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Paranóia.


Nada comparava-se ao simples prazer de pintar a paisagem outonal do Central Park. Era realmente uma visão. Não se importava se estava um pouco frio, sentia como se a paisagem aquecesse tudo, ou um calor interno. E então, uma súbita raiva subiu a sua cabeça. Raiva de si mesmo. Então cortou a pintura com um grande “X” vermelho. Não queria mais pintar paisagens outonais. E se irritava por não querer continuar pintando. Alguém cobriu o nariz dele com um pano. Um pano embebido em algo forte. E ele desmaiou. Seu corpo caiu no chão. E a próxima coisa que ele vira, foi realmente esquisita. Estava em algum lugar. Sua pintura com ele. Encostada no cavalete. A mochila dele, os pincéis, a paleta de tintas. Tudo lá. Naquela sala branca. E ele estava sentado em um sofá futurista, vermelho como sangue. Sentado não seria exatamente a palavra. Estava acorrentado ao sofá. Mas suas mãos estavam livres. Fato que o ajudou a ajeitar o cabelo e se ajeitar no sofá. Por que ele estava ajeitando o cabelo? Não sabia. Sentiu uma necessidade de ajeitá-lo, então o fez. Levantou-se do sofá. A corrente que o prendia no sofá era realmente bem extensa, e ele conseguia quase chegar até a porta, não chegando por alguns passos. Ele sentou-se no chão frio, e olhou para o sofá. Era um sofá bonito. E ele viu que havia uma nova tela ao lado do cavalete. Então ele se pôs a pintar as únicas coisas que ele via: O sofá e a mochila. A sua mochila, que era muito surrada, destoava do sofá, bastante novo. E ele terminou de pintar em um curto espaço de tempo, que ele estimava que fosse de uma a duas horas. Para ele, isso era pouco para se concentrar em uma pintura. Já passara dias sem se alimentar, tomando apenas água e coca-cola, e dormindo duas ou três horas para poder terminar uma pintura. Ele deitou as costas doloridas no assoalho e ficou encarando o teto, com a esperança de algo acontecer. O teto era tão branco quanto o resto do quarto. E de fato, aconteceu. Ele sentiu outra onda de tontura, e desmaiou de novo. Acordou então, jogado ao banco do parque, sem as correntes, do mesmo modo que estava disposto antes. Ele levantou-se, e viu o quadro do sofá e sua mochila. Soube, instantaneamente, que alguém o estivera observando. Ou ele estava ficando completamente louco. Não sabia, mas estava inclinado a se exilar em sua casa, com raras saídas. Paranóia, Paranóia.

(Foto meio nada a ver, mas que seja.)

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