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She Falls Asleep


“She falls asleep and all she thinks about is you”

Drogas. Sexo. Rock ‘n’ Roll. Evanna tinha adotado isso como modo de vida. Não se lembrava de muita coisa desde que acordava pelas manhãs arrastando o lençol pela casa pra pegar leite na geladeira e pra curar a larica. Solta-la por aí foi o erro de seus falecidos pais. Ela costumava dizer que fora de desgosto, mas estava sempre profundamente letárgica, fora de si vinte e quatro horas por dia. Evanna costumava ser uma pessoa amável. Costumava ser boa no que fazia na escola, boa filha, boa tudo. Conheceu então, Andrew. Ela o amava. Ele a fazia de joguinho. Ele bebia e usava heroína, e ela começou também. Ele não tinha senso de pudor, e Evanna perdeu o seu também. Foi pega por vezes transando com Andrew em lugares públicos, como a praça. Ela perdeu sua vida que não com Andrew. Não ia a escola, maltratava os menores, desfilava com roupas menores que a calcinha. Deu realmente desgosto nos pais, que não a deserdaram por pouco. Bebia, injetava, cheirava, e fumava. Participava de orgias, quanto mais melhor. Mudou completamente quem ela era por um cara que não a amava verdadeiramente. Então, Andrew conheceu Chris. Ela era quase que o mal encarnado, e Evanna aspirava parecer-se com ela. De nada adiantou. Andrew preferiu sua alma gêmea, a que nasceu má, e não a que mudou por amor, um puro amor. Evanna não parou com nada o que fazia. Mas agora se afogava em lágrimas de puro pesar. Pensava nele sempre, acordada ou adormecida, e agarrava quase que qualquer fiapo de que Andrew voltaria pra ela. Não podia estar mais errada. Ela sabia que ele nunca voltaria, mas preferia não acreditar. Por vezes me ligou pra dizer com frases desconexas que seu coração estava partido e que não sabia se ele recobraria o formato inteiriço. Eu a ouvia chorar e ia até sua casa, mesmo sem saber o que dizer, coloca-la pra dormir, por que nessas ocasiões, Evanna estava simplesmente bêbada demais pra se despir sozinha. E isso começou a acontecer cada vez mais frequentemente, até o ponto de que o ar que ela respirava era pra ele. Eu não sabia se ela queria morrer ou viver, mas sempre estava pendurada em um fio de lucidez. Um fio por demais transparente e inseguro, pronto pra desaparecer. Ela não tinha mais a quem recorrer. Nada mais fazia sentido. Evanna embebeu-se em álcool, embebeu seus sonhos e quaisquer esperanças no doce sono da inconsciência de seus atos. A maquiagem mais pesada que nunca, tornou-se quase menos que uma prostituta, explorando aventuras sexuais com desconhecidos. Sempre se lembrava de Andrew. Sabia que ele estava com Chris. O frio a pegava desprevenida, a temporada de inverno começou, o que congelou suas lágrimas. Em sua última conversa lúcida, ela me fez a seguinte pergunta: “Ele algum dia vai perceber que eu o amo e vai voltar pra mim?” Ela me olhava com um olhar meio vago, mas esperançoso. Eu me perguntei se os efeitos das drogas tinham passado por um tempo, mas acreditei que não. “Não sei o que te dizer.” Foi tudo que eu consegui dizer antes que ela desabasse no choro de novo, murmurando coisas incompreensíveis. Sempre parece que ela não vai agüentar mais. Que ela simplesmente vai cair no sono aos prantos de novo e nunca mais vai acordar. Andrew havia voltado à cidade, junto com Chris, em uma manhã ensolarada de agosto. Ele resolveu ir até a casa dela, pra machucá-la mais um pouco. Quem sabe pisar em seu coração, seguido de uma ligeira pancada no corpo oco que ele vai deixar pra trás? O fato é que Evanna não tranca a porta da frente, só a do quarto. Ele entrou, subiu as escadas sem saber que fazendo isso já a estava machucando. A porta do quarto estava trancada, e segundos depois, um grito agonizante percorreu a casa. Ela não tinha mais nada a dar, agora. Estava morta. Não se matou. Estava apenas esperando que ele fosse voltar pra um pouco mais. E morreu de falência múltipla de órgãos. Infarto, cirrose e falta de ar. Ev sempre foi minha melhor amiga. Minha melhor amiga pra sempre. E agora eu estou lendo essa carta que eu fiz pra ela, no enterro. Acho que eu afoguei minhas emoções de ver minha amiga definhando aos poucos no papel. Andrew se foi, não sei exatamente pra onde, mas espero que o mais longe possível de Evanna. Eu sinceramente não sabia o porquê de que ela queria viver, estava vivendo uma sobre vida. Fico feliz de que o sofrimento dela tenha cessado, e triste por ela não ter conhecido alguém que a fizesse bem e a desse valor. O coração dela agora está inteiriço, e está onde deveria estar o tempo todo: dentro do peito. Ela o segurava pela janela demais, precisava parar com isso. Bem, o tempo deu um jeito de ela parar. Ev, se puder me ouvir, eu te amo, e serei eternamente culpada de não ter conseguido proteger você de si mesma. Foi tarde pro Andrew pra perceber os erros dele, e tarde pra você pra perceber os seus. Peço que me salve, por que tenho esperado por muito tempo. Tchau, Ev. Espero que enfim fique em paz consigo mesma.

Dianne.

Comentários

  1. Eu adorei Bianninha :) Você é talentosa e sabe disso. Esse aí ficou muito legal mesmo, é. HEHEHE, M F B. E não, não sou Maria nenhuma. HE

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