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Blackbird Singing In The Dead Of Night

Deitado na cama. Não conseguia, de maneira alguma, encontrar uma posição confortável pra dormir. Já eram quase cinco da manhã. Suspirou. Os únicos barulhos eram do ar condicionado, da sua respiração, e do vizinho de cima, que aparentemente tinha insônia. Ficava refletindo sobre as comédias românticas que já fora obrigado a ver, e como elas sempre davam um jeito de dar certo com aquela mulher esquisita que o personagem conhecia em algum lugar inóspito e absurdamente clichê ao mesmo tempo. Quando se levantou, não muito tempo depois, pra se arrumar, lembrou do cheiro das coisas as quais ele não sentia mais o cheiro. Lembrou das coisas as quais ele não via mais. Saudade. Era essa a palavra. Conseguiu, por tempo o suficiente, manter as borboletas no estômago.

Depois de mais uma noite em claro, sentou-se na beira da cama, esperando que alguma coisa acontecesse. Bocejou, apesar da clara falta de sono. Estava com um pressentimento estranho, novo, de que tudo ia dar certo. Não gostava muito desse pressentimento. Geralmente significava que ela estava errada, e que ia cair escada a baixo, e ficar lá, de tapete, no chão, por algum tempo. O sol ainda não tinha surgido, e ela sentia que foi assim por tempo o suficiente para que esquecesse de como era interessante quando ele saía e deixava todo mundo com calor, as vezes insuportável, mas melhor que o frio.

Conseguiu passar o dia sem pensar em nada relevante, se é que isso era possível. Foi isso que a vida dele se tornou? Uma massa disforme e sem muito sentido? Quem dera algo acontecesse.

O otimismo a estava comendo por dentro. Era hora de parar, antes que fosse tarde demais. Online no chat, e ela deu pulinhos. Merda. Era tarde demais.

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