Eu tinha uma festa pra ir. E isso tinha matado o meu humor. Tava de cara inchada, olheiras acentuadas, cansada e querendo me juntar ao meu Dexter a noite inteira. Mas, como a festa era paga, tive que levantar o traseiro da cama, tomar banho, me maquiar, vestir, enfiar o pé no salto e partir pra lá. Parti, com o pressentimento que eu não ia me divertir nada. Chegou até um ponto da festa que eu me enfiei em uma cabine do (lindo) banheiro, liguei pra Victória e ficamos conversando sobre a vida, homens, e tudo mais. Trancada no banheiro, ao som de Alejandro Sanz (Tiritas pa ese corazón partío, tiritas pa ese corazón partío)tocando Corazón Partío, pra combinar com o meu coração partido, falando com Victória ao telefone. Minha mãe já tinha ido atrás de mim três vezes. Decidi-me por sair de lá, e ir aproveitar a festa. A banda era boa, já tinha tocado Legião Urbana, Titãs, Capital Inicial...

Tinham uns caras bonitinhos. Passei a noite olhando pra uns. Um dos músicos de uma das bandas era LINDO. Não sei o nome do cara. Não sei o nome da banda. Na verdade, a banda era só banda de apoio, a estrela mesmo era um dos caras, chamado Thiago Correa. Não era o tal Thiago o gato, mas tudo bem. Nas idas e vindas da noite, preenchi o vazio com whiskey, com caras, e com comida.

Agora cá estou, hoje, solteira, com um vazio meio grande no coração, sem saber se rio ou se choro, lembrando, amargamente, das provas que vou ser obrigada a fazer essa semana, meio desamparada. Com uma vontade louca de sair por aí com aquela plaquinha de "Aceito abraços", por que eu estou aceitando. Ando precisando ter com o que aquecer a alma. Ando precisando de alguém que se entregue com a mesma medida exagerada que eu me entrego. Como diz Victória, sou muito intensa. E a minha intensidade não é pra todo mundo. Não sei nem se é pra mim, também. Abro minha vida a público por que não tenho muito a esconder, e o que teria, já é domínio público. No fim das contas, tomo um chá e vou pra cama.








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