Cabelos não muito compridos, e lisos. Algumas espinhas na cara, nada anormal pra uma adolescente a caminho do final dessa jornada. Geralmente compenetrada e nunca separada dos seus fones de ouvido. Tinha um gosto musical considerado incomum na maior parte dos círculos sociais da cidade. Apesar de incomum, era parecida, e era diferente. Se destacava do rebanho. Tinha suas ideias bem claras na cabeça, seus sonhos no lugar. Não era alta nem baixa. Namorados, não tivera muitos. Sempre cercada das mais diversas pessoas. Complexa, fechada, porém interessante e bem disposta a conhecerr pessoas. Foi assim que a conheci. Do nada, começamos a manter contato virtual, que evoluiu pra contato diário na escola. Contato essencial para manter parte da sanidade mental, vale salientar. Tem complexos e histórias mal resolvidas, que se desenrolam diante dos seus olhos, e com frequência sem interferência dela mesma, só do coração. Coração sobropõe razão, mesmo que a doa admitir. Vive em constante conflito consigo mesma e com o mundo ao redor, numa relação de amor e ódio. Costuma ostentar um sorriso afiado e instigante, principalmente quando o assunto é do seu interesse. Seus constantes conflitos começam das suas paranóias, bonitas paranóias, que assolam frequentemente sua imaginação demasiado fértil. Fã de Clarice, Caio e Los Hermanos, encontra conforto na palavra escrita, seja essa vinda da ponta dos seus dedos, ou da ponta dos dedos de outros. Apaixonada pela literatura, música e teatro. Inteligente, apesar de não parecer consciente de tal capacidade. Um enigma ambulante, principalmente para os desconhecidos. Versátil. Inconsciente da beleza interior e dos atrativos que possui. É ela, a Rainha.
- PUTA MERDA, EU AINDA NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO AQUI! – Eu gritei no meio do corredor, fazendo com que todos olhassem pra mim. – É, eu estou, idiota. Agora pare de gritar e fazer todo mundo me encarar. Eu gosto de chamar atenção, mas eu sou novata, porra. – Ela me olhou tentando fazer um olhar de censura, mas a beira dos risos. – E eu sou veterana, e não estou nem aí, porra. Eu ainda não acredito que você está aqui, pirralha. – Eu ria da cara de desprezo dela pelo apelido. Sinceramente, eu amava com todas as minhas forças o fato de aquela criatura irritante e chata estar estudando na minha escola. – Eu não gosto de você, Wainberg. – Ela falou e me olhou com tanto desprezo quanto eu olharia uma aranha enorme subindo na minha mão. Ah, espere, eu não olharia a aranha com desprezo. Com medo, talvez. – Eu também te amo. – Eu sorri amigavelmente. Ela me desprezou – Eu não falei que te amava, porra – Eu olhei me fingindo de ofendida. – Eu quero um abraço. Me dá um abraço? – Ela so...
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