Pular para o conteúdo principal

Stop Telephoning Me

"Sorry I can't answer you, I'm kinda busy"

O telefone tocou pela vigésima vez nos últimos dez minutos. Ele apertou o botão de "ignore call". Estava se cansando aos poucos dela. Não é que ela fosse desinteressante, chata, incompatível, burra, gorda, irritante, ou qualquer coisa assim. Ela era perfeita. Pra outro cara. Ele conheceu outra garota. Na verdade, já a conhecia. Ja fora apaixonado por ela. Mas de repente, ela voltara a se tornar interessante, como se a luz tivesse e acendido com um clique abafado, e tivesse tomado conta de algo que ele não sabia que podia ser tomado. Ana era linda. Inteligente. Da sua idade. Talvez um pouquinho menos complicada que Ingrid. Sorridente. Com menos coisas pra fazer, mas mais tempo pra aproveitar. Menos compromissada. E assim, como um piscar de olhos ou um estalo de dedos, vai embora e não pretende voltar, deixando a chave da casa, um armário vazio, e um bilhete insólito, que mais tarde ficaria borrado de lágrimas sinceras de um amor verdadeiro. O bilhete dizia algo banal, mas tão banal que machucava. E dor penetrava nela exatamente como uma faca recentemente afiada, como um punhal que tem um ponto certo pra acertar. E sufoca seu coração de uma forma que o faz perder a confiança em si e nos outros. A mensagem, era algo normal, mas estranho pra ela "escutar" dele.

"Sinto muito. Eu te amo. E por isso, eu realmente sinto muito."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eu Vejo Tudo Enquadrado

 agonia sem nome no peito. coisas que não sabia nome, sabia sentir o sentido dos sentimentos. jorrava sentimentos esparsos e cansados, temerosos. talvez ressentia ter que ficar enjaulada dentro de várias coisa e dentre elas a doença. a cabeça pesava. de peito aberto pra sentimentos que ela arreganhou porteira, pra aquela agonia inominável.  temia que agora que mostrara o pior de si, aquilo assustasse. que estivesse chacoalhando demais o peixe no saquinho, apertando demais o passarinho na mão, até que ele desse o suspiro final. tinha medo de sentir aquela dor outra vez. mesmo sabendo inevitável e que o pra sempre é fantasia de fábula que nos contam na infância.  se mostrava inteira, mas nem sempre o que tinha pra mostrar tinha o glamour do mistério. as vezes, e muitas vezes, era só ela, desnuda, confusa e cansada no fim de mais um dia cheio de pensamentos ansiosos e paranoicos brincando de pingue pongue na cabeça. o desnudar-se deixava ela insegura que estivesse entregando...

As Deep As The Pacific Ocean

O ano de dois mil e vinte e dois começou com sabor de picolé caseiro de acerola.  Ultimamente, começou a sentir como se fosse primeira vez e também replay os sabores que a existência lhe podia proporcionar. Tudo tinha cheiro e gosto e um brilho diferente de vida. Podia sentir a mudança circulando em si, e nunca jamais pensou que poderia estar ali. Se a Bianca que foi aos quinze anos pudesse saber, sentir, e prever que não ia precisar e nem querer mais se esconder dentro de si, em recôncavo profundo e escuro, talvez ela não tivesse que ter reaprendido tudo sobre si antes de entender quem ela realmente era.  Nos últimos meses os pesos da existência estavam sendo retirados das suas costas cansadas e marcadas de dor. Nos últimos meses ela estava sendo apresentada a uma nova versão dela mesma. A uma versão que não sente gosto de sangue na boca quando se mostra pra alguém. Uma versão que não precisa forçar nada em lugar nenhum, que não precisa se mutilar pra caber, que não precisa s...

Calada E Só

Depois de toda a euforia estresse preocupação, de repente uma onda de calmaria chega. Mas é daquelas calmarias avassaladoras, sabe? Que se instala no peito e rouba o fôlego. Calmaria ansiosa, sem saber o que esperar do futuro. Se perguntando onde estava o erro, se tudo caminhava tão tranquilamente? Por que ela esperava pela quebra da onda toda vez? Por que não conseguia encontrar descanso na calma, por que ficava a procura daquilo que poderia estar espreitando? Tentava veementemente não dar lugar pras paranóias, não dar espaço pra que o não dito por que não foi nem sequer cogitado mas abria caminhos pra infindáveis perguntas e questionamentos que vinham sem pedir licença. Domingo é sempre assim: a gente fica questionando a própria existência com lágrima escondida atrás das pálpebras: as vezes rola, as vezes a gente faz força pra cair, mas fica lá, teimando em te atormentar com a ideia de que se talvez meus sentimentos transbordarem pra fora de mim, talvez eles parem de me atazanar....